Endocrinologia

O que é estradiol?

O 17-beta estradiol é o estrogênio mais ativo e importante na mulher em idade reprodutiva.  É produzido nos ovários, nas glândulas adrenais, nos testículos e pela conversão periférica da testosterona. Tem diversas funções no organismo, como:

  • reprodução feminina:  atua como um hormônio de crescimento para o tecido dos órgãos reprodutivos, sendo fundamental para a concepção e a manutenção da gravidez;
  • desenvolvimento sexual feminino: impulsiona o desenvolvimento das características sexuais secundárias femininas. Estimula o crescimento das mamas e é responsável por mudanças no corpo, afetando ossos, articulações, e distribuição de gordura;
  • ossos: é importante para a saúde dos ossos, tanto que mulheres pós-menopausa, em que os níveis de estradiol são baixos, tem maior risco de osteoporose;
  • cérebro: desempenha um papel significativo na saúde mental da mulher, especialmente no que se relaciona a humor e bem-estar;
  • vasos sanguíneos: promove vasodilatação;
  • câncer: pode estar associado a surgimento de certos cânceres, especialmente mama e endométrio.

Deve ser dosado em mulheres com amenorréia primária (que nunca menstruaram) ou secundária (que pararam de menstruar), aquelas que estão tendo dificuldade para engravidar e pode auxiliar no diagnóstico da menopausa.

Os níveis de estradiol se alteram durante o ciclo menstrual da mulher. Começa a aumentar no meio da fase folicular (quando ocorre estímulo a alguns folículos ovarianos), atinge o pico no meio do ciclo, a partir do ponto em que começa a cair, atingindo um segundo pico na fase luteínica (fase em que o corpo lúteo, estrutura que fica no ovário após a liberação do óvulo, produz progesterona). 

O seguimento dos níveis de estradiol deve ser feito pelo médico ginecologista ou endocrinologista.

Dra. Ângela Cassol
O que pode ser T4 livre alto ou baixo?

O T4 livre pode estar alto no hipertireoidismo e na tireoidite sub-aguda, principalmente. Também pode estar elevado em algumas doenças não tireoidianas. Está baixo no hipotireoidismo primário (tireoidite de Hashimoto, mixedema idiopático, bócio endêmico), no hipotireoidismo secundário e na tireoidite sub-aguda avançada, principalmente.

Valores de referência ('normais' - da maioria da população):

Recém-nascidos: 2,6 a 6,3 ng/dL Adultos: 0,8 a 2,7 ng/dL

Obs: Os valores de referência podem variar em função do método e reagente utilizado, portanto, esses valores devem estar claramente citados nos laudos de resultados de exames laboratoriais.

Em caso de exame T4L alterado, a interpretação do resultado deve ser realizada pelo médico que o solicitou, em conjunto com a história e o exame clínico. Para maiores informações, procure um médico clínico geral ou endocrinologista.

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Valor do exame de T3 alto ou baixo: o que pode ser?

Os valores de referência do exame T3 podem variar em função do método e reagente utilizado, portanto, esses valores devem estar claramente citados nos laudos de resultados de exames laboratoriais.

  • Até 3 dias de idade: 100 a 740 ng/dL
  • 1 a 11 meses de idade: 105 a 245 ng/dL
  • 1 a 5 anos: 105 a 269 ng/dL
  • 6 a 10 anos: 94 a 241 ng/dL
  • 11 a 15 anos: 82 a 213 ng/dL
  • 16 a 20 anos: 80 a 210 ng/dL
  • 20 a 50 anos: 70 a 204 ng/dL
  • 50 a 90 anos: 40 a 181 ng/dL

​O exame T3 é a dosagem de um hormônio produzido pela glândula tireóide, conhecido como tri-iodotironina. A avaliação dos níveis séricos de T3 está recomendade para pessoas com TSH diminuído e T4 total ou livre dentro dos valores de referência. Assim, este teste é importante na avaliação do hipertireoidismo, mais concretamente da tireotoxicose.

