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Esteatose Hepática

Fígado inchado: o que pode ser?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Fígado inchado pode ser sinal de doenças e problemas hepáticos como cirrose, hepatite, acúmulo de gordura no fígado ou ainda um tumor localizado no órgão. A hepatomegalia, termo médico para "fígado inchado", também pode ocorrer em casos de insuficiência cardíaca, leucemia, sarcoidose, mononucleose infecciosa, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, entre outras causas.

A hepatomegalia caracteriza-se pelo aumento do fígado para além do seu tamanho normal. Pode-se considerar que o fígado está inchado quando é possível palpá-lo na borda inferior das costelas do lado direito.

Quais as causas de fígado inchado?

O fígado é o maior órgão interno do corpo e tem muitas funções. Ajuda a digerir os alimentos, armazenar energia e eliminar toxinas. Por isso, existem diversas doenças e condições que afetam o órgão e podem causar hepatomegalia, tais como:

  • Consumo excessivo de álcool;
  • Metástase de câncer (disseminação de outro câncer no fígado);
  • Insuficiência cardíaca congestiva;
  • Doença que afeta o armazenamento de glicogênio no fígado;
  • Hepatite A, B e C;
  • Câncer de fígado;
  • Intolerância hereditária à frutose;
  • Mononucleose infecciosa;
  • Leucemia;
  • Doença de Niemann-Pick;
  • Colangite biliar primária;
  • Síndrome de Reye;
  • Sarcoidose;
  • Colangite esclerosante;
  • Trombose da veia porta;
  • Esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado).
Fígado inchado pode ser sinal de gordura no fígado?

Sim, o acúmulo de gordura no fígado é uma causa relativamente comum de hepatomegalia. Trata-se de uma condição conhecida como esteatose hepática, causada principalmente por obesidade e consumo de bebidas alcoólicas.

A esteatose hepática é o resultado de uma alimentação com excesso de gorduras que o organismo não consegue metabolizar.

Uma das gorduras que causa maiores problemas é a gordura trans ou vegetal hidrogenada, que não é processada pelo organismo adequadamente e é facilmente depositada no fígado. Esse tipo de gordura está presente em bolachas, salgadinhos, frituras, manteigas, margarinas, pães de queijo, entre outros alimentos.

O que é esteatose hepática não alcoólica?

A esteatose hepática pode ser alcoólica ou não alcoólica. A esteatose não alcoólica não está relacionada ao consumo de álcool. Existem dois tipos:

Fígado gordo simples: há gordura no fígado, mas pouca ou nenhuma inflamação ou dano às células do órgão. Em geral, o fígado gordo simples não é muito grave para causar danos ou complicações ao fígado.

Esteatose hepática não alcoólica: há inflamação e danos às células hepáticas e à gordura. Inflamação e danos nas células do fígado podem causar fibrose ou cicatrizes no órgão. A esteatose pode causar cirrose ou câncer de fígado.

O que é esteatose hepática alcoólica?

A esteatose hepática alcoólica é causada pelo consumo excessivo de álcool. O fígado metaboliza a maior parte do álcool ingerido para ser eliminado do corpo, mas o processo pode produzir substâncias nocivas. Essas substâncias podem danificar as células do órgão, causar inflamação e enfraquecer as defesas naturais do corpo. Os próximos estágios da esteatose hepática alcoólica são a hepatite alcoólica e a cirrose hepática.

Esteatose hepática é grave?

O acúmulo de gordura no fígado nem sempre é grave, mas há casos em que pode ocorrer uma inflamação e lesionar o órgão. Nos quadros mais graves, a esteatose pode evoluir para cirrose hepática, que causa lesão permanente no fígado, ou ainda câncer de fígado. Geralmente esse risco é maior em pessoas com diabetes ou que abusam do consumo de álcool.

Nos demais casos, a evolução da esteatose hepática é benigna, sendo que a gordura no fígado pode ser revertida através de medidas como perda de peso, redução do consumo de gorduras e atividade física.

Bebidas alcoólicas podem deixar o fígado inchado?

Sim. Outra importante causa de fígado inchado é o consumo de álcool. Boa parte dos indivíduos que bebem regularmente desenvolve esteatose, uma vez que o álcool permite uma rápida acumulação de gordura no fígado.

Quais as outras causas de fígado inchado?

O fígado inchado decorrente de esteatose hepática também pode ter como causa diabetes, níveis elevados de colesterol ou triglicerídeos, uso de medicamentos, doenças metabólicas genéticas, rápida perda de peso, ingestão de toxinas e predisposição genética.

Qual é o tratamento para fígado inchado?

O tratamento para o fígado inchado depende da sua causa. No caso do fígado gordo, o tratamento consiste numa série de medidas que podem incluir dieta, perda de peso, controle do diabetes, colesterol e triglicérides, além de evitar bebidas alcoólicas. Não existem medicamentos específicos para tratar a esteatose hepática.

Perder peso pode reduzir a gordura, a inflamação e a fibrose no fígado. Se o fígado gordo for efeito colateral de algum medicamento, é necessário suspender ou diminuir a dose da medicação.

Porém, a parte mais importante do tratamento da hepatomegalia causada por esteatose hepática alcoólica é parar de beber álcool.

Tanto a esteatose hepática alcoólica como a não alcoólica podem levar à cirrose. O problemas de saúde causados pela cirrose é feito com medicamentos, cirurgias e outros procedimentos médicos. Se a cirrose levar à insuficiência hepática, pode ser necessário um transplante de fígado .

O especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento das doenças do fígado é o médico hepatologista, mas para uma avaliação inicial procure um clínico geral ou médico de família.

Qual a dieta indicada para quem tem esteatose hepática?
Dra. Ângela Cassol
Dra. Ângela Cassol
Médico

Algumas orientações devem ser seguidas por todos os pacientes com esteatose hepática, como interromper o consumo de álcool e perder peso.

A dieta de preferência deverá ser orientada por nutricionista e individualizada para cada paciente, mas, de maneira geral, deve ser rica em frutas, vegetais, ácidos graxos poli e monoinsaturados e alimentos integrais. Algumas orientações básicas sobre a escolha de alimentos está listada abaixo:

  • a dieta deve ser hipolipídica, sendo a quantidade de lipídeos aconselhada de aproximadamente 25% em relação ao valor calórico total da dieta;
  • a fonte de carboidratos deve ser alimentos integrais, como farelos, pães, biscoitos, leguminosas, porque têm uma maior quantidade de fibras solúveis. Estas são essenciais no caso da esteatose hepática, porque se unem com a glicose e com lipídeos presentes no bolo alimentar, o que dificulta a sua absorção; 
  • Os leites e derivados devem ser sempre desnatados e com o menor teor de gordura possível. Os queijos ricota e cottage são os mais aconselhados;
  • Doces e alimentos com muito açúcar devem ser evitados, porque o excesso de glicose provoca um aumento dos níveis de triglicerídeos no sangue, o que agrava a esteatose hepática;
  • Deve ser dada preferência a frutas e outros alimentos com baixo índice glicêmico;
  • É importante a gestão de ácidos graxos mono e poli insaturados, têm um caraterísitica cardioprotetora e podem alterar o perfil lipídico sérico. Alguns alimentos que contêm estes ácidos graxos são: castanhas, nozes, azeite, salmão, atum e sardinha e cereais como linhaça e quinoa.

O nutricionista, em conjunto com o médico gastroenterologista deverão orientá-lo sobre a dieta para reverter a esteatose hepática.

Quais os sintomas da esteatose hepática?
Dra. Ângela Cassol
Dra. Ângela Cassol
Médico

A esteatose hepática normalmente não apresenta sintomas. Muitas vezes, o diagnóstico é feito por acaso, quando são feitos alguns exames de imagem, como ultrassonografias ou tomografias computadorizadas.

É relevante referir que por vezes não dá para distinguir os diferentes tipos de esteatose, quando estão em fase avançada ou quando o fígado está inflamado e não tem apenas acumulação de gordura. Isto acontece no caso da ultrassonografia, que permite a visualização da gordura mas não permite confirmar a inflamação do fígado. As imagens obtidas em exames também não permitem diferenciar a esteato-hepatite das outras causas de hepatite. Por esse motivo, para o diagnóstico é essencial conhecer a história clínica e fazer exames físicos e laboratoriais. 

As análises laboratoriais servem para avaliar o grau de lesão do fígado através das enzimas hepáticas ou transaminases (TGO ou AST  e TGP ou ALT). Quando uma pessoa sofre de esteatose hepática, as enzimas do seu fígado estão em um nível normal, e no caso da esteato-hepatite os níveis estão elevados.

Pacientes com obesidade, ou outros fatores de risco, e aumento de transaminases, deverão ser submetidos à realização de ultrassonografia abdominal, para determinar se há acúmulo de gordura no fígado. Até o momento, não é recomendada a realização de ultrassonografia ou outro exame de imagem para pacientes sem fatores de risco ou que não apresentem alterações laboratoriais.

O médico gastroenterologista deverá avaliá-lo e determinar o tratamento a ser seguido.

Esteatose hepática tem cura? Qual o tratamento?
Dra. Ângela Cassol
Dra. Ângela Cassol
Médico

A esteatose hepática pode ser revertida com o tratamento e mudanças no estilo de vida. Não existe tratamento específico. O alvo deve ser o tratamento dos fatores de risco: obesidade, diabetes mellitus, dislipidemia (problema de colesterol), psoríase e uso de medicações, como corticoides, estrogênio, amiodarona, antirretrovirais, diltiazen e tamoxifeno.

Perder peso é uma das medidas mais aconselhadas. Apesar disso, não é recomendado perder mais de 1,5 kg por semana. Praticar atividade física de forma regular é essencial, porque contribui para a diminuição do colesterol e aumenta o efeito da insulina.

É muito importante controlar o colesterol e o diabetes, e quando for possível, substituir remédios que possam contribuir para a esteatose.

Alguns medicamentos apresentam resultados questionáveis, como a metformina (no caso de pacientes não-diabéticos), vitamina E e C, losartan e Orlistat (Xenical®). Assim, estes exemplos não são formalmente indicados.

A esteatose hepática deverá ser seguida pelo médico gastroenterologista e o controle da obesidade, do diabetes mellitus e da dislipidemia deverá ser feito pelo médico endocrinologista.

Esteatose hepática grau 1, qual é o tratamento?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

O tratamento da esteatose hepática é feito através de dieta equilibrada, com pouca gordura e açúcar, exercícios físicos, emagrecimento e interrupção do consumo de álcool. O objetivo dessas medidas é reverter o acúmulo de gordura no fígado. Há casos de esteatose hepática que precisam de medicamentos.

Nos casos de esteatose hepática em que é necessário emagrecer, a perda de peso deve ser lenta e gradual, com dieta adequada e atividade física. Perdas de peso rápidas, com dietas muito restritivas, podem aumentar o acúmulo de gordura no fígado.

Os exercícios físicos, além de atuar no emagrecimento, também ajudam a controlar o diabetes e baixar os níveis de colesterol e triglicérides, que também são medidas importantes para tratar a esteatose hepática.

O consumo de bebidas alcoólicas deve ser interrompido, mesmo que o consumo seja moderado.

Se não for devidamente tratada, a esteatose hepática pode se agravar e causar inflamação do fígado, podendo evoluir para insuficiência hepática, cirrose, diabetes tipo 2 e câncer de fígado.

Quais são as causas da esteatose hepática?

A esteatose hepática pode ter diversas causas. Dentre elas estão: consumo frequente de álcool, hepatites virais, diabetes, colesterol e triglicérides altos, excesso de peso, uso contínuo de certos medicamentos como corticoides, aumento ou perda repentina de peso.

Quais são os sintomas da esteatose hepática?

A esteatose hepática não provoca sintomas nas fases iniciais. As manifestações só ocorrem com a evolução da esteatose hepática. Quando presentes, os sintomas podem incluir: dor na porção superior direita do abdômen, icterícia (olhos e pele amarelados), boca seca e indisposição depois de comer alimentos gordurosos.

O/A médico/a gastroenterologista ou o/a hepatologista são os especialistas indicados para diagnosticar e tratar a esteatose hepática.

Esteatose hepática grau 2 posso consumir cerveja?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

O ideal é que não. A esteatose hepática, que corresponde ao acúmulo de gordura no fígado pode ser de origem alcoólica ou de origem não alcoólica, a base do tratamento de ambas as formas de esteatose é a adoção de uma dieta equilibrada, com restrição de gordura e carboidratos e a cessação do uso de álcool, por isso no seu caso não consumir álcool faz parte do tratamento da esteatose hepática.

O que é a esteatose hepática?

A esteatose hepática, também conhecida como gordura no fígado ou fígado gordo, é o processo de acumulo de gordura nas células do fígado, que a longo prazo se não tratada pode evoluir para um processo inflamatório do fígado, levando a esteato-hepatite e, em casos mais graves e prolongados leva a cirrose hepática.

Existem dois tipos de esteatose hepática, o mais prevalente é aquele relacionado a doença hepática gordurosa não-alcoólica, o segundo tipo está relacionado a doença hepática gordurosa alcoólica, ou seja, é originado diretamente pelo uso abusivo de álcool.

A doença hepática gordurosa não-alcoólica apresenta diferentes fatores de risco que contribuem para o seu aparecimento, os principais são:

  • Obesidade,
  • Diabetes,
  • Dislipidemia (aumento de colesterol e/u triglicérides)
  • Hipertensão arterial
  • Uso de medicamentos, como amiodarona, corticosteroides, estrógenos, tamoxifeno
  • Uso de esteroides anabolizantes

Algumas doenças também estão relacionadas a esteatose hepática como: Hepatite C, síndrome dos ovários policísticos, hipotiroidismo, hipogonadismo, lipodistrofia, entre outras.

A esteatose hepática tem tratamento?

A esteatose hepática tem tratamento e é perfeitamente reversível se forem adotadas medidas de mudança de estilo de vida principalmente no que se refere a dieta, realização de atividade física e controle de doenças associadas, por exemplo, é essencial manter o controle do diabetes, da dislipidemia e da hipertensão arterial. Em algumas situações o uso de medicamentos pode ajudar no tratamento da esteatose hepática.

Consulte o médico que solicitou o exame para maiores esclarecimentos.