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Exames de Sangue

O que é fosfatase alcalina?
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Médico

A fosfatase alcalina é uma enzima presente nas membranas de revestimento dos canalículos biliares (canalicular). Tem como uma de suas funções remover grupos fosfato de um grande número de moléculas diferentes, incluindo proteínas, nucleotídeos e alcalóides; como o próprio nome sugere, essa enzima é mais ativa em soluções alcalinas. O processo de remoção desses grupos fosfatos é conhecido como desfosforilação. Produzida por vários órgãos e tecidos, como o fígado, ossos, intestinos e até placenta, por exemplo, a fosfatase alcalina é encontrada normalmente no sangue de pessoas sadias.

Sua dosagem é geralmente utilizada para o diagnóstico de doenças hepáticas, pois o aumento de seus níveis pode indicar lesão hepática canalicular (colestase, hepatite, etc). A fosfatase alcalina também pode aumentar sempre que aumenta a atividade das células ósseas (por exemplo, durante o período de crescimento ou depois de uma fratura) ou como resultado de doenças ósseas, que incluem a osteomalacia, o câncer ósseo, e a doença de Paget.

A dosagem de fosfatase alcalina é feita no sangue. Ela possui duas isoenzimas: uma de origem hepática que avalia de maneira significativa os casos de obstrução biliar e outra de origem óssea que avalia as doenças que afetam a atividade osteoblástica.

Para a realização do exame, o paciente deve estar preferencialmente de jejum de quatro horas, evitar ingestão de álcool 72 horas antes do exame e manter o uso de remédios apenas se não puderem ser interrompidos.

Os valores de referência são os seguintes:

(observação: lembre-se que os valores de referência podem variar dependendo do método e dos reagentes usados. Logo, esses valores devem estar citados nos laudos de resultados dos exames laboratoriais de forma clara).

Faixa etáriaMasculino (U/L) Feminino (U/L) Ambos os sexos
Recém-nascido----150 a 600
6 meses a 9 anos----250 a 900
10 a 11 anos250 a 730250 a 950--
12 a 13 anos275 a 875200 a 730--
14 a 15 anos 170 a 970 170 a 460--
16 a 18 anos 125 a 720 75 a 270--
Acima de 18 anos----50 a 250

Existe uma variedade de métodos usados para determinar a atividade da fosfatase alcalina. Esta variedade dificulta a comparação de resultados entre os diferentes laboratórios e os mencionados pela literatura.

A interpretação dos resultados do exame deve ser realizada pelo médico que o solicitou, em conjunto com a história e o exame clínico. Para maiores informações, procure um médico clínico geral.  

Qual a quantidade normal de plaquetas?
Dr. Ivan Ferreira
Dr. Ivan Ferreira
Médico

O valor normal de plaquetas no sangue do adulto é, em média, de 150.000 a 350.000 por microlitro de sangue. Os valores considerados normais podem variar dependendo do método que o laboratório de análises clínicas utiliza para fazer a contagem de plaquetas. Esse valor vem escrito no resultado de exame fornecido pelo laboratório como "valor de referência" ou VR, normalmente ao lado do resultado encontrado.

As plaquetas são células do sangue, produzidas na medula óssea, e que participam do processo de coagulação sanguínea (formação de um coágulo que interrompe o sangramento). O exame de contagem de plaquetas é geralmente pedido para identificar se há algum problema em relação à coagulação sanguínea ou doenças que podem ter aumento ou diminuição de plaquetas.

O hematologista é o especialista responsável por diagnosticar e tratar alterações no sangue.

O que é exame VDRL?
Dra. Ângela Cassol
Dra. Ângela Cassol
Médico

O exame VDRL, sigla em inglês de Venereal Disease Research Laboratory é um teste para detecção de pacientes que já tiveram sífilis, uma doença sexualmente transmissível.

Quando o teste dá negativo (não reagente), usualmente indica que o paciente nunca teve contato com a bactéria causadora da sífilis, o Treponema pallidum, ou que, tendo já o paciente entrado em contato com a bactéria, o organismo ou o tratamento foram suficientes para eliminá-la.

