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Corrimento esverdeado, o que pode ser?

Corrimento vaginal esverdeado pode ser infecção por um protozoário chamado Trichomonas vaginallis (tricomoníase). Usualmente associado a coceira intensa e odor fétido, também pode apresentar-se como corrimento amarelado, pastoso ou grosso e, muitas vezes, bolhoso. A mulher também pode apresentar dor nas relações sexuais e ao urinar.

O diagnóstico da Tricomoníase é feito ao ser analisado o líquido vaginal, através de swab ou papanicolau. É importante frisar que a tricomoníase é considerada um doença sexualmente transmissível e o parceiro deve ser examinado e tratado.

Na gravidez, corrimento esverdeado também é possivelmente causado pela tricomoníase e não traz prejuízo ao bebê.

O tratamento é feito usualmente com metronidazol, e não deixa sequelas.

O diagnóstico e tratamento deve ser feito por médico ginecologista.

Dra. Ângela Cassol
Como tomar a pílula do dia seguinte?

As "pílulas do dia seguinte" devem ser usadas o quanto antes, se possível logo após a relação sem proteção. São duas - uma para ser tomada imediatamente (até 72 horas após a relação) e outra doze horas após.

Sua eficácia é maior quando a primeira dose é tomada até 72 horas após a relação: nas primeiras 24 horas, sua eficácia chega a 95%. Depois de 48 horas, cai para 85% e após 72 horas, apenas 58%. Não se esqueça de que a segunda pílula deve ser tomada doze horas após a ingestão da primeira, e não devem ser ingeridos mais do que estes dois comprimidos.

A pílula do dia seguinte geralmente contém levonorgestrel, um tipo de progesterona sintética, em alta dose (0,75 mg). O mecanismo de ação é diferente dependendo do ciclo menstrual em que a mulher estiver. Pode provocar retardamento ou inibição da ovulação, alterar a motilidade tubária e dificultar a passagem do espermatozoide no muco cervical. Depois da implantação do óvulo fecundado no endométrio, não possui efeito.

É indicado após uma relação sexual que represente risco de gravidez, como por exemplo em casos de problemas com o método de uso regular (falha da camisinha, expulsão do DIU, deslocamento do diafragma, eventual relação sem proteção). Deve ser usado apenas como método de emergência (o ideal é usar outros métodos contraceptivos muito mais seguros e eficazes, como a pílula anticoncepcional comum associada ao uso de camisinha).

Nestes casos, um médico, preferencialmente um ginecologista, deverá ser consultado para prescrição do medicamento e avaliação correta, caso a caso.

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Como funciona a pílula do dia seguinte?

A "pílula do dia seguinte" é um método anticoncepcional de emergência que age de várias formas para impedir a gestação, em situações de emergência (estupro, falha da camisinha, expulsão do DIU, deslocamento do diafragma, eventual relação sem proteção, etc). Idealmente, deve-se utilizar outros métodos contraceptivos muito mais seguros e eficazes, como por exemplo a pílula anticoncepcional comum associada ao uso de camisinha). O remédio pode agir antes ou depois da fecundação (quando um espermatozoide fecunda o óvulo). A mulher só é considerada grávida quando além da fecundação ocorre a nidação do óvulo fecundado no endométrio (parede uterina), que a partir desse momento é chamado de embrião.

O funcionamento da pílula do dia seguinte depende da fase do ciclo menstrual em que a mulher está: Se a mulher ainda não tiver ovulado, o medicamento inibe a ovulação (impede a liberação do óvulo). Se a ovulação já tiver ocorrido, a pílula age de outra forma: altera a composição da secreção vaginal, agindo no muco cervical e endométrio, tornando o ambiente hostil para os espermatozoides, que morrem antes de conseguirem chegar às tubas uterinas (onde fecundariam o óvulo). Ainda que ocorra a fecundação, se ainda não houve a nidação, a pílula consegue interferir no processo: altera o endométrio (camada interna do útero), impedindo a fixação do óvulo fecundado. Após a nidação, a eficácia da pílula é nula.

