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Trompas

É possível engravidar após laqueadura?
Dra. Ângela Cassol
Dra. Ângela Cassol
Médico

Sim, é possível engravidar após a laqueadura, mas a chance é muito pequena. A taxa de reversão espontânea da laqueadura é de 0,5% a 1%, e pode ocorrer independentemente da cirurgia que foi feita. O risco de gravidez após a laqueadura pela de técnica de Pomeroy, a mais utilizada no Brasil, é de um em 2 mil – muito menor que o da pílula anticoncepcional, que é de dois ou três para cada cem.

As mulheres que desejam engravidar após a realização da laqueadura, podem se submeter a cirurgia de reversão. A cirurgia é feita por laparoscopia e as tubas uterinas são religadas através de sutura. Também é retirada a região onde ficou a cicatriz da laqueadura. A anestesia pode ser raquidiana ou peridural e usualmente a mulher tem alta após 24 horas. A cirurgia é complexa, com duração de três a quatro horas.

Leia também: Mulher sem trompas pode engravidar?

A fertilidade só é restabelecida depois de 30 dias da da operação. Um grande parte das pacientes consegue engravidar após 6 a 12 meses. É importante referir que a probabilidade de engravidar é reduzida em 15 a 20%. Mesmo com essa redução, mulheres com menos de 35 anos têm 80% de probabilidade de engravidar depois da cirurgia.

O sucesso deste procedimento depende da condição atual das tubas. Se elas estiverem doentes, dilatadas ou com cicatrizes, o sucesso fica reduzido. Apesar disso, essa condição só pode ser verificada durante a cirurgia.

O médico ginecologista deverá ser procurado para orientá-la sobre a laqueadura e no caso de desejo de reversão.

Quanto tempo após laqueadura posso ter relações sem engravidar?
Dr. Ivan Ferreira
Dr. Ivan Ferreira
Médico

Após laqueadura, o período seguro para se ter relações sexuais sem engravidar depende da técnica utilizada, que vai de uma semana à três meses.

A laqueadura, também conhecida como ligadura das trompas ou cirurgia de esterilização feminina, é uma técnica em que as trompas de Falópio são bloqueadas de forma a não permitirem o encontro do óvulo com o espermatozoide, impedindo a fecundação e gravidez. Dependendo da técnica utilizada será definido o tempo necessário de espera para se ter uma relação sexual sem uso de outro método contraceptivo.

Veja também o artigo: Quanto tempo depois de uma cirurgia posso engravidar?

Técnicas de laqueadura:

  • corte das trompas, bloqueio com anéis, clipes ou eletrocoagulação (queima): pode-se ter relações sexuais após aproximadamente 10 dias,
  • uso de Essure®, dispositivo que provoca uma reação de fibrose nas trompas: pode-se ter relações sexuais após aproximadamente 3 meses, com a necessidade prévia de realização de testes para a comprovação do fechamento da trompa.

 O ginecologista ou obstetra deverá ser consultado nessas situações, para a orientação adequada sobre o qual período necessário para ter relações sexuais de uma forma segura após a laqueadura.

Como fica a menstruação depois da laqueadura?
Dra. Ângela Cassol
Dra. Ângela Cassol
Médico

Pode ocorrer alteração no fluxo menstrual após a laqueadura. A frequência de alterações menstruais varia de 2,5 a 60%. Estudo realizado pela Universidade de Botucatu com mais de trezentas mulheres encontrou uma porcentagem inferior a 10% de alterações menstruais.

As causas da alteração menstrual não são inteiramente conhecidas. Existem algumas tentativas para explicá-las, como por exemplo: falha ou interrupção do fornecimento de sangue do ovário, modificação dos impulsos nervosos da trompa e/ou do ovário, torção do ovário e aderências pélvicas. Outra explicação possível é uma insuficiência na fase lútea causada pela supressão da irrigação entre útero e ovário.

Além disso, parar de usar o DIU (dispositivo intra-uterino) ou a pílula também pode causar alterações na menstruação. O DIU predispõe ao aumento da quantidade e da duração do fluxo menstrual. Quando a usuária deixa de usá-lo, esses sinais têm a tendência de diminuir. O ciclo menstrual é normalizado e a quantidade de fluxo diminui quando são usados contraceptivos hormonais. Assim, quando deixam de usar esse método, frequentemente os ciclos menstruais irregulares regressam.

