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Aborto

Chá de arruda faz descer a menstruação? Pode provocar aborto?

Sim, o chá de arruda pode fazer descer a menstruação e provocar aborto.

A arruda possui em suas folhas, um elemento chamado Rutina, que tem como principal ação provocar ou acelerar a menstruação, propriedade conhecida como emanagoga, por isso o chá de arruda é contraindicado durante a gravidez.

A arruda estimula as fibras musculares do útero, provocando contrações uterinas que podem causar sangramentos e, se a mulher estiver grávida, pode levar ao aborto e morte do feto. Caso não ocorra um aborto, pode haver anomalias ou malformações fetais.

Além de ser emenagogo e abortivo, o chá de arruda pode provocar intoxicações no organismo se for consumido em grandes quantidades.

Outros chás que são considerados abortivos ou teratogênicos (que podem causar malformação no feto) e por isso, são contraindicados durante a gestação, segue abaixo por ordem alfabética:

  • Alecrim
  • Arnica
  • Artemísia
  • Barbatimão 
  • Boldo
  • Buchinha do norte
  • Cambará
  • Cânfora
  • Carqueja
  • Cipó-mil-homens
  • Confrei
  • Erva-de-bicho
  • Espirradeira
  • Erva-de-santa-maria
  • Eucalipto
  • Gengibre
  • Melão-de-são-caetano
  • Pinhão-de-purga ou pinhão-paraguaio
  • Poejo.  

Para maiores esclarecimentos sobre os chás que podem fazer descer a menstruação ou causar aborto, fale com o seu médico ginecologista.

Chá de maconha causa aborto?

Não existem evidências claras de que o chá de maconha provoque aborto, mas o seu efeito durante a gravidez é controverso. Num estudo feito com mulheres internadas devido a abortos induzidos, cerca de 65% delas utilizam algum tipo de chá, inclusive o chá de maconha. 

Destas que usaram chás para interromper a gestação, houve complicações como infecções e hemorragias em aproximadamente 12% dos casos.

Inclusive o percentual de mulheres com complicações decorrentes de aborto induzido por chás foi maior do que nas que utilizaram medicamento para o efeito.

Além do chá de maconha, as mulheres também utilizaram chás de buchinha, arruda, boldo, canela, laranja e até de pimenta.

Saiba mais em: Anticoncepcional provoca aborto?

Assim, conclui-se que os efeitos do chá de maconha na gravidez são inconclusivos e não se pode afirmar com certeza se provoca ou não aborto.

Quais são os efeitos do chá de maconha?

Os principais efeitos físicos agudos causados pelo chá de maconha incluem hiperemia das conjuntivas (olhos avermelhados), xerostomia (boca seca), taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos, podendo chegar a 140 batimentos por minuto ou mais) e dilatação das pupilas.

A longo prazo, se a maconha for fumada, os pulmões também são afetados e aumentam os riscos de problemas respiratórios, como bronquites.

Apesar da fumaça da maconha conter substâncias cancerígenas, ainda não existem provas científicas que o seu uso crônico aumente os riscos de câncer de pulmão. No entanto, as evidências dos testes feitos em laboratório com animais têm demonstrado fortes indícios de que assim pode ser.

No homem, o uso crônico de maconha diminui significativamente a produção de testosterona, podendo levar a problemas de infertilidade.

Veja também: Maconha pode fazer bem à saúde?

De qualquer maneira, o uso de todo e qualquer tipo de droga, legal ou ilegal, é totalmente contraindicado durante a gravidez. Em muitos casos, apesar de não causarem aborto, podem prejudicar gravemente a saúde do bebê.

Mesmo os chás de plantas ou ervas que não possuem princípios psicotrópicos não devem se consumidos indiscriminadamente por mulheres grávidas, pois existem chás que podem induzir o aborto.

Antes de tomar qualquer tipo de chá, medicamento ou droga durante a gravidez, a mulher deve consultar o seu médico obstetra.

Chá de canela aborta?

Embora não exista um consenso de que o chá de canela provoque aborto, ele normalmente é contraindicado na gravidez.

Há estudos que indicam uma relação direta entre chá de canela e aborto, mas faltam ainda evidências científicas suficientes que comprovem que o chá de canela é abortivo. Daí alguns defenderem que o chá aborta e, outros, que não aborta.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) não recomenda o uso de chá de canela durante a gravidez, assim como grande parte dos nutricionistas e obstetras.

