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O que é fertilização in vitro e como funciona?

Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

A fertilização in vitro, é uma técnica de reprodução assistida muito usada em casos de infertilidade. Ficou popularmente conhecida como técnica do "bebê de proveta".

Trata-se de um processo em que os óvulos são fertilizados pelo espermatozoide fora do corpo da mulher, in vitro, que em latim significa "em vidro".

A fertilização in vitro é feita da seguinte forma:

  1. A mulher recebe hormônios reprodutivos especiais para favorecer o desenvolvimento de vários óvulos;
  2. A maturação final do óvulo é induzida pela administração de um outro hormônio;
  3. Após 36 horas, o fluido contendo os óvulos é retirado dos ovários com uma agulha. Este procedimento é geralmente feito com a mulher sedada e o médico utiliza um ultrassom para guiar a agulha até ao ovário;
  4. Os óvulos recolhidos são então misturados com o esperma do homem, que já foi lavado e concentrado;
  5. Os óvulos e os espermatozoides são deixados numa incubadora a 37ºC durante 24 horas para que a fertilização aconteça;
  6. Durante esse período, apenas um dos muitos espermatozoides vai penetrar no óvulo e fertilizá-lo;
  7. Após a fertilização, as células irão se dividir e multiplicar para formarem um embrião;
  8. Depois de 2 ou 3 dias, um embrião saudável terá 8 células. Ele é então transferido para o útero através de um tubo fino e flexível, onde é deixado para se implantar e gerar uma gravidez;
  9. Após 12 a 14 dias, já é possível saber o resultado através do exame de gravidez beta-hCG.

Qual a taxa de sucesso da fertilização in vitro?

A taxa de sucesso da fertilização in vitro depende de diversos fatores, como:

  • Idade da mulher (quanto mais nova, maior a chance de engravidar);
  • Qualidade dos óvulos, espermatozoides, embriões e do endométrio (parece interna do útero);
  • Fase em que se encontra o embrião (3º ou 5º dia).

Porém, mesmo que todos os parâmetros sejam favoráveis, existe ainda chance de insucesso. A idade da mulher é o principal fator, uma vez que a chance de engravidar cai progressivamente com o avançar da idade.

A taxa de sucesso é variável de 20 a 50%, a depender da idade da mulher.

Quais os riscos e as complicações da fertilização in vitro?

As complicações da fertilização in vitro são pouco comuns e, em geral, não são graves. No entanto, há um risco, mesmo que reduzido, da situação tornar-se grave e poder levar inclusive ao óbito. Dentre as principais complicações estão:

  • Complicações agudas causadas pela estimulação ovariana: O ovário pode responder exageradamente e provocar a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO). Casos leves ocorrem em 20% dos ciclos de estimulação, moderados em 3 a 6% dos ciclos e a forma mais severa é observada em 0,5 a 2% dos ciclos de estimulação. Essas complicações têm sido cada vez menos frequentes devido ao uso de novos protocolos (Leia também: O que é a síndrome da hiperestimulação ovariana?);
  • Complicações decorrentes da coleta dos óvulos:
    • Lesão da artéria ilíaca: É bastante rara, mas tem grande chance de complicações sérias;
    • Sangramento do ovário após punção: Pouco frequente (0,5% dos casos). Pode requerer internação para observação e até cirurgia para cauterização;
    • Infecção pós-punção: Muito rara (0,3% dos casos). Casos mais graves necessitam de tratamento com antibióticos e até cirurgia;
  • Complicações obstétricas:
    • Gravidez múltipla: Pode ocorrer em até 20% das gestações por fertilização in vitro;
    • Pré-eclâmpsia, prematuridade, descolamento de placenta, restrição do crescimento do feto e baixo peso fetal ao nascer: Os "bebês de proveta" têm até duas vezes mais chances de apresentarem restrição de crescimento, baixo peso ao nascimento e parto prematuro. A gestante também tem maior risco de desenvolver pré-eclâmpsia e ter um descolamento de placenta;
    • Malformações fetais: A incidência de malformações fetais em fetos concebidos por fertilização in vitro é maior que naqueles de gestações espontâneas.

O ginecologista deverá orientar a paciente em relação à fertilização in vitro, bem como alertá-la quanto às suas taxas de sucesso e dos seus possíveis riscos.