Entretanto, pode acontecer do paciente estar com sifílis e o teste dar negativo, é o chamado efeito prozona, que acontece quando há um elevado número de anticorpos produzidos pelo organismo durante o estado latente ou secundário da doença.

Quando o VDRL é positivo (reagente), usualmente o resultado é mostrado em títulos (1/2;1/8;1/64; 1/128, etc), que reflete a quantidade de antígenos treponêmicos presentes no sangue do paciente (quando maior o denominador, maior a quantidade de antígenos circulantes).

Algumas vezes o VDRL é positivo, contudo o paciente não teve contato com o treponema, é o chamado resultado falso positivo, que pode ocorrer em algumas condições, como:  mononucleose infecciosa, lúpus eritematoso sistêmico, hepatite A, hanseníase, malária e, ocasionalmente, até a gravidez.

Como o VDRL não é uma exame muito específico para diagnóstico da sífilis, é recomendável a sua análise junto à história e exame clínicos e à coleta de teste treponêmico específico, como o FTA-ABS ou o TPHA, que podem dar resultado positivo ou negativo. Uma vez que o paciente tenha tido contato com o treponema, o teste se manterá positivo o resto da vida, independentemente do tratamento.

Faz parte dos exames de pré-natal a coleta do VDRL, associado a teste treponêmico específico, pois a sífilis congênita pode trazer vários prejuízos ao bebê.

Se você apresentar um VDRL positivo, deve procurar um médico infectologista, dermatologista ou ginecologista para melhor avaliação.

O que é T4 livre?
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Médico

O T4 livre (tiroxina livre circulante no sangue) é um hormônio produzido pela glândula tireoide. Mais de 99% dos hormônios tireoidianos (T4 e T3) circulantes na corrente sanguínea estão ligados a uma proteína chamada TBG (globulina ligadora de tiroxina, sigla em inglês). Estes hormônios ligados à TBG são inócuos, não podendo ser utilizados pelos órgãos e tecidos. Portanto, apenas uma ínfima fração, chamada T4 livre (e também o T3 livre) são quimicamente ativas e podem modular o metabolismo do corpo. No entanto, nos órgãos e tecidos, só o T4 livre pode ser transformado em T3, sendo que este é o hormônio que efetivamente age nos tecidos do corpo modulando seu metabolismo).

Portanto, o exame que determina a quantidade do T4 livre no sangue permite saber quanto hormônio tireoidiano existe na circulação. Quando há muito T4 livre na circulação, há uma elevada produção de T3 nos órgãos, provocando o hipertireoidismo. No caso contrário, quando há pouco T4 livre, o T3 para os tecidos é insuficiente, causando o hipotireoidismo. Na maior parte dos casos, a nível clínico, a determinação do T4 livre é mais útil que a do T3 ou T3 livre.

Valores de referência ('normais' - da maioria da população):

Recém-nascidos: 2,6 a 6,3 ng/dL Adultos: 0,8 a 2,7 ng/dL

Obs: Os valores de referência podem variar em função do método e reagente utilizado, portanto, esses valores devem estar claramente citados nos laudos de resultados de exames laboratoriais.

Indicação clínica: É um exame útil na avaliação da função tireoidiana, particularmente em pacientes com suspeita de alteração na concentração de globulina ligadora de tiroxina (TBG).

Preparo do paciente: Jejum mínimo de 8 horas – recomendável. Em caso de uso de hormônio tiroidiano, colher o material antes da próxima dose ou, no mínimo, quatro horas após a ingestão do medicamento.

Métodos mais utilizados: radioimunoensaio, ensaio imunoenzimático e quimioluminescência.

Exames relacionados:

  • Dosagem de Tiroxina – T4
  • Dosagem de Triodotironina total – T3
  • Dosagem de Triodotironina livre – T3L
  • Dosagem de Hormônio Estimulante da Tireoide – TSH
  • Dosagem de Anticorpo Anti-peroxidase Tireoidiana – anti-TPO

Em caso de exame T4L alterado, a interpretação do resultado deve ser realizada pelo médico que o solicitou, em conjunto com a história e o exame clínico. Para maiores informações, procure um médico clínico geral ou endocrinologista.

