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Útero inflamado pode ser perigoso? Como tratar?

Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

De modo geral, não é perigoso, pois as inflamações no útero são provocadas por germes que normalmente habitam essa região, como o fungo Candida sp., ou bactérias como a Chlamydia sp. ou Neisseria gonorrhoeae.

No entanto, a inflamação por outros germes como o HPV, pode sim ser grave, porque causa feridas que aumentam o risco de desenvolver o câncer de colo uterino.

Além disso, as infecções por Chlamydia sp. ou Neisseria gonorrhoeae, quando não tratadas, podem provocar a Doença Inflamatória pélvica (DIP). Doença que afeta o útero, trompas e ovários, relacionada a casos de infertilidade.

O tratamento das inflamações no útero depende da sua causa e do local acometido. Pode incluir o uso de antibióticos ou antivirais. Cabe ao ginecologista definir a melhor opção para cada caso.

Remédios para inflamação no útero

O tratamento das inflamações que afetam o útero é realizado com medicamentos orais, cremes ou óvulos vaginais de acordo com o agente causador da doença. Os medicamentos mais utilizados são:

Antifúngicos

Os medicamentos antifúngicos são indicados nos casos de candidíase, inflamação causada por Candida albicans. O tratamento tem duração de 3 a 14 dias e pode ser efetuado com:

  • Medicamentos orais: fluconazol, itraconazol ou cetoconazol,
  • Cremes vaginais: nistatina ou miconazol e
  • Óvulos vaginais: miconazol ou clotrimazol.

Quando em uso de óvulos ou cremes vaginais, é importante que você evite as relações sexuais.

Antibióticos

Os antibióticos orais e/ou injetáveis são utilizados nas inflamações uterinas causadas por bactérias como a clamídia e gonorreia. Os mais usados são:

  • Azitromicina: comprimido administrado por via oral em dose única,
  • Doxiciclina, eritromicina, levofloxacino ou ofloxacino: comprimidos administrados por via oral durante 7 dias e
  • Ceftriaxona: medicamento aplicado em dose única através de uma injeção.

Em doenças como clamídia ou gonorreia, os parceiros sexuais também devem ser tratados. Do mesmo modo, as relações sexuais devem ser evitadas até que ambos tenham sido tratados por pelo menos uma semana. As pessoas infectadas e seus parceiros sexuais devem se abster de relações sexuais até que tenham sido tratados por pelo menos uma semana.

Tratamento caseiro para inflamação no útero

Não há comprovação científica de que receitas caseiras como uso de chás são eficazes para o tratamento das inflamações no útero. Inclusive o uso destas receitas pode retardar o tratamento indicado e agravar a doença.

Por este motivo, recomendamos que na suspeita de inflamação uterina, procure um ginecologista ou médico de família, converse sobre as opções de tratamento, antes de tomar qualquer medicação mesmo que a princípio, seja um produto natural.

Sintomas de inflamações uterinas

  • Corrimento amarelado, cinza ou marrom com mau cheiro,
  • Sangramento fora do período menstrual,
  • Sangramento durante ou após as relações sexuais,
  • Dor durante o ato sexual,
  • Dor ao urinar,
  • Sensação de inchaço no baixo ventre ou útero e
  • Dor no baixo ventre.

Quando devo me preocupar?

Alguns sinais servem de alerta e podem ser um sinal de que a inflamação está piorando. Estes sinais incluem:

  • Aumento ou persistência de dor abdominal,
  • Aumento ou permanência do corrimento,
  • Sangramento depois das relações sexuais.

Se você está em tratamento e estes sintomas persistem é importante retornar ao ginecologista para nova avaliação ginecológica.

Para saber mais sobre inflamação no útero, você pode ler:

Quais os sintomas de inflamação no útero?

Quais são as causas de inflamação no útero?

Qual o tratamento para inflamação do útero?

Referências

Centers for Disease Control and Prevention. CDC. Sexually Transmitted Diseases Treatment Guidelines, 2019. UpToDate®

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetricia. Guidelines Manual in the lower genital tract and colposcopy. FEBRASGO, 2018.

Primo, W.Q.S.P.; Corrêa, F.J.S.; Brasileiro, J.P.B. Manual de Ginecologia da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Brasília. SBGO, 2017.