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Como é feito o exame preventivo feminino?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

O exame preventivo feminino, esfregaço cervicovaginal, colpocitologia oncótica cervical ou teste de Papanicolau, é um exame ginecológico de citologia cervical, realizado para prevenção de câncer do colo do útero, principalmente causado pelo papilomavírus humano (HPV).

O exame preventivo feminino geralmente é indolor, simples e rápido (dura apenas alguns minutos). Pode causar um pequeno desconforto, amenizado quando a mulher consegue se manter relaxada e se o exame for realizado com a técnica adequada.

Inicialmente, o avaliador visualiza externamente a vagina e ânus, buscando identificar qualquer anormalidade, como alterações da pigmentação, presença de secreções ou lesões, mudanças no padrão dos pelos, entre outras.

Em seguida, é introduzido na vagina um instrumento chamado espéculo, conhecido popularmente como “bico de pato”, devido ao seu formato, para uma nova inspeção visual, dessa vez nas paredes internas da vagina e no colo do útero.

Por fim, é realizada a coleta do material para análise, através de uma pequena raspagem na superfície externa e interna do colo do útero, com uma espátula de madeira e posteriormente, com uma escovinha. Colhido material, este deverá ser colocado em uma lâmina de vidro, que é encaminhada para análise ao microscópio em laboratório especializado em citopatologia.

Tenho que me preparar para fazer o exame preventivo?

Para garantir que o resultado do exame de Papanicolau seja o mais correto possível, a mulher deve, nas 48 horas anteriores à realização do exame:

  • Abster-se de ter relações sexuais (mesmo com camisinha);
  • Evitar o uso de duchas, medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais, como espermicidas, por exemplo;
  • Não realizar exame ginecológico com toque, ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética da pelve.

É importante também não estar menstruada, pois o resultado pode ser alterado na presença de sangue.

Mulheres grávidas podem realizar o exame, sem riscos de saúde para ela ou para o bebê.

Para que serve o exame preventivo?

O exame preventivo serve para verificar se existem alterações nas células do colo uterino, identificar infecções causadas por vírus, como verrugas genitais causadas por HPV e herpes, bem como infecções vaginais causadas por fungos ou bactérias. O principal objetivo do Papanicolau é prevenir e identificar precocemente o câncer de colo do útero.

O preventivo pode identificar a infecção por HPV, que é o principal fator de risco para o desenvolvimento desse tipo de câncer. O Papanicolau pode detectar a presença do vírus e a existência de células anormais, permitindo iniciar o tratamento antes das células darem origem a um tumor ou numa fase muito precoce da doença.

Quando fazer o exame preventivo?

O primeiro exame preventivo deve ser feito 3 anos depois do início da vida sexual da mulher ou aos 21 anos de idade. A partir dessa idade, a mulher deve realizar o Papanicolau a cada 2 anos, até aos 29 anos. A partir dos 30 anos, após 3 exames consecutivos normais, com resultados negativos para câncer, o preventivo pode passar a ser realizado a cada 3 anos.

Mulheres com idade entre 65 e 70 anos, que apresentarem 3 exames negativos consecutivos e não resultados absolutamente normais nos últimos 10 anos, não precisam mais realizar o Papanicolau.

Exceções: portadoras de HIV, mulheres com depressão imunológica, história de NIC-I ou NIC-II e aquelas com muitos parceiros sexuais.

Essas indicações não precisam ser seguidas à risca e cabe ao médico ginecologista assistente alterá-las se considerar necessário, caso a caso.

Por exemplo, pacientes portadoras de HIV ou HPV, imunossuprimidas, que não utilizam métodos de proteção (camisinhas), têm múltiplos parceiros sexuais, fazem uso prolongado de anticoncepcionais orais, são tabagistas ou têm má higiene íntima, necessitam realizar o exame preventivo feminino mais precocemente ou com maior frequência.

O exame preventivo pode ser feito gratuitamente nas Unidades de Saúde da Família (USF) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). O Papanicolau é de fundamental importância, pois o câncer de colo de útero é o terceiro tipo mais frequente de câncer na população feminina e só costuma causar sintomas tardiamente.

