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Menstruação

É normal ter cólica fora do período menstrual? O que pode ser e o que fazer?

Ter cólica fora do período menstrual pode ou não ser normal, dependendo da sua causa. A cólica pode ser considerada "normal", por exemplo, se ela for causada pela ovulação. Nesses casos, a dor abdominal geralmente é observada em mulheres que têm ciclos regulares e cólicas menstruais.

A dor decorrente da ovulação apresenta as seguintes características:

  • Normalmente é regular, ocorrendo sempre na mesma fase do ciclo menstrual;
  • A cólica geralmente dura apenas algumas horas, podendo ainda persistir por 2 ou 3 dias em algumas mulheres;
  • Também pode ocorrer sangramento vaginal nesse período, provocado por uma queda dos níveis de estrogênio.

No entanto, ter cólicas fora do período menstrual também pode ser sintoma de problemas ou doenças em órgãos do aparelho reprodutor, urinário e gastrointestinal, podendo ainda ter origem no sistema musculoesquelético.

As principais causas de dor abdominal aguda fora do período menstrual são:

  • Doença inflamatória pélvica;
  • Gravidez ectópica;
  • Apendicite;
  • Torção de ovário;
  • Endometriose;
  • Infecção urinária.

Já as dores abdominais crônicas fora do período menstrual podem ter como causas:

  • Ginecológicas: endometriose, adenomioses, pólipos, prolapso genital, varizes no útero, aderências pélvicas, doença inflamatória pélvica;
  • Gastrointestinais: síndrome do intestino irritável, prisão de ventre crônica, hérnias, doença inflamatória pélvica, câncer;
  • Urinárias: cistite, litíase urinária, câncer;
  • Musculoesqueléticas: espasmo de musculatura do assoalho pélvico, problemas posturais, fibromialgia; hérnia de disco.

A dor pélvica crônica caracteriza-se por sensação dolorosa na região inferior do abdômen ou da pelve, que pode ir e vir ou ser constante, podendo ser cíclica ou não, durante pelo menos 6 meses.

O que se deve fazer em caso de cólica fora do período menstrual é consultar o/a médico/a ginecologista, clínico/a geral ou médico/a de família para que a causa da dor seja devidamente diagnosticada e receba um tratamento correto.

Leia também: Pontadas na barriga, o que pode ser?

Chá de arruda faz descer a menstruação? Pode provocar aborto?

Sim, o chá de arruda pode fazer descer a menstruação e provocar aborto.

A arruda possui em suas folhas, um elemento chamado Rutina, que tem como principal ação provocar ou acelerar a menstruação, propriedade conhecida como emanagoga, por isso o chá de arruda é contraindicado durante a gravidez.

A arruda estimula as fibras musculares do útero, provocando contrações uterinas que podem causar sangramentos e, se a mulher estiver grávida, pode levar ao aborto e morte do feto. Caso não ocorra um aborto, pode haver anomalias ou malformações fetais.

Além de ser emenagogo e abortivo, o chá de arruda pode provocar intoxicações no organismo se for consumido em grandes quantidades.

Outros chás que são considerados abortivos ou teratogênicos (que podem causar malformação no feto) e por isso, são contraindicados durante a gestação, segue abaixo por ordem alfabética:

  • Alecrim
  • Arnica
  • Artemísia
  • Barbatimão 
  • Boldo
  • Buchinha do norte
  • Cambará
  • Cânfora
  • Carqueja
  • Cipó-mil-homens
  • Confrei
  • Erva-de-bicho
  • Espirradeira
  • Erva-de-santa-maria
  • Eucalipto
  • Gengibre
  • Melão-de-são-caetano
  • Pinhão-de-purga ou pinhão-paraguaio
  • Poejo.  

Para maiores esclarecimentos sobre os chás que podem fazer descer a menstruação ou causar aborto, fale com o seu médico ginecologista.

O que é a fase lútea?