A eficácia deste medicamento é maior quando a primeira dose é tomada até 72 horas após a relação: nas primeiras 24 horas, sua eficácia chega a 95%. Depois de 48 horas, cai para 85% e após 72 horas, apenas 58%. A segunda pílula deve ser tomada doze horas após a ingestão da primeira, e não devem ser ingeridos mais do que estes dois comprimidos.

Nestes casos, um médico, preferencialmente um ginecologista, deverá ser consultado para prescrição do medicamento e avaliação correta, caso a caso.

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Pancada na mama pode causar nódulo ou câncer?

Não, pancada na mama não causa câncer.

As pancadas que ocorrem na mama podem causar dor, incômodo no local e demorar alguns dias para a cicatrização completa. A lesão causada pela pancada pode gerar uma área de fibrose (endurecimento do tecido) no tecido gorduroso da mama. Essa fibrose, a depender da intensidade e localização da pancada, pode ser percebida como um pequeno caroço. Porém, esse caroço oriundo da fibrose não é maligno e não causa problemas para a mulher.

É aconselhado realizar o auto-exame das mamas com frequência e, após os 49 anos, iniciar o acompanhamento mamográfico.

Logo no momento da pancada, a mulher pode aplicar compressa gelada para aliviar o hematoma formado e reduzir a dor local.

Dra. Nicole Geovana
Anticoncepcional oral tem efeitos colaterais?

A pílula anticoncepcional, também chamada de contraceptivo oral, pode ter diversos efeitos colaterais, como todos os outros medicamentos.

Efeitos colaterais mais importantes:
  • "Spotting" (sangramentos de escape): É o efeito colateral mais comum nos ACOs. Não indica falha da eficácia da pílula, nem menstruação fora do período certo. Com a maior fragilidade do endométrio (parede interna do útero), que costuma tornar-se atrofiado com o uso de anticoncepcionais, ocorrem pequenos sangramentos, geralmente nos primeiros ciclos após iniciar o uso da pílula. Os ACOs com menor dosagem de estrogênio provocam este sintoma com maior intensidade, entretanto ele tende a diminuir ao longo dos meses.
  • Amenorreia secundária (ausência de menstruação): No caso do uso da pílula sem interrupção, é um efeito colateral intencional e esperado. Entretanto, pode acontecer nas mulheres que fazem uso dos ACOs clássicos, com pausas de 4 a 7 dias ao término de cada cartela. Nestes casos, geralmente está associada com o uso de pílulas com baixa dose de estrogênio (20 mcg de etinilestradiol). A troca por doses mais elevadas (30 ou 35 mcg) costuma resolver o problema. É preciso destacar que este sintoma não indica falha da ação da pílula em evitar a gravidez. Ao parar de usar a pílula, é normal ficar sem menstruar por um a dois meses, especialmente quando o medicamento foi utilizado por muito tempo.
  • Ganho de peso: No momento, os estudos disponíveis nunca conseguiram confirmar este efeito colateral, entretanto é possível que ocorra pela retenção de líquidos causada por ACOs que contém progesterona em sua composição. Em alguns casos, pode haver aumento de apetite, o que causaria o ganho de peso.

Veja também: Além de impedir a gravidez, para que pode servir o anticoncepcional?

Outros efeitos possíveis, descritos em bulas de diversos ACOs, mas sem relação de causalidade totalmente estabelecida, são: náuseas, dor abdominal, vômitos, diarreia, aumento (ou diminuição) de peso corpóreo, cefaléia, enxaqueca, estados depressivos, alterações de humor, hipersensibilidade, dor ou hipertrofia (aumento) das mamas, retenção de líquidos, diminuição ou aumento da libido, lesões de pele, urticária, intolerância a lentes de contato, hipersensibilidade (sistema imunológico), secreção vaginal ou secreção nas mamas.

  • Outras complicações: trombose venosa (principalmente em obesas, mulheres com mais de 39 anos de idade, tabagistas, antecedente pessoal ou familiar de distúrbios de coagulação, etc) ou complicações cardiovasculares em casos raros (0,02%).