É importante ter em conta os padrões menstruais anteriores à esterilização. Se os ciclos menstruais eram irregulares, provavelmente serão irregulares outra vez.

Na presença de ciclos menstruais irregulares, poderá ser prescrita pílula hormonal, na tentativa de regularizar o fluxo. O médico ginecologista deverá ser consultado.

Mulher sem trompas pode engravidar?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

Sim, a mulher sem trompas pode até engravidar naturalmente, mas é muito raro e vai depender do problema que ela apresente. A ausência completa de trompas, por exemplo uma malformação desde o nascimento, não tem como carrear o óvulo, portanto não poderia engravidar naturalmente, mas existem meios de implantar o óvulo no útero e desenvolver a gestação normalmente. Se for o caso de laqueadura, ou seja, a mulher se submeteu a "ligadura das trompas", apesar de raro pode sim acontecer, as trompas podem refazer o canal, se regenerar, e deixar que o óvulo passe, permitindo a gravidez.

Praticamente 100% das mulheres que fazem laqueadura ou que não tem trompas não engravidam mais. Os casos em que ocorre a recanalização das trompas seguida de gravidez são raríssimos.

Trata-se de um método anticoncepcional, como o preservativo, o DIU, o anticoncepcional oral ou o injetável.

Porém, a mulher que fez laqueadura e deseja engravidar pode recorrer às técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro ("bebê de proveta"). É o método mais indicado, pois a concepção do embrião é feita em laboratório para que depois ele seja transferido para o útero da mãe.

Se você não tem trompas ou fez uma laqueadura e deseja engravidar, fale com o seu médico ginecologista sobre as possibilidades da fertilização in vitro e tire as suas dúvidas.

Laqueadura pelo umbigo é segura?
Dr. Ivan Ferreira
Dr. Ivan Ferreira
Médico

Sim, a laqueadura feita através do umbigo (laparoscopia) é segura.

Nessa cirurgia o médico introduz um aparelho, chamado laparoscópio, pelo umbigo e faz o fechamento (laqueamento) dos canais que ligam os ovários ao útero (trompas de Falópio), impedindo a gravidez, pois os óvulos não conseguem chegar ao útero, não havendo a fecundação.

As vantagens desse tipo de cirurgia são várias, entre elas, a recuperação mais rápida da mulher, menor tempo de internação, menores riscos do que numa cirurgia normal, além de não interferir nas relações sexuais.

O obstetra é o médico especializado na realização da laqueadura.

É possível fazer inseminação artificial após laqueadura?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Não é possível fazer inseminação artificial após laqueadura, a menos que a mulher desfaça a laqueadura. Para haver fecundação e, consequentemente, uma gravidez, é preciso que haja o encontro do espermatozoide com o óvulo, o que não é possível se a mulher tiver feito laqueadura, mesmo através de inseminação artificial, pois esse procedimento depende do adequado funcionamento de pelo menos uma tuba uterina.

A gravidez só é possível se a mulher desfizer a laqueadura ou realizar o tratamento de fertilização in vitro. No entanto, a reversão da laqueadura é um processo lento, com poucas chances de sucesso de engravidar, pelo que a fertilização in vitro é a mais indicada nesses casos.

A diferença entre o tratamento de fertilização in vitro e a inseminação artificial é que na fertilização in vitro a fecundação do óvulo ocorre fora do corpo da mulher, em laboratório, sendo a seguir transferido para o útero. Já na inseminação artificial a fecundação ocorre no útero, o óvulo é inserido dentro do útero e fecundado nas tubas uterinas, por isso esse é um processo que fica impedido de ocorrer se a mulher tiver sido laqueada.

A mulher deve consultar o seu médico ginecologista para avaliar qual o melhor procedimento a adotar.