A fase lútea ou luteínica é a terceira e última fase do ciclo menstrual (fase estrogênica --> fase da ovulação --> fase lútea), em humanos e alguns animais. Começa com a formação do corpo lúteo (do dia em que ocorre a ovulação ao primeiro dia do próximo ciclo menstrual (menstruação). Dura aproximadamente 12 a 16 dias, quando o corpo lúteo degrada-se (luteólise), ou mantém-se ativo (quando a mulher engravida), liberando hormônios (grande quantidade de progesterona e moderada quantidade de estrógeno) que mantêm a gestação até que a placenta assuma esse papel, entre a oitava e décima segunda semanas.

O hormônio que predomina neste período é a progesterona (há uma queda nos níveis de estrógeno e um pico de progesterona), o que faz cessar o espessamento da camada mais interna do útero (endométrio), mas mantém a circulação sanguínea e aporte de nutrientes para o caso de uma eventual nidação (quando o óvulo fecundado se fixa ao endométrio). Caso ocorra a nidação, a produção de hCG pelas células do sinciciotrofoblasto mantém o corpo lúteo ativo; caso contrário ele degenera (processo que leva duas semanas a partir da ovulação) e a mulher menstrua, começando um novo ciclo. 

Acontecimentos importantes na fase lútea, em resumo:

  • Ocorre a ovulação (por volta do décimo segundo dia do ciclo menstrual);
  • O corpo lúteo começa a se formar a partir do folículo ovárico;
  • O óvulo é "colhido" pelas fímbrias da porção distal da tuba uterina e "conduzido" em direção ao útero principalmente por movimentos em ondas das paredes da tuba uterina;
  • Os níveis dos hormônios LH e FSH diminuem e retornam a níveis mais baixos e estáveis;
  • Os níveis de estrogênio diminuem e aumentam os níveis de progesterona, produzida pelo corpo lúteo;
  • O revestimento uterino (endométrio) permanece espessa e pronta para hospedar o óvulo fertilizado, ou o embrião em crescimento, se houver nidação;
  • O corpo lúteo encolhe e começa a morrer. Ao degenerar, origina o corpo hemorrágico e posteriormente é substituído por um tecido cicatricial branco (corpo albicans). O corpo lúteo está programado para morrer em 14 dias a partir da ovulação, a menos que receba estímulo (hCG produzido pelas células do sinciciotrofoblasto após nidação do óvulo fecundado no endométrio). Ocorre a menstruação, e um novo ciclo se inicia.
  • Se a fecundação ocorre, e o embrião se implanta no endométrio, o hCG resgata o corpo lúteo e ele continua a secretar estrogênio e principalmente progesterona durante a gravidez, até a 8ª ~ 12ª semana, quando a placenta assume esse papel.

Em caso de suspeita de gestação, um médico ginecologista deverá ser consultado.

Parei de tomar o anticoncepcional e a menstruação não veio mais. Isso é normal?

Após a parada do uso do anticoncepcional, a mulher retorna seu ciclo menstrual geralmente nas próximas 4 semanas.

A mulher que faz uso correto da pílula anticoncepcional, sem esquecimento e sempre no mesmo horário, quando para de tomar, a menstruação vem logo em seguida, não ultrapassando as primeiras 4 semanas.

Caso a menstruação não venha nesse período, há possibilidade de gravidez que deve ser confirmada com algum teste diagnóstico como o Beta-HCG na urina ou no sangue. 

A pílula do dia seguinte pode atrasar minha menstruação?

Sim. A pílula do dia seguinte pode atrasar a menstruação.

A mulher que fez uso da pílula do dia seguinte pode apresentar alteração da data habitual de sua menstruação. Isso se deve pelo desbalanço hormonal que a pílula provoca e uma readaptação do organismo perante ao hormônio ingerido.

Após a tomada da pílula do dia seguinte, a menstruação geralmente ocorrerá em torno  de uma semana da data esperada da menstruação. Cada mulher terá uma reação diferente e esse tempo pode variar para alguns dias antes (antecipando a menstruação) ou depois da data habitual (atrasando a menstruação).