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A pílula anticoncepcional é um método muito confiável para evitar a gravidez, com uma taxa de efetividade próxima a 99%, aumentando em alguns décimos percentuais quando é usada conjuntamente com um método de barreira como a camisinha. Além de diminuir consideravelmente a chance de engravidar a gravidez, os anticoncepcionais orais (ACOs) também são indicados em muitas outras situações, como no tratamento do hiperandrogenismo (excesso de hormônio masculino), da dismenorreia (cólicas menstruais), da menorragia (aumento excessivo do fluxo menstrual) e da tensão pré-menstrual.

Leia também: 10 Motivos para Mudar de Anticoncepcional

O médico ginecologista deve sempre ser consultado para acompanhamento correto do uso do anticoncepcional que lhe foi prescrito por ele, idealmente mesmo na ausência de quaisquer efeitos colaterais.

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Anticoncepcional injetável tem efeitos colaterais?

Anticoncepcionais injetáveis podem ter diversos efeitos colaterais, como todos os outros medicamentos.

Os principais efeitos colaterais podem ser:

  • hemorragias entre os períodos menstruais ("spotting"),
  • amenorreia secundária (parada da menstruação),
  • cefaleia,
  • náuseas e vômitos,
  • tontura,
  • cólicas menstruais,
  • dor em mamas,
  • prurido vaginal,
  • alterações emocionais e da libido,
  • alterações do peso.

Outros efeitos colaterais podem surgir, mas os dois primeiros os mais comuns.

Os efeitos colaterais são os mesmos dos anticoncepcionais orais (pílula), entretanto costumam ser menos intensos, pois os estrógenos utilizados são naturais. 

O anticoncepcional injetável é um método muito confiável para evitar a gestação - efetividade próxima a 99,6%, que pode aumentar para até 99,9% quando utilizada em conjunto com métodos de barreira, como é o caso da camisinha, por exemplo.

Além de diminuir consideravelmente a chance de engravidar, os anticoncepcionais injetáveis também são indicados em muitas outras situações, como no tratamento do hiperandrogenismo (excesso de hormônio masculino), da dismenorreia (cólicas menstruais), da menorragia (aumento excessivo do fluxo menstrual) e da tensão pré-menstrual.

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Os estrógenos mais utilizados nos contraceptivos injetáveis são o cipionato de estradiol, enantato de estradiol e valerato de estradiol. Os progestágenos  mais utilizados são o acetato de medroxiprogesterona, enantato de noretindrona e o acetofenido de dihidroxiprogesterona.

O médico ginecologista deve sempre ser consultado para acompanhamento correto do uso do anticoncepcional que lhe foi prescrito por ele, idealmente mesmo na ausência de quaisquer efeitos colaterais.

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Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
É possível o Beta-hCG estar positivo e não estar grávida? Em que casos?

Sim, é possível o Beta-hCG estar positivo e a mulher não estar grávida. Isso é chamado de teste falso positivo e ocorre em casos de tumores germinativos (ovarianos ou testiculares - isto é, o Beta-hCG pode ser positivo inclusive em homens, que obviamente não estarão grávidos). Também pode ocorrer na gestação ectópica (em que o embrião não se implanta no local correto, geralmente se implantando nas tubas uterinas). Nestes casos, a gestação certamente não irá à termo e é condição de urgência que deve ser tratada cirurgicamente.

Amostras de pacientes com doenças trofoblásticas como coriocarcinoma ou mola hidatiforme que secretam hCG também podem produzir resultados positivos na ausência de gravidez. Finalmente, mesmo mulheres saudáveis não grávidas, quando na menopausa, podem apresentar falso positivo para gravidez. Determinações seriadas podem ser usadas na suspeita de gravidez anormal, quando o ritmo de elevação na concentração de hCG é menor do que o esperado.

