Dor no maxilar ao abrir a boca e ao mastigar, o que pode ser?

Dor no maxilar ao abrir a boca e ao mastigar pode ter como primeira hipótese diagnóstica distúrbios da articulação temporomandibular (DATM), mas pode ocorrer devido a várias causas, tais como neuralgia do trigêmeo, fibromialgia, sinusite, mastoidite, otite, etc.

Discutiremos aqui os DATM, causa mais comum dos sintomas mencionados, para não tornar a resposta muito ampla, mas é fundamental consultar um médico para que ele possa, através de sua história detalhada, exame físico e complementares (quando necessários), determinar a causa exata da sua dor.

O profissional mais habilitado a tratar estes distúrbios (quando corretamente diagnosticados) é o cirurgião-dentista com especialização em oclusão dentária que trata adequadamente cada causa específica.

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Causas

As principais causas dos DATM são aquelas que alteram os músculos faciais, espasmos nos músculos mastigatórios desencadeados por tensão ou estresse, depressão e ansiedade, artrites ou fixações na articulação temporomandibular, traumatismos na mandíbula, má oclusão dentária (mordida com defeitos), bruxismo (ranger dos dentes ao dormir), morder objetos estranhos, roer unhas, mastigar chicletes em excesso, tumores e problemas de crescimento na mandíbula.

Sintomas

Os principais sinais e sintomas (não é preciso que todos estejam presentes) compreendem principalmente dor facial (que piora ou só aparece ao abrir e fechar a boca, seja falando, bocejando ou ao se alimentar, que pode espalhar para qualquer lugar da face, ouvido, pescoço ou nuca), dificuldade para abrir a boca (com contraturas musculares e calcificações articulares), som de estalido ou rangido ao morder, sensação de mordida torta ou cruzada, desvio da mandíbula para um dos lados, edema (inchaço) em face, otalgia (dor no ouvido), surdez momentânea, vertigem ou zumbidos, ouvido "tampado" e perturbações visuais, além de cefaleias frequentes (dor de cabeça). Desse modo, o otorrinolaringologista é, frequentemente procurado, devendo estar familiarizado com o diagnóstico e tratamento.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por um médico ou cirurgião dentista que palpa, observa e ouve a movimentação da mandíbula; sente o estado das articulações, dos músculos, dos ligamentos, a oclusão dos dentes (a mordida e correta coaptação das arcadas dentárias superiores e inferiores). São feitas perguntas ao paciente em busca de informações que possam ser a causa da dor e de outros sintomas, tais como traumas, hábitos orais, tratamentos médicos e dentais prévios. ​Podem ser solicitados exames de imagem da mandíbula e da movimentação da articulação em estágios variados (abertura total, média e fechamento total). Foram desenvolvidas uma variedade de outras técnicas para diagnosticar DATM, inclusive para localizar as contrações musculares, chamada de eletromiografia de superfície, sonografia (SonoPak), termografia e cinesiografia. São exames que detalham com precisão as estruturas afetadas.​

Tratamento

O tratamento é inicialmente clínico; apenas em casos mais graves ou não responsivos à terapia conservadora deve-se recorrer a técnicas cirúrgicas. Os objetivos do tratamento são reduzir a dor, restabelecer função mandibular confortável, limitar a recorrência da dor e restabelecer o padrão de vida normal, o mais rapidamente possível.

Inicialmente, na fase aguda, pode-se utilizar analgésicos simples e aplicação de bolsas de água quente com massagens na região afetada. Também é importante evitar dietas que demandem mastigação excessiva (carnes) ou abrir muito a boca (maçãs inteiras, por exemplo). Alguns pacientes podem precisar de antidepressivos, anticonvulsivantes ou analgésicos mais potentes (mas sempre deve-se começar o tratamento com os analgésicos mais fracos, e ir subindo gradualmente de intensidade se não houver melhora dos sintomas). Há evidências de que técnicas de relaxamento diminuem o sofrimento em casos de dor crônica. Respire lenta e profundamente, enrijeça e relaxe seus músculos alternadamente. A ioga e/ou hipnose são úteis para algumas pessoas.

Em casos mais graves, existem as seguintes opções:

  • Terapia de aplicação ortopédica (placa estabilizadora);
  • Terapia oclusal (ortodontia, reabilitação oral, etc...);
  • Correção de problemas dentários;
  • Cirurgia

Em caso de dor no maxilar ao abrir a boca e mastigar, um médico deverá ser consultado para avaliação, tratamento e/ou encaminhamento a um cirurgião bucomaxilofacial ou otorrinolaringologista, se necessário (distúrbios da ATM).