Perguntar
Fechar
Dor no peito: o que pode ser e o que fazer? Como saber se é Infarto?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

A dor no peito preocupa a todos, pelo medo de ser um sinal de infarto no coração (infarto agudo do miocárdio). E embora essa não seja a causa mais comum de dor torácica, é uma das causas que mais oferece risco de vida, por isso deve mesmo ser sempre investigada.

Hoje existem protocolos bem estruturados de atendimento nas emergências médicas, com excelentes resultados quando a doença é tratada a tempo.

Na suspeita de um infarto agudo do miocárdio, procure um serviço de emergência imediatamente.

Como saber se a dor no peito é infarto?

Os sintomas característicos de infarto agudo do miocárdio (IAM) são:

  • Dor ou desconforto no peito, de início súbito,
  • Localizada no lado esquerdo do peito (ou no meio do peito),
  • Tipo aperto, pressão ou desconforto, contínua,
  • A dor pode ser irradiada para o braço esquerdo, pescoço, mandíbula ou dorso (do mesmo lado),
  • Sintomas associados: Suor frio, tontura, náuseas, vômitos, fraqueza, mal-estar e falta de ar.

Vale ressaltar que portadores de diabetes podem não apresentar a dor no peito, mas apenas os sintomas de mal estar, suor frio, náuseas e vômitos. Por isso, em caso de diabetes, com esses sintomas, procure imediatamente um serviço de emergência para avaliação médica cardiológica.

Tipos de dores no peito

Na avaliação da dor no peito, a descrição da sua localização, pode auxiliar na pesquisa da causa desse problema. Entenda com a tabela abaixo, os principais diagnósticos, para cada tipo de dor torácica.

Tipos de dor O que pode ser?
Dor no peito à esquerda

Infarto agudo do coração, Dor muscular, Pneumonia, Asma, Pneumotórax, Derrame pericárdico, Gases.

Dor no meio do peito Refluxo gástrico, Espasmo esofagiano, Infarto agudo do miocárdio, Pericardite, Endocardite, Derrame pericárdico, Dissecção de Aorta, Hérnia de hiato, Asma, Ansiedade, Gases.
Dor no peito à direita Dor muscular, Pneumonia, Pneumotórax, Derrame pericárdico, Embolia, Pedras na vesícula, Gases.
Dor no peito que piora com a respiração profunda Pneumonia, Derrame pleural, Pneumotórax, Embolia pulmonar, Pericardite.
21 causas de dores no peito diferentes de infarto1. Angina

A angina é considerada por alguns como o "princípio de infarto". De fato, a angina se caracteriza pela dor no meio do peito, tipo aperto, desconforto ou pressão, que pode ser irradiada para o braço esquerdo, pescoço, mandíbula ou dorso, e assim como no infarto, é causada pela falta de sangue em uma área do miocárdio (músculo do coração).

A grande diferença, é que a falta de sangue não é completa, a obstrução é parcial, portanto, o fluxo não é totalmente interrompido fazendo com que a dor dure menos de 15 a 20 minutos. A dor não é contínua, ela não dura mais de 20 minutos.

Quando a dor se mantém por mais de 20 minutos já caracteriza uma angina "instável" ou infarto.

No caso de angina, procure imediatamente um serviço de emergência médica. O tratamento é realizado com medicamentos sublinguais (para efeito mais rápido), com intuito de dilatar os vasos do coração, restituindo a circulação.

2. Endocardite

A endocardite é uma infecção no endocárdio (camada mais interna do coração). Os sintomas mais comuns são a febre, suor noturno, perda de peso, tosse e mal-estar.

Devido a tosse frequente, não é raro a presença de dor ou desconforto no peito. Entretanto não é um sintoma específico para essa doença. Contudo, por se tratar de uma doença grave com elevada taxa de mortalidade, deve entrar no grupo de causas possíveis a ser investigada.

O tratamento é feito com antibioticoterapia intravenoso, em ambiente hospitalar.

3. Pericardite

A pericardite é a infecção no pericárdio (uma espécie de "bolsa" que recobre o coração). A doença pode ser causada por uma infecção (bacteriana, fúngica ou viral), por trauma, uso crônico de medicamentos, doenças autoimunes ou pela presença de células neoplásicas (tumores).

Os sintomas característicos são a dor torácica no lado esquerdo do peito, que se irradia para o pescoço ou dorso, que melhora quando está sentado e piora quando se deita (decúbito dorsal).

O tratamento depende da gravidade do quadro e do agente causador dessa infecção. Sempre em ambiente hospitalar, pode ser tratado apenas com antibióticos venosos, ou associado a cirurgia.

