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Que doenças podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gravidez e amamentação?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

São várias as doenças que podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gravidez e a amamentação, como sífilis, HIV, toxoplasmose, rubéola, entre outras.

Durante a gestação, a transmissão pode ocorrer devido à permeabilidade da placenta a esses agentes infecciosos, dependendo do trimestre da gravidez, do tipo de agente infeccioso e do estado imunológico da mãe. A transmissão de doenças pela amamentação já é bem menos comum, mas pode ocorrer.

Algumas doenças que podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gravidez:

  • Rubéola: Se for adquirida pela mãe no 1º trimestre de gravidez, o feto corre sérios riscos de malformações que podem causar surdez, atraso no crescimento intrauterino, problemas cardíacos e oculares. Há também risco elevado de aborto e parto prematuro. A principal forma de prevenir é através da vacinação que pode ser feita antes da gravidez, já que a vacina é contraindicada em gestantes. Atualmente o Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento da rubéola em mulheres assintomáticas durante o pré-natal. Caso a grávida nunca tenha tido a doença e não tenha sido vacina a tempo deve evitar o contato com pessoas infectadas. 
  • Sífilis: Causada por uma bactéria, pode provocar malformações fetais como surdez, hidrocefalia, anomalias nos dentes e nos ossos, além de aumentar o risco de parto prematuro ou abortamento. Cerca de 40% dos fetos infectados morrem ainda no útero. Mesmo nos recém-nascidos, em 40% dos casos a saúde do bebê é gravemente prejudicada, ao ponto de poder levar ao óbito. O exame para detecção de sífilis faz parte da rotina de pré-natal e é importante que seja realizado já que a Sífilis pode passar despercebida nas suas fases iniciais.
  • Toxoplasmose: A doença é adquirida pelo ingestão de carne mal passada, ovos crus, frutas e vegetais mal lavados e leite não pasteurizado ou fervido, contaminados com o parasita que está presente em fezes de gatos. Há 40% de chance da mãe infectar o bebê, o que pode causar problemas no coração, cérebro, olhos, fígado e no desenvolvimento fetal. A longo prazo, o bebê pode apresentar retardo mental, surdez e cegueira; 
  • HIV: O risco de uma mãe portadora do HIV infectar o bebê durante a gravidez é de 25%. No entanto, com o uso dos medicamentos antivirais e acompanhamento médico, esse risco cai para 1%, por isso é importante a realização do exame durante a realização do pré-natal, já que através do uso da medicação é possível reduzir a chance de contaminação do bebê.
  • HPV: O Papilomavírus Humano pode ser transmitido ao bebê durante a gestação e o parto, contudo a frequência de transmissão é relativamente baixa (2,8%). Quando a criança adquire o HPV pode apresentar defeitos renais e mais raramente o HPV pode levar a presença de lesões verrucosas na criança, aborto ou parto prematuro. Sabe-se que o tratamento das lesões ou a escolha da via de parto cesárea não diminui o risco de infecção da criança, portanto o ideal é prevenir o HPV e tratar as lesões antes da gestação.
  • Hepatite B: A presença do vírus no corpo da grávida representa risco de 50% de transmissão para o feto. A mãe também pode transmitir o vírus da hepatite B ao bebê durante o nascimento. A doença causa inflamação crônica do fígado e favorece partos prematuros. A principal forma de prevenção da hepatite B é através da vacinação que pode ser realizada antes ou durante a gestação, lembrando que mulheres que possuem o esquema vacinal incompleto (menos de 3 doses da vacina) podem completá-lo durante o pré-natal.
  • Herpes: Afeta pele, olhos e boca, na maioria dos casos. Se não for devidamente tratado logo na primeira semana, o quadro se agrava, podendo haver comprometimento do cérebro, músculos, fígado e sangue, além de prejudicar a respiração, aumentando o risco de morte.

As doenças que podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a amamentação são:

  • HIV;
  • HTLV-1 e HTLV-2: Vírus da família do HIV. O HTLV-1 está associado a leucemia, paraparesia espástica tropical (doença neurológica) e algumas raras manifestações inflamatórias. É provável que a infecção pelo HTLV-2 não cause doenças (veja também: O que é HTLV? Quer dizer que tenho AIDS?). A infecção por esse ;
  • Vírus Varicela-zoster: Causador da varicela (catapora) e do herpes zoster (reativação da primeira infecção), nessa situação a mãe pode amamentar, exceto se a infecção for adquirida entre 5 dias antes e 3 dias após o parto.
  • Sarampo: Pacientes com sarampo devem ser mantidos em isolamento até 7 dias depois do início das erupções cutâneas e a amamentação deve ser suspensa nesse período.
  • Herpes simples: pode amamentar, exceto se as lesões forem na mama.