É importante lembrar que o diagnóstico da gravidez não deve se basear somente no resultado do exame laboratorial, mas sim na correlação do resultado do teste com os sinais e sintomas clínicos. Além disso, um resultado negativo não deve ser considerado isoladamente para exclusão de gravidez, sugerindo realizar novo teste em amostra colhida após 7 dias (falso negativo). Quando o resultado for indeterminado, atenção especial na evolução, com repetição após 72 horas.

O diagnóstico de gravidez pode ser feito a partir do 2º dia de atraso menstrual e na gravidez normal a concentração dobra a cada 2 dias da 2ª.à 5ª.semana de evolução.

A interpretação dos resultados do exame deve ser realizada pelo médico que o solicitou, em conjunto com a história e o exame clínico. Para maiores informações, procure um médico clínico geral ou preferencialmente um ginecologista.

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
O que é hiperplasia adrenal congênita?

A denominação hiperplasia adrenal congênita (HAC) engloba um conjunto de síndromes transmitidas geneticamente (de geração a geração), de forma autossômica recessiva, que se caracterizam por diferentes deficiências enzimáticas na produção de hormônios esteroides nas glândulas adrenais ou suprarrenais (ficam acima dos rins).

No Brasil, a forma mais comum da doença (forma clássica perdedora de sal, 60% de todos os casos) tem incidência que oscila entre 1:7500 a 1:10000 nascidos vivos. Em 95% dos casos, há a deficiência da enzima 21-hidroxilase (CYP21A2), envolvida na rota de síntese do cortisol e da aldosterona, ambos produzidos nas adrenais.

As manifestações clínicas dependem da enzima envolvida e grau de deficiência (total ou parcial). Pode haver insuficiência glicocorticoide (deficiência na síntese de cortisol), insuficiência mineralocorticoide (deficiência na síntese de aldosterona) ou por excesso de andrógenos (desvio da rota de síntese hormonal, com aumento na síntese dos precursores androgênicos).

As síndromes clínicas mais frequentes podem ser divididas em três: forma clássica perdedora de sal, forma clássica não perdedora de sal e forma não clássica.

  •  Forma clássica perdedora de sal (60% dos casos): Nos recém-nascidos do sexo feminino, há virilização da genitália (aumento do clitóris, fusão dos lábios e formação de seio urogenital) decorrente do excesso de andrógenos durante a vida intrauterina. Como também há deficiência de aldosterona, ocorre desidratação, hipotensão (pressão baixa), hiponatremia (diminuição do sódio no plasma), hiperpotassemia (aumento de potássio no plasma), taquicardia (aumento da frequencia cardíaca, acima do normal para a idade), vômitos, perda de peso e letargia (prostração).
  • Forma clássica não perdedora de sal (virilizante simples): Também ocorre virilização dos recém-nascidos do sexo feminino. Como não há, nesta forma, diminuição na produção de aldosterona, os recém-nascidos do sexo masculino só podem ser identificados em idade tardia por hiperandrogenismo (aumento dos níveis de andrógenos): velocidade de crescimento aumentada, maturação óssea acelerada ou pubarca (idade em que surgem os primeiros pelos) precoce.
  • Forma não clássica (início tardio): Os pacientes são frequentemente assintomáticos, quando do sexo masculino, ou as manifestações se apresentam tardiamente (na infância ou adolescência). Os pacientes do sexo feminino apresentam aumento de clitóris, pubarca precoce, ciclos menstruais irregulares e hirsutismo (crescimento excessivo de pelos na mulher).

O suspeita diagnóstica é clínica, sendo comprovada pela dosagem de 17-OH-progesterona (feita na triagem neonatal, no exame do pezinho).

O tratamento tem como objetivo suprir as deficiências hormonais, com a administração de hormônios (glicocorticóides e mineralocorticóides), na forma clássica.

Em caso de suspeita de hiperplasia adrenal congênita, um médico endocrinologista deverá ser consultado para avaliação e tratamento, se necessário.

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Hiperplasia adrenal congênita tem cura? Quais os sintomas?

A Hiperplasia adrenal congênita (HAC) não tem cura definitiva em sua forma clássica mais comum, mas o tratamento pode minimizar os sinais e sintomas decorrentes da doença, proporcionando ao paciente qualidade de vida.

A HAC é um distúrbio congênito, caracterizado pela deficiência na biossíntese do cortisol, associado ou não à deficiência de aldosterona e, consequentemente, à superprodução de andrógeno.

Essa condição atinge tanto homens como mulheres. No sexo feminino, acarreta virilização da genitália externa em graus variados. No sexo masculino, nenhuma anormalidade se apresenta fenotipicamente ao nascimento.

Na forma clássica perdedora de sal da doença, que corresponde a 60% ~ 75% dos casos, o tratamento típico consiste na reposição diária de glicocorticoides e mineralocorticoides.

Novas terapias têm sido propostas com intuito de se obterem resultados mais satisfatórios; dentre elas, existem: análogos do LHRH, GH, inibidores da aromatase, antiandrógenos e a adrenalectomia (remoção das glândulas adrenais - método controverso).

Os sintomas variam com a manifestação da doença. Na forma clássica perdedora de sal, há:

  •  virilização da genitália (aumento do clitóris, fusão dos lábios e formação de seio urogenital) decorrente do excesso de andrógenos durante a vida intrauterina.

Como também há deficiência de aldosterona, ocorre:

  • desidratação,
  • hipotensão (pressão baixa),
  • hiponatremia (diminuição do sódio no plasma),
  • hiperpotassemia (aumento de potássio no plasma),
  • taquicardia (aumento da frequência cardíaca, acima do normal para a idade),
  • vômitos,
  • perda de peso,
  • letargia (prostração).

Na forma clássica não perdedora de sal, também ocorre virilização dos recém-nascidos do sexo feminino. Como não há, nesta forma, diminuição na produção de aldosterona, os recém-nascidos do sexo masculino só podem ser identificados em idade tardia por hiperandrogenismo (aumento dos níveis de andrógenos): velocidade de crescimento aumentada, maturação óssea acelerada ou pubarca (idade em que surgem os primeiros pelos) precoce.

Finalmente, a forma não clássica costuma ser totalmente assintomática para indivíduos do sexo masculino e os pacientes do sexo feminino apresentam aumento de clitóris, pubarca precoce, ciclos menstruais irregulares e hirsutismo (crescimento excessivo de pelos na mulher).

Em caso de suspeita de hiperplasia adrenal congênita, um médico endocrinologista deverá ser consultado para avaliação e tratamento, se necessário.

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
O que uma pessoa com pangastrite pode ou não comer?

Uma pessoa com pangastrite deve seguir uma dieta compatível com sua doença, com alimentos mais leves, com menor potencial de lesar a mucosa gástrica (detalhados abaixo).

A pangastrite (pan = todo) nada mais é do que uma gastrite (inflamação da mucosa que reveste as paredes internas do estômago) que acomete toda (ou quase toda) a mucosa do estômago. O diagnóstico pode ser feito com uma endoscopia digestiva alta.

Os sintomas são diversos, incluindo náuseas (enjoo), vômitos, desconforto em região abdominal, dor na região abdominal superior, falta de apetite, gases, eructação (arrotos), etc. Seu tratamento é simples, feito geralmente com inibidores da bomba de prótons como o omeprazol, que reduzem a acidez gástrica.

No entanto, seu uso deve ser feito sempre sob orientação médica, pois o uso prolongado deste medicamento está relacionado ao aumento de tumores no estômago.

Quando a bactéria Helicobacter pylori estiver presente, é importante erradicá-la com antibióticos específicos por 7, 10 ou 14 dias, dependendo do caso. Durante este tempo é normal que os sintomas da gastrite pareçam ter aumentado, mas é muito importante fazer o tratamento até o fim para vencer a bactéria (do contrário, a situação pode se agravar consideravelmente, pois serão selecionadas bactérias resistentes aos antibióticos utilizados).

Ao final do tratamento, deve-se realizar uma outra endoscopia digestiva alta com biópsia para verificar se a bactéria foi realmente eliminada e, caso contrário, reiniciar o uso do antibiótico.

