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Soropositivo que teve meningite meningocócica pode ficar com sequelas?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Sim, é possível que um paciente soropositivo que teve meningite meningocócica apresente sequelas após o término da infecção, esse risco é maior quando a meningite não é tratada adequadamente em tempo oportuno.

A meningite meningocócica é um tipo grave de meningite e pode deixar sequelas mesmo em pessoas soronegativas. Contudo, o organismo de pessoas portadoras do vírus HIV que não seguem o tratamento está mais suscetível à meningite e outras doenças oportunistas, uma vez que o sistema imunológico desses pacientes pode estar bastante debilitado.

Dentre as possíveis sequelas da meningite meningocócica estão:

  • Perda da visão;
  • Distúrbios visuais;
  • Surdez;
  • Problemas motores;
  • Alterações na fala;
  • Atraso mental.

O risco de sequelas diminui se a meningite meningocócica for diagnosticada logo no início, mas não há garantias de que o paciente não ficará com sequelas.

Tais sequelas ocorrem devido a danos diretos ou indiretos causados no sistema nervoso central pela bactéria.

O tratamento da meningite meningocócica em indivíduos com HIV é semelhante ao tratamento realizado em soronegativos, sendo feito com antibióticos. O tratamento para o HIV com a terapia antiviral deve ser mantido.

Meningite pode causar cegueira? É reversível?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Cegueira e surdez estão entre as possíveis sequelas da meningite, porém, elas podem ser de caráter permanente ou temporário.

Quem teve meningite e ficou com sequelas deve ser avaliado por um médico neurologista, que é o especialista responsável pelo tratamento da meningite.

Outras sequelas que a meningite incluem:

  • Paralisia dos membros superiores e inferiores;
  • Epilepsia;
  • Deficit cognitivos;
  • Prejuízo no desenvolvimento físico;
  • Hidrocefalia (acúmulo de líquido no cérebro);
  • Agitação motora;
  • Distúrbios do sono;
  • Distúrbios de linguagem;
  • Instabilidade emocional.
A meningite pode ser transmitida depois de ser curada?

A possibilidade do vírus ou da bactéria que causou a meningite ficar no sangue do paciente ou em qualquer outra parte do corpo e poder ser transmitido é nula. Isso não irá acontecer.

Uma vez curada, a meningite já não pode ser transmitida, pois os agentes causadores (vírus ou bactérias), já foram neutralizados pelo sistema imunológico da pessoa.

Saiba mais sobre meningite em: O que é meningite?

Meningite pode causar isquemia cerebral?

Sim, a meningite bacteriana pode causar isquemia cerebral, também chamada de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. Trata-se de um tipo de "derrame", que pode ou não deixar sequelas, dependendo da área afetada do cérebro e do tamanho da lesão.

Leia mais sobre o assunto em: AVC tem cura? Qual o tratamento e possíveis sequelas?

Cabe ao médico neurologista avaliar o quadro das sequelas da meningite e orientar o tratamento adequado.

Também pode lhe interessar: Sinto cegueira noturna, o que pode ser?

Meningite: conheça os 8 principais sintomas
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

Os sintomas de meningite, seja ela bacteriana, viral ou fúngica, são bastante semelhantes. Por este motivo, ao perceber qualquer um destes sintomas, busque o mais rápido possível um atendimento em serviço de emergência hospitalar.

Os principais sintomas da meningite são a febre, dor de cabeça e rigidez de nuca, no entanto, são sintomas comuns a diversas outras situações e sendo a meningite uma doença grave, com elevado risco de morte, é preciso conhecer e estar atento as características dessa doença.

1. Febre alta

A febre é um sintoma inicial da meningite. Nestes casos, costuma ser alta (superior a 39oC) e, principalmente, nas meningites bacterianas tende a ser persistente. Se observar febre alta, associada a dor de cabeça e dificuldade em fletir a cabeça para frente, procure rapidamente atendimento médico para avaliação.

2. Dor de cabeça intensa

Na meningite a dor de cabeça é intensa, geralmente descrita como aperto em toda a cabeça, ou em "pressão" e não melhora com uso de analgésicos. Costuma ser um sintoma da fase inicial da doença.

3. Rigidez da nuca

A rigidez de nuca é a dificuldade ou mesmo impossibilidade de encostar o queixo no peito. Movimentar a cabeça em outras direções como, por exemplo, para o lado direito e esquerdo pode não ser tão difícil, embora alguns refiram incômodo e dor.

4. Náuseas e vômitos

De forma geral, as náuseas ocorrem primeiro e, em seguida, os vômitos. As náuseas e os vômitos são igualmente considerados sinais iniciais de meningite. Especialmente na meningite bacteriana, podem acontecer os vômitos "em jato" sem antes a pessoa tenha apresentado náuseas.

5. Dor muscular

As dores no corpo, mal-estar geral e falta de "energia", é um sintoma inespecífico, que pode acontecer em qualquer quadro viral ou de infecção. Na meningite não é diferente, porém pode ser tão intenso que dificulta a realização de atividades simples, como se alimentar ou escovar os dentes. As dores acabam por manter a pessoa deitada e com queixa de cansaço intenso.

6. Sensibilidade à luz

A sensibilidade à luz ou fotofobia é um sintoma bastante comum nas meningites, especialmente, na meningite bacteriana.

7. Irritação, confusão mental e sonolência

Na medida em que a doença progride, a pessoa pode ficar cada vez mais irritável, confusa e depois apresentar sonolência. Pode ocorrer um estado de indiferença em que o paciente não responde e precisa de um estímulo forte para despertar. Este estado é chamado estupor e exige intervenção médica de emergência.

8. Manchas roxas na pele

As manchas roxas na pele aparecem na fase mais grave da doença, geralmente na meningite meningocócica. Neste caso, a corrente sanguínea e outros órgãos do corpo podem ser afetados.

A infecção na corrente sanguínea se chama meningococemia e pode se tornar grave em algumas áreas. Este quadro pode provocar a morte de algumas regiões dos tecidos do organismo causando sangramento sob a pele, o que provoca o surgimento de pequenos pontos de cor roxa avermelhada ou manchas maiores.

Alguns sintomas menos específicos, ou seja, que não sinais clássicos da meningite podem surgir e devem ser valorizados. Como:

  • dor de estômago,
  • diarreia,
  • fadiga,
  • alterações do estado mental como agitação,
  • respiração ofegante e
  • cabeça e pescoço arqueados para trás.
Sintomas de meningite em bebês

Nos bebês, os sintomas aqui descritos podem estar ausentes ou podem ser mais difíceis de ser percebidos. Fique atento se o seu bebê:

  • Ficar irritado,
  • Chorar excessivamente ou ficar inquieto mesmo quando acalentados pela mãe, pai ou cuidador,
  • Apresentar temperatura corporal alta (acima de 37,8º) ou baixa (abaixo de 36º),
  • Apresentar tremores ou calafrios,
  • Vomitar, especialmente o vômito "em jato", devido à pressão que sai o líquido,
  • Alimentar-se mal ou recusar leite materno e/ou alimentação,
  • Mastigar involuntariamente, apertar os lábios, olhar em diferentes direções,
  • Apresentar moleira tensa quando palpa, ou mais inchada (fontanela abaulada),
  • Parecer mais lento ou mole, não responder a estímulos,
  • Apresentar sonolência exagerada, diferente do seu habitual.
O que fazer na suspeita de meningite?

Se houver suspeita de meningite, é fundamental que você se dirija ou leve o seu familiar com os sintomas o mais rapidamente possível a uma emergência hospitalar para que o tratamento seja iniciado.

O tratamento da meningite depende da sua causa e pode ser feito com antibióticos, medicamentos antivirais ou antifúngicos. Em alguns casos, pode ser também necessário o uso de corticoides e reposição de líquido. Deste modo, o paciente precisa estar internado no hospital.

Quanto antes for iniciado o tratamento da meningite, maior a chance de cura e menor o risco de sequelas graves.

O que é meningite?

A meningite é uma doença contagiosa caracterizada por inflamação nas membranas que recobrem o cérebro e a medula espinhal (meninges). É provocada com mais frequência por bactérias, vírus, fungos e medicamentos.

Para saber mais sobre meningite, leia também:

Referências:

  • Academia Brasileira de Neurologia.
  • Heckenberg, S.G.B.; Brouwer, M.C; Beek, D. Bacterial Minigitis. In: Biller, J.: Ferro, J.M. (organizadores). Handbook of Clinical Neurology, v.121, 2014. p. 1361-1375.
  • MedCurso. Infecto: principais infecções bacterianas. MedCurso, 2017.