Insuficiência Renal

O que é insuficiência renal crônica e quais os sintomas?
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Médico

Insuficiência renal crônica (IRC) é a supressão lenta (ao longo de anos), progressiva e irreversível da função renal. Algumas doenças como diabetes, hipertensão arterial e doenças renais (rins policísticos, glomerulonefrites) trazem maior risco de rápida perda de função dos rins.

Os pacientes que possuem uma ou mais dessas doenças têm sempre algum grau de lesão renal, que, no entanto, pode ainda não ter prejudicado a capacidade de filtração do sangue. Apresentam função renal normal, sem qualquer tipo de sintoma, mas com risco elevado de deterioração da função dos rins a longo prazo.

Também pode haver disfunções no controle do equilíbrio hidreletrolítico e ácido-básico, ou alterações hormonais, como a deficiência na síntese de eritropoetina e vitamina D.

A insuficiência renal crônica pode ser dividida em estágios, de acordo com a taxa de filtração glomerular, que pode ser estimada por meio dos valores da creatinina sanguínea. Cada um dos estágios apresenta diferentes sinais e sintomas.

Os estágios da IRC são divididos da seguinte forma:

  • IRC estágio I – Pacientes com clearance de creatinina maior do que 90 mL/min, creatinina sérica normal, porém com alguma das doenças descritas acima (diabetes, hipertensão, rins policísticos, etc.) - são geralmente assintomáticos. Neste estágio, há alterações no exame de urina, com sinais de sangramento ou perda de proteínas;
  • IRC estágio II – Pacientes com clearance de creatinina entre 60 e 89 mL/min. Esta pode ser considerada como a fase de pré-insuficiência renal. São indivíduos com leve perda da função renal. Nesse estágio, os rins ainda são capazes de manter suas funções básicas e a creatinina sanguínea ainda encontra-se muito próxima da faixa de normalidade. Porém, é importante ressaltar que esses pacientes têm maior risco de agravamento da função renal se expostos, por exemplo, a drogas tóxicas aos rins, tais como anti-inflamatórios ou contrastes para exames radiológicos;
  • IRC estágio III – Pacientes com clearance de creatinina entre 30 e 59 mL/min. Esta é de fato a fase de insuficiência renal crônica. A creatinina já está acima dos valores de referência e as primeiras complicações da doença começam a se manifestar. A capacidade do rim de produzir a eritropoetina já está reduzida, que é um hormônio que controla a produção de hemácias (glóbulos vermelhos do sangue) pela medula óssea, levando o indivíduo a apresentar anemia progressiva. Os pacientes insuficientes renais também apresentam uma doença chamada osteodistrofia renal, que ocorre pela elevação do PTH (paratormônio) e pela queda na produção de vitamina D, que controlam a quantidade de cálcio nos ossos e no sangue. O resultado final é uma desmineralização dos ossos, que começam a ficar fracos e doentes (osteopenia e osteoporose). Neste estágio, os pacientes devem começar o tratamento e ser acompanhados por um nefrologista, porque a partir dessa fase, geralmente há uma progressão relativamente rápida da insuficiência renal se não houver tratamento adequado;
  • IRC estágio IV – Clearance de creatinina entre 15 e 29 mL/min. Está é a fase pré-dialítica. É o momento em que os primeiros sintomas começam a surgir e as análises laboratoriais indicam várias alterações. O paciente apresenta níveis elevados de fósforo e PTH, anemia estabelecida, pH sanguíneo baixo (aumento da acidez no sangue), elevação do potássio (com possível surgimento de arritmias cardíacas), emagrecimento e sinais de desnutrição, piora da hipertensão, enfraquecimento ósseo, aumento do risco de doenças cardíacas, diminuição da libido, diminuição do apetite, cansaço, etc. Devido à retenção de líquidos (pela insuficiência dos rins), o paciente pode não notar o emagrecimento, já que o peso pode se manter igual ou até mesmo aumentar; o paciente perde massa muscular e gordura, mas retém líquidos, podendo desenvolver pequenos edemas nas pernas;
  • IRC estágio V – Pacientes com clearance de creatinina menor que 15 mL/min. É considerada como sendo a fase de insuficiência renal terminal. Abaixo dos 15-10 mL/min, os rins já não desempenham funções básicas e o início da diálise está indicado. Apesar de ainda conseguirem urinar, o volume já não é tão grande (oligúria ou mesmo não urina nada - anúria) e o paciente começa a desenvolver grandes edemas. A pressão arterial fica descontrolada e os níveis de potássio sanguíneo ficam elevados, podendo provocar arritmias cardíacas e até morte. O paciente já perdeu muito peso e não consegue se alimentar bem. Sente náuseas e vômitos, sobretudo pela manhã. Sente cansaço com facilidade e a anemia, se já não estiver sendo tratada, costuma estar em níveis perigosos. Se a diálise não for iniciada rapidamente, o quadro progride. Aqueles que não vão ao óbito por arritmias cardíacas podem evoluir com edema pulmonar ou alterações mentais, como desorientação, crises convulsivas e até coma.

Quando realizado ultrassom dos rins, especialmente nos últimos estágios, estes já se apresentam atrofiados, com tamanhos reduzidos, um sinal importante no diagnóstico da IRC. Há pacientes que chegam ao estágio V com poucos sinais e sintomas.

Apesar da pouca sintomatologia, estes apresentam inúmeras alterações laboratoriais, e quanto mais tempo se atrasa o início da diálise, pior serão as lesões ósseas, cardíacas, a desnutrição e o risco de arritmias malignas.

Muitas vezes, o primeiro e único sintoma da insuficiência renal terminal é a morte súbita, por isso é fundamental o acompanhamento periódico com seu médico.

Em caso de suspeita de Insuficiência renal crônica, um médico (preferencialmente um nefrologista) deverá ser consultado. Ele poderá avaliar detalhadamente, através de anamnese, exame físico e eventuais exames complementares, se este é seu diagnóstico correto, orientá-lo e prescrever o melhor tratamento, caso a caso.

O que é insuficiência renal aguda e quais os sintomas?
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Médico

Insuficiência renal aguda (IRA) é a supressão abrupta da função renal em consequência de alterações renais agudas, caracterizada por oligúria (volume urinário menor que 20 mL/h ou ~400 mL/dia) ou anúria (ausência de urina).

Também pode haver disfunções no controle do equilíbrio hidro-eletrolítico e ácido-básico, ou alterações hormonais, como a deficiência na síntese de eritropoetina e vitamina D. Costuma ter duração inferior a três meses, podendo haver recuperação completa ou não da função renal.

A insuficiência renal aguda pode evoluir para crônica, se a lesão aos rins for muito grave e não houver recuperação completa.

Os dois rins filtram, em média, 180 litros de sangue por dia, aproximadamente 120 ml por minuto. Esse valor é chamado de clearance renal ou taxa de filtração glomerular (o glomérulo é a unidade básica do rim, assim como o neurônio é a do cérebro).

Uma função renal normal situa-se entre 70 e 140 mL/min de sangue filtrado por dia, que varia com de acordo com idade, tamanho e sexo. Quando o clearance é menor que 70 mL/min, temos insuficiência renal; quando é maior que 140 ml/min chamamos de hiperfiltração, que também é um sinal de doença renal (muito comum em diabéticos).

Há três tipos de causas de IRA, dependendo do local onde se dão as alterações agudas: antes do rim, no rim e depois do rim: pré-renal, renal ou pós-renal.

  • Pré-renal: Como o nome diz, é uma alteração que ocorre antes do rim, levando à insuficiência funcional ou lesão orgânica. Ocorre devido a insuficiência circulatória aguda, falta de líquidos (hipovolemia), desidratação grave ou perda de sangue. Pode ocorrer, também, por queda da pressão arterial do sangue circulante (abaixo de 90 mmHg de pressão sistólica). As situações de hipotensão mais comuns são os choques hemorrágico, traumático ou infeccioso.
  • Renal: Atinge o rim de forma aguda, por meio de agentes tóxicos (químico ou medicamentoso), inflamações (nefrites) ou morte de células renais (necrose do glomérulo ou do túbulo renal).
  • Pós-renal: Ocorre devido a obstrução das vias urinárias, que impede a passagem da urina. A obstrução pode acontecer na pelve renal, no ureter, na bexiga ou na uretra.
Principais sintomas:
  • O principal sintoma, como já descrito, é a diminuição do volume urinário, devido à perda da função dos rins;
  • A redução do volume urinário leva à retenção de líquidos, o que causa edema (inchaço dos pés e da face);
  • O acúmulo de líquidos também pode causar congestão (edema) pulmonar, com dispneia (falta de ar);
  • Com o aumento dos níveis de ureia e creatinina no sangue, metabólitos tóxicos, podem ocorrer convulsões, desmaios, náusea, vômitos, hipertensão arterial, contrações musculares, alterações da consciência podendo atingir o coma e em casos muito graves à morte.
  • Finalmente, a elevação do potássio sérico pode causar alterações no ritmo cardíaco, com possível fibrilação e morte.

Leia também: Qual o valor de referência da ureia?

Em caso de suspeita de Insuficiência renal aguda, um médico (preferencialmente um nefrologista) deverá ser consultado. Ele poderá avaliar detalhadamente, através de anamnese, exame físico e eventuais exames complementares, se este é seu diagnóstico correto, orientá-lo e prescrever o melhor tratamento, caso a caso.

Qual o tratamento para insuficiência renal?
Dra. Ângela Cassol
Dra. Ângela Cassol
Médico

O tratamento da insuficiência renal deverá ser direcionado para a doença de base que levou à insuficiência. Sendo assim, o melhor modo de se evitar ou retardar a progressão da insuficiência renal é controlar a doença de base, fazendo uso adequado das medicações para o controle da glomerulonefrite, do diabetes, da pressão alta e das infecções. É fundamental seguir à risca as dietas e as orientações alimentares que lhe forem recomendadas.

Os rins tem diversas funções no organismo, que ficam prejudicadas com a insuficiência dos mesmos. São elas: filtração do sangue, remoção das substâncias tóxicas, eliminação dos líquidos em excesso e produção de hormônios.

Nos casos de insuficiência, pode ser necessário "substituir" as funções dos rins, através da diálise (hemodiálise e diálise peritoneal). É importante frisar que a diálise não cura a insuficiência renal, apenas substitui a função de filtração do sangue.

Nos casos de insuficiência renal aguda, o quadro muitas vezes é reversível, a depender da doença de base que levou à insuficiência e da rapidez no diagnóstico e tratamento adequados. Nos casos crônicos, usualmente não é possível reverter a função renal perdida.

Veja também: Para que serve a hemodiálise?

Não há tratamento específico, devendo este ser direcionado ao controle da doença de base, que pode ser o diabetes mellitus, a hipertensão, inflamações nos rins (glomerulonefrite), infecção crônica (pielonefrite) e doenças hereditárias (como rins policísticos).

O objetivo é impedir ou retardar a progressão para insuficiência renal terminal, quando será necessária a realização da diálise ou do transplante renal.

O tratamento da insuficiência renal deverá ser orientado pelo médico nefrologista. Também é importante consultar um médico endocrinologista, se você tiver diabetes, e cardiologista, se você tiver hipertensão.

Quais os sintomas de problemas nos rins?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

Os sinais e sintomas de problemas nos rins podem incluir inchaços, perda de apetite, sensação de mal-estar, cansaço, dor de cabeça, coceira no corpo, pele seca, náuseas e perda de peso sem motivo aparente. Quando os rins perdem parcialmente ou totalmente a capacidade de filtrar o sangue, surge o quadro de insuficiência renal. Nesses casos, a pessoa pode apresentar:

  • Edema, inchaço nas mãos e nos pés;
  • Sonolência;
  • Escurecimento ou clareamento anormal da pele;
  • Dor nos ossos;
  • Dificuldade para se concentrar ou pensar;
  • Contrações rápidas, leves e involuntárias da musculatura, semelhante a tremores (fasciculações) ou cãibras musculares;
  • Mau hálito;
  • Facilidade em formar hematomas;
  • Ausência de menstruação (amenorreia);
  • Dificuldade para respirar (nos casos mais avançados).

Sem tratamento, a insuficiência renal pode evoluir com diversas complicações, como:

  • Anemia;
  • Sangramento do estômago ou intestino;
  • Alterações nos níveis de açúcar no sangue;
  • Danos nos nervos das pernas e dos braços (neuropatia periférica);
  • Demência;
  • Acúmulo de líquido ao redor dos pulmões (derrame pleural);
  • Complicações cardiovasculares;
  • Altos níveis de fósforo e potássio, Hiperparatireoidismo;
  • Aumento do risco de infecções;
  • Lesão ou falhas no funcionamento do fígado;
  • Desnutrição;
  • Aborto e esterilidade;
  • Convulsões;
  • Edema generalizado;
  • Enfraquecimento ósseo e aumento do risco de fraturas.

A doença renal crônica piora lentamente ao longo de meses ou anos e a pessoa pode não manifestar nenhum sintoma por algum tempo. A perda da função renal pode ser tão lenta que os sintomas podem surgir apenas quando os rins praticamente deixam de funcionar. Por isso, muitas pessoas não são diagnosticadas até perderem grande parte da sua função renal.

Os rins estão localizados no meio das costas, logo abaixo das costelas. Dentro de cada rim existem milhares de pequenas estruturas chamadas néfrons, que filtram resíduos e excesso de água do sangue, formando a urina.

A maioria das doenças renais ataca os néfrons, causando danos que podem deixar os rins incapazes de filtrar o sangue, gerando insuficiência renal.

O que pode causar problemas nos rins?

Os problemas nos rins podem ser causados por fatores genéticos, lesões ou medicamentos. As principais doenças e condições que afetam os rins e podem causar insuficiência renal incluem câncer, cistos, cálculos renais (pedras no rim) e infecções. A insuficiência renal também pode ter como causas:

  • Doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico e esclerodermia;
  • Doenças crônicas como hipertensão e diabetes mal controlados;
  • Defeitos congênitos dos rins, como doença renal policística;
  • Substâncias químicas tóxicas;
  • Lesão renal;
  • Problemas com as artérias que irrigam os rins;
  • Uso de medicamentos, como analgésicos e medicações contra o câncer;
  • Retorno da urina para os rins (nefropatia por refluxo).

O risco de desenvolver insuficiência renal é maior se a pessoa for portadora de doenças crônicas como diabetes, pressão alta ou história familiar.

A doença renal crônica provoca o acúmulo de fluidos e resíduos no organismo. Essa condição afeta a maioria das funções e sistemas do corpo, podendo causar hipertensão arterial, diminuição do número de células do sangue, além de prejudicar a produção de Vitamina D e a saúde dos ossos.

Qual é o tratamento para problemas nos rins?

O tratamento para problemas nos rins inclui o uso de medicamentos, dieta, cuidados especiais e mudanças no estilo de vida. Se os rins deixarem de funcionar completamente, é necessário realizar um transplante ou tratamento com diálise, que substitui a função normalmente desempenhada pelos rins.

O controle da pressão arterial retarda os danos aos rins. Para isso, são utilizados medicamentos específicos. O objetivo é manter a pressão arterial igual ou inferior a 130/80 mmHg (“13 por 8”).

Mudanças no estilo de vida e alguns cuidados especiais podem ajudar a proteger os rins e prevenir doenças, como:

  • Não fumar;
  • Consumir alimentos pobres em gordura e colesterol;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Controlar os níveis de colesterol e glicose (açúcar) no sangue;
  • Evitar consumir sal ou potássio em excesso.

Outros tratamentos podem incluir:

  • Uso de medicamentos fixadores de fosfato para ajudar a evitar altos níveis de fósforo no corpo;
  • Suplementação com ferro, aumento do consumo de alimentos ricos em ferro, uso de medicamento (eritropoetina) e transfusões de sangue para tratar a anemia;
  • Suplementação com cálcio e vitamina D.

Na presença de sintomas de problemas nos rins, consulte um médico de família ou um clínico geral.