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HIV e Tuberculose: Quais os riscos?

Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

O principal risco de uma pessoa com HIV contrair tuberculose é que nos casos de coinfecção (HIV + tuberculose) a tuberculose pode se manifestar de forma menos típica, mais grave e com um diagnóstico mais difícil, o que pode ser potencialmente fatal.

Outra complicação da tuberculose é que ela pode se desenvolver no cérebro (neurotuberculose), sendo a 3ª causa de complicações neurológicas em pacientes HIV positivos. Na maioria dos casos, a doença provoca meningite.

A neurotuberculose é altamente letal e, mesmo com uma boa adesão ao tratamento, cerca de metade das pessoas com HIV que desenvolvem essa forma de tuberculose morre.

Qual a relação entre HIV e tuberculose?

A tuberculose é a principal doença oportunista entre os indivíduos HIV positivos, ou seja, ela se aproveita do sistema imunológico debilitado para se desenvolver.

Além disso, o HIV é o fator de risco mais importante para o desenvolvimento da tuberculose.

A prevenção e o diagnóstico precoce da tuberculose em pacientes soropositivos/as são fundamentais para evitar mortes e complicações.

A identificação dos casos de coinfecção por tuberculose torna-se mais difícil, uma vez que o exame de escarro em pessoas com HIV pode dar negativo com mais frequência do que naquelas que não têm o vírus.

Como é o tratamento em casos de tuberculose com HIV?

O tratamento da tuberculose em pacientes infectados/as pelo HIV é um desafio devido às interações medicamentosas entre os remédios usados para tratar a tuberculose e o HIV, além dos efeitos colaterais a ambos os tratamentos.

Enquanto que o tratamento do HIV é feito com medicamentos antirretrovirais, o da tuberculose é feito com antibióticos, uma vez que a doença é causada por bactéria (bacilo de Koch).

Em geral, pessoas com o sistema imune muito suprimido pelo HIV podem apresentar melhora dos sintomas da tuberculose ao início do tratamento, seguida de piora dos sintomas.

Isso porque, enquanto o tratamento do HIV melhora a imunidade, o organismo começa a combater a tuberculose. Essa "luta" contra a infecção pode aumentar a inflamação e piorar os sintomas que estavam melhorando. Contudo, trata-se de uma piora transitória, que reflete a melhora da imunidade.

Por isso é fundamental tratar o HIV para manter uma boa imunidade, pois assim o risco de contrair tuberculose diminui. Além disso, a tuberculose tem cura, mesmo em pacientes com HIV.

O tratamento da tuberculose e do HIV são da responsabilidade do médico infectologista.

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