A realização periódica do exame permite diagnosticar de forma precoce o tumor e reduz consideravelmente os riscos de morte por esse tipo de câncer.

Resultado de Preventivo ou Papanicolau
Dr. Charles Schwambach
Dr. Charles Schwambach
Médico

Vou expor aqui um resultado de Preventivo considerado normal, não especificarei nenhuma alteração que exige um diagnóstico, porque a interpretação das alterações deve ser feita pelo médico.

Resultado esperado para ser normal:

  • Adequabilidade da Amostra: Satisfatória ou Satisfatório para avaliação oncótica.
  • Epitélios Representados na Amostra: Escamoso e/ou Glandular
  • Microbiologia ou Flora: Bacilos ou Lactobacilos
  • Avaliação Hormonal: eutrófico; hipotrófico (para mulheres na menopausa);
  • Conclusão Diagnóstica: Alterações celulares benignas reativas ou reparativas;
  • Inflamação ou Atrofia com Inflamação (para mulheres pós-menopausa).
O que significa ausência de malignidade?

Significa que não tem células de câncer na amostra.

O que significa colpite?

Colpite significa inflamação no colo do útero.

O que significa Gardnerella?

A presença de bacilos supracitoplasmático: sugestivo de Gardnerella mobiluncus no preventivo é sinal de que existe uma infecção vaginal provocada por esse micro organismo, não é considerada uma DST, apesar de que é prudente tratar o casal.

O que significa a presença de Candida sp?

Significa que há um fungo na amostra o que provavelmente evidencia uma infecção: candidíase.

Saiba mais em:

O que significa atrofia com inflamação no resultado do preventivo?

Fiz exame preventivo e o resultado deu: cocos. O que significa?

O que significa lactobacillus sp no preventivo?

O que significa lactobacillus sp no preventivo?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Lactobacillus sp no resultado do preventivo é considerado um achado normal e não é sinal de infecção. Os lactobacillus sp são bactérias que fazem parte da flora vaginal e, juntamente com outras bactérias, constituem um mecanismo de defesa natural contra micro-organismos causadores de doenças.

Os lactobacillus sp contrabalanceiam a proliferação de fungos, bactérias e outros micro-organismos no interior da vagina. Quando, por alguma razão, o desequilíbrio da microbiota vaginal é alterado, os micro-organismos patogênicos se proliferam, causando infecções.

Dentre os agentes infecciosos estão a Gardnerella vaginalis e a Candida sp. A Gardnerella vaginalis é uma bactéria que está presente naturalmente em pouca quantidade na flora vaginal da maioria as mulheres. Já a Candida é um fungo.

Quando há algum desequilíbrio dessa flora, a Gardnerella pode se proliferar e causar vaginose. O mesmo ocorre com a Candida, que provoca candidíase.

Portanto, os lactobacillus sp são achados normais no papanicolau e a presença dos mesmos não caracteriza uma infecção. Contudo, a presença de sinais e sintomas, como corrimento, coceira ou odor desagradável, deve ser investigada por um médico ginecologista ou médico de família e comunidade.

Saiba mais em:

O que significa Papanicolau Classe II?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

Papanicolau classe II significa que existem alterações nas células do colo do útero, possivelmente uma inflamação vaginal causada por problemas não relacionados ao câncer (neoplasias) ou outros tumores. No entanto, os resultados do Papanicolau não são mais fornecidos baseados na classes I, II, III, IV e V.

Deste modo, o que antes se chamava de Papanicolau Classe II, atualmente é classificado como alterações benignas do colo uterino provocadas por vaginites, cervicites e infecções sexualmente transmissíveis, que têm como sintoma principal os corrimentos vaginais. Entre estas doenças, as mais comuns são:

  • Tricomoníase,
  • Candidíase,
  • Clamídia,
  • Gonorreia,
  • Vaginose bacteriana,
  • Sífilis e
  • Herpes genital.

Antes de tornar-se câncer, as células do colo do útero sofrem alterações durante um longo período. Essa fase é chamada neoplasia intra epitelial cervical (NIC), que é classificada em NIC I, II e III, conforme o grau de alterações encontradas nas células do colo do útero avaliadas por meio de biópsia efetuada durante o exame de colposcopia. Este exame é feito com um colposcópio, equipamento semelhante à um microscópio que permite visualizar as paredes da vagina e o colo do útero.