Leia também: Sou virgem e minha menstruação está atrasada. O que pode ser?; Menstruação atrasada na adolescência é normal?

Caso demore mais de 4 semanas após o uso da medicação para a menstruação vir, é interessante realizar um teste de gravidez para se certificar do seu efeito.

Quantos dias de atraso são considerados como atraso menstrual?

Para ser considerado atraso menstrual, a menstruação deve estar com pelo menos 15 dias de atraso. Atrasos menstruais de até 7 ou 8 dias são muito comuns e nem sempre indicam gravidez.

No entanto, mulheres com ciclos menstruais bastante regulares podem desconfiar de gravidez a partir do 5º dia de atraso menstrual.

A ausência de menstruação é o primeiro e mais importante sinal de gravidez. Em geral, esse atraso pode vir acompanhado por pequenos sangramentos, diferentes do sangramento menstrual habitual.

Porém, atraso na menstruação nem sempre indica uma gravidez. Outras causas de atraso menstrual incluem:

  • Estresse e ansiedade;
  • Interrupção da pílula anticoncepcional;
  • Doenças ou infecções, mesmo que sejam simples e corriqueiras;
  • Medicamentos como antipsicóticos, corticoides, antidepressivos, quimioterapia, imunossupressores, anti-hipertensivos;
  • Ganhar ou perder muito peso num curto espaço de tempo;
  • Obesidade;
  • Magreza extrema;
  • Distúrbios alimentares, como anorexia;
  • Atividade física em excesso;
  • Hipo ou hipertireoidismo;
  • Ovários policísticos;
  • Menopausa.

Leia também: Existem doenças com sintomas parecidos com gravidez?

Em caso de atraso menstrual, a mulher deve consultar o/a médico/a ginecologista ou médico/a de família, que poderá pedir um teste de gravidez para descartar esta possibilidade ou investigar outras possíveis causas do atraso.

Pode-se usar pomada vaginal durante a menstruação?

Sim.

A pomada vaginal pode ser usada durante a menstruação e as aplicações do creme vaginal não devem ser interrompidas durante esse período. 

A menstruação não vai afetar o efeito da pomada.

As pomadas e cremes vaginais são indicadas para tratar diversas infecções vaginais. Normalmente são antibióticos e, por isso, é importante fazer o tratamento completo, até o fim, sem interrupção, mesmo que os sintomas já tenham melhorado ou que a mulher tenha menstruado.

Leia também: Mulher virgem pode usar pomada vaginal com aplicador?

A pomada vaginal deve ser usada apenas com a prescrição do/a médico/a. 

O que fazer para parar a menstruação?

O uso de anticoncepcionais hormonais é geralmente a forma mais eficaz de reduzir ou parar a menstruação. As opções disponíveis são:

  • Contraceptivos que contenham estrógeno e progestágeno na fórmula, seja comprimidos, anel vaginal ou adesivo transdérmico;
  • Injeção de Medroxiprogesterona (Depo Provera®);
  • DIU (dispositivo intra uterino) hormonal.

Os anticoncepcionais que contém apenas progestágeno também são capazes de suprimir a menstruação, porém, nos primeiros meses de uso apresentam chance maior de ocorrência de sangramentos não programados e escapes.

Outras medicações que não são contraceptivos hormonais podem parar a menstruação (Danazol, análogos do hormônio de crescimento, antagonistas e moduladores do receptor de progesterona, etc), mas normalmente são indicados quando há alguma patologia associada que está sendo tratada e a ausência de menstruação é um efeito colateral do uso dessa medicação. Esses medicamentos não são usados para finalidade exclusiva de suprimir a menstruação.

A retirada do útero, histerectomia, é outra situação em que a mulher deixa de menstruar. Normalmente, essa cirurgia é indicada na presença de patologia uterina que justifique a remoção do útero.

O uso de anticoncepcionais hormonais apresenta algumas contraindicações e deve ser prescrito pelo/a ginecologista, clínico geral ou médico/a de família.