Fiz cirurgia de laqueadura desde então minha menstruação...
Dr. Charles Schwambach
Dr. Charles Schwambach
Médico

Não deve haver nada de errado com sua cirurgia, o mais provável que tenha acontecido é que seu organismo, de alguma forma, não tenha "aceito" a cirurgia, não conseguiu se adaptar com a nova situação. Está é uma situação bastante controversa e complicada de lidar dentro da medicina. Todos sabemos da existência de determinados acontecimentos que fogem da explicação plausível e viável dentro do nosso paradigma atual. Você fará muitos exames e alguma explicação viável será encontrada, e não passará de pura coincidência: a cirurgia e o início dos seus sintomas.

Uma gravidez ectópica pode ser detectada através do Beta HCG?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Sim. O beta HCG pode ser detectado tanto na urina quanto no sangue na presença de qualquer tipo de gravidez inclusive na gravidez ectópica.

A diferença é que na gravidez ectópica o aumento da concentração de HCG no sangue ocorre de maneira mais lenta e, em geral, o resultado quantitativo apresenta valores diferentes do observado em uma gravidez uterina.

Qual a diferença entre o beta HCG qualitativo e quantitativo?

O diagnóstico de uma gravidez ectópica é feito tendo em consideração os resultados dos exames quantitativos de beta-HCG, a ultrassonografia transvaginal e os sintomas clínicos da paciente. A partir desse compilado o/a médico/a ginecologista poderá diagnosticar a gravidez ectópica e prosseguir com o tratamento recomendado.

Leia também:

O que é gravidez ectópica e quais os seus sintomas?

Laqueadura engorda?
Dra. Ângela Cassol
Dra. Ângela Cassol
Médico

A laqueadura tubária não engorda, não provoca alterações no ciclo menstrual da mulher nem causa diminuição do desejo sexual feminino.

A taxa de complicações é pequena. Quando realizada por laparoscopia ou por minilaparotomia, a laqueadura apresenta uma taxa de complicações de apenas 0,1%. As possíveis complicações podem incluir:

  • infecção
  • lesão de bexiga
  • lesão dos intestinos
  • hemorragia interna
  • complicações relacionadas à anestesia, como cefaléia.

A taxa de complicação com a técnica histeroscópica é menor ainda, cerca de 0,002%. A complicação mais comum é a lesão da parede do útero, que poderia trazer problemas em futuras gestações, que não é a preocupação da mulher que deseja fazer laqueadura.

As três técnicas de laqueadura tubária mencionadas acima apresentam uma taxa de sucesso acima de 99%.

O médico ginecologista/obstetra deverá discutir os riscos e benefícios da laqueadura tubária, assim como indicar a melhor técnica para realizá-la.

Como funciona a laqueadura?
Dra. Ângela Cassol
Dra. Ângela Cassol
Médico

A laqueadura de trompas ou tubas uterinas é uma cirurgia que impede a gravidez quase que definitivamente. A cirurgia consiste em bloquear as trompas, através de anéis, clipes de titânio, fios de sutura, ou queimando ou cortando estas estruturas.

Para a ocorrência da gravidez, é necessário que o espermatozoide encontre o óvulo, que é liberado do ovário por volta do 14º dia do ciclo menstrual. Depois de sair do ovário, o óvulo é capturado pelas fímbrias da trompa e transportado através dela, onde usualmente ocorre a fecundação.

Sendo assim, para que não seja possível esse encontro do óvulo com o espermatozoide, é necessário que seja feito um bloqueio nas trompas.

A laqueadura tubária é um método anticoncepcional definitivo, pois impede que os espermatozoides cheguem aos óvulos liberados pelos ovários.

De um modo geral, a laqueadura é feita durante a cesariana. Porém, o procedimento também pode ser realizado fora da gestação, através das seguintes técnicas: minilaparotomia, laparoscopia ou histeroscopia.

Laqueadura por minilaparotomia

Procedimento cirúrgico feito imediatamente após o parto normal ou até dois dias depois. O médico faz uma pequena incisão no abdômen, perto do umbigo e, em seguida, remove uma parte das trompas de Falópio de cada lado.

Laqueadura por laparoscopia

Realizada através de uma pequena incisão perto do umbigo e na parte inferior do abdômen, com introdução de um dispositivo chamado laparoscópio, usado para ver as trompas de Falópio. O médico pode usar anéis ou clips para fechar as trompas, ou cauterizá-las através de calor.

Laqueadura por histeroscopia

É introduzido um histeroscópio através da vagina, que atravessa o útero e chega às trompas, onde será colocado uma pequena mola (Essure®) ou será aplicada radiofrequência seguida de pastilha de silicone (Adiana®). O objetivo é gerar um reação inflamatória que leve à fibrose da trompa e consequente obstrução da mesma.

As vantagens desta técnica são a ausência de sedação, anestesia geral, incisões cirúrgicas ou internação hospitalar. Porém, é necessário utilizar outro método contraceptivo nos três meses que se seguem ao procedimento e é possível que seja necessário repetir o procedimento.

Também é necessário realizar um exame chamado histerossalpingografia para avaliar se o método foi capaz de causar a obstrução completa das trompas.

É possível reverter a cirurgia de laqueadura?

O processo de laqueadura é complicado de reverter, com uma baixa taxa de sucesso. Por esse motivo, os médicos só recomendam a laqueadura quando a mulher está segura que não deseja mais ter filhos. No Brasil, a laqueadura pode ser feita no hospital público ou particular, quando uma mulher tem 2 ou mais filhos ou se tem mais de 25 anos.

A reversão de laqueadura consiste na reconstrução microcirúrgica das tubas uterinas realizada com o auxílio de um microscópio cirúrgico e instrumentos especiais, incluindo fios cirúrgicos de difícil visualização a olho nu. O tempo da laqueadura não é fator limitante para a sua reversão.

O médico ginecologista/obstetra deverá orientá-la sobre os riscos e benefícios da laqueadura como método contraceptivo.

A laqueadura atrasa a menstruação?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Não. A laqueadura não atrasa a menstruação. Não há nenhuma prova científica que a cirurgia de laqueadura faz atrasar a menstruação.

As mulheres que realizaram laqueadura continuam menstruando normalmente. Algumas mulheres podem apresentar irregularidades no ciclo menstrual com redução do fluxo menstrual, diminuição na duração dos dias de menstruação e redução das cólicas menstruais.

Há uma porcentagem muito pequena da chance de engravidar após a laqueadura. Caso a sua menstruação está demorando muito após realizar o procedimento, você precisa consultar o/a médico/a que realizou a cirurgia ou algum/a ginecologista.

Quais as vantagens e desvantagens da laqueadura?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

A laqueadura é uma cirurgia que interrompe a ligação entre as tubas uterinas e o útero, evitando o encontro do óvulo com o espermatozoide e a consequente fecundação. Por isso, a laqueadura é um procedimento de contracepção permanente, seguro e altamente eficaz. Cada mulher tem uma percepção de seu corpo e uma vivência de sua sexualidade. Dessa forma, as vantagens e desvantagens podem ser relativas e pessoal.

Vantagens:

  • Contracepção eficaz e permanente;
  • Ausência do uso de hormônios;
  • Acessível: a cirurgia é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde;
  • Redução ou ausência de efeitos colaterais;
  • Manutenção do desejo sexual e da libido;
  • Procedimento simples com baixo risco de complicações.

Desvantagens:

  • Não proteção contra DST (doenças sexualmente transmissíveis): por ser um método que evita a gravidez, muitas mulheres deixam de usar preservativo nas relações sexuais, o que aumenta a chance de contrair doenças sexualmente transmissíveis;
  • Complicações relacionadas à cirurgia ou à anestesia: embora o risco é bem reduzido, pode ocorrer infecção no local da cirurgia ou sangramento interno;  
  • Arrependimento: algumas mulheres podem arrepender da decisão, pois desejariam engravidar novamente, isso principalmente quando o procedimento é feito antes dos 30 anos;
  • Possibilidade de gravidez ectópica.

Para tomar a decisão definitiva é importante a mulher ponderar sobre o planejamento familiar que deseja para a sua vida, se for o caso, conversar com o/a parceiro/a e ter apoio de uma equipe multidisciplinar com ginecologista, assistente social e psicologia.