O que é a leucocitose e quais são as causas?
Dr. Ivan Ferreira
Dr. Ivan Ferreira
Médico

A leucocitose é o aumento do número de leucócitos (glóbulos brancos) no sangue. Pode ser causada pela presença de infecção no organismo, por situações como exercícios físicos, gestação ou ainda leucemias. 

Os leucócitos são responsáveis pela resposta do organismo a agentes causadores de doenças ou a situações de esforço físico e estressantes. São divididos em neutrófilos, eosinófilos, basófilos, linfócitos e monócitos.​ O seu aumento no sangue, acima de 11.500 por milímetro cúbico de sangue, é considerado uma leucocitose. Porém, a causa depende das suas características e do tipo de leucócito aumentado.

As leucocitoses fisiológicas ocorrem em resposta a um estresse agudo do organismo, como no caso de exercícios físicos vigorosos, anestesia e gravidez; as leucocitoses reativas ocorrem devido às infecções por bactérias, inflamações e em doenças que afetam o metabolismo do corpo; já as leucocitoses patológicas ocorrem em doenças como leucemia mieloide, leucemia linfoide e linfoma.

Saiba mais em:

Nível de leucócitos alto pode indicar uma infecção grave?

Fiz exame de urina e o resultado dos leucócitos está elevado. O que pode ser?

Não só a avaliação das características da leucocitose, como também o exame clínico do paciente podem orientar o médico para o diagnóstico correto. O clínico geral é o médico que pode realizar inicialmente o diagnóstico da leucocitose e orientar o seu tratamento ou o encaminhamento para outro especialista.

Leia também:

Leucócitos elevados na urina durante a gravidez, o que pode ser?

Leucócitos baixos, o que pode ser?

Neutrófilos altos no hemograma: O que significa?

Eosinófilos alto no exame, o que significa?

O que é leucopenia e qual o tratamento adequado?
Dr. Gabriel Soledade
Dr. Gabriel Soledade
Médico

Leucopenia é quando o número de leucócitos, que são as células de defesa do sangue, está baixo.

O tratamento vai depender da causa e da intensidade.

A leucopenia pode aparecer normalmente em algumas situações da vida, e não exigir tratamento algum; ou pode ser sinal de infecções, inflamações, doenças da medula óssea, doenças autoimunes, doenças da tireoide e do baço, além de consequência ao uso de algumas medicações e a tratamentos como quimioterapia e radioterapia.

Ela, por si só, não é uma doença. Mas é um sinal de que algo pode estar acontecendo no corpo. Por isso, deve ser investigada para que a causa seja tratada.

Em casos extremos, em que a falta de leucócitos está tão intensa que pode favorecer a infecções graves, existem medicações capazes de estimular a produção dessas células.

Esse sinal deve ser investigado inicialmente pelo médico que solicitou o exame, o qual, quando necessário, poderá encaminhar a algum especialista.

Saiba mais em: 

Eosinófilos baixo no exame o que significa?

Leucograma: Para que serve e quais os valores de referência?

Plaquetas baixas o que pode ser?
Dr. Ivan Ferreira
Dr. Ivan Ferreira
Médico

Somente o resultado de plaquetas baixas, pode não representar nada. É necessário que haja um exame clínico e a realização de outros exames para se fazer um diagnóstico.

Existem algumas doenças ou situações que podem provocar plaquetas baixas como as leucemias, a púrpura trombocitopênica idiopática, o mieloma múltiplo, válvulas cardíacas metálicas,o lúpus eritematoso sistêmico, alguns medicamentos, entre outras causas.

No entanto, os sinais mais comuns quando o número de plaquetas está muito baixo são as hemorragias na pele, nas gengivas, sangramentos menstruais abundantes ou cortes na pele que demoram muito para parar de sangrar.

O clínico geral ou o hematologista são os médicos que podem orientar o diagnóstico no caso do resultado de exame com presença de plaquetas baixas.

Leia também:

Plaquetas altas, o que pode ser?

Plaquetas altas, como diminuir?