Um nível mais alto de T3 pode indicar hipertireoidismo, doença de Graves ou possivelmente câncer na tireoide. T3 baixo pode ser sinal de doenças crônicas não tireoidianas e seus níveis séricos são influenciados pelo estado nutricional. Também podem ocorrer no hipotireoidismo ou de doença de Hashimoto.

Além disso, a gravidez e alguns problemas no fígado podem fazer subir os níveis de T3 de forma artificial. Variações na concentração da globulina ligadora de tiroxina (TBG) e outras proteínas podem afetar os níveis de T3.

A interpretação dos resultados do exame deve ser realizada pelo médico que o solicitou, em conjunto com a história e o exame clínico. Para maiores informações, procure um médico clínico geral ou endocrinologista.

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
O que é FSH e qual a sua função?

O FSH, hormônio foliculotrófico ou folículo-estimulante, é produzido pela hipófise e é uma das gonadotrofinas, juntamente com o LH. Apresenta como funções: regular o desenvolvimento, o crescimento, a maturação puberal, os processos reprodutivos e a secreção de esteróides sexuais, nas gônadas (testículos e ovários).

A secreção das gonadotrofinas é pulsátil, periódica, cíclica e varia com a fase da vida. Há diferenças consideráveis entre os dois sexos. No feto, a secreção de LH e FSH torna-se significativa entre o 2º e o 5º meses de gestação, porém, ao nascimento, os níveis de gonadotrofinas são praticamente indetectáveis. Durante a infância, a secreção das gonadotrofinas permanece suprimida. Na puberdade (entre 10 e 14 anos), é restabelecida a secreção de LH e FSH.

Nos homens, o FSH estimula a espermatogênese pelas células dos túbulos seminíferos, sendo fundamental para a produção dos espermatozóides.

Nas mulheres, o FSH causa a proliferação das células foliculares ovarianas e estimula a secreção de estrógeno, sendo fundamental para a produção dos folículos (óvulos), atuando sempre em conjunto com o LH (hormônio luteinizante). Na fase folicular, o FSH estimula a síntese de estrógenos pelas células da granulosa ovariana. Na fase lútea do ciclo, o LH estimula a produção de progesterona e estrógenos a partir do corpo lúteo; a progesterona, assim produzida, prepara o útero para a implantação do embrião; se houver fecundação, o embrião produz gonadotrofina coriônica, que mantém o corpo lúteo; caso contrário, este acaba por degenerar, ocorrendo a menstruação. O FSH apresenta secreção pulsátil, sincronizada com a de LH. Os níveis de LH e FSH variam de acordo com a fase do ciclo menstrual, embora o LH seja secretado sempre em maior quantidade. Na mulher, após a menopausa, a secreção das gonadotrofinas sofre elevações consideráveis, sendo a elevação de FSH muito superior à do LH, sendo que a dosagem sérica destes hormônios pode auxiliar no diagnóstico da falência ovariana, que leva à menopausa.

O médico ginecologista ou endocrinologista pode acrescentar mais informações sobre o FSH e seu papel no organismo.

Dra. Ângela Cassol
Exame de tireoide deu alterado e o médico mandou repetir?

Não. Só pediu para repetir o exame para confirmar o resultado, esse é um procedimento padrão num caso como o seu, não dá para começar a tratar baseado em apenas um exame.

Dr. Charles Schwambach
Excesso de pelos no corpo feminino, o que pode ser?

O excesso de pelos no corpo feminino em locais onde eles são comuns é chamado hipertricose, e pode ocorrer devido à predisposições genéticas, tais como as características familiares e da raça (etnia).

Porém, quando o excesso de pelos surge em locais onde normalmente eles não existem, esse distúrbio é chamado de hirsutismo. Ele ocorre em alguns distúrbios endocrinológicos nos quais há um aumento dos níveis dos hormônios masculinos (androgênios) na mulher, causando um aumento de pelos em regiões como abdômen, costas, coxas, ao redor dos mamilos, entre os seios (região intermamária) e rosto.