As alterações benignas do colo do útero (Papanicolau classe II) podem evoluir para o câncer?

As alterações benignas do colo do útero raramente evoluem para o câncer, em torno de 2% apenas têm este desfecho.

Entretanto, quando não tratadas adequadamente ou mesmo quando não efetuado tratamento algum, estas alterações podem evoluir para complicações como doença inflamatória pélvica e infertilidade.

Tratamento das alterações benignas do colo do útero

As inflamações que provocam as alterações benignas no colo do útero (Papanicolau classe II), são tratadas de acordo com o agente causador das infecções e com os sintomas por ele provocados.

Podem ser utilizados antibióticos ou medicamentos antifúngicos em forma cremes, ou óvulos vaginais e comprimidos orais, de acordo com a orientação médico.

É importante que mesmo com as melhoras dos sintomas, você siga o tratamento até o final. Em alguns casos, o parceiro ou parceira também deve ser tratado.

O que é o exame de Papanicolau?

O exame de Papanicolau ou citologia oncótica cervical é o exame ginecológico para identificação do câncer do colo do útero. Para isso são retiradas células do colo do útero, através de uma leve raspagem com uma espátula de madeira e uma escovinha, e analisadas em laboratório. O exame deve ser realizado uma vez por ano pelas mulheres com vida sexual, principalmente entre os 25 e os 59 anos.

O ginecologista é o médico responsável pela avaliação do exame Papanicolau, diagnóstico das alterações encontradas e orientação sobre a necessidade de repetição do exame.

Se você quer saber mais sobre o exame Papanicolau, leia:

Referências

SMITH, E.R. et al. New Biological Research and Understanding of Papanicolaou’s Test. Diagn Cytopathol, (46)6: 507-515, 2018.

Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Rio de Janeiro: INCA, 2016. 114p.

Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Brasília. Manual de Ginecologia da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Brasília. Brasília: SGOB, 2018.

Fiz exame de preventivo e o resultado foi o seguinte: ...
Dr. Charles Schwambach
Dr. Charles Schwambach
Médico

O exame quer dizer: negativo para câncer de colo do útero e demonstra a presença de uma infecção vaginal. Deve ir ao ginecologista, ou outro médico para fazer o tratamento.

Quanto tempo ficar sem manter relação antes do preventivo?
Dr. Charles Schwambach
Dr. Charles Schwambach
Médico

Precisa ficar pelo menos 3 dias sem ter relações antes de fazer o preventivo, o motivo é que a relação pode dificultar a coleta do material (lá dentro vai haver coisas que não são suas...) e pode interferir no resultado do exame.

No preventivo, o que significa esfregaço eutrófico?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

No preventivo, esfregaço eutrófico significa que as células apresentam desenvolvimento dentro da normalidade, ou seja, recebem estímulos suficientes dos hormônios sexuais femininos. Se a mulher estiver na menopausa, o resultado considerado normal é "esfregaço hipotrófico".

O esfregaço eutrófico e o hipotrófico são esperados dentro de um resultado de preventivo considerado normal. Ambos fazem parte da avaliação hormonal no exame preventivo do câncer de colo de útero (papanicolau).

Esfregaço é uma camada fina de um líquido orgânico recolhido no exame, que é colocada sobre uma lâmina de vidro para ser examinada ao microscópio.

O resultado do exame preventivo deve ser avaliado pelo médico de família ou ginecologista.

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Grávida pode fazer papanicolau?
Dr. Ivan Ferreira
Dr. Ivan Ferreira
Médico

Sim, a grávida pode fazer Papanicolau, que é um exame importante para identificar alterações na parte do útero que fica dentro da vagina (colo do útero) e que podem ser causadas por infecções como candidíase, tricomoníase, HPV (papiloma vírus humano) ou mesmo câncer.

Na gravidez, o Papanicolau pode ser pedido caso o último exame realizado tenha sido há mais de três anos ou se o médico considerar necessário.

Durante realização do Papanicolau o médico faz uma raspagem suave no colo e na entrada do útero a fim de retirar algumas células para serem analisadas no laboratório. Esse procedimento pode provocar uma cólica leve e um pequeno sangramento, que são considerados normais e não devem ser motivo de pânico. No entanto, se o sangramento for maior ou se houver dúvidas sobre qualquer mal-estar após o exame ou durante a gravidez, deve-se procurar um serviço médico obstétrico.

O obstetra é o médico indicado para orientar a realização dos exames durante a gravidez.

Quantos dias depois da menstruação posso fazer o preventivo?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

A mulher pode fazer o exame preventivo logo após terminar a menstruação.

O sangramento pode dificultar a coleta do material por parte do profissional de saúde, por isso é bom realizar o teste fora do período menstrual.

Relações sexuais, duchas íntimas, absorvente interno, medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais podem reduzir a quantidade de células locais, mas não diminui a capacidade de detectar alterações provocadas pelo câncer do colo do útero.

O exame preventivo pode ser feito gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nas Unidades de Saúde da Família (USF) por enfermeiros e médicos.

Feridas na região íntima
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

A presença de feridas na região íntima, seja na virilha, vulva ou vagina pode ter diferentes causas. Feridas, cortes e machucados leves podem ser causados por situações cotidianas como depilação, relação sexual, uso de tampões ou coletores menstruais.

A presença de fissuras vaginais também pode ocorrer devido a oscilações hormonais, e diminuição da lubrificação vaginal. Na menopausa, por exemplo, a queda dos níveis de estrogênio podem causar secura vaginal, fazendo com que lesões na região genital possam tornar-se mais frequentes, inclusive após o ato sexual.

Algumas medidas de cuidados importantes para a resolução e cicatrização dos ferimentos, em qualquer situação, são:

  • Lavar a área com água morna uma ou duas vezes por dia;
  • Evitar usar sabonetes perfumados, pois isso pode afetar o delicado equilíbrio do pH da sua vagina;
  • Após o banho secar a região íntima com cuidado, vista-se quando estiver totalmente seca;
  • Usar roupas íntimas de algodão e roupas leves e soltas até curar;
  • Evite relações sexuais durante o tratamento, se tiver relações use preservativo.

Lesões leves na região genital podem melhorar com o decorrer do tempo sem a necessidade de um tratamento específico. As escoriações causadas pelo ato sexual costumam ser leves e melhoram espontaneamente.

Quando se usa cremes ou pomadas para tratar feridas na região íntima?

O uso de pomadas ou cremes pode estar indicado, dependendo da causa do ferimento na região íntima. Algumas condições que podem levar ao uso de cremes e pomadas são:

Foliculite

A inflamação e infecção em pelos da região íntima, chamada de foliculite, causada pela depilação, pode melhorar apenas com a higiene habitual e realização de compressas mornas no local.

Nas infecções de origem bacteriana, o uso de pomadas contendo antibióticos pode ajudar, algumas pomadas comumente utilizadas são clindamicina, Nebacetin, Mupirocina, entre outras.

Leia mais em: Existe algum tratamento para foliculite?

Secura vaginal

Em situações em que a ferida na região íntima é causada por secura vaginal o uso de cremes lubrificantes pode causar alivio e prevenir o aparecimento de lesões. Em mulheres após a menopausa que apresentam atrofia genital, o uso de cremes contendo estrógenos, como o Estriol, é eficaz em aliviar os sintomas.

Candidíase

Já quando as feridas têm origem em infecções fúngicas como é o caso da candidíase vulvovaginal o tratamento pode ser feito com cremes vaginais que contém antifúngicos como o miconazol, a nistatina e o clotrimazol.

Reações alérgicas e dermatite

Uma situação muito frequente é a ocorrência de reações alérgicas na região da vulva e da vagina, que pode ser provocada por cosméticos, produtos de depilação ou mesmo alguns tecidos que causam vermelhidão, coceira e desconforto levando a um quadro de dermatite.

Nessa situação é essencial evitar o produto causador de alergias e hidratar bem a pele. Em situações de dermatites mais extensas o uso de pomadas contendo corticoides pode estar indicado.

Doenças crônicas da pele

Algumas doenças podem afetar a pele da vulva e períneo, causando lesões e escoriações, como:

  • Psoríase;
  • Líquen plano;
  • Líquen escleroso;
  • Eczema.

Nessa situação um médico deve ser consultado para implementar o melhor tratamento, que também pode envolver o uso de cremes contendo corticoesteroides ou outras substâncias.

Quando devo procurar um médico?

Em muitos casos pequenos cortes ou ferimentos melhoram em alguns dias se forem tomados cuidados de higiene locais. Entretanto, em algumas situações, é importante procurar um médico para uma avaliação. Consulte um médico de família ou ginecologista, se apresentar:

  • Feridas que sangram em grande quantidade;
  • Dor intensa na região genital;
  • Feridas de grandes dimensões, profundas ou numerosas;
  • Feridas com pus;
  • Feridas com bordas ásperas;
  • Corrimento abundante;
  • Apresentar uma ferida ulcerada e indolor;
  • Ferimentos que pioram no decorrer dos dias;
  • Preocupação excessiva com a ferida.

Também pode ser do seu interesse:

Forte odor e queimor na vagina, o que pode ser?

Pomadas para feridas nas partes íntimas: qual devo usar?

Referências

FEBRASGO - Manual de Orientação em Trato Genital Inferior e Colposcopia. 2010.

Feridas na região entre o ânus e a vagina o que pode ser?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

A presença de feridas na região entre o ânus e a vagina (chamado períneo), pode representar uma infecção sexualmente transmissível (IST), causada pelo Papilomavírus humano (HPV).

No entanto, pode ainda representar uma alergia, outras infecções sexualmente transmissíveis, como o herpes, sífilis; infecção de pele, ou mais raramente, um tumor.

A avaliação médica e análise das feridas, as suas características e história, ou seja, quando começou, se sente ardência, coceira, secreção ou mau cheiro, são dados essenciais para identificar esse problema.

Causas de feridas no períneo feminino

A região perineal da mulher (que engloba toda a região da vagina e ânus), é uma região pequena, por isso os órgãos estão sempre próximos, o que permite a troca de secreções e maior risco de infecções e formação de feridas.

Podemos citar como doenças comuns nessa região, e que causam feridas, as seguintes:

1. HPV (Papilomavírus Humano)

O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns, e como está relacionada ao maior risco de outras doenças, como o câncer de colo de útero, é fundamental essa investigação e tratamento.

No HPV, a mulher pode não ter sintomas, e aparecerem apenas as feridas, como verrugas, na região da vagina, períneo ou ânus. Mas pode também apresentar coceira no local e desconforto nas relações.

As feridas podem aparecer e desaparecer espontaneamente, mas devem ser tratadas para evitar complicações. Procure um ginecologista para avaliação, mesmo que não cause qualquer sintoma.

2. Herpes

Na herpes, as feridas são pequenas bolhas na região do períneo, caracterizadas por bolhas agrupadas, com líquido em seu interior, que causam sintomas de coceira e ardência local.

3. Sífilis

A sífilis se apresenta com uma ferida única, indolor e secretiva. Tem uma base endurecida, lisa e com aspecto brilhante. A ferida costuma desaparecer após 3 a 6 semanas, o que dificulta o tratamento precoce.

Trata-se de mais uma doença que pode permanecer "escondida" no organismo, o que parece não fazer mal, porém quando retorna causa grandes problemas. A sífilis pode evoluir com doença neurológica, após anos de incubação (período que não causa nenhum sintoma).

Portanto, mesmo que não cause sintomas, o aparecimento de uma lesão ou ferida nessa região, deve ser informado ao médico que o acompanha, para definir os exames que devem ser realizados.

4. Alergia

A alergia, seja a um sabonete inadequado para a higiene íntima, ou tecido da roupa, pode desencadear feridas, que tem como características as queixas de pequenas bolinhas, vermelhidão, coceira e ardência. Ao exame, é possível ver uma vermelhidão e por vezes feridas em alto-relevo.

5. Infecção de pele

Nos casos de infecção de pele, formação de um abscesso ou folicute (inflamação de pelo "encravado"), as queixas são de ferida localizada, dolorosa, presença de calor e vermelhidão local, secreção purulenta e mau cheiro.

As infecções de pele geralmente está associada a um "cabelo inflamado" ou machucado por depilação, por exemplo, que se tornou uma porta de entrada para a bactéria e consequentemente a infecção. Pode ocorrer também em pessoas que fazem uso de roupas apertadas, por períodos prolongados.

6. Tumor

Os tumores nessa região são mais raros, mas podem acontecer. Os sintomas são variados e pode haver queixa de cansaço, perda de apetite e perda de peso, associados.

O médico responsável por essa avaliação e conduta, é o ginecologista.

O diagnóstico das feridas e planejamento do melhor tratamento, só pode ser feito após a avaliação médica.

Enquanto aguarda a consulta, recomendamos manter a higiene local com sabonete específico para a higiene íntima, ou limpar apenas com água corrente. Evitar roupas apertadas ou muito quentes e evitar o contato íntimo.

No caso de perda de peso, febre ou mal-estar, procure um atendimento de urgência médica para avaliação e orientações.

Saiba mais sobre a infecção pelo HPV, causa mais frequente de feridas no períneo, no seguinte artigo: Como é feito o diagnóstico do HPV?

Referência:

FEBRASGO - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia

Ministério da Saúde (Brasil)

Fiz exame preventivo e o resultado deu: cocos. O que significa?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

O resultado do exame preventivo que diz "Cocos: bacilos supracitoplasmáticos sugestivos de gardnerellas mobiluncus negativo para neoplasia" significa uma provável Vaginose bacteriana (infecção vaginal) por gardnerella.

As vaginoses, ou infecções na vagina, são causadas por um aumento exagerado da população de bactérias presentes normalmente na flora vaginal. Dentre elas, a gardnerella vaginalis é a bactéria que mais causa vaginose bacteriana.

Embora não seja considerada uma doença sexualmente transmissível, visto que a bactéria já existe na flora vaginal, a infecção pode ser transmitida para o parceiro durante a relação sexual. Por isso deve ser evitada até conclusão do tratamento.

Analisando o seu resultado

O exame preventivo é indicado para prevenção ou detecção precoce de câncer de colo de útero, além disso, tem a capacidade de avaliar a flora vaginal, as proporções das bactérias naturais da flora e presença de micro-organismos prejudiciais à saúde da mulher.

A presença de bacilos supra citoplasmáticos sugestivos de gardnerellas mobiluncus, sugere uma infecção causada por essa bactéria. Porém é fundamental levar o exame para o médico que o solicitou, porque o diagnóstico só poderá ser confirmado, junto ao seu exame clínico, ginecológico e laboratorial realizado pelo médico.

Todavia, o resultado negativo para neoplasia, descarta a presença de células precursoras de câncer de colo de útero.

Como é feito o tratamento da Vaginose bacteriana por gardnerella?

O tratamento para esses casos se baseia no uso de antibióticos, orais ou tópicos. Ainda, orientações para prevenção da recorrência desta doença.

O medicamento mais indicado é o metronidazol®, oral ou creme vaginal.

A prescrição é definida caso a caso; quando for oral a dose é de 500 mg - 2x ao dia durante 7 dias; quando tópico, uma aplicação ao dia por 5 a 7 dias consecutivos. Outras opções de tratamento são o uso de clindamicina®, secnidazol® ou tinidazol®.

Todos os antibióticos são medicamentos que necessitam de receita controlada, por isso só o médico poderá prescrever.

Algumas mulheres apresentam recorrência da doença, devendo sempre manter um acompanhamento adequado e seguir as orientações de prevenção, que são principalmente:

Manter higiene íntima adequada, evitar roupas muito apertadas ou tecidos quentes, manter estilo de vida saudável, com prática regular de atividades físicas, alimentação equilibrada, reduzir consumo de açúcar e bebidas alcoólicas.

Para confirmar seu diagnóstico e iniciar o tratamento o mais breve possível, agende uma consulta com médico/a clínico geral, médico/a da família ou ginecologista.