Pressão Alta

Quais as causas da hipertensão arterial?

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) ocorre por diversas causas, que serão descritas aqui. É definida como o aumento crônico da pressão sanguínea, de valor igual ou superior a 140/90 mmHg (em indivíduos adultos, de até 74 anos, sem comorbidades como diabetes ou insuficiência renal).

Os valores da pressão arterial seguem a seguinte classificação:

  • Pressão arterial normal: valores menores ou iguais a 120/80 mmHg;
  • Pré-hipertensão: valores entre 121/81 – 139/89 mmHg;
  • Hipertensão grau I: valores entre 140/90 – 159/99 mmHg;
  • Hipertensão grau II: valores iguais ou maiores que 160/100 mmHg.

Constitui um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais, sendo responsável por pelo menos 40% das mortes por acidente vascular cerebral, por 25% das mortes por doença arterial coronariana e, em combinação com o diabete, 50% dos casos de insuficiência renal terminal.

Sua prevalência na população urbana adulta brasileira varia de 22,3% a 43,9%, dependendo da cidade onde o estudo foi conduzido.

Causas de hipertensão arterial
  • Hipertensão arterial essencial (primária) - sem causa definida (idiopática) - 95% dos pacientes.

Embora não se saiba sua causa exata, sabe-se que pode ser causada por múltiplos fatores genéticos e de hábitos de vida.

O aumento da absorção de sal pelos rins, uma resposta exacerbada dos vasos sanguíneos a estímulos nervosos mediados por neurotransmissores, como a adrenalina, e uma perda de elasticidade das artérias que as deixam mais rígidas, são alguns dos mecanismos responsáveis pelo aumento da pressão arterial na hipertensão primária. 

A hipertensão essencial geralmente aparece de forma gradual, piorando com o passar dos anos. Ainda não se sabe por que estas alterações surgem em determinadas pessoas, mas já é possível identificar alguns fatores de risco para a hipertensão essencial:

  • Afrodescendência: negros têm maior incidência de HAS, iniciando mais cedo na vida e com complicações mais numerosas e mais graves ao longo dos anos;
  • Genética: história familiar - quanto mais parentes portadores de pressão alta você tiver, maiores são suas chances de também desenvolver a doença;
  • Consumo de sal - cloreto de sódio: mais de seis gramas de sal por dia - O sal aumenta a pressão arterial por induzir duas alterações nos vasos sanguíneos: 1) aumenta o volume de líquidos dentro dos vasos; 2) o sódio age diretamente nas paredes das artérias, causando uma constrição das mesmas (diminuição do diâmetro), levando a um aumento da resistência (pressão) à passagem do sangue e uma menor capacidade de vasodilatação;
  • Obesidade: IMC = peso/altura ao quadrado > ou = a 30 - até seis vezes mais chances de apresentarem HAS. A circunferência abdominal, medida na linha do umbigo, também é fator de risco; quanto maior, maior o risco;
  • Consumo de álcool: consumo diário de duas ou mais doses de álcool por dia - dois copos de vinho ou de cerveja - aumenta em duas vezes o risco de HAS. Quanto maior o volume ingerido, maior o risco;
  • Idade: ao longo dos anos, os vasos sanguíneos vão passando por um processo chamado arteriosclerose, em que a parede das artérias vai endurecendo, fazendo com que as mesmas percam elasticidade e capacidade de se acomodar com as variações da pressão arterial. A hipertensão do idoso é tipicamente sistólica, isto é, a pressão máxima (pressão sistólica) fica alta e a pressão mínima (pressão diastólica) fica baixa;
  • Colesterol elevado: aumenta a deposição de gordura nas artérias, um processo chamado de aterosclerose, que leva à HAS;
  • Sedentarismo: A prática regular de exercícios diminui os níveis circulantes de adrenalina, que causa constrição das artérias, e aumenta a liberação de endorfinas e óxido nítrico, que causam vasodilatação, o que é excelente na prevenção da doença. O sedentarismo também contribui para o sobrepeso e aumento do colesterol;
  • Tabagismo: O cigarro provoca um aumento imediato da pressão arterial pela ação vasoconstritora da nicotina, além de acelerar o mecanismo da arteriosclerose, tornando os vasos duros e rígidos. O fumo passivo também é fator de risco para hipertensão arterial;
  • Anticoncepcionais orais (ACO):  A pílula anticoncepcional geralmente aumenta discretamente a pressão arterial, porém, há mulheres, principalmente fumantes com mais de 25 anos, que os ACO podem causar hipertensão.
  • Hipertensão arterial secundária (5% dos pacientes):

Diferentemente da hipertensão essencial, em que há fatores de risco identificados mas sem uma causa claramente estabelecida, a hipertensão secundária tem uma causa bem definida. Neste caso, a pessoa tem uma doença que leva à hipertensão. Algumas doenças que podem causar hipertensão secundária:

  • Insuficiência renal crônica: uma das principais causas de hipertensão secundária. Quando os rins começam a falhar, o corpo começa a ter dificuldade em excretar o excesso de sal e líquidos consumidos, o que provoca um aumento da pressão arterial. Cerca de 85% dos pacientes com insuficiência renal crônica têm hipertensão. É importante lembrar que o oposto também pode ocorrer, isto é, a HAS (por outra causa) levar à insuficiência renal.
  • Glomerulonefrite: os glomérulos possuem os filtros que "limpam" o sangue. Glomerulonefrite é o grupo de doenças que causam inflamação dos glomérulos. Há várias doenças que provocam glomerulonefrite e quase todas apresentam hipertensão como parte dos sintomas.
  • Rins policísticos: os cistos expandidos aumentam a liberação do hormônio renina, que causa uma maior absorção de sódio nos túbulos renais e aumenta, por consequência, o risco de hipertensão. Indivíduos com rins policísticos podem ter hipertensão mesmo quando não apresentam ainda transformações detectáveis da função renal.
  • Estenose da artéria renal: Estenose é um estreitamento de uma artéria. A estenose da artéria renal reduz o aporte sanguíneo para o rim. Como a pressão sanguínea que chega ao rim está muito baixa, o rim reage como se a pressão estivesse baixa em todo corpo e começa a reter mais sal e líquidos para compensar essa falsa hipotensão.
  • Feocromocitoma: É um tumor maligno da glândula supra-renal, que produz adrenalina. A hipertensão pode ser causada por este excesso de adrenalina;
  • Aldosteronismo primário: Normalmente é causado por um tumor benigno da supra-renal ou por um crescimento anormal da glândula. Leva à hipertensão devido ao aumento da produção do hormônio aldosterona, que atua no rim aumentando a absorção de sódio nos túbulos renais;
  • Síndrome de Cushing: Doença causada por corticoides em excesso no organismo, tanto por aumento da sua produção pela glândula supra-renal como por ingestão de corticoides sintéticos em excesso para tratamento de algumas doenças;
  • Apneia obstrutiva do sono: Ocorre sobretudo em obesos caracteriza-se por períodos de apneia (interrupção da respiração) durante o sono. Metade dos pacientes apresenta hipertensão que costuma estar mais elevada no período da manhã, ao contrário do que ocorre em outras causas de hipertensão.
  • Causas renovasculares: aterosclerose, hiperplasia fibromuscular, poliarterite nodosa;
  • Causas neurológicas: aumento de pressão intra-craniana, quadriplegia, porfiria aguda, disautonomia familiar;
  • Outras causas endócrinas: acromegalia, hipotireoidismo, hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, uso de hormônios exógenos;
  • Exógenas: abuso de álcool, nicotina, drogas imunossupressoras, intoxicação por metais pesados;
  • Estresse agudo: cirurgias, hipoglicemia, queimaduras, abstinência alcoólica, pós-parada cardíaca, perioperatório;
  • Hipertensão gestacional:
  • Outras causas: insuficiência aórtica, fístula arteriovenosa, tireotoxicose, doença Paget e beribéri (hipertensão sistólica).

10 Recomendações contra a pressão alta:

  • Meça a pressão pelo menos uma vez por ano;
  • Pratique atividades físicas todos os dias, ou pelo menos 40 minutos, cinco vezes na semana;
  • Mantenha o peso ideal, evite a obesidade;
  • Adote alimentação saudável: pouco sal, sem frituras e mais frutas, verduras e legumes;
  • Reduza o consumo de álcool. Se possível, não beba;
  • Pare de fumar;
  • Nunca pare o tratamento, é para a vida toda. Faça-o corretamente, nos horários certos;
  • Sempre siga as orientações do seu médico ou profissional da saúde;
  • Durma oito horas todas as noites, verifique se a qualidade do seu sono é boa;
  • Evite o estresse. Reserve tempo para a família, os amigos e o lazer. Garanta pelo menos uma hora por dia, todos os dias, para fazer algo que realmente gosta.

Em caso de suspeita de HAS, um médico (preferencialmente um cardiologista) deverá ser consultado. Ele poderá avaliar detalhadamente, através de anamnese, exame físico e eventuais exames complementares, se este é seu diagnóstico correto, orientá-lo e prescrever o melhor tratamento, caso a caso.

Tomo remédio da pressão posso tomar cerveja?

Pode tomar em pequena quantidade (1 latinha) e não deve parar os medicamentos.

Dr. Charles Schwambach
Quem tem pressão alta pode tomar nimesulida?

Sim. Desde que com receita médica.

Dr. Charles Schwambach
Uso de antiinflamatórios aumentam a pressão?

Talvez para alguns pacientes sim, por diminuição da função renal.

Dr. Charles Schwambach
Tenho pressão alta e traguei maconha... posso ter um AVC?

Pouco provável.

Dr. Charles Schwambach
Escova progressiva com formol pode ser usada por hipertensa?

Em teoria não existe nenhum problema.

Dr. Charles Schwambach
Arritmia cardíaca e hipertensão arterial é grave?

Pode ser grave ou tornar-se grave. Precisa sim de acompanhamento médico e tratamento.

Dr. Charles Schwambach