A obesidade é uma outra situação que pode contribuir para o aumento de pelos devido à uma transformação do hormônio feminino em masculino no tecido gorduroso.​ Alguns distúrbios e condições causadores de hirsutismo são: síndrome do ovário policístico (SOP), síndrome de Cushing, hiperplasia adrenal congênita, tumores nos ovários ou adrenais, doenças da tiroide, hiperprolactinemia, uso de medicamentos como fenotiazinas, uso de anabolizantes esteroides, danazol e ciclosporina.

O endocrinologista é o médico que deve ser consultado nos casos de excesso de pelos.

Dr. Ivan Ferreira
Quais são os valores de referência do exame T4?

Os valores de referência do exame T4 podem variar em função do método e reagente utilizado, portanto, esses valores devem estar claramente citados nos laudos de resultados de exames laboratoriais.

Recém-nascidos: 2,6 a 6,3 ng/dLAdultos: 0,8 a 2,7 ng/dL

​O exame T4 é a dosagem de um hormônio produzido pela glândula tireóide, conhecido como tiroxina.

A interpretação dos resultados do exame deve ser realizada pelo médico que o solicitou, em conjunto com a história e o exame clínico. Para maiores informações, procure um médico clínico geral ou endocrinologista.

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Hiperplasia adrenal congênita tem cura? Quais os sintomas?

A Hiperplasia adrenal congênita (HAC) não tem cura definitiva em sua forma clássica mais comum, mas o tratamento pode minimizar os sinais e sintomas decorrentes da doença, proporcionando ao paciente qualidade de vida.

A HAC é um distúrbio congênito, caracterizado pela deficiência na biossíntese do cortisol, associado ou não à deficiência de aldosterona e, consequentemente, à superprodução de andrógeno. Essa condição afeta igualmente homens e mulheres. No sexo feminino, acarreta virilização da genitália externa em graus variados. No sexo masculino, nenhuma anormalidade se apresenta fenotipicamente ao nascimento.

Na forma clássica perdedora de sal da doença, que corresponde a 60% ~ 75% dos casos, o tratamento típico consiste na reposição diária de glicocorticoides e mineralocorticoides. Novas terapias têm sido propostas com intuito de se obterem resultados mais satisfatórios; dentre elas, existem: análogos do LHRH, GH, inibidores da aromatase, antiandrógenos e a adrenalectomia (remoção das glândulas adrenais - método controverso).

Os sintomas variam com a manifestação da doença. Na forma clássica perdedora de sal, há:

  •  virilização da genitália (aumento do clitóris, fusão dos lábios e formação de seio urogenital) decorrente do excesso de andrógenos durante a vida intrauterina.

Como também há deficiência de aldosterona, ocorre:

  • desidratação,
  • hipotensão (pressão baixa),
  • hiponatremia (diminuição do sódio no plasma),
  • hiperpotassemia (aumento de potássio no plasma),
  • taquicardia (aumento da frequência cardíaca, acima do normal para a idade),
  • vômitos,
  • perda de peso,
  • letargia (prostração).

Na forma clássica não perdedora de sal, também ocorre virilização dos recém-nascidos do sexo feminino. Como não há, nesta forma, diminuição na produção de aldosterona, os recém-nascidos do sexo masculino só podem ser identificados em idade tardia por hiperandrogenismo (aumento dos níveis de andrógenos): velocidade de crescimento aumentada, maturação óssea acelerada ou pubarca (idade em que surgem os primeiros pelos) precoce.

Finalmente, a forma não clássica costuma ser totalmente assintomática para indivíduos do sexo masculino e os pacientes do sexo feminino apresentam aumento de clitóris, pubarca precoce, ciclos menstruais irregulares e hirsutismo (crescimento excessivo de pelos na mulher).

Em caso de suspeita de hiperplasia adrenal congênita, um médico endocrinologista deverá ser consultado para avaliação e tratamento, se necessário.

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues