Gastroenterologia

O que é a síndrome do intestino irritável?

A síndrome do intestino irritável é uma alteração da motilidade do tubo digestivo caracterizada clinicamente por anormalidades do hábito intestinal (constipação e/ou diarreia) e dor abdominal, na ausência de patologia orgânica demonstrável.

O diagnóstico é baseado no preenchimento dos Critérios de Roma III, que são citados abaixo:

  • Dor ou desconforto abdominal recorrente durante mais de três dias no mês, nos últimos três meses, com duas de três características:
  1. alívio com a defecação;
  2. início associado à alteração na frequência das evacuações (mais de três vezes/dia ou menos de três vezes/semana);
  3. início associado à alteração na forma (aparência) das fezes (fezes endurecidas, fragmentadas, em “cíbalos” ou “caprinas” e fezes pastosas e/ou líquidas).

Outros sintomas podem estar presentes a auxiliar no diagnóstico, como:

  • esforço excessivo durante a defecação;
  • urgência para defecar;
  • sensação de evacuação incompleta;
  • eliminação de muco durante a evacuação;
  • sensação de plenitude ou distensão abdominal;
  • antecedentes de sintomas anteriores sem explicação médica;
  • agravamento depois das refeições;
  • sintomas com duração superior a seis meses;
  • piora com o estresse;
  • acompanhado de ansiedade e/ou depressão.

Alguns sintomas e condições devem ser "alertas" para uma investigação mais acurada, para descartar outros diagnósticos. São eles:

  • Aparição dos sintomas depois dos 50 anos de idade;
  • Sintomas de aparição recente
  • Perda de peso não-intencional
  • Sintomas noturnos
  • Antecedentes familiares de câncer de cólon, doença celíaca, doença inflamatória intestinal
  • Anemia
  • Sangramento retal
  • Uso recente de antibióticos
  • Tumorações abdominais/retais
  • Elevação de marcadores inflamatórios
  • Febre

O diagnóstico e o tratamento devem ser feitos pelo médico gastroenterologista.

Dra. Ângela Cassol
Síndrome do intestino irritável tem cura? Qual o tratamento?

A cura para a síndrome do intestino irritável é controversa. Muitos pacientes terão recidivas dos sintomas e alguns não terão mais sintomas após algum tempo. A evolução com o tratamento é imprevisível, mas se sabe que alguns fatores trazem pior prognóstico:

  • Persistência de uma vida cronicamente estressante;
  • Comorbidade psiquiátrica;
  • Sintomas de longa data;
  • Ansiedade excessiva.

O tratamento da síndrome do intestino irritável deverá ser individualizado, de acordo com o predomínio de sintomas diarréicos ou de constipação. As opções de tratamento são citadas abaixo:

  • Apoio psicológico: os pacientes são geralmente ansiosos, tensos, deprimidos e às vezes repletos de “fobias”. Um bom relacionamento médico-paciente é fundamental para o sucesso do tratamento. É importante explicar o diagnóstico, tanto o caráter funcional e recorrente da doença, como a sua não evolução para câncer. O objetivo principal da abordagem psicológica é fazer com que a pessoa reconheça o seu problema e os fatores que o provocaram e que aprenda a lidar com eles. Podem ser utilizados antidepressivos, especialmente para controle da dor abdominal. Outras técnicas podem ser úteis, como psicoterapia, técnicas de relaxamento e hipnose;
  • Orientação alimentar: deve-se adotar dieta rica em fibras e evitar legumes, repolho, rabanete, café, refrigerante e laticínios;
  • Antidiarreicos: indicados quando há predomínio de diarreia. Loperamida ou difenoxilato, um comprimido, por via oral, a cada 6h ou 8h, são os mais indicados;
  • Antiespasmódicos: incluem os anticolinérgicos, os bloqueadores dos canais de cálcio, os relaxantes da musculatura intestinal sem ação colinérgica e outros que são úteis nos casos de reflexos gastrocólico exagerados (vontade de defecar logo após as refeições);
  • Pró-cinéticos: incluem cisaprida e domperidona e devem ser empregados naqueles pacientes em que predomina a constipação;
  • Anti-inflamatórios para controle da dor abdominal;
  • Probióticos, como a cepa Bifidobacterim infantis e Bifidobacterium lactis.

O tratamento deverá ser prescrito pelo médico gastroenterologista.