4. Derrame pericárdico

O derrame pericárdico é o acúmulo de líquido no pericárdio. Os sintomas mais frequentes são a dor no peito do lado esquerdo, ou mais ao centro, tipo pressão ou aperto, associado a febre baixa, tosse e cansaço extremo.

O tratamento depende da causa do problema, do volume de líquido encontrado e do quadro clínico. Podendo ser conservador, com medicamentos, tratamento da causa e acompanhamento. Ou cirúrgico de urgência para os casos com falta de ar intensa e queda da pressão arterial.

5. Dissecção de aorta

A dissecção de aorta é uma emergência médica, uma das doenças que mais mata, se não tratada imediatamente. Chama-se dissecção, quando uma das camadas dos vasos se rompe, causando um extravasamento de sangue entre os folhetos do vaso.

Com o aumento da pressão entre essas paredes dos vasos, acontece uma ruptura do vaso, e sendo a aorta o maior vaso do corpo humano, o sangramento costuma ser fatal.

Os sintomas inicialmente são leves e inespecíficos, com dor entre os ombros, no meio do peito, sensação de peso no peito, dor no abdômen, fraqueza e ou mal-estar. O diagnóstico pode ser feito no exame clínico nos casos de aneurisma de grande volume na cavidade abdominal, ou por exames de imagem se for na região do tórax.

O tratamento é baseado no tamanho da dissecação, queixas e condições clínicas da pessoa.

6. Pneumonia

A pneumonia é a infecção do tecido pulmonar, geralmente decorrente de uma gripe mal curada. O principal sintoma é de dor no peito, em aperto ou pontadas, do lado acometido, que piora com a respiração profunda. Apresenta ainda, tosse produtiva, com secreção amarelada ou esverdeada, febre alta, falta de ar, fadiga e inapetência.

O tratamento é realizado com antibióticos. O médico da família, clínico geral ou pneumologista são os profissionais responsáveis pela confirmação desse diagnóstico e iniciar o devido tratamento.

7. Crise de asma (doenças crônicas do pulmão)

O processo de inflamação ou de fibrose encontrado nos problemas crônicos do pulmão, como a crise de asma, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), dificultam a passagem de ar devido ao edema, causando como sintomas: a dor no peito, ou desconforto tipo pressão, mais comum no meio do peito ou difusa, com dificuldade de respirar, sibilos ("chiado") e tosse seca.

A crise de asma pode evoluir para o óbito se não for devidamente tratada. O tratamento se baseia em medicamentos dilatadores para os brônquios, corticoides, nebulizações e oxigênio.

Na suspeita de crise de asma, procure imediatamente um serviço de emergência médica.

8. Pneumotórax

O pneumotórax é o acúmulo de ar entre as pleuras do pulmão (membranas que recobrem os pulmões). O afastamento das pleuras, que costumam ser "coladas", causa dor intensa tipo pontadas ou "agulhadas", que piora muito com a respiração profunda.

O tratamento depende do volume de ar encontrado e do quadro clínico. Nos casos mais leves, de pequena quantidade de ar, o tratamento é tratar a causa do problema e acompanhamento. Mas nos casos de grande quantidade de ar, impedindo uma boa ventilação, a drenagem torácica deverá ser indicada.

9. Derrame pleural

O derrame pleural é o acúmulo de líquido entre as pleuras dos pulmões (membranas que recobrem os pulmões). Pode ser originado de traumas, infecções ou doenças autoimunes.

A separação das pleuras pelo líquido acumulado, causa dor no peito, no lado acometido, que piora com a respiração profunda. Pode haver também, febre, falta de ar e cansaço associados.

O tratamento depende da causa e do volume de líquido acumulado. No caso de comprometimento da respiração, está indicado drenagem torácica, para restabelecer a expansão dos pulmões, e possibilita coleta do material para análise.

10. Trauma

No trauma torácico, pode haver contusão ou fratura de costela(s). As fraturas resultam em dor intensa no local do trauma, dificuldade de respirar e de falar devido à dor, pôr 5 a 7 dias em média. O tratamento é repouso absoluto, para consolidação da lesão, e analgésicos potentes.

No trauma grave, com mais de 8 costelas fraturadas ("tórax instável"), a dificuldade respiratória pode evoluir para parada respiratória, o que pode ser fatal. Nesses casos o tratamento exige internação hospitalar, com monitorização, vigilância respiratória e quando necessário, intubação orotraqueal para assegurar uma boa oxigenação ao organismo, até sua consolidação.

11. Tuberculose pulmonar

A tuberculose pulmonar é uma doença endêmica no nosso país, altamente contagiosa, causada pela bactéria M. tuberculosis. Os sintomas típicos são de tosse seca ou produtiva, sudorese noturna, febre vespertina, cansaço e fraqueza.

A tosse é contínua, com duração de mais de 3 semanas, fato que acaba por desencadear a dor no peito, do lado comprometido, do tipo pressão ou pontadas.

O tratamento é baseado em medicamentos antibióticos específicos e orientações gerais. Esses medicamentos são oferecidos gratuitamente pelo Ministério da saúde, nos postos de saúde da cidade, aonde deve realizar também o acompanhamento solicitado pela equipe.

12. Embolia pulmonar

A embolia pulmonar é uma obstrução súbita de artérias do pulmão, impedindo o fluxo de sangue nessa região, com consequente isquemia ou infarto pulmonar. A causa mais comum é a formação de um coágulo nas veias da perna, que caem na circulação e chegam aos pulmões, aonde o calibre de veia é menor, impedindo a sua passagem.

É mais uma emergência médica, com alta taxa de mortalidade se não tratada dentro das primeiras horas.

O tratamento é realizado com medicamentos anticoagulantes, para dissolver esse coágulo (ou êmbolo), restabelecendo o mais rápido possível, o fluxo de sangue naquela região. Quanto antes for recanalizado o vaso, menor a chance de sequelas.

13. Excesso de gases

Os sintomas de dores no peito devido a excesso de gases, são dores do tipo cólica ou em "pontadas", mais intensas na região abaixo das costelas. Tem como principal característica, a melhora da dor com a mudança de posição e ou com a eliminação de gases.

As dores por excesso de gases costumam estar associadas ao sedentarismo, alimentação gordurosa ou consumo excessivo de bebidas gaseificadas, como os refrigerantes e a água com gás.

Para evitar a formação excessiva de gases, é importante manter hábitos de vida saudáveis, como a prática regular de atividades físicas, alimentação saudável e preferir o consumo de água e sucos naturais. O uso de chás naturais e massagem auxiliam na melhora dos sintomas.

Nos casos de dor refratária, podem ser utilizados os medicamentos à base de simeticona (dimeticona), capazes de unir as bolhas de gás e acelerar a sua eliminação.

14. Refluxo gástrico / azia

A doença do refluxo se caracteriza pelo retorno de uma parte do conteúdo do estômago para o esôfago, que origina a queimação no meio do peito, com sensação de peso ou "aperto" na região.

Isso acontece porque o conteúdo gástrico já foi misturado e contém uma quantidade de suco gástrico, um líquido ácido produzido no estômago para auxiliar a digestão dos alimentos.

Porém a parede do esôfago não é preparada para receber um conteúdo ácido, sendo assim, esse refluxo gera uma irritação na mucosa esofagiana, desencadeando os sintomas.

O refluxo é popularmente conhecido por azia.

Para reduzir o refluxo, é necessário comer mais vezes em menor quantidade, evitar beber líquidos junto com a comida, e evitar se deitar logo após as refeições.

O tratamento específico para cada caso, deverá ser definido por um médico gastroenterologista, após a identificação da causa do refluxo.

15. Espasmo esofagiano

Os distúrbios esofagianos alteram a sua motilidade, gerando contrações fortes, que chamamos de espasmos. A causa mais comum é a doença do refluxo, mas os espasmos podem ser desencadeados também por tabagismo, situações de estresse, alimentos ácidos, entre outros.

O sintoma de espasmo esofagiano é uma dor no meio do peito, tipo aperto ou pressão, de moderada a forte intensidade, intermitente, que piora após as refeições ou em situações de estresse importante ou crise de pânico.

O tratamento dependerá da causa do problema e da gravidade dos sintomas.

16. Tumor de esôfago

Nos casos de tumores, os sintomas são causados principalmente pela compressão de estruturas próximas. As queixas mais comuns são de dor no meio do peito, dificuldade de engolir, rouquidão e ou tosse.

Com a evolução da doença podem apresentar ainda, emagrecimento sem causa aparente, mal-estar, inapetência, febre baixa e sudorese.

Nesses casos, deve procurar seu médico da família e ou clínico geral para iniciar uma investigação ampla e assim possibilitar o tratamento mais indicado.

17. Gastrite

A gastrite é uma inflamação na mucosa do estômago, causada por diversas situações, como o uso crônico de medicamentos anti-inflamatórios, alimentação inadequada, infecção pela H.Pylori ou estresse contínuo.

A inflamação origina os sintomas de dor no meio do peito, dor abdominal, náuseas, má digestão, falta de apetite e perda de peso nos casos mais avançados.

A dor típica da gastrite é uma dor em queimação, conhecida popularmente como azia, que piora após as refeições ou com jejum prolongado, no meio do peito.

O tratamento se baseia na orientação alimentar, redução de fatores de risco, como tabagismo e alcoolismo, e medicamentos que reduzem a acidez do estômago, para restabelecer a mucosa gástrica, os inibidores de bomba de prótons.

Nos casos de infecção pela bactéria H.Pylori, é necessário o uso de antibióticos

18. Hérnia de hiato

A hérnia de hiato é a passagem de parte do estômago para o tórax, através do diafragma, o que causa grande desconforto ou dor no meio do peito, do tipo aperto ou pressão.

O tratamento depende da gravidade, tamanho da hérnia e condições de saúde de cada pessoa. A doença é mais comum no idoso, e por isso as opções devem ser bem avaliadas. Uma opção é a orientação alimentar e acompanhamento. Nos casos que não melhoram ou com muitas queixas, pode ser indicada a cirurgia para a correção da hérnia.

19. Pedras na vesícula

A vesícula é o órgão responsável por armazenar a bile e liberar para o intestino na presença de alimentos, com o objetivo de auxiliar na digestão. A presença de pedras pequenas na vesícula não interfere nesse processo, pois são eliminadas junto com as fezes sem que a gente perceba.

No entanto, as pedras grande ficam impactadas no seu interior e causam dor tipo cólica, do lado direito do abdômen, que se irradia para a região torácica à direita, quando se contrai para enviar a bile para os intestinos.

Esse é o motivo da dor se agravar logo após as refeições, e principalmente nas refeições mais gordurosas, quando é necessário enviar maior quantidade de bile para a digestão.

O tratamento se inicia com orientações alimentares, mas pode evoluir para cirurgia nos casos de dor crônica, inflamação aguda ou complicações graves, como a pancreatite por cálculos biliares.

O mais adequado é que trate adequadamente com as orientações dietéticas, para evitar as complicações que podem ser fatais.

20. Crises de ansiedade

A dor no peito causada por ansiedade, costuma se localizar no meio do peito, do tipo aperto ou pressão, por vezes referida como "angústia no peito". Além disso, costuma estar associada a outros sintomas como: falta de ar, palpitação, formigamento no rosto ou nos braços, "bolo na garganta", pelo espasmo esofagiano, náuseas ou vômitos.

Isso acontece, porque durante uma crise de ansiedade ou pânico, o cérebro funciona da mesma maneira do que em uma situação de perigo real, preparando o organismo para a reação de fuga. Com isso aumenta os batimentos cardíacos, contrai a musculatura, aumenta a pressão arterial, reduz o calibre dos vasos, entre outras modificações, que originam todos esses sintomas.

No entanto, a única maneira de diferenciar com exatidão uma crise de ansiedade e o infarto do coração, é através do exame médico e exames complementares. Não existe um exame que confirme a ansiedade, trata-se de um diagnóstico de "exclusão".

No caso de dor no peito com os sintomas acima citados, o mais recomendado é que procure um atendimento médico de emergência, para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento necessário.

21. Dor muscular

A dor muscular ou contratura muscular é uma das causas mais comuns de dor no peito. Pode ser decorrente de uso excessivo da musculatura, como em frequentadores assíduos de academia, por trauma, posturas ou movimentos repetidos, entre outras situações.

A dor muscular se caracteriza por piorar com o movimento e ou palpação, e melhorar com repouso e uso de medicamentos relaxantes musculares.

O tratamento irá depender da intensidade da dor, basta manter-se em repouso de 1 a 2 dias, ou associar o uso de anti-inflamatórios e analgésicos comuns.

Quando deve procurar uma emergência / urgência?

Em caso de dor no peito, procure atendimento médico com urgência se:

  • A dor no peito tiver início súbito e vier acompanhada de sintomas como suor frio, mal-estar, dificuldade em respirar, batimentos cardíacos aumentados, náuseas e/ou vômitos;
  • A dor no peito se espalhar para mandíbula, braço esquerdo ou costas;
  • A dor no peito for forte e não melhorar após 20 minutos;
  • É portador de angina e o desconforto no peito se torna mais intenso subitamente ao praticar atividades leves ou dura mais tempo que o habitual;
  • Os sintomas de angina surgirem enquanto você estiver em repouso;
  • História prévia de ataque cardíaco ou embolia pulmonar;
  • Dor no peito associado a tosse com catarro verde e ou amarelado.
  • A dor no peito tiver início súbito e vier acompanhada de dificuldade para respirar, especialmente após viagem longa, permanecer muito tempo sentado (a), acamado(a) ou imobilizado(a) por cirurgia, por exemplo.