Saiba mais em: Mastite na amamentação é perigoso?

Em geral, existem procedimentos básicos que ajudam a preveni-las ou tratá-las em tempo, se forem seguidos corretamente.

Por isso é muito importante a realização do pré-natal, pois pode ajudar a prevenir e tratar algumas dessas doenças, entre outros problemas que podem ocorrer na gravidez. Dessa forma reduz as taxas de mortalidade infantil e materna.

Dor no seio esquerdo e estou amamentando...
Dr. Charles Schwambach
Dr. Charles Schwambach
Médico

Sim. Mulher que amamenta pode facilmente ser acometida de mastite que são inflamações na mama. A redução no número de mamadas pode interferir.

Amamentar aumenta o apetite?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Sim, amamentar aumenta o apetite porque a produção de leite queima muitas calorias. É por isso que a amamentação auxilia no processo de redução do peso pós parto, contribuindo para que a mulher recupere o peso que tinha antes da gravidez.

Contudo, esse aumento de apetite proporcionado pela amamentação pode fazer aumentar de peso se não houver atenção com a quantidade e qualidade dos alimentos.

Por outro lado, as calorias da alimentação da mulher que amamenta devem ser reajustadas, pois o seu corpo precisa de mais energia para produzir leite.

Para aproveitar o benefício da amamentação é preciso ter uma alimentação balanceada, com cerca de 2.500 calorias por dia.

Como deve ser a alimentação durante a amamentação?

Não há uma dieta específica que deve ser seguida durante a amamentação, mas é importante que ela seja saudável e rica em nutrientes, com lanches nos intervalos entre as principais refeições e abundante em líquidos.

A alimentação deve ter:

  • Verduras;
  • Legumes;
  • Cereais;
  • Vegetais verde-escuros;
  • Carnes brancas com moderação;
  • Leite e derivados;
  • Frutas.

Saiba mais em: Qual a alimentação ideal para quem está amamentando?

Alimentos ricos em ômega 3, como peixes (sardinha, atum, salmão, arenque), sementes de linhaça, castanhas e nozes, devem ser consumidos pelo menos 2 vezes por semana.

Amamentar também aumenta a sede, pois a produção de leite requer uma grande quantidade de água. Por essa razão, recomenda-se beber pelo menos 2 litros de água por dia durante a amamentação.

Para seguir uma dieta saudável e equilibrada, que garanta os nutrientes e as calorias necessárias para a mulher que amamenta e seu bebê, o mais indicado é consultar o/a nutricionista.

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Faz mal tomar Cimelide se estiver amamentando?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Sim, faz mal tomar Cimelide® (nimesulida) se você estiver amamentando. Tomar Cimelide® durante o período da amamentação não é indicado pois pode fazer mal ao bebê. O Cimelide® é um anti-inflamatório que pode passar através do leite durante amamentação e causar problemas à saúde do bebê.

Na gravidez, não há dados adequados sobre o uso de Cimelide®. Portanto, o risco do seu uso durante a gestação não é conhecido. Por isso, se a mulher estiver grávida e precisar tomar a medicação, o/a médico/a deverá avaliar os riscos e os benefícios em tomar Cimelide®.

Para que serve o Cimelide®?

O Cimelide® tem como princípio ativo a nimesulida, um anti-inflamatório usado em diversas condições que necessitam de alguma ação contra inflamações, dor e febre.

Os efeitos do Cimelide®, como o alívio da dor, demoram cerca de 15 minutos para serem notados após a ingestão do medicamento. Nos casos de febre, os efeitos começam a ser sentidos depois de uma a duas horas do uso da medicação. Os efeitos do Cimelide® duram cerca de 6 horas.

Como tomar Cimelide®?

Os comprimidos de Cimelide ® devem ser ingeridos preferencialmente após as refeições, juntamente com meio copo de água.

Para adultos e crianças com mais de 12 anos, a dose mais indicada é de 50 mg a 100 mg, o que corresponde a meio a 1 comprimido, duas vezes ao dia.

Em casos específicos, com indicação médica, a dose pode passar para 200 mg (2 comprimidos), duas vezes ao dia.

O Cimelide ® (Nimesulida) não deve ser usado durante a amamentação pelo alto risco de causar lesão no fígado do bebê. Por isso, evite usar essa medicação e converse com o/a médico/a de família, obstetra ou pediatra durante as consultas médicas para tirar as suas dúvidas quanto ao uso de medicações.

Bebê pode ter intolerância à lactose do leite materno? O que fazer?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Não. O leite materno apesar de conter lactose é facilmente digerido pelo bebê e não é capaz de provocar intolerância. Sendo assim, o bebê que possui intolerância à lactose pode continuar a ser amamentado pelo leite materno.

A intolerância à lactose não caracteriza como uma doença, mas uma intolerância ao leite e derivados que geralmente se manifesta no período adulto ou adolescência.

A causa pode ser explicada pela ausência de uma enzima que degrada a lactose, doenças intestinais que impedem a absorção da lactose ou uma deficiência congênita da enzima. Esse último caso é uma situação bem rara e em que a intolerância pode ser identificar logo após o nascimento. A atividade da enzima lactase permanece estável e adequada nos primeiros cinco anos de vida, por isso, intolerância à lactose nessa fase inicial da infância é rara e devem ser investigada outras causas de lesão da mucosa do intestino.    

O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade é fundamental para o crescimento e fortalecimento do sistema imune do bebê. 

Posso tomar Contracep amamentando?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Pode tomar, mesmo amamentando, não vai secar seu leite.

O Contracep é um anticoncepcional injetável cuja composição é o acetato de medroxiprogesterona. Esse contraceptivo injetável é de longa duração, ou seja, fornece proteção eficaz contra a gravidez durante 3 meses e por isso, deve ser aplicado a cada 3 meses.

Por não conter estrógeno, ele é indicado para mulheres que amamentam. Ele não oferece riscos para o bebê e não atua na produção do leite materno, por isso não seca o leite.

A medroxiprogesterona atua na inibição da ovulação, e, sem a ovulação, é possível alcançar o efeito contraceptivo esperado.

Pode continuar a tomar a injeção Contracep normalmente e também continuar amamentando seu bebê. Converse sobre isso e outras dúvidas durante as consultas com o/a médico/a de família, clínico/a geral ou ginecologista.

Leia também:

Vantagens e desvantagens do anticoncepcional injetavel

Estou amamentando, posso fazer luzes no cabelo?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Sim, pode fazer luzes no cabelo enquanto estiver amamentando, desde que não utilize tintas que contenham chumbo.

As tintas que contém amônia também devem ser evitadas porque não existem estudos que comprovem a segurança do seu uso.

Alguns produtos utilizados pela mãe podem passar para a criança através do leite materno como é o caso do chumbo presente em algumas tinturas de cabelo que pode causar problemas no desenvolvimento da criança e em muitos dos seu órgãos.

O/a pediatra, o/a obstetra ou o/a médico/a de família são profissionais que podem dar orientações e tirar outras dúvidas durante a amamentação.

O que pode causar leite empedrado?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

O leite empedrado é causado pela permanência de leite no peito durante um tempo prolongado, que pode acontecer quando as mamas não são completamente esvaziadas em cada mamada.

Como resultado, o leite que sobra no ducto da mama forma caroços ou nódulos, ficando "empedrado", deixando os seios doloridos, duros ou quentes.

É uma situação bastante comum, principalmente na primeira semana após o parto, quando ocorre uma produção excessiva de leite.

Para evitar o empedramento, deve-se retirar o excesso de leite manualmente e depois colocar uma compressa fria ao redor da mama durante 3 minutos (não ultrapassar esse tempo, pois pode provocar uma reação contrária).

Veja também: O que fazer no caso de leite empedrado?

A compressa fria ajuda a reduzir a produção excessiva de leite, facilita o esvaziamento da mama e alivia a dor.

As compressas quentes podem aumentar ainda mais a produção de leite e provocar queimaduras nas mamas, por isso não devem ser usadas.

Outras formas de evitar que o leite fique empedrado:

  • Deixar que o bebê mame à vontade, sempre que ele desejar;
  • Caso as mamas estejam muito cheias, deve-se retirar o excesso de leite e oferecer o peito com maior frequência;
  • Usar sutiã de tamanho adequado, que dê um bom suporte aos seios, evita o empedramento do leite na região inferior do seio.

O melhor tratamento para o leite empedrado é a ordenha da mama. Se após 24 horas não houver melhora, você deve procurar seu/sua médico/a ginecologista, para evitar complicações como mastite ou abscessos.

Ou em caso de mama vermelha, dolorosa, e a mulher apresentar febre, deve-se procurar o médico ginecologista imediatamente. para evitar complicações como mastite ou abscessos.