Quais são os valores de referência de creatinina?
Dra. Ângela Cassol
Dra. Ângela Cassol
Médico

Os valores de referência de creatinina, um exame muito utilizado como reflexo da função dos rins, variam conforme a técnica de análise de cada laboratório, mas, em média, são:

  • Crianças de 1 a 5 anos: 0,3 a 0,5 mg/dL;
  • Crianças de 5 a 10 anos: 0,5 a 0,8 mg/dL;
  • Adultos homens: 0,7 a 1,2 mg/dL;
  • Adultos mulheres: 0,5 a 1,1 mg/dL.

O laboratório em que é feita a análise do sangue do paciente deve informar os valores de referência e é importante ficar atento às unidades nas quais são liberados os resultados, pois há grande variação (por exemplo, um valor de 1,2 mg/dL equivale a 106µmol/L de creatinina).

Creatinina baixa: o que pode ser?

Valores de creatinina abaixo da referência podem refletir: baixa estatura, pouca massa muscular, doença avançada do fígado e desnutrição.

Vale lembrar que valores baixos de creatinina não indicam necessariamente que os rins não estão funcionando bem. Muitas vezes, esses valores abaixo do normal apenas são um reflexo da quantidade de massa muscular ou da dieta da pessoa.

Creatinina alta: o que pode ser?

Valores de creatinina acima da referência podem refletir: ingestão de carne, doenças dos músculos (polimiosite, dermatomiosite, paralisias e distrofias), uso prolongado de cortisona, hipertireoidismo (glândula tireóide hiperfuncionante), uso de medicamentos (metildopa, trimetoprim, cimetidina, salicilatos).

Resultados do exame com valores altos de creatinina indicam que os rins já não têm a mesma capacidade de filtrar o sangue.

Contudo, é preciso levar em consideração que a creatinina é um produto da degradação da creatina encontrada nos músculos. Assim, pessoas que têm mais massa muscular ou que praticam atividade física regularmente podem ter a creatinina alta, mesmo sem qualquer alteração da função renal.

Como baixar a creatinina?

Não há um tratamento ou medicamento específico para baixar a creatinina. Os valores de creatinina apenas voltarão ao normal quando os rins voltarem a filtrar o sangue de forma adequada.

Se a lesão renal for passageira, como na insuficiência renal aguda, os rins podem ser capazes de recuperar a sua função por completo. O tratamento para esses casos é direcionado para a causa da lesão renal.

Por outro lado, em casos de insuficiência renal crônica, as lesões renais já são irreversíveis e os rins já não são capazes de recuperar completamente a sua função.

Quando a doença renal crônica está no início, os rins podem se recuperar e a creatina pode baixar. Contudo, para que isso aconteça, é muito importante controlar fatores de risco, como diabetes e pressão alta, bem como utilizar e ajustar medicamentos.

No entanto, nos estágios finais da doença renal crônica, torna-se muito difícil recuperar a função dos rins. Dependendo do grau da lesão, os valores de creatinina só ficam mais baixos através de hemodiálise.

O que é creatinina e para que serve o exame?

A creatinina é uma substância resultante do metabolismo da fosfocreatina, encontrada nas proteínas dos músculos. A creatinina é produzida constantemente pelo organismo, em quantidades proporcionais à massa muscular de cada um, ou seja, quanto mais músculos a pessoa tiver, mais altos serão os valores de creatinina.

A análise dos valores de creatinina no sangue e na urina serve para avaliar se os rins estão desempenhando adequadamente a sua função de filtrar o sangue. Quando a filtração dos rins não está adequada, os valores de creatinina no sangue aumentam. Por isso, o exame de creatinina é utilizado para avaliar a função dos rins.

Porém, o resultado do exame de creatinina só se altera se as estruturas que filtram o sangue, os néfrons, já estiverem destruídas. Dessa forma, o exame não é o mais indicado para detectar doenças renais na fase inicial.

A interpretação dos exames laboratoriais é da responsabilidade do médico que os solicitou e deve ser feita em conjunto com a história e o exame clínico. Para maiores esclarecimentos, deve-se procurar um clínico geral ou médico de família.