Em caso de dor no peito, verifique a ocorrência de outros sinais e sintomas procure um serviço de urgência, visto que as doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte na população, e se iniciam com queixa de dor no peito.

Pode lhe interessar também: O que fazer no caso de dor no peito?

Tosse e cansaço, sem catarro e com respiração lenta, qual médico devo procurar?
Dr. Charles Schwambach
Dr. Charles Schwambach
Médico

No seu caso o melhor seria um pneumologista ou um clínico geral.

O que já se sabe sobre o novo Coronavírus (COVID-19)?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

O novo coronavírus (SARS-CoV-2) tem provocado infecções respiratórias que podem ser transmitidas de pessoa para pessoa e foi identificado pela primeira vez em um surto em Wuhan, na China. A doença causada pelo novo coronavírus é chamada de COVID-19.

Há sete coronavírus humanos que podem causar infecções respiratórias, entre eles estão: o que causa a Síndrome Respiratórias Aguda Grave, SARS-COV, identificado em 2002; o que causa a Síndrome Respiratória do Oriente Médio, MERS-COV, identificado em 2012; e o novo coronavírus, SARS-CoV-2, identificado em 2019.

Quais são os sintomas do novo coronavírus?

O novo coronavírus tem provocado infecções leves, moderadas e graves. A transmissão parece ocorrer mesmo antes de surgirem os sintomas.

Os sinais e sintomas do coronavírus em grande parte dos casos são respiratórios e semelhantes a uma gripe comum. Nos casos mais graves as pessoas podem apresentar pneumonia, dificuldade respiratória grave e insuficiência renal. Os principais sintomas são:

  • Febre;
  • Tosse;
  • Dificuldade de respirar;
  • Cansaço.

Outros sintomas também podem estar presentes, como:

  • Dores no corpo;
  • Dor de cabeça;
  • Congestão nasal;
  • Coriza;
  • Dor de garganta;
  • Diarreia.
Formas de contaminação pelo novo coronavírus

O novo coronavírus é transmitido principalmente através do contato com gotículas contendo o vírus liberadas por espirros e tosse de pessoas que se encontram infectadas pelo vírus.

O contacto próximo com pessoas infectadas, portanto, aumenta consideravelmente o risco de contágio pelo vírus.

Essas gotículas podem cair em objetos e superfícies, quando as pessoas tocam esses objetos e levam as mãos ao rosto, olhos, nariz e boca elas também podem infectar-se com os vírus.

Outras formas de transmissão como contato com fezes de pessoas contaminadas ainda está em investigação. Também não há ainda evidência que o coronavírus seja transmitido através de alimentos.

Estima-se que uma pessoa infectada com o coronavírus pode transmitir a doença para até três pessoas em média.

Como prevenir a contaminação pelo novo coronavírus?

A prevenção da infecção pelo novo coronavírus envolve as medidas usadas para prevenir as doenças respiratórias. Elas são simples, fáceis de serem adotadas e incluem:

  • Lave as mãos frequentemente com água e sabão ou com desinfetantes para as mãos à base de álcool;
  • Cubra o nariz e a boca ao espirrar ou tossir com o cotovelo flexionado;
  • Use lenços descartáveis para realizar a higiene nasal e jogue fora o lenço imediatamente e higienize as mãos;
  • Evite tocar o rosto, principalmente olhos, nariz e boca;
  • Mantenha os ambientes ventilados e arejados;
  • Evite contato próximo com pessoas que apresentem sintomas de gripe ou resfriado;
  • Não compartilhe utensílios de uso pessoal como talheres, copos, garrafas e pratos;
  • Evite contato próximo com pessoas que estão com infecções respiratórias agudas, mantenha uma distância de 1 metro.

É importante lembrar que ainda não há vacinas capazes de prevenir a infecção por coronavírus.

Como diagnosticar e tratar uma infecção pelo Novo Coronavírus?

O diagnóstico de contaminação pelo novo coronavírus é feito com base nos sintomas e na análise em laboratório das secreções respiratórias colhidas do nariz e boca, o material genético do vírus é então pesquisado nessa secreção.

Ainda não há tratamento específico para o novo coronavírus (SARS-CoV-2). Por este motivo, o tratamento recomendado é de suporte, e inclui para os casos leves:

  • Repouso;
  • Aumento da ingestão de água;
  • Uso de medicamento para dor e febre (analgésicos e antitérmicos).

Nos casos moderados e graves é necessário suporte ventilatório. Cuidados em Unidades de Terapia Intensiva podem ser necessários nos casos graves.

Busque uma unidade de saúde assim que surgirem os primeiros sintomas, compartilhe com o médico o seu histórico recente de viagens e não use medicamentos sem indicação médica.

Alguns cuidados importantes

Se teve contato com alguém que apresenta infecção confirmada pelo novo coronavírus ou esteve em algum local com transmissão local da doença nos últimos 14 dias, e está a apresentar febre e/ou algum sintoma respiratório, como tosse ou dificuldade em respirar, procure assistência médica.

Antes de ir ao consultório ou unidade de saúde faça um contato telefônico e fale com o médico os seus sintomas. Ele dará instruções sobre como cuidar, sem expor à doença. Você pode utilizar o Disque 136 (Disque Saúde) de qualquer lugar do Brasil.

Enquanto estiver doente ou na suspeita da doença, evite o contato com pessoas, não saia e adie viagens para reduzir a possibilidade de transmitir a doença para outras pessoas.

COVID-19: quem deve e quem não deve usar máscara cirúrgica?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

As pessoas que devem usar máscara cirúrgica são:

  • Aquelas com sintomas da COVID-19 (tosse, espirro ou dificuldade em respirar);
  • Profissionais de saúde;
  • Mulheres que estão amamentando;
  • Cuidadores de pessoas suspeitas ou confirmadas com COVID-19.

O uso da máscara cirúrgica não é indicado para pessoas sem sintomas respiratórios (principalmente, tosse e espirro). Por causa da pandemia, as máscaras cirúrgicas se esgotaram no mercado e não são suficientes para todos os que precisam.

As pessoas que não possuem sintomas devem utilizar máscaras caseiras de tecido quando houver necessidade de deslocamento ou permanência em lugares de maior circulação de pessoas como supermercados, por exemplo.

Não tenho sintomas da COVID-19, devo usar máscara?

Se você não tem sintomas da COVID-19 deve utilizar máscaras caseiras quando precisar se deslocar ou permanecer em locais com uma maior circulação de pessoas.

1. Utilize máscara caseira de tecido

Na ausência de sintomas como tosse e espirro, utilize a máscara caseira para se proteger. Elas impedem que gotículas que saem pelo nariz ou boca do usuário se disseminem pelo ambiente.

Estudos têm mostrado que a máscara caseira, além de funcionar como barreira mecânica para impedir que o vírus se espalhe, tem auxiliado na mudança de comportamento da população e na redução dos casos de COVID-19.

A máscara deve ser feita em tecido de saco de aspirador, cotton, tecido de algodão ou fronhas de tecido antimicrobiano. É importante que a máscara cubra totalmente a boca e o nariz e que se ajuste bem ao rosto, sem deixar espaços na laterais.

A máscara caseira é de uso individual e não deve ser, portanto, compartilhada. Se durante o uso, a máscara ficar úmida é necessário trocá-la por uma nova máscara limpa e seca.

2. Máscaras cirúrgicas devem estar disponíveis para quem realmente precisa

É importante se conscientizar da necessidade de disponibilizar máscaras cirúrgicas para quem realmente têm indicação.

Devem ser priorizados, especialmente, os profissionais de saúde. Estes profissionais atuam em hospitais e unidades de saúde, locais com maior potencial de concentração do vírus. Além disso, são eles os responsáveis pelos cuidados ao doente.

Se todas as pessoas utilizarem máscara cirúrgica sem indicação, faltarão máscaras para as pessoas que de fato precisam delas e isso pode agravar a pandemia.

Quem deve utilizar a máscara cirúrgica? 1. Pessoas com sintomas da COVID-19

Se você apresenta sintomas de COVID-19, como tosse, febre, falta de ar e dor de garganta é indicada a utilização da máscara cirúrgica. Mesmo pessoas com suspeita de COVID-19 sem a confirmação, devem utilizar a máscara cirúrgica.

O uso da máscara ajuda a diminuir a dispersão de fluidos e gotículas respiratórias eliminados pelo nariz e pela boca. Com isso, há redução da dispersão do coronavírus presente nestas secreções.

2. Mães que estão amamentando Até o momento, não há estudos que comprovem que o coronavírus pode ser transmitido pelo leite materno. Deste modo, a amamentação deve ser mantida, pois seus benefícios são fundamentais para o bom desenvolvimento do recém-nascido e da criança.

Durante o período de amamentação é importante garantir condições mínimas de higiene e proteção.

Antes de tocar o bebê e antes e depois de cada mamada, a mulher deve lavar as mãos com água e sabão durante pelo menos 20 segundos. Além disso, deve usar a máscara cirúrgica durante a amamentação, evitando tocar na boca, nariz e olhos da criança.

Evite falar ou tossir enquanto estiver amamentando seu bebê. Em caso de tosse ou espirro, a máscara deve ser trocada imediatamente. Além disso, use uma máscara nova a cada amamentação.

As mães que fazem a ordenha do leite com bomba manual ou elétrica devem lavar as mãos com água e sabão antes de tocar em qualquer parte da bomba ou da mamadeira e realizar uma adequada limpeza e desinfecção da bomba e seus materiais após cada utilização.

Em caso de dúvidas, ligue para o Disque Saúde pelo número 136 ou para o telefone do Banco de Leite Humano mais próximo da sua casa.

3. Cuidadores de pessoas com sintomas da COVID-19 e profissionais de saúde

Para cuidar das pessoas com sintomas de COVID-19, profissionais de saúde e cuidadores estão em constante contato próximo com os pacientes.

Em alguns casos, a distância entre o paciente e o cuidador ou profissional de saúde é inferior a 1 metro, o que facilita a transmissão do vírus.

Deste modo, profissionais de saúde e cuidadores devem usar máscara para evitar a contaminação da boca e nariz por gotículas respiratórias do paciente.

É sempre importante lembrar que somente o uso da máscara não é suficiente para evitar a contaminação pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Manter as medidas de higiene como lavar as mãos é indispensável para quem cuida de pessoas com sintomas da COVID-19.

Como a máscara deve ser utilizada?

A máscara deve ser usada seguindo as orientações:

1. Antes de colocar a máscara, lave bem as mãos.

2. Coloque a máscara cuidadosamente para cobrir boca e nariz e amarre com segurança para minimizar os espaços entre o rosto e a máscara.

3. Enquanto estiver em uso, evite tocar na máscara.

3. Para retirar a máscara, não toque na parte da frente. Remova sempre puxando a parte de trás;

4. Após a remoção, despreze a máscara usada em um lixo fechado.

5. Lave as mãos após desprezar a máscara.

5. Troque a máscara assim que ela ficar úmida. Use uma nova máscara limpa e seca.

6. Não reutilize máscaras descartáveis.

O que posso fazer para me prevenir contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) e a COVID-19?

As medidas mais eficazes de proteção contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) e a COVID-19 são:

  • Lave as mãos com frequência por pelo menos 20 segundos. Lave todas as regiões das mãos: palmas das mãos, regiões entre os dedos, dorso das mãos, polegares, unhas e punhos;

  • Lave as mãos especialmente antes das refeições e após tossir ou espirrar;
  • Se não for possível lavar as mãos com água e sabão, utilize álcool gel a 70% para higienizá-las;
  • Não toque nos seus olhos, nariz e boca se suas mãos não estiverem lavadas;
  • Ao espirrar ou tossir, cubra o nariz e a boca com um lenço descartável ou com a face interna (dobra) do cotovelo. Nunca use as mãos para cobrir nariz e boca enquanto você tosse ou espirra;
  • Use lenço descartável para higiene nasal;
  • Não compartilhe objetos como talheres, copos e garrafas;
  • Evite ambientes fechados e com aglomeração de pessoas;
  • Mantenha-se em ambientes ventilados;
  • Limpe e desinfete objetos que você toca com frequência como celulares. Esta desinfecção pode ser feita com álcool gel a 70%;
  • Evite o contato com pessoas que apresentam os sintomas da COVID-19;
  • Evite sair de casa;
  • Pessoas doentes devem permanecer em casa e, em caso de dificuldade respiratória, devem se dirigir a um serviço de atendimento de urgência.

Ainda não há estudos que provam os benefícios das máscaras por pessoas saudáveis. Pelo contrário, há estudos que mostram que as pessoas podem se contaminar tocando uma máscara infectada que estavam usando ou retirando incorretamente.

Use a máscara apenas nos casos que foram indicados. Em caso de dúvidas, procure informações nos sites das autoridades sanitárias de seu país e região (Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais de Saúde e Secretaria Municipal de Saúde).

