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Para que serve a contagem das plaquetas e como entender os resultados?

Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

A contagem de plaquetas é utilizada para avaliar a coagulação sanguínea. As plaquetas são as células do sangue, responsáveis por dar início ao processo de coagulação.

O resultado do exame, considerado normal, é o valor de plaquetas entre 150.000 e 450.000 mm³ de sangue, encontrado no exame de sangue, o hemograma, tanto para adultos quanto para crianças.

Um valor abaixo ou acima dessa faixa é considerada anormal, por isso, deve ser investigado. Conheça um pouco mais sobre as alterações nas plaquetas e o que pode ser feito em cada caso, no seguimento desse artigo.

Trombocitose (plaquetas altas)

As plaquetas altas, acima de 450 mil por mm³ de sangue, recebe o nome de trombocitose. Essa condição preocupa porque uma grande quantidade de plaquetas juntas podem dar origem aos coágulos sanguíneos, conhecidos por "trombos". Os trombos, dependendo do seu tamanho, podem obstruir o vaso, impedindo a passagem do sangue, dando origem a doenças graves como trombose e embolia pulmonar, condições que podem levar à morte.

As causas mais frequentes de trombocitose são:

  • Anemia hemolítica;
  • Deficiência de ferro;
  • Infecções, grandes cirurgias ou traumatismos;
  • Policitemia Vera;
  • Câncer;
  • Uso de certos medicamentos;
  • Doença da medula óssea (neoplasia mieloproliferativa);
  • Retirada do baço.

O tratamento da trombocitose depende da causa e pode incluir o uso de medicamentos e outros procedimentos médicos. No caso de plaquetas altas, procure o hematologista para avaliar o seu caso.

Pancitopenia (plaquetas baixas)

As plaquetas baixas, ou seja, abaixo de 150 mil por mm³ de sangue, é chamada pancitopenia ou trombocitopenia. Essa condição também causa preocupação, porque aumenta o risco de sangramentos.

A queda das plaquetas pode ocorrer por dois mecanismos principais: pela produção baixa dessa célula, ou pela sua destruição acelerada ou precoce. As causas mais frequentes são:

  • Púrpura trombocitopênica idiopática ou Trombocitopenia imune primária (PTI),
  • Gravidez,
  • Infecções virais e bacterianas (ex.: dengue, febre amarela, hepatite C, HIV)
  • Uso de certos medicamentos (heparina, ampicilina, cimetidina, ibuprofeno, naproxeno, entre outros),
  • Doença crônica do fígado, como a cirrose,
  • Alcoolismo,
  • Carência de vitaminas (folato e B12)
  • Doenças da medula óssea (anemia aplástica, câncer, leucemia),
  • Doenças reumatológicas (lúpus, artrite reumatoide),
  • Quimioterapia e radioterapia.

O tratamento mais uma vez irá depender da causa, e nem sempre existe algo a fazer. Por exemplo, na gravidez é preciso acompanhar e orientar quanto a alimentação, mas, em geral, a contagem se normaliza após o nascimento do bebê, espontaneamente.

Na PTI, com sinais de gravidade, pode ser indicado o uso de corticoides e imunoglobulina. O câncer possui um protocolo de tratamento mais específico, determinada pelo oncologista.

Cabe ao especialista, hematologista ou oncologista, definir a melhor opção, caso a caso.

O que pode alterar as plaquetas?

Diversas situações podem alterar as plaquetas sem, necessariamente, significar uma doença. Entretanto, em alguns casos, essas alterações podem ser bastante perigosas para a saúde, como, por exemplo, a púrpura trombocitopênica imune (PTI) ou a policitemia vera.

Sendo assim, se perceber que tem dificuldade para parar um sangramento, se apresenta sangramentos espontâneos sem motivo aparente ou manchas roxas pelo corpo, mesmo sem sofrer pancadas, procure um hematologista para avaliar com mais cuidado esses sintomas.

Quando devo me preocupar?

Sempre que houver alteração nas plaquetas, é preciso avaliar junto com médico de família ou hematologista, no entanto, alguns sinais e sintomas indicam necessidade de avaliação de urgência, como:

  • Sangramento de difícil controle,
  • Contagem de plaquetas abaixo de 50.000,
  • Plaquetopenia na gravidez,
  • Sangramento espontâneo, sem motivo aparente;
  • Sangramento com presença de manchas roxas pelo corpo;
  • Sangramento associado a febre, falta de ar ou cansaço extremo.

Conheça mais sobre esse assunto nos artigos:

Quais são os sintomas de plaquetas baixas?

Plaquetas altas e baixas: o que pode ser e quais os sintomas?

Referência:

Charles S Abrams, et al.; Platelet biology. UpToDate: Jul 10, 2019.

Donald M Arnold, et al.; Approach to the adult with unexplained thrombocytopenia. UpTodate: Jul 19, 2019.