Perguntar
Fechar
Como é feito o diagnóstico da doença de Alzheimer?
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Médico

O diagnóstico do mal de Alzheimer pode ser feito clinicamente ou através de biópsia cerebral (raríssimos casos). O diagnóstico clínico tem os seguintes critérios:

  • Demência atestada pelo exame clínico e por testes padronizados, como o mini-mental;
  • Déficit em duas ou mais áreas cognitivas (memória, linguagem, raciocínio, concentração, juízo, pensamento, etc.);
  • Déficits cognitivos com piora progressiva;
  • Início depois dos 40 anos e antes dos 90 anos de idade;
  • Não apresentar outra doença neurológica ou sistêmica que cause déficits cognitivos.

Os critérios acima conseguem identificar corretamente a doença de Alzheimer em até 90% dos casos.

O diagnóstico definitivo da doença de Alzheimer é confirmado através de biópsia do tecido cerebral, sendo por isso raramente realizado.

Análises de sangue e exames de imagens (tomografia computadorizada, ressonância magnética) auxiliam no despiste de outras causas de demência, mas não são capazes de estabelecer o diagnóstico de doença de Alzheimer.

Em caso de suspeita de Doença de Alzheimer (você ou um familiar/amigo), um médico (preferencialmente um geriatra) deverá ser consultado.

Ele poderá avaliar detalhadamente, através de anamnese, exame físico e eventuais exames complementares, se este é realmente seu diagnóstico, orientá-lo e prescrever o melhor tratamento, caso a caso.

Quais os fatores de risco para a doença de Alzheimer?
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Médico

Dentre os fatores de risco para a doença de Alzheimer, a idade avançada é o maior. Após os 65 anos, a chance de se desenvolver Alzheimer dobra a cada cinco anos, fazendo com que 40% das pessoas acima de 85 anos tenham a doença.

Raramente, o mal de Alzheimer surge antes dos 60 anos de idade. Curiosamente, os pacientes que chegam aos 90 anos sem sinais da doença apresentam menor risco de desenvolvê-la posteriormente.

Outro fator de risco importante, além da idade, é a história familiar. Pessoas com familiares de primeiro grau com Alzheimer apresentam maior risco de também tê-lo, evidenciando um papel importante da carga genética.

Além disso, o mal de Alzheimer é duas vezes mais comum em negros do que em brancos e mais comum em mulheres do que em homens.

Alguns outros fatores também parecem aumentar os riscos de desenvolvimento do Alzheimer, entre eles:

  • Sedentarismo;
  • Tabagismo;
  • Hipertensão arterial;  
  • Colesterol e/ou triglicerídeos elevados;
  • Diabetes mellitus;
  • Depressão após os 50 anos de idade.

Também pode lhe interessar: Demência: o que é, como identificar e tratar?

Vale a pena mencionar que algumas evidências apontam que indivíduos com maior grau de escolaridade e/ou que exercem trabalhos intelectualmente estimulantes durante a vida (professores, escritores, cientistas, médicos, artistas, etc.) têm certa proteção contra a doença. A leitura frequente, assim como a interação social e ouvir música também previnem o mal de Alzheimer, até certo ponto.

Em caso de suspeita de Doença de Alzheimer (você ou um familiar/amigo), um médico (preferencialmente um geriatra) deverá ser consultado. Ele poderá avaliar detalhadamente, através de anamnese, exame físico e eventuais exames complementares, se este é realmente seu diagnóstico, orientá-lo e prescrever o melhor tratamento, caso a caso.

O que é sarcopenia e quais os sintomas?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Sarcopenia é uma síndrome que ocorre em idosos, caracterizada pela perda progressiva e generalizada da massa e da força muscular. Essa síndrome é uma condição crônica associada ao processo fisiológico do envelhecimento. Com a redução da massa muscular, o músculo perde a habilidade de desempenhar suas funções habituais, causando debilidade física, baixa qualidade de vida e, nos casos mais graves, morte.

A perda de massa muscular ocorre devido às alterações hormonais e ao declínio das capacidades de regeneração muscular e produção de proteínas pelo organismo. O processo começa a partir dos 40 anos de idade e vai se agravando com o tempo.

