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O que é a Síndrome de Guillain-Barré e quais são os sintomas?

Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica autoimune em que o sistema nervoso é atacado por células do sistema imunológico do organismo. Esse ataque provoca uma lesão na estrutura que recobre os nervos periféricos e garante a velocidade dos impulsos nervosos.

Sem essa estrutura, conhecida como bainha de mielina, a transmissão dos sinais nervosos fica prejudicada, causando fraqueza muscular progressiva e paralisia. Se afetar os músculos respiratórios, a Síndrome de Guillain-Barré pode ser fatal.

Quais as causas da Síndrome de Guillain-Barré?

As principais causas da Síndrome de Guillain-Barré estão relacionadas com infecções virais e bacterianas, cirurgias, vacinas, traumas, gestação, linfoma de Hodgkin, pneumonia e gastroenterite.

Entre os vírus e bactérias que podem causar a Síndrome estão o Zika vírus, Campylobacter (bactéria encontrada na carne de aves mal cozidas), HIV, vírus Influenza, Citomegalovírus, vírus Epstein-Barr, além dos vírus das hepatites A, B e C.

Mais da metade dos casos de Síndrome de Guillain-Barré ocorre logo depois de uma infecção viral ou bacteriana. Acredita-se que a infecção desencadeia uma resposta do sistema imunológico, que acaba por atacar os nervos e as raízes nervosas.

Quais os sinais e sintomas da Síndrome de Guillain-Barré?

Os sinais e sintomas da Síndrome de Guillain-Barré normalmente começam a se manifestar entre uma e quatro semanas após uma doença aguda. Na maioria dos casos, o sintoma inicial é a sensação de formigamento nos pés e, em seguida, nas mãos.

Pelo menos metade dos pacientes apresentam também dor de origem neurológica na coluna lombar ou nas pernas.

Contudo, o sintoma mais evidente da Síndrome de Guillain-Barré é a fraqueza muscular progressiva, que começa nos membros inferiores e atinge depois membros superiores, tronco, cabeça e pescoço.

A intensidade da fraqueza muscular pode ser leve ou evoluir até à paralisia total dos membros superiores e inferiores (tetraplegia). Nestes casos, os músculos respiratórios também são afetados e o paciente necessita de ventilação mecânica para poder respirar.

Alguns sinais e sintomas da Síndrome de Guillain-Barré indicam que a doença pode se agravar rapidamente e a pessoa precisa receber atendimento médico com urgência. São eles: dificuldade para respirar ou engolir, perda dos movimentos, desmaios, salivação e vertigem ao se levantar.

O tempo de progressão da doença varia entre 2 e 4 semanas. Após esse período, os sintomas estabilizam durante dias ou semanas e o paciente gradualmente vai recuperando a função motora durante os meses seguintes.

Qual é o tratamento para a Síndrome de Guillain-Barré?

O tratamento da Síndrome de Guillain-Barré é feito através da injeção endovenosa de imunoglobulina ou por meio da filtração do sangue para retirar os anticorpos responsáveis pelo ataque do sistema imune aos nervos, um procedimento conhecido como plasmaférese.

O tratamento da Síndrome de Guillain-Barré também inclui cuidados com os sinais vitais e com a respiração, prevenção de trombose venosa profunda, fisioterapia e terapia ocupacional.

Qual é o prognóstico da Síndrome de Guillain-Barré?

A recuperação da Síndrome de Guillain-Barré é lenta. Cerca de 85% dos pacientes ainda apresentam um deficit residual depois de 2 anos que adquiriu a doença. Em até 10% dos casos haverá sequelas motoras ou sensitivas incapacitantes.

A taxa de mortalidade da doença varia entre 5 e 7%. As mortes normalmente são decorrentes de insuficiência respiratória, embolia pulmonar, pneumonia, arritmias cardíacas e sepse hospitalar.

As crianças geralmente têm uma recuperação motora mais rápida e precisam menos de suporte respiratório, pelo que o prognóstico é mais favorável.

Contudo, o prognóstico costuma ser bom na maioria dos casos, com recuperação completa ou permanência de pequenos déficits motores.

O médico neurologista é o especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento da Síndrome de Guillain-Barré.