Sabe-se que, em excesso, o chá de canela provoca reações alérgicas na pele e nas mucosas, além de hematúria (presença de glóbulos vermelhos do sangue na urina). Como a parede interna do útero é recoberta por uma mucosa, pode ser que o chá interfira com a gestação.

De qualquer forma, o mais indicado é pedir orientação ao médico obstetra antes de tomar qualquer tipo de chá durante a gravidez.

Quais são os sintomas de aborto?

Os possíveis sinais e sintomas de um aborto espontâneo são:

  • Sangramento vaginal, com sangue de coloração viva ou escura;
  • Dores abdominais ou cólicas;
  • Saída pela vagina de um coágulo de sangue ou um jato de líquido claro ou rosa;
  • Dor na coluna lombar (parte de baixo das costas);
  • Contrações uterinas doloridas;
  • Febre (aborto infectado).

Esses sinais e sintomas também podem variar de acordo com o tipo de abortamento:

  • Ameaça de aborto:

    • Sangramento vaginal pouco intenso ou moderado;
    • Pode haver dores abdominais, tipo cólicas, normalmente pouco intensas;
    • Colo do útero encontra-se fechado;
    • Volume uterino condiz com o tempo de gravidez;
    • Não há sinais de infecção;
    • Exame de ultrassom está normal, com o feto vivo.
  • Aborto completo:
    • Ocorre geralmente antes da 8ª semana de gestação;
    • A perda de sangue e as dores diminuem ou acabam depois da expulsão do embrião;
    • Colo uterino pode estar aberto;
    • Tamanho do útero está menor que o esperado para a idade gestacional;
    • No exame de ultrassom a cavidade uterina está vazia ou com imagens de coágulos;
  • Aborto inevitável e incompleto:
    • Apresenta sangramento maior que na ameaça de abortamento;
    • A perda de sangue diminui com a saída de coágulos ou restos embrionários (leia também: O que são restos ovulares e como surgem?);
    • As dores geralmente são mais fortes que na ameça de aborto;
    • O colo do útero encontra-se aberto;
    • O ultrassom confirma o diagnóstico.
  • Aborto retido:
    • Normalmente evolui com a regressão dos sinais e sintomas da gravidez;
    • Pode ocorrer sem os sinais de ameaça de abortamento;
    • O colo uterino encontra-se fechado;
    • Não há sangramentos;
    • Exame de ultrassom mostra ausência de vitalidade ou presença de saco gestacional sem embrião;
  • Aborto infectado:
    • Febre;
    • Sangramento vaginal com odor fétido;
    • Dores abdominais;
    • Eliminação de secreção com pus pelo colo uterino;
    • Muitas vezes está associado a manipulações do interior do útero através de técnicas  inadequadas  e  inseguras;
    • A infecção geralmente é provocada por bactérias da própria flora vaginal;
    • Trata-se de um caso grave que deve ser tratado, independentemente da vitalidade do feto.
    • Pode evoluir para peritonite (infecção generalizada do interior do abdômen).

Leia também: Chá de maconha causa aborto?; Aborto pode causar infertilidade?

Na presença de qualquer um desses sinais e sintomas de abortamento, entre em contato imediatamente com o/a médico/a ginecologista, médico/a de família ou clínico/a geral ou procure um serviço de urgência.  

Anticoncepcional provoca aborto?

Não. O anticoncepcional não provoca aborto. O anticoncepcional pelos seus diversos mecanismos impede que ocorra a gravidez.

A gravidez é o processo no qual um embrião, formado pela união do óvulo com o espermatozoide, desenvolverá no útero da mulher.

Os métodos anticoncepcionais atuam de diversas formas para não haver o contato entre o óvulo e o espermatozoide e, consequentemente não ocorrer a formação do embrião. Caso haja a junção do óvulo com o espermatozoide, o anticoncepcional não impedirá a formação do embrião. Por isso, o anticoncepcional é um método que previne a concepção.

Aborto acontece quando há perda do embrião que já foi formado. Ou seja, a gravidez já está instalada e, por algum motivo, ocorre a perda do embrião.

Cada método anticoncepcional atua de uma forma diferente para evitar esse encontro entre o óvulo e o espermatozoide. Há os métodos de barreira ( preservativo, diafragma); os métodos hormonais (pílula, injeção, adesivo, anel vaginal); métodos comportamentais (fertilidade consciente, tabelinha) e métodos permanentes (vasectomia e ligação das tubas uterinas). Nenhum deles provoca aborto.