Leia também:

Dúvidas sobre coronavírus (COVID-19)

Quais os sintomas do coronavírus (COVID-19)? O que fazer se tiver?

O que é o coronavírus, COVID-19 e SARS-CoV-2?

Coqueluche: o que é, sintomas, vacina e tratamento?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

Coqueluche é uma infecção respiratória, causada pela bactéria Bordetella pertussis. Trata-se de uma doença bacteriana altamente contagiosa, caracterizada pelo quadro de tosse seca violenta e incontrolável que pode dificultar a respiração. A coqueluche é uma doença grave que pode afetar pessoas de qualquer idade e causar incapacidade permanente em bebês e até a morte.

Como ocorre a transmissão da coqueluche?

A transmissão da coqueluche se dá de pessoa para pessoa, através da inalação de gotículas de secreção eliminadas pela pessoa infectada, ao tossir ou espirrar. Pode se dar também, através de objetos recentemente contaminados, embora menos frequente.

Quais são os sintomas da coqueluche?

Os sintomas iniciais da coqueluche são semelhantes aos do resfriado comum, com febre baixa, coriza e mal-estar. Na maioria dos casos, se manifestam após uma semana do contágio.

Os episódios graves de tosse começam cerca de 10 a 12 dias depois do início do quadro. Em bebês e crianças pequenas, a tosse às vezes termina com um som característico de “grito” quando a pessoa tenta respirar.

Os episódios de tosse podem causar vômito ou ainda uma breve perda de consciência. Nos bebês, episódios de asfixia e longas pausas na respiração são comuns.

Os sintomas da coqueluche geralmente duram 6 semanas, mas podem persistir por até 10 semanas.

Como é feito o diagnóstico da coqueluche?

O diagnóstico nem sempre é fácil, devido aos sintomas inespecíficos no início da doença. Porém deve ser baseado na história clínica, sintomas apresentados e para confirmação, exames laboratoriais.

Para confirmar o diagnóstico, é realizada a coleta de uma amostra de secreção nasal para ser analisada em laboratório. Porém, o resultado do exame leva algum tempo para ficar pronto. Por isso, na maioria das vezes, o tratamento é iniciado antes que os resultados do teste estejam prontos.

Qual é o tratamento para coqueluche?

O tratamento da coqueluche é realizado com antibióticos, como a eritromicina®. A medicação pode fazer com que os sintomas desapareçam mais rapidamente, desde que seja administrada a tempo.

Entretanto, a maioria dos pacientes recebe o diagnóstico muito tarde, quando os antibióticos já não são muito eficazes para combater a doença. Mesmo assim, os medicamentos diminuem as chances da pessoa continuar transmitindo a doença.

Bebês com menos de 18 meses necessitam de supervisão constante, pois a respiração pode parar temporariamente durante as crises de tosse. Bebês com quadros graves de coqueluche devem ser hospitalizados.

O tratamento da coqueluche pode incluir ainda o uso de oxigênio, soro fisiológico, por via intravenosa para casos de crises de tosse intensas, que impeçam a ingesta de água adequada. Para crianças pequenas, podem ser indicados ainda medicamentos sedativos.

Xaropes para tosse, expectorantes e supressores de tosse geralmente não funcionam para tratar a coqueluche e não devem ser utilizados.

Quais as possíveis complicações da coqueluche?

A coqueluche pode causar complicações, como pneumonia, convulsões, sangramento nasal, infecções de ouvido, danos cerebrais devido à falta de oxigênio, hemorragia cerebral, incapacidade intelectual, interrupção temporária da respiração e morte.

Vacina tríplice bacteriana (DPT)

A prevenção da coqueluche é feita através da vacina tríplice bacteriana (DPT), que protege a criança contra a difteria (D), a coqueluche (P - pertussis) e o tétano (T). São recomendadas 5 doses da vacina: aos 2 meses, 4 meses, 6 meses, dos 15 aos 18 meses e entre os 4 e os 6 anos de idade.

A vacina do tipo adulto (dTpa) é recomendada para adultos com mais de 10 anos de vacinação. Também para gestantes, a partir da 20ª semana de gestação e para profissionais de saúde.

Durante um surto de coqueluche, crianças menores de 7 anos que não foram vacinadas não devem ir à escola, nem estar em locais com aglomeração de pessoas. Essas medidas devem ser tomadas até 14 dias depois do último caso relatado da doença.

Em caso de suspeita de coqueluche, procure um médico clínico geral ou médico de família para receber um diagnóstico e tratamento adequados, o mais rápido possível.

Saiba mais em: O que é coqueluche e quais os sintomas?