Dieta:
  • FINALIDADE: Proteger a mucosa gástrica, o que facilita a cicatrização de lesões e evita seu progresso, reduzindo a hipersecreção.
  • CARACTERÍSTICAS:
    • Deve-se evitar condimentos (pimentas de um modo geral, molho inglês, picles, noz moscada, páprica, cravo da índia e mostarda) e molho de tomate;
    • Alimentos devem ter consistência mais macia, e em temperaturas não elevadas (evitar a congestão da mucosa gástrica);
    • Excluir da dieta óleos e gorduras expostas a temperaturas elevadas ou alimentos ricos em gordura, de um modo geral (óleos usados em frituras, feijoada, rabada, etc);
    • Excluir da dieta carne de porco, embutidos, enlatados, comidas ácidas (abacaxi, limão, etc), chicletes, bolachas recheadas;
    • Evitar café (com ou sem cafeína, pois ambos estimulam a secreção de ácido gástrico), bebidas alcoólicas, refrigerantes e bebidas ácidas como limonadas;
    • Utilize chás - como alecrim, camomila e erva cidreira. Evitar chá mate e preto.
    • Utilizar leite e derivados com critério (ideal é tomar leite desnatado, queijo branco e ricota), pois o excesso de cálcio nestes alimentos pode aumentar a acidez gástrica;
    •  Evitar carnes duras e/ou malpassadas (carnes devem ser magras, sem gordura; assadas, grelhadas ou cozidas);
    •  Evitar doces como marmelada, goiabada e doce de leite;
    •  Gelatinas, cremes de mingau e maisena, frutas frescas (não ácidas) sem casca, verduras e legumes refogados, suco de aloe vera, leite de soja, cereais, pães integrais ou pão francês sem miolo, torradas, bolachas água e sal, lactobacilos, são permitidos e recomendados.
  • RECOMENDAÇÕES:

    • Coma devagar, mastigando os alimentos; não beba uma hora antes ou depois das refeições, pare logo que se sentir satisfeito - evite exageros, especialmente antes de dormir (ideal, inclusive, é comer até no máximo duas horas antes de dormir).
    • Pare de fumar, o fumo é muito prejudicial à saúde e pode dificultar a cicatrização das lesões gástricas;
    • As refeições devem ser pouco volumosas e frequentes (ideal 6 vezes ao dia, com intervalos regulares, idealmente de de 3 horas entre cada refeição) - para evitar a distensão gástrica;
    • Evite uso de anti-inflamatórios não esteroidais (diclofenaco, por exemplo), a menos que haja recomendação médica correta.

Em caso de suspeita de gastrite, deve-se procurar um médico clínico geral ou preferencialmente um gastroenterologista para avaliação e tratamento, caso a caso.

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Caroço no pescoço, o que pode ser?

Caroço no pescoço pode corresponder a várias estruturas e, cada uma delas se relaciona a alguns tipos de doenças. Um caroço no pescoço pode ser:

  • um linfonodo (ou íngua): o inchaço do linfonodo pode ocorrer quando apresentamos alguma infecção, geralmente na garganta, é bastante comum de ocorrer e não deve ser motivo de preocupação. Há necessidade de investigação se o inchaço do linfonodo permanecer por mais de duas semanas. Neste caso, é importante consultar um médico clínico geral ou infectologista para melhor avaliação, pois devem ser afastadas algumas doenças infecciosas, como tuberculose e micoses profundas (paracoccidioidomicose), doenças hematológicas, como os linfomas, e cânceres da cabeça e pescoço, com metástase para o pescoço. Nos casos de cânceres, normalmente os caroços são grandes, visíveis, bem endurecidos e "grudados" em estruturas profundas. Muitas vezes será necessária uma biópsia do caroço para melhor avaliação;
  • um caroço de gordura (lipoma): normalmente a consistência é mais firme que a de um linfonodo. Muitas vezes é necessária a realização de uma ultrassonografia para confirmar o diagnóstico de lipoma. O lipoma é uma lesão benigna e não é necessária a sua retirada, exceto por motivos estéticos;
  • se localizado na porção anterior do pescoço, pode estar relacionado à glândula tireóide. Neste caso, a ultrassonografia poderá delimitar melhor a localização e relação com a glândula, assim como determinar se é um cisto ou nódulo sólido. A lesão pode ser benigna ou maligna e dependerá de uma biópsia, em alguns casos, para melhor avaliação. Deve ser procurado médico endocrinologista;
  • resquício embrionário, que é uma lesão benigna, cuja retirada deve ser feita se desejo estético e em algumas situações, se inflamar;
  • contratura da musculatura do pescoço, que deve ser tratada com relaxantes musculares.

