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Esporotricose: o que é, quais os sintomas e como é o tratamento?

Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

Esporotricose é um tipo de micose subcutânea que pode acometer animais e humanos, através da contaminação pelo fungo Sporothrix schenckii. Esse fungo pode estar presente em cascas de árvores, lascas de madeira, vegetais em decomposição e solos ricos em matéria orgânica também em decomposição.

Como é transmitida a esporotricose?

A contaminação pelo fungo ocorre através de ferimentos que tenham contato direto com lascas, espinhos ou vegetais contaminados, ou por arranhões e mordidas de animais doentes. se não houver ferida, como porta de entrada, não há contaminação.

Diversos animais podem contrair esporotricose, embora os felinos domésticos (gatos) sejam os mais afetados e os principais transmissores da micose para outras espécies, inclusive a humana.

O fungo é transmitido ao gato pelo contato das garras com materiais contaminados. Depois, com o fungo da esporotricose instalado nas garras, o felino transmite a doença para outros gatos durante as brigas que ocorrem quando o animal vai para a rua, ou para seus donos em casa.

Quais são os sintomas da esporotricose?

Nos gatos, a micose caracteriza-se pelo aparecimento de feridas na face e nos membros. As lesões são profundas, normalmente têm pus e não cicatrizam, progredindo para o resto do corpo. Outros sintomas incluem perda de apetite, apatia, emagrecimento, espirros e secreção nasal.

Os cães raramente ficam doentes e dificilmente transmitem a esporotricose para outros animais. Quando adoecem, apresentam feridas no focinho, nos membros ou no corpo.

Nos humanos a doença pode se desenvolver de quatro formas:

  1. Esporotricose cutânea, quando acomete apenas a pele, principalmente mãos e braços. Inicialmente surgem feridas semelhantes a picada de inseto, que podem sumir espontaneamente;
  2. Esporotricose linfocutânea, a forma mais comum, acomete o sistema linfático, com isso surgem caroços vermelhos, nos membros ou na face. Os caroços podem evoluir para feridas e formar ainda uma fileira de caroços ou feridas na pele, com pus e difícil cicatrização;
  3. Esporotricose extracutânea, quando outro órgão for acometido, como mucosas, pulmão e ossos, sem comprometimento da pele;
  4. Esporotricose disseminada, forma mais grave, com comprometimento de órgãos e sistemas a distância. Os mais acometidos são pulmão, ossos, mucosas e pele, com isso causando sintomas gerais importantes, como febre, dor nas articulações e queda do estado geral.

Esporotricose tem cura? Qual é o tratamento?

Apesar de ser um tipo grave de micose, a esporotricose tem cura.

O tratamento em animais e seres humanos é feito com medicamentos antifúngicos orais. O mais indicado e oferecido pelo sistema único de saúde é o itraconazol, embora possa ser usado também o Iodeto de potássio, ou Anfotericina B para os casos disseminados. As medicações devem ser usadas durante um tempo prolongado, de 6 meses a um ano, de acordo com a melhora do quadro.

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e tiver início o tratamento, menor será a gravidade das sequelas no animal, que pode até ir a óbito se não for tratado. Lembrando que nos casos de óbito, o animal deve ser encaminhado para o veterinário e não enterrado, para evitar a continuidade da contaminação.

É muito importante que o tratamento não seja interrompido e seja seguido até o fim para que a esporotricose seja completamente curada.

Em caso de suspeita de esporotricose, o animal deverá ser levado a um veterinário e o dono deve procurar um serviço de saúde para um correto diagnóstico e acompanhamento.