Leia também:

Pílula do dia seguinte causa aborto?

Chá de maconha causa aborto?

Pílula do dia seguinte causa aborto?

Não. Pílula do dia seguinte não causa aborto.

A pílula do dia seguinte é indicada para mulheres que apresentaram falhas no método contraceptivo habitual (esqueceu de tomar a pílula ou injeção, camisinha estourou) ou tiveram relação sexual desprotegida durante o período fértil ou em situações de estupro.

A pílula do dia seguinte não é abortiva pois ela não impede a gravidez caso seja tomada depois da concepção (junção entre o óvulo e o espermatozoide). O mecanismo de ação dela é explicado pelo atraso da ovulação, impedindo assim a liberação do óvulo e o encontro deste com o espermatozoide.

Ela é considera uma contracepção de emergência e não deve ser tomada como método contraceptivo de rotina.

Se a mulher deseja evitar gravidez é recomendado procurar o/a médico ginecologista, clínico/a geral ou médico/a de família para indicar um método contraceptivo de longa duração. 

O que são restos ovulares e como surgem?

Restos ovulares são pequenas quantidades de material gravídico que permanecem no útero após um aborto espontâneo, sendo detectados pelo exame de ultrassom transvaginal. Os restos ovulares surgem a partir de restos embrionários ou fetais, além de outros materiais relacionados com a gravidez.

Os restos ovulares podem ser expelidos pelo útero durante um aborto incompleto, no qual apenas uma parte do conteúdo uterino é eliminado. Porém, uma parte deles pode ficar retida na cavidade uterina e causar infecções, sangramento, febre e dores abdominais. 

Ao verificar a presença de restos ovulares na ecografia, normalmente realiza-se uma curetagem, que é uma raspagem da camada interna do útero para esvaziar a cavidade uterina.

O procedimento é realizado por via vaginal e com anestesia geral ou raquidiana. Durante a curetagem, o médico ginecologista raspa cuidadosamente a cavidade do útero com um instrumento semelhante a uma colher, chamado cureta.

Para ter acesso à cavidade uterina pelo canal vaginal, é necessário que o colo do útero esteja dilatado. Se estiver em curso algum abortamento, é normal haver uma dilatação espontânea. Se não houver dilatação, o colo uterino precisa ser dilatado através de instrumentos ou medicamentos.

Leia também: O que é curetagem e como é feita?

Contudo, nem sempre é necessário fazer uma curetagem para retirar os restos ovulares. A realização do procedimento vai depender de quanto tempo tem o aborto e da quantidade de restos ovulares.

Caso o aborto tenha ocorrido há poucos dias, a mulher ainda pode expelir os restos ovulares naturalmente. Porém, se ao fazer novamente o exame de ultrassom o médico verificar que ainda existem restos ovulares, o mais indicado é fazer uma limpeza do útero através de uma curetagem.

O médico ginecologista é o especialista responsável pelo diagnóstico e retirada dos restos ovulares.

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Aborto pode causar infertilidade?

Aborto espontâneo ou realizado em ambiente hospitalar e clínicas autorizadas não causa infertilidade.

Os abortos espontâneos com até 20 semanas de gravidez, que ocorrem quando a gestação não evolui adequadamente, são feitos em ambiente hospitalar e apresentam baixos riscos de complicações para a mulher.

Alguns casos raros de aborto induzido com medicações e curetagem (raspagem uterina) pode levar a complicações durante ou depois do procedimento. Essas complicações podem deixar sequelas, impedir a mulher de engravidar novamente e, portanto, causando infertilidade. Porém essa situação é muito rara de acontecer e não representa a causa mais importante de infertilidade feminina.

Algumas complicações do aborto que podem causar infertilidade são:

  • Perfuração do útero: Ocorre quando utilizada a "colher" de curetagem ou o aspirador perfuram a camada do útero e como consequência pode haver infecção e obstrução das trompas. Essa situação é bem rara, ocorre em 0,06% das curetagens;
  • Endometrite pós-aborto: Infecção dentro da parede do útero que ocorre quando não há uso de antibióticos receitados após o procedimento;
  • Evacuação incompleta da cavidade uterina: Presença de restos do abortamento que levam à formação de aderências e dificultam a menstruação.

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