Na presença de um caroço no pescoço que está crescendo, está presente há mais de duas semanas ou vaza secreção, é necessário consultar um médico clínico geral ou infectologista.

Dra. Ângela Cassol
O que é câncer de próstata?

O câncer de próstata (CaP) é, atualmente, a segunda causa de morte mais comum (dentre cânceres) em homens, com 15% dos cânceres masculinos em países desenvolvidos.

A próstata é uma glândula presente apenas em homens que envolve a uretra. Sua principal função é produzir e armazenar um fluido incolor e levemente alcalino (pH ~ 7,29) que constitui cerca de 20% do volume do fluido seminal, que junto com os espermatozoides compõe o sêmen. 

Três fatores de risco estão envolvidos: aumento da idade, etnia e predisposição genética. Outros fatores que podem desempenhar um papel importante no risco de desenvolvimento de CaP são:

  • Dieta (uma boa dieta para prevenção do CaP inclui tomate, leite, alho e cebola, soja, oleaginosas, vegetais verde escuros e chá verde);
  • Padrão de comportamento sexual (excesso seria prejudicial);
  • Consumo de álcool;
  • Exposição a radiação ultravioleta;
  • Exposição ocupacional.

Os sintomas geralmente surgem mais tardiamente em relação à hiperplasia (benigna) da próstata. Variam com o local de surgimento e crescimento do câncer na próstata e podem ser:

  • Jato de urina muito fraco ou reduzido;
  • Necessidade frequente de urinar, especialmente à noite;
  • A sensação de que sua bexiga não se esvaziou completamente e ainda persiste a vontade de urinar;
  • Dificuldade de iniciar a passagem da urina;
  • Dificuldade de interromper o ato de urinar;
  • Urinar em gotas ou jatos sucessivos;
  • Necessidade de fazer força para manter o jato de urina;
  • Necessidade premente de correr ao banheiro – pode, inclusive, ocorrer que a urina vaze antes que chegue lá;
  • Sensação de dor na parte baixa das costas ou na pélvis (abaixo dos testículos);
  • Problemas em conseguir ou manter a ereção;
  • Sangue na urina ou no esperma (esses são casos muito raros).

Sintomas menos comuns:

  • Dor durante a passagem da urina;
  • Dor ao ejacular;
  • Dor nos testículos.

Atualmente, o diagnóstico é feito antes dos sintomas surgirem, através da realização de exames preventivos a partir dos 50 anos (toque retal e PSA - antígeno prostático específico, que aumenta na doença), e complementado com biópsia de próstata, citologia urinária, entre outros.​

tratamento depende do quão avançada a doença (estadiamento no diagnóstico). Pode ser realizada conduta expectante, vigilância ativa, cirurgia (prostatectomia radical), radio ou braquiterapia.

No caso de suspeita de câncer de próstata, um médico clínico geral ou preferencialmente um urologista deve ser consultado o quanto antes, para que ele possa diagnosticar a causa subjacente e tratá-lo adequadamente.

Os exames de rastreamento devem ser realizados a partir dos 50 anos, ou a partir dos 45 anos para homens negros, obesos ou com histórico familiar de câncer de próstata (proposto em novembro deste ano, pela Sociedade Brasileira de Urologia).

Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues