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Transplante

Como é feito o transplante de medula óssea?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

O transplante de medula óssea consiste na substituição da medula doente por células normais de medula óssea, de maneira que o organismo da pessoa volte a produzir células sanguíneas. A medula óssea usada no transplante pode ser do próprio paciente (transplante autogênico) ou de um doador (transplante alogênico).

O transplante também pode ser realizado através de células-tronco, obtidas através do sangue do cordão umbilical, existente em bancos

A doação da medula óssea é feita sob anestesia, num centro cirúrgico. A medula que será transplantada é obtida através de agulhas que são introduzidas nos ossos da bacia do doador. Retira-se no máximo 15% da medula do doador, sem que isso traga qualquer prejuízo para a sua saúde. O procedimento dura cerca de duas horas.

Para o paciente, o transplante da medula óssea começa com um tratamento para destruir a sua própria medula, um processo chamado de condicionamento onde são administrados quimioterápicos para que não sobre nenhuma célula remanescente da sua própria medula. Depois desse período, é feito o transplante. O procedimento é semelhante a uma transfusão de sangue, através da qual o paciente recebe a nova medula saudável.

Através da circulação sanguínea, as células da medula transplantada chegam então à medula óssea do paciente, onde permanecem e se desenvolvem. Entretanto, leva algum tempo até que a medula nova produza células sanguíneas suficientes para manter os níveis normais dessas células no sangue.

Leia também: O que é medula óssea e para que serve?

Esse procedimento deixa o paciente mais suscetível a infecções e hemorragias. É muito comum haver episódios constantes de febre após o transplante. Por isso após o transplante o paciente passa alguns dias em ambiente hospitalar até a sua recuperação.

O tratamento continua, mesmo após a recuperação da medula. Entretanto, o mesmo é feito em regime ambulatorial.

O transplante de medula óssea é indicado em casos de doenças que afetam gravemente a produção das células do sangue, como leucemias, anemia aplástica, linfomas, entre outras.

O médico hematologista é o especialista responsável pelo transplante de medula óssea.

Quem fez transplante de rim pode engravidar?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Sim, quem fez transplante de rim pode engravidar, embora a gravidez nesse caso seja considerada de alto risco. Atualmente, aconselha-se que a mulher espere um ano após o transplante renal para engravidar, pois este é o período necessário para observar se o rim transplantado está funcionando bem e saudável.

O sucesso da gestação em uma mulher que fez transplante renal depende de um planejamento minucioso antes de engravidar, baseado na sua saúde geral, histórico de rejeição, pressão arterial, entre outros fatores.

As complicações mais observadas na gestação após transplante renal são a hipertensão arterial (pressão alta), o parto pré-termo, a diabetes gestacional, infecções do trato urinário e anemia.

Porém, apesar da frequência de complicações ser mais alta, o transplante de rim não é por si só uma contraindicação para a gravidez, e a maioria das gestações em mulheres pós transplante renal transcorrem sem grandes problemas.

As complicações são mais frequentes porque cerca de metade das mulheres que fazem transplante de rim desenvolvem hipertensão arterial, que é um fator de risco para restrição de crescimento fetal e baixo peso fetal.

O risco de pré-eclâmpsia também é maior nas gestantes transplantadas, podendo ocorrer em até 20% das gestações.

O transplante de rim também aumenta as chances de hemorragia e infecção urinária, além de deixar o organismo da grávida mais fragilizado e suscetível aos riscos da própria gestação, que também sobrecarrega os rins.

O grande desafio de uma gravidez após um transplante de rim é preservar a saúde materna e fetal durante todo o período gestacional, o que requer um planejamento e aconselhamento rigoroso, que devem começar antes mesmo da mulher tentar engravidar.

Existe transplante de útero?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Sim, transplante de útero existe. As primeiras operações bem-sucedidas aconteceram na Suécia, em 2014. No Brasil, o primeiro transplante de útero foi realizado pelo Hospital das Clínicas em São Paulo em 2016. Este também foi o primeiro transplante do gênero na América Latina.

Os primeiros transplantes foram realizados através da doação de doadoras vivas de útero, atualmente já se estão sendo realizados transplantes de úteros de doadora morta.

Antes de tentar a gestação, é verificada como o sistema imunológico da mulher reage a esse novo órgão. Isto porque, é comum o organismo estranhar o novo útero e gerar uma resposta de rejeição, na qual o sistema imune ataca o órgão como se fosse um corpo estranho.

A mulher precisa continuar em observação durante um período após a cirurgia, com acompanhamento médico e uso de medicamentos imunossupressores para prevenir a rejeição. Em algumas situações pode ser necessário remover o órgão transplantado

Mesmo que o útero seja proveniente de alguma parente próxima, não é garantido que o transplante seja bem sucedido e pode ocorrer rejeição.

A cirurgia de transplante uterino é bastante delicada porque as trompas, responsáveis pelo transporte do óvulo até o útero, não estão ligadas ao órgão.

A gravidez ocorre por fertilização in vitro, procedimento em que o óvulo é fertilizado pelo espermatozoide fora do corpo da mulher e depois o embrião é inserido no útero.

Saiba mais em: O que é fertilização in vitro e como funciona?

Quem fez um transplante pode doar sangue?

Sim, em geral, quem fez transplante pode doar sangue, mas precisa esperar 1 ano para fazer a doação. Isso nos casos de transplantes em que os órgãos ou tecidos são provenientes de outra pessoa ou algum animal.

Já as pessoas que fizeram ​transplante de córnea ou transplante de dura-máter (meninge) estão definitivamente impedidos de doar sangue.

A razão de algumas cirurgias impedirem a doação de sangue está relacionada com a doença que originou a necessidade da cirurgia.

As doenças e condições que impedem a doação de sangue de forma temporária ou permanente estão indicadas na portaria nº 1.353 de 2011 do Ministério da Saúde.