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O que é a hipoglicemia?

Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

Hipoglicemia é a redução dos níveis de glicose (açúcar) no sangue. Os valores normais de glicose no sangue em jejum variam entre 70 e 100 mg/dl. Considera-se hipoglicemia níveis de glicose sanguínea abaixo de 60 mg/dl (alguns autores usam 70 mg/dl como limite).

Apesar de grande parte dos casos de hipoglicemia ocorrer como efeito colateral do tratamento do diabetes, também pode acontecer em pacientes não diabéticos, embora seja mais raro.

Em pessoas saudáveis, os níveis de glicose sanguínea são mantidos mais ou menos estáveis através da ação de vários hormônios, principalmente da insulina e glucagon.

Hipoglicemia

Como ocorre a hipoglicemia?

Para entender como ocorre a hipoglicemia, é importante conhecer como o controle fisiológico da glicose sanguínea.

Quando nos alimentamos, especialmente de carboidratos, uma grande quantidade de glicose é absorvida no intestino delgado.

A glicose absorvida chega à corrente sanguínea, elevando as suas concentrações de açúcar no sangue, o que provoca uma hiperglicemia transitória. Neste instante, o pâncreas aumenta a secreção de insulina, hormônio necessário para que a glicose entre nas células do organismo.

A insulina provoca a diminuição da glicose no sangue, através de duas vias principais: permite o consumo da glicose pelas células e estimula o armazenamento de glicose no fígado, na forma de glicogênio.

Por outro lado, quando permanecemos sem nos alimentar por muito tempo, a glicemia reduz progressivamente, à medida que as células vão consumindo açúcar para produzir energia. Para evitar que haja hipoglicemia, o pâncreas começa a secretar glucagon, um hormônio com ação contrária à insulina.

A ação do glucagon estimula a secreção de glicose pelo fígado, tanto pelo uso do glicogênio armazenado como pela produção de glicose no próprio fígado, um processo denominado gliconeogênese. O glucagon também é capaz de transformar as reservas de gordura corporal em glicose.

Em resumo, a insulina é o hormônio que age normalizando a glicemia quando esta está elevada (hiperglicemia), enquanto o glucagon é o hormônio responsável por normalizar a glicemia quando está baixa (hipoglicemia).

Durante a alimentação, as taxas de açúcar no sangue podem aumentar um pouco, até que a insulina as traga de volta para os níveis normais. Portanto, hiperglicemias transitórias são consideradas normais logo a seguir à alimentação. Em pessoas não diabéticas, o valor de glicemia após uma refeição (glicemia pós-prandial), geralmente não ultrapassa os 140 mg/dL.

Ao contrário da hiperglicemia, que pode ocorrer transitoriamente logo a seguir às refeições, a hipoglicemia não é um evento normal. Isso porque, normalmente, não existem situações que provoquem uma rápida queda da concentração de açúcar no sangue, o que permite que o glucagon exerça seus efeitos anti-hipoglicemiantes antes que a glicemia fique abaixo de 70 ou 60 mg/dl. Em pacientes com diabetes, a situação é bem diferente.

Quais são os sintomas da hipoglicemia?

Como a glicose é a principal fonte de energia do organismo, a ocorrência de hipoglicemia produz sinais e sintomas típicos, como fraqueza, transpiração, tremor e outros mais graves como a crise convulsiva, que só desaparecem se o nível sanguíneo de glicose for corrigido.

A hipoglicemia é um evento raro em pessoas saudáveis, uma vez que mesmo após muitas horas em jejum, o organismo é capaz de mobilizar as reservas de glicose e gordura para fornecer as quantidades necessárias de açúcar para o sangue.

Caso tenha reservas suficientes, uma pessoa é capaz de ficar vários dias sem comer e ainda assim não apresentar hipoglicemia.

Em caso de suspeita de hipoglicemia, um médico, preferencialmente um endocrinologista, deverá ser consultado para um diagnóstico e tratamento adequados.