Memória

Tenho dificuldade de concentração e aprendizado, memória...
Dr. Charles Schwambach
Dr. Charles Schwambach
Médico

Parece mesmo um quadro de enxaqueca (os sintomas são compatíveis) em relação a um aneurisma é uma hipótese pouco comum (rara na verdade), principalmente em um adulto jovem. Aproveita a ocasião com o neurologista para começar a tratar mais adequadamente seu problema de memória, concentração e aprendizagem.

Leia também: 5 Formas de Melhorar a sua Memória

Perda de memória: o que pode ser e o que fazer?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

A perda de memória recente em jovens e adultos com menos de 60 anos, na maioria das vezes está relacionada a estresse e ansiedade, porém listamos outros motivos comuns como:

  • Má qualidade do sono;
  • Alimentação inadequada;
  • Depressão;
  • Sedentarismo;
  • Uso de medicamentos, como ansiolíticos em doses altas ou por tempo prolongado;
  • Uso excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Falta de atenção; entre muitas outras causas. 

Já a perda de memória em idosos (mais de 60 anos), pode estar relacionada ao envelhecimento natural e morte das células nervosas do cérebro, ou originadas por doenças degenerativas, como doenças demenciais, sendo a mais comum, a doença de Alzheimer.

A doença de Alzheimer se caracteriza pela perda progressiva das funções intelectuais, sendo a perda de memória um dos seus primeiros e principais sinais.

Quais as possíveis causas de perda de memória?1. Colesterol alto, diabetes, tabagismo, hipertensão arterial

O conjunto de colesterol alto, tabagismo, diabetes e pressão alta mal controladas, podem provocar o depósito de placas de gordura nos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro, prejudicando a circulação. Essa falta de oxigenação provoca micro lesões na área do cérebro responsável pela memória, levando aos esquecimentos.

No caso da hipertensão (pressão alta), também prejudica a circulação sanguínea cerebral, pois pode leva a um estreitamento das artérias cerebrais, gerando déficit de memória.

2. Má qualidade do sono, ansiedade, estresse, depressão

São as principais causas de perda de memória em jovens e adultos com menos de 60 anos, pois prejudicam a atenção e, consequentemente, afetam a memória.

Uma pessoa desatenta retém menos informação e por isso tem mais dificuldade de armazenar informações.

3. Mal de Alzheimer

Atinge cerca de 7% dos idosos entre 60 e 65 anos e caracteriza-se pela perda progressiva das funções intelectuais. A perda de memória está entre os seus primeiros sintomas.

O paciente começa a esquecer nomes, fisionomias, compromissos e datas com muita frequência. Outros sintomas iniciais do Alzheimer incluem:

  • Manias de perseguição e traições;
  • Falta de assunto e iniciativa;
  • Incapacidade de manter diálogos;
  • Respostas monossilábicas.

É muito importante que os familiares estejam atentos a esses sinais e na presença deles, procurem um médico neurologista. Se a doença for diagnosticada no início, é possível controlar os sintomas e retardar a sua evolução, oferecendo uma melhor qualidade de vida ao paciente.

4. Uso de medicamentos

O uso de medicamentos como os benzodiazepínicos e alguns psicotrópicos são frequentemente associados a queixas de falta de memória. 

5. Falta de vitaminas, minerais e outros nutrientes

Alguns nutrientes essenciais como vitamina B12, cálcio, ômega 3, zinco, ferro e carboidratos são fundamentais para garantir o bom funcionamento cerebral.

A falta dos mesmos na alimentação ou quando essa deficiência é provocada por doenças, como a anemia (ferro), a memória será prejudicada.

6. Acidentes e traumas

Situações traumáticas, como acidentes, ou pancadas na cabeça podem deixar sequelas e provocar quadro de amnésia (perda de memória).

7. Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (Distúrbio do Déficit de Atenção)

Caracteriza-se pela dificuldade em manter a atenção, inquietude e impulsividade. É mais comum seu diagnóstico na infância, embora também seja observado em adultos. A falta de atenção, ocasiona a falta de memória.

8. Amnésia Global Transitória

Trata-se de uma perda temporária de memória causada por um mau funcionamento do hipocampo, a sede da memória no cérebro. 

Dá um "branco" na pessoa e ela esquece como fazer coisas com as quais está acostumada, como por exemplo chamar um elevador ou dirigir.

O indivíduo também pode ficar perdido ou desorientado em lugares familiares, sem referência de tempo e espaço. Ele reconhece os outros, sabe quem é quem, mas não faz a menor ideia de onde, como ou por que está ali, mesmo que esteja na sua própria casa.

No entanto, depois da crise, a memória volta ao normal. Porém, tudo o que foi vivido durante a amnésia global transitória não será lembrado. A pessoa fica com uma lacuna na memória.

Ainda não se sabe exatamente a causa da amnésia global transitória, mas acredita-se que o problema possa estar vinculado a quadros de enxaqueca, traumas ou situações de estresse extremo.

9. Outras causas de perda de memória:
  • Problemas de tireoide;
  • Abuso de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas;
  • Múltiplos "derrames" (acidente vascular cerebral - AVC);
  • Traumas repetidos na cabeça.
O que fazer em caso de perda de memória? Quando devo procurar um médico?

Pessoas que sofrem de perda de memória e se esquecem frequentemente das coisas devem procurar ajuda nas seguintes situações:

  • Quando os esquecimentos são frequentes e intensos ao ponto de atrapalhar a rotina de vida, a segurança ou a independência da pessoa;
  • Quando a perda de memória estiver associada a dificuldades em encontrar lugares conhecidos, realizar tarefas do dia-a-dia, fazer contas, reconhecer rostos conhecidos;
  • Quando além de alterações na memória observar também, alterações na coordenação motora e variações de humor, personalidade ou comportamento;
  • Quando os esquecimentos pioram progressivamente ao longo do tempo;
  • Quando a perda de memória e os esquecimentos ocorrem em pessoas com mais de 60 anos de idade.

Esses são alguns sinais de alarme que podem indicar que a perda de memória esteja relacionada com problemas neurológicos mais graves. Nesses casos, é altamente recomendável procurar um médico neurologista.

Leia também: Dificuldade de concentração: o que pode ser e o que fazer?

5 Formas de Melhorar a sua Memória
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

Formas que comprovadamente melhoram a memória são: praticar exercícios físicos, alimentação balanceada e estimulo constante do cérebro.

5 formas de melhorar a memória

Veja 5 maneiras de melhorar a sua memória e concentração seguindo algumas dicas práticas para o seu dia-a-dia:

1) Faça exercícios físicos
  • A atividade física produz substâncias que estimulam a região do cérebro responsável pela memória;
  • Bastam 30 minutos de atividade física, 4 vezes por semana, para produzir efeitos positivos na memória;
  • A diferença já pode ser observada após 1 mês de exercícios regulares.
2) Tenha uma alimentação balanceada

Para melhorar a memória, não podem faltar na alimentação nutrientes como:

  • Carboidratos (pão, arroz, batata, massas, cereais, frutas): são fontes de glicose (açúcar), o combustível que fornece energia ao cérebro;
  • Ferro (carnes vermelhas, feijão, lentilhas, grão de bico, ervilhas): atua no transporte de oxigênio;
  • Cálcio (leites e derivados, sardinha, brócolis, espinafre): exerce uma função importante na condução dos impulsos nervosos;
  • Zinco (frutos do mar, peixe, frango, carne de vaca): auxilia o equilíbrio neuroquímico do cérebro;
  • Ômega 3 (sardinha, atum salmão, castanhas, nozes): compõe a membrana celular dos neurônios;
  • Vitamina B1 (gema de ovo, aveia, fígado, levedura de cerveja): favorece o aproveitamento de energia pelo corpo;
  • Cafeína (café, chá preto, chá mate, guaraná): desde que consumida em pequenas quantidades, melhora a atenção e a concentração.

Uma dieta saudável e equilibrada é essencial para garantir o bom funcionamento das células cerebrais e, consequentemente, da memória, fornecendo ao cérebro todos os nutrientes necessários.

3) Estimule o seu cérebro
  • Tente lembrar de compromissos, nomes, telefones e outras informações usando a sua memória, sem recorrer a lembretes ou agendas;
  • Leia, pois a leitura é um dos melhores exercícios para o cérebro e para a memória;
  • Repita para si mesmo o que precisar lembrar, como o local onde deixou um objeto, por exemplo; esse hábito aumenta a concentração no momento da ação e favorece a memorização;
  • Invista em atividades "novas", que nunca tenha praticado, como aprender outro idioma; o desconhecido cria novos circuitos neuronais e assim ativam a memória;
  • Pratique hobbies, jogos (mesmo videogames) e passatempos.
4) Cuide do seu coração
  • Mantenha o diabetes e o colesterol sob controle e não fume, pois assim você previne a formação de placas de gordura nos vasos sanguíneos, inclusive do cérebro, o que prejudica a circulação, com consequentes prejuízos para a memória;
  • Controle a hipertensão arterial, que pode provocar um estreitamento dos vasos sanguíneos do cérebro e prejudicar a memória.
5) Tenha um sono reparador
  • É durante o sono profundo e reparador que as memórias são consolidadas no cérebro;
  • Ter um sono de má qualidade deixa a pessoa cansada e prejudica a atenção, com efeitos negativos diretos na memória.

Ter esquecimentos é normal, mas quando começam a ser muito frequentes e interferem no seu dia-a-dia, pode haver algum problema relacionado com a perda de memória. Nesse caso, está recomenda procurar um/a médico/a.

Veja mais sobre o assunto em: Perda de memória: o que pode ser e o que fazer?

O/A neurologista é o/a médico/a responsável pelo diagnóstico e tratamento de doenças que afetam a memória.