Portanto, é natural que com o passar dos anos, sobretudo a partir dos 40 anos, a pessoa perca músculos progressivamente. Contudo, na sarcopenia, essa perda de massa muscular torna-se perigosamente acentuada.

A redução da massa magra provoca perda de força, da mobilidade e da performance física. A diminuição da força muscular e da mobilidade ocorre principalmente nos braços e nas pernas.

No Brasil, a sarcopenia está presente em cerca de 15% das pessoas com até 79 anos e em 45% daquelas com mais de 80 anos de idade. Nas mulheres, essa condição se agrava com a aproximação da menopausa.

Quais são os sintomas da sarcopenia?

Os sinais e sintomas que caracterizam a sarcopenia são a perda de massa muscular (diminuição de volume dos músculos), a diminuição da força muscular e a queda da performance física.

Assim, os sintomas da sarcopenia incluem sensação de peso ou rigidez nos membros, mudança na forma de andar com redução da velocidade dos passos, incapacidade de subir escadas, pentear os cabelos e realizar qualquer atividade que envolva o uso muscular.

A diminuição do volume muscular aumenta os riscos de osteoporose, quedas e pode prejudicar ainda a coluna e as articulações, que têm que suportar mais carga com menos músculos. Nos casos mais avançados, a sarcopenia pode causar ainda dificuldade respiratória, levando à morte.

Vale ressaltar que a perda de massa muscular observada na sarcopenia nem sempre se reflete na balança. Isso significa que a pessoa pode estar com o mesmo peso, mas está perdendo músculos e ganhando gordura.

O diagnóstico da sarcopenia é feito através da avaliação do Índice de Massa Corporal (IMC), da Circunferência da Panturrilha (CP) e da velocidade da marcha. Há ainda exames mais precisos, capazes de medir com maior precisão a quantidade de músculos, gordura e ossos no corpo.

Sarcopenia em jovens, é possível?

Sim. Apesar da sarcopenia ser observada maioritariamente em idosos, ela também pode ocorrer em adultos jovens. Isso ocorre principalmente em pessoas com demência, desnutrição, dificuldades com a alimentação, mobilidade reduzida, osteoporose ou ainda outras doenças que interferem direta ou indiretamente com a regeneração e degradação dos músculos.

Quando relacionada com a idade, a sarcopenia é classificada como primária. Nos casos em que está associada a outras doenças e condições, ela é considerada secundária.

Qual é o tratamento para sarcopenia?

O tratamento da sarcopenia é feito com dieta adequada, suplementação com proteínas (quando necessário) e prática de exercícios físicos.

Para retardar a perda de massa muscular e combater a sarcopenia, é importante ter uma dieta balanceada, com as doses certas dos nutrientes, sobretudo proteínas, que são a matéria prima usada pelo organismo para produzir e regenerar os músculos.

Os carboidratos também são essenciais, pois são fonte de energia. Uma alimentação pobre em carboidratos obriga o corpo a ir buscar nas proteínas dos músculos a energia de que precisa, levando à perda de massa magra.

Os exercícios físicos são fundamentais, especialmente os de fortalecimento muscular, como a musculação. Vale lembrar que as cargas não precisam ser muito muito grandes. Mais importante é realizar os exercícios regularmente, ao longo dos anos, com cargas médias.

O tratamento da sarcopenia é multidisciplinar e envolve médicos ortopedista, fisiatra e geriatra, fisioterapeuta, educador físico e nutricionista.

Meu avô tem dores e dormência em mãos, o que pode ser? Ele deve consultar algum especialista?
Dr. Charles Schwambach
Dr. Charles Schwambach
Médico

Dor e dormência em extremidades em pessoas idosas pode ser neurológico ou vascular, tudo depende do restante da história dele. Procurem um clínico geral ou um geriatra.

O que fazer quando a pessoa não que se tratar?
Dr. Charles Schwambach
Dr. Charles Schwambach
Médico

O paciente e sua família (salvo sob condição judicial) tem pleno direito e liberdade de escolher o que fazer com sua própria saúde e cabe aos médicos e as outras pessoas respeitarem esse direito, mesmo que isso possa levar a um desfecho infeliz. Ninguém pode obrigar o seu pai a fazer algo que ele não queira, por mais difícil que isso seja para você da família assistir a essa situação, que sabemos onde vai chegar, você precisa respeitar a vontade dele.

Batata Yacon é bom para quem tem diabetes? Quais os riscos do seu consumo?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

A batata yacon (Smallanthus sonchifolius) possui propriedades que auxiliam no controle dos níveis de glicose no sangue e na redução de peso, por isso sim, é bom para pessoas diabéticas. Entretanto é importante deixar claro que o alimento sozinho não é capaz de tantos benefícios como alguns descrevem.

A batata é um alimento proveniente dos Andes, e hoje já amplamente produzido no Brasil, rica em um carboidrato chamado inulina, água e potássio. Tem como benefícios a regulação do trânsito intestinal, a menor absorção de glicose pelo intestino e o maior estímulo da flora intestinal, que juntos promovem a saciedade e melhor controle da glicemia.

Seu sabor é levemente adocicado e a consistência semelhante a uma pera. Para que suas propriedades sejam mais bem aproveitadas pelo organismo, ela deve ser consumida em saladas, sucos ou mesmo na forma crua, bem lavada e em condições adequadas de conservação.

Contudo, como dito no início do artigo, em pessoas diabéticas, o tratamento deve ser sempre multidisciplinar. Não basta apenas um dieta equilibrada. A associação de dieta, com atividades físicas regulares e uso correto das medicações prescritas, são essenciais para uma glicemia satisfatória e redução dos riscos de complicações, inerentes à doença.

Batata yacon e controle do diabetes Batata Yacon

O carboidrato denominado inulina, presente na batata yacon, possui um valor calórico muito baixo e absorção lenta. Isto faz com que os níveis de glicose no sangue não se elevem rapidamente, o que ajuda equilibrar a glicemia (concentração de glicose no sangue).

Embora seja benéfica para pessoas com diabetes, o consumo da batata yacon não deve substituir nenhum medicamento e o paciente deve seguir as orientações médicas para controlar a doença.

Chá das folhas de batata yacon e controle do diabetes

O efeito de controle de glicemia por meio da ingestão do chá das folhas de batata yacon ainda não foi comprovado em seres humanos. O chá foi testado em camundongos nos quais teve ação hipoglicemiante (redução do açúcar no sangue) como efeito secundário a um aumento da secreção de insulina pelo pâncreas. Uma outra pesquisa realizada com ratos na China demonstrou que parte dos efeitos de diminuição da glicose sanguínea se deve à redução da absorção de glicose no intestino.

O número de estudos que testaram a ação hipoglicemiante do chá das folhas de batata yacon ainda é bastante reduzido e, além disso não há testes feitos em seres humanos, o que impossibilita afirmação sobre as propriedades da planta.

Riscos do uso das folhas de chá de batata yacon

Pesquisas desenvolvidas na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP de Ribeirão Preto mostraram que a ingestão diária de altas doses de chá das folhas de yacon podem provocar efeitos colaterais graves, como lesões renais, com tempo prolongado de uso. Os experimentos que revelaram estes resultados foram efetuados com ratos que ingeriram doses de chá de batata yacon durante 90 dias.

A dose que desencadeou a lesão nos rins dos animais foi equivalente a três xícaras de chá consumidas diariamente por uma pessoa de 70 quilos, aproximadamente.

O que demostra, que embora não terem sido efetuados testes em seres humanos, é preciso ter cautela no uso de chá das folhas de batata yacon uma vez que também ainda não há evidência científicas de seus benefícios.

Se você é diabético, não substitua o medicamento para controle de sua glicemia por alimentos. Para usufruir dos benefícios da batata yacon como hipoglicemiante, este alimento precisa ser inserido em um plano alimentar balanceado.

Procure um/a nutricionista para o planejamento de uma rotina alimentar saudável e segura ao seu caso.

Leia também

5 alimentos que ajudam a controlar a diabetes

Que cuidados com a alimentação deve ter uma pessoa diabética?

Quem tem diabetes deve evitar comer o quê?