Dra. Ângela Cassol
Quando defeco sai um catarro, sinto dor e até sangramento?

Estes são sintomas que indicam a presença de uma inflamação no seu intestino, precisa realmente ir ao médico para o correto diagnóstico e tratamento.

Dr. Charles Schwambach
Como aliviar dor no estômago quando se come demais?

Repousar sentado ou deitado com o corpo elevado (utilizando dois ou mais travesseiros) pode aliviar o sintoma. Evitar ingerir líquidos junto com as refeições também é fundamental.

Porém, se a queixa for frequente ou durar muito tempo, certas medicações como antiácidos e outras podem ser necessárias, mas para isso é preciso consultar um médico.

Dr. Gabriel Soledade
Fiz recentemente exames de função hepática...

Todos as duas especialidades são boas para seu caso, hepatologista é mais específico para suas alterações.

Dr. Charles Schwambach
Tenho diarreia todos os dias há mais de dois anos?

Diarreia Crônica. Precisa procurar um médico para fazer exames e saber porque está com essa diarreia a tanto tempo.

Dr. Charles Schwambach
Qual o tratamento para pancreatite crônica?

O tratamento para a pancreatite crônica é feito com medicamentos para alívio da dor e para facilitar a digestão, mudanças de hábitos e dieta especial. Alguns sintomas da pancreatite crônica são perda de peso, náuseas, vômitos, fezes gordurosas e dor.

A dor é geralmente abdominal, podendo espalhar-se para as costas, piorando ao comer e beber. Ao tornar-se constante dificulta as tarefas do dia a dia. Em alguns casos a pessoa pode desenvolver diabetes mellitus secundário à pancreatite. O seu tratamento inicial é clínico, mas também pode ser necessária a realização de cirurgias..

Tratamento da pancreatite crônica:

  • não beber e não fumar, porque esses hábitos contribuem para a piora da pancreatite,
  • dieta controlada em pequenas quantidades, várias vezes ao dia e com redução de gorduras,
  • uso de enzimas digestivas para melhora das alterações digestivas e nutricionais,
  • uso de medicamentos para aliviar a dor,
  • procedimentos cirúrgicos ou endoscópicos para alívio da dor, dependendo da sua causa e intensidade.

A pancreatite crônica ocorre geralmente por agressões contínuas ao pâncreas durante um longo período de tempo, causando inflamação, cicatrização e podendo levar à sua destruição gradativa. Sua causa mais comum é o alcoolismo

O tratamento do pâncreas é realizado pelo gastroenterologista. O endocrinologista também poderá ser necessário caso o paciente desenvolva diabetes.

Dr. Ivan Ferreira
Qual o tratamento para retocolite ulcerativa?

O tratamento da retocolite ulcerativa tem como objetivo tirar o paciente da crise e mantê-lo em remissão. O tratamento farmacológico é geralmente efetivo no controle da doença.

Para a forma clássica, são usadas sulfas e seus derivados. Se estes medicamentos não apresentarem bons resultados, podem ser usados corticoides, que agem com rapidez e eficácia, porém, devem ser retirados depois da melhora clínica, no período de manutenção. A prescrição de antibióticos é fundamental nos casos de megacólon tóxico. 

Após a retirada da crise, o tratamento de manutenção deve ser contínuo, para o resto da vida, com aminossalicilatos orais e/ou mesalamina tópica em doses progressivamente menores, até que apareçam sinais clínicos de recidiva. Nesse momento, a dose mínima foi descoberta para aquele paciente.

Deve-se também seguir uma dieta rígida; rica em fibras nos casos em que há constipação; pobre em frutas e vegetais frescos, cafeína e carboidratos não absorvíveis nos casos que cursam com cólicas abdominais e diarreias, reposição de ferro para pacientes com perdas sanguíneas relevantes e reposição de ácido fólico quando o paciente está fazendo uso de sulfassalazina.

O tratamento cirúrgico é definitivo, mas agressivo e indicado apenas para os casos que não respondem ao tratamento farmacológico, megacólon tóxico, perfuração intestinal, hemorragia incontrolável, complicações incontroláveis do tratamento medicamentoso e displasia de alto grau confirmada, displasia associada a lesão de massa (DALM) ou câncer.

Vale ressaltar que sempre um médico, preferencialmente um gastroenterologista, neste caso, deve ser consultado antes de iniciar qualquer tipo de tratamento por conta própria.

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues