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Hérnia de Hiato

O que é hérnia hiatal e quais os sintomas?
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Médico

Hérnia hiatal (hérnia de hiato) é a protusão de parte do estômago da cavidade abdominal para o tórax, através do orifício pelo qual o esôfago atravessa o diafragma para penetrar na cavidade abdominal.

É a principal causa de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). Geralmente ocorre por deslizamento do estômago para cima, pelo orifício no diafragma (95% dos casos).

Sintomas:

Muitos casos são assintomáticos, mas alguns pacientes podem apresentar:

  • Refluxo dos ácidos estomacais e conteúdo alimentar até a boca (refluxo gastroesofágico) que podem alcançar a garganta, com gosto ácido e azedo. Regurgitações frequentes podem levar a lesões erosivas dos dentes (desgaste do esmalte dentário pela diminuição do pH bucal). Em raros casos, pode provocar tosse ou náuseas/vômitos;
  • Pirose ou azia (é a sensação de queimação ou calor no peito, que normalmente irradia da parte superior do abdômen até a garganta). Costuma ocorrer depois da alimentação, quando o estômago cheio favorece o refluxo gastroesofágico. Costuma ser o sintoma mais comum nesta doença. Quando crônica, pode causar úlceras e esofagite, uma inflamação na parede do esôfago;
  • Sensação de "peso" abdominal, digestão lenta e inchaço ("empachamento") do estômago;
  • Tosse, rouquidão e asma (o refluxo de material ácido para a parte inferior da garganta pode levar em alguns casos a tosse crônica e alterações na voz). O refluxo gastroesofágico é uma das três principais causas de tosse (rinite alérgica e asma são as outras duas). Em pessoas susceptíveis, o refluxo pode desencadear crises de asma;
  • Eructações frequentes (arrotos);
  • Dor no peito (alguns pacientes apresentam dor torácica que pode lembrar a dor de um infarto, mas esta dor não tem relação com esforço e melhora com analgésicos específicos);
  • Dor de garganta (dores de garganta crônicas, sem causa aparente e sem outros sinais de infecção, como febre, podem ser sinal de doença do refluxo gastroesofágico);
  • Salivação excessiva;

incidência da hérnia hiatal é maior em obesos, idosos e multíparas (mulheres que tiveram muitos partos).

Algumas complicações da doença são:

  • Ulcerações: a esofagite grave pode levar a úlceras e erosões na parede do esôfago, causando grande desconforto;
  • Estenose do esôfago: a inflamação do esôfago pode ser tão intensa que o edema (inchaço) formado no local pode dificultar a passagem de alimentos. O paciente queixa-se de sensação de "bolo na garganta" e impactação dos alimentos ingeridos;
  • Dismotricidade esofágica: o esôfago é um órgão muscular, que através de contrações sequenciais empurra o alimento ingerido em direção ao estômago. Com a inflamação crônica causada pelo ácido estomacal e lesão de nervos e fibras musculares esofágicas, este órgão começa a apresentar dificuldades na sincronização dos movimentos, dificultando o transporte de alimentos da boca ao estômago, colaborando também para os sintomas de impactação e "bolo na garganta";
  • Esôfago de Barrett: a agressão crônica às células do esôfago pelo ácido estomacal faz com que elas sofram transformações e passem a ter características de células intestinais. A essa alteração estrutural do tecido esofagiano damos o nome de esôfago de Barrett. Essa células alteradas apresentam maior risco de transformação em câncer, (adenocarcinoma do esôfago). Portanto, um refluxo contínuo, levando à esofagite, é um fator de risco para câncer do esôfago.

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Na maioria das vezes o diagnóstico da hérnia hiatal, refluxo e a esofagite são diagnosticados pela endoscopia digestiva alta. É importante salientar que até 25% dos pacientes com refluxo podem tê-lo na forma leve, não apresentando alterações à endoscopia digestiva. Uma endoscopia normal não descarta o diagnóstico de DRGE.

O tratamento pode ser feito com simples mudanças nos hábitos de vida (vide abaixo) ou medicamentoso, na maioria dos casos. Casos mais graves podem recorrer ao tratamento cirúrgico.

Recomendações (para pacientes com o diagnóstico de hérnia hiatal ou DRGE por outra causa):

  • Evitar alimentos gordurosos, ricos em proteínas, muito condimentados e frituras, além de doces e pão branco;
  • Fazer uma dieta rica em frutas, verduras, vegetais e fibras;
  • Fazer exercícios físicos (pelo menos 40 minutos, 5 vezes por semana);
  • Evitar situações estressantes ou fadigantes;
  • Perder peso, procurando manter o índice de massa corporal (peso em quilos dividido pela altura em metros ao quadrado) igual ou menor que 25;
  • Dormir com travesseiro alto ou leve elevação da cabeceira da cama (30º);
  • Procurar não beber álcool, café ou bebidas gaseificadas;
  • Não fumar;
  • Evitar comer em excesso próximo da hora de dormir (e fazer a última refeição pelo menos duas horas antes de deitar);
  • Não usar roupas nem acessórios apertados;
  • Evitar ingerir muito líquido durante as refeições;
  • Fazer refeições menores, mais leves e mais próximas umas das outras;

Em caso de suspeita de hérnia de hiato, um médico (preferencialmente um gastroenterologista) deverá ser consultado para avaliação, diagnóstico e tratamento correto.

Leia também:

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Quais são os tipos de hérnia?

Hérnia hiatal tem cura? Qual o tratamento?
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Médico

Hérnia hiatal tem cura e o tratamento pode ser feito de três formas:

1) Mudança do estilo de vida (em casos mais leves, com poucos sintomas):

  • Evitar alimentos gordurosos, ricos em proteínas, muito condimentados ou ácidos e frituras, além de doces e pão branco;
  • Evitar situações estressantes ou fadigantes;
  • Procurar não beber álcool, café ou bebidas gaseificadas;
  • Não fumar;
  • Evitar comer em excesso próximo da hora de dormir (e fazer a última refeição pelo menos duas horas antes de deitar);
  • Não usar roupas nem acessórios apertados;
  • Evitar ingerir muito líquido durante as refeições;
  • Fazer refeições menores, mais leves e mais próximas umas das outras;
  • Fazer uma dieta rica em frutas, verduras, vegetais e fibras;
  • Fazer exercícios físicos (pelo menos 40 minutos, 5 vezes por semana);
  • Perder peso, procurando manter o índice de massa corporal (IMC) igual ou menor que 25 (veja aqui como calcular o peso ideal);
  • Dormir com travesseiro alto ou com uma leve elevação da cabeceira da cama (30º);

2) Tratamento farmacológico:

  • Indicado para pacientes que não obtêm a melhora clínica apenas com as mudanças nos hábitos;
  • É feito com antiácidos ou inibidores da bomba de prótons, que reduzem a acidez gástrica;
  • O tempo mínimo de tratamento é de oito semanas;
  • Jamais se automedique; consulte um médico em caso de sintomas de refluxo gastroesofágico.

Leia também: Hérnia pode virar câncer?

​​3) Tratamento cirúrgico, que pode ser feito via laparoscópica, indicado para:

  • Hérnias de hiato volumosas ou sintomáticas, mesmo com mudança dos hábitos de vida e tratamento clínico;​
  • Pacientes que por alguma razão (ordem pessoal, econômica, intolerância), acham-se impossibilitados de dar continuidade ao tratamento clínico. Aqui incluem-se os pacientes que têm boa resposta ao tratamento com os remédios, porém não têm boa adesão ou não fazem corretamente o tratamento;
  • Casos onde é exigido o tratamento contínuo de manutenção com medicamento para refluxo em dose adequada, especialmente em pacientes com menos de 40 anos de idade e que optam pela cirurgia; 
  • Esofagite grave, estenose de esôfago ou esôfago de Barrett (transformação das células do esôfago devido às constantes lesões na mucosa esofágica causadas pelo refluxo).

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Em caso de suspeita de hérnia de hiato, um médico (preferencialmente um gastroenterologista) deverá ser consultado para avaliação, diagnóstico e tratamento correto.

Hérnia de hiato pode causar boca amarga?

Sim, hérnia de hiato pode causar boca amarga e mau hálito devido ao refluxo dos ácidos estomacais e do conteúdo alimentar (refluxo gastroesofágico).

Os sintomas da hérnia de hiato são, na realidade, provocados pela doença do refluxo, um problema muito comum em pacientes com hérnia hiatal. Dentre os principais estão:

  • Azia persistente (sensação de queimação no esôfago, sentida desde a porção superior do abdômen até à garganta);
  • Regurgitação de ácido e restos de alimentos;
  • Dificuldade para engolir;
  • Gosto amargo na boca;
  • Mau hálito.

Outros sintomas menos frequentes são:

  • Irritação na garganta;
  • Tosse crônica;
  • Rouquidão;
  • Sensação de engasgo noturno.

É importante lembrar que o refluxo gastroesofágico pode ocorrer mesmo sem hérnia de hiato, embora esta seja a sua principal causa.

A hérnia de hiato é o deslocamento do estômago para o tórax através do hiato esofágico, um orifício que permite a passagem do esôfago do tórax para o abdômen.

Quando o refluxo é pequeno, o tratamento da hérnia de hiato pode ser clínico, através de dieta adequada, orientação postural e medicamentos específicos. Se o refluxo for intenso ou se não houver resposta ao tratamento clínico, opta-se pela cirurgia.

O diagnóstico e o tratamento da hérnia de hiato é da responsabilidade do médico gastroenterologista.

Quais são os tipos de hérnia?

Os tipos de hérnia abdominal mais frequentes são:

  • Hérnia inguinal: Ocorre na virilha e representa cerca de 75% das hérnias abdominais, sendo muito mais comum em homens. Quando diagnosticada e tratada precocemente, não traz complicações. Se a hérnia sofrer estrangulamento, necessita de cirurgia de urgência devido ao risco de infecção generalizada e morte;
  • Hérnia inguinoescrotal: Ocorre no saco escrotal, geralmente como consequência da expansão da hérnia inguinal, que invade a região dos testículos;
  • Hérnia epigástrica: Surge entre o umbigo e o tórax devido ao afastamento dos músculos abdominais. O tratamento é cirúrgico, pois esse tipo de hérnia não desaparece espontaneamente;
  • Hérnia umbilical: É mais comum em mulheres e ocorre no umbigo devido a algum defeito na cicatriz umbilical, podendo ser desencadeada principalmente por esforço excessivo, gravidez ou obesidade. O tratamento desse tipo de hérnia é cirúrgico pois há risco de estrangulamento (Leia também: Quem tem hérnia umbilical pode engravidar?);
  • Hérnia femoral: Ocorre na raiz da coxa e é muito mais frequente nas mulheres. Trata-se de um tipo de hérnia mais raro e frequentemente confundido com a hérnia inguinal pela proximidade com a virilha. Apresenta mais complicações (estrangulamento) que as hérnias inguinais e o tratamento é cirúrgico (veja também: Toda hérnia tem que ser operada?);
  • Hérnia incisional: Podem ocorrer em qualquer local do abdômen que já sofreu uma incisão cirúrgica.

Uma hérnia é o extravasamento através de uma fraqueza da parede abdominal de um órgão (geralmente uma parte do intestino) ou de um tecido gorduroso do interior do abdômen.

Se a hérnia ficar encarcerada ou estrangulada no orifício que permitiu a sua saída ela pode "estourar", podendo causar infecção generalizada e morte.

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Quais são os tipos de hérnia de disco?
  • Hérnia de disco cervical: Ocorre no pescoço, geralmente entre as vértebras C5-C6 e C6-C7;
  • Hérnia de disco lombar: Surge na região inferior das costas, geralmente entre as vértebras L4 e L5;
  • Hérnia de disco lombossacra: Ocorre na junção entre a coluna lombar e o osso sacro, entre as vértebras L5 e S1.

Uma hérnia de disco é o extravasamento do núcleo gelatinoso do disco que fica entre as vértebras da coluna, que atua como um amortecedor e facilita a mobilidade da coluna.

Saiba mais sobre hérnia de disco em: Quais os sintomas de hérnia de disco?

Hérnia inguinal: como é a cirurgia e recuperação pós operatório?
Dra. Ângela Cassol
Dra. Ângela Cassol
Médico

O tratamento de escolha para a hérnia inguinal é cirúrgico e deve ser realizado para todos os pacientes, a não ser que haja contra-indicações. 

Há duas maneiras de realizar o tratamento cirúrgico da hérnia inguinal: 1) incisão ou corte e 2) videocirurgia ("laparoscopia"). 

A técnica convencional, em que são realizados incisão, com visualização direta da cavidade abdominal, é feita com anestesia peridural (anestesia dos nervos da coluna). A operação é iniciada com um corte de cerca de 10 cm na região inguinal (da virilha).

O tamanho do corte depende de vários fatores. Quando a hérnia ocorrer dos dois lados, é necessário realizar um corte de cada lado. 

Após a localização da hérnia, a mesma é empurrada para dentro do abdômen e a abertura da parede abdominal é fechada com pontos.

Em todos os casos, exceto em crianças, uma tela é necessária para reforçar a parede abdominal e reduzir a possibilidade de recidiva da hérnia.

Esta tela é feita de um material conhecido como polipropileno, que tem uma elevada resistência e que tem uma reduzida probabilidade de rejeição do organismo. 

De forma geral, o tratamento com videocirurgia é feito com anestesia geral. Inicialmente, é injetado gás (gás carbônico) na cavidade abdominal para poder criar um espaço, onde o cirurgião poderá fazer a operação com segurança.

Após a realização de 3 orifícios de meio a um centímetro na parte de baixo de seu abdômen, uma câmera de televisão pequena é colocada na parede abdominal através de um dos furinhos para que o cirurgião e a sua equipe possam visualizar o local da hérnia em uma televisão.

Com o auxílio de instrumentos especiais (pinças, tesouras, material de sutura), a hérnia é empurrada para dentro do abdômen e o buraco na parede abdominal é fechado com uma tela.

Quando a hérnia for dos dois lados, não é necessário realizar orifícios adicionais para tratar a outra hérnia.

Veja também: Uma hérnia pode estourar?

A recuperação pós-operatória é rápida. A maioria dos pacientes fica internada no hospital somente de 12 a 24 horas e pode retornar ao trabalho e realizar todas as atividades, que não necessitem erguer muito peso, em 1 ou 2 semanas. O paciente deve seguir algumas orientações:

  • Não há restrição de dieta, contudo, nos primeiros dias, o paciente pode apresentar náuseas e vômitos, devido aos medicamentos e anestésicos recebidos.​ Se você tiver náuseas e vômitos, alimente-se somente de líquidos em pequenas quantidades de cada vez. Estes sintomas geralmente desaparecem em 1 ou 2 dias, após o organismo eliminar os medicamentos recebidos no hospital. Se as náuseas e vômitos persistirem após este período, procure o seu médico.​
  • Os cortes são fechados com pontos. É comum que ocorra hematoma ou pequenos sangramentos pelas incisões. Entretanto, se o corte tiver aparência de infecção (vermelho, com secreção de pus ou com cheiro forte), contacte o seu médico.
  • Evite ficar muito tempo deitado ou sentado e ande várias vezes ao dia. Há apenas limitação quanto a levantar peso. Você poderá erguer até 10 kg no primeiro mês de pós-operatório e até 20 kg entre o primeiro e o terceiro mês. Após este período você não tem mais limitações para erguer peso.​

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Na dúvida da presença de hérnia inguinal e para tirar dúvidas sobre o tratamento cirúrgico, deverá ser consultado um médico cirurgião geral ou gastrocirurgião.

Quantos dias após a cirurgia de hérnia inguinal posso ter relação?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Você pode ter relação sexual cerca de 10 dias depois da cirurgia de hérnia inguinal, desde que esteja bem para isso e o/a médico/a já tenha liberado outras atividades, como trabalhar e dirigir.

Grande parte dos pacientes submetidos a uma cirurgia de hérnia inguinal pode realizar qualquer atividade, que não necessite erguer muito peso ou fazer grandes esforços, dentro de uma ou duas semanas depois da operação.

Normalmente, no 1º mês de pós-operatório é permitido erguer até 10 kg, passando para 20 kg no 2º e 3º mês. Após 3 meses, em geral, não há limitações quanto a esforços e pesos.

A prática de esportes e exercícios abdominais também só são permitidos depois de 3 meses que a cirurgia de hérnia inguinal foi realizada. Porém, o tempo para voltar às atividades físicas pode variar conforme a técnica utilizada.

Geralmente a recuperação da cirurgia é bastante rápida e a maioria dos pacientes retorna as suas atividades diárias em poucos dias.

Procure o/a médico/a em caso de:

  • Náuseas e vômitos;
  • Febre a partir de 38 graus;
  • Falta de ar;
  • Tosse constante;
  • Vermelhidão e saída de secreção com pus dos pontos;
  • Sangramentos constantes nos pontos;
  • Dor abdominal;
  • Inchaço persistente.

O/a médico/a cirurgião/ã geral poderá esclarecer as suas dúvidas e dar as orientações adequadas quanto ao pós-operatório da cirurgia de hérnia inguinal.

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Fiz uma cirurgia recentemente. Quando posso beber bebida alcoólica?

O que é hérnia inguinal e quais os sintomas?
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Médico

Hérnia inguinal é o deslocamento de uma parte intestino através de uma anomalia (orifício) na parede abdominal, na virilha. Ocorrem geralmente quando o indivíduo se submete a elevadas pressões abdominais ao longo dos anos, com um gradativo aumento da fragilidade da musculatura abdominal, até que ocorre a herniação (caso da hérnia inguinal direta), geralmente através de "pontos fracos" nesta parede muscular, no umbigo (hérnia umbilical) ou nas virilhas (hérnia inguinal).

As hérnias inguinais diretas correspondem a 75% de todas as hérnias, e são 25 vezes mais comuns em homens do que em mulheres.

A hérnia inguinal indireta é mais frequente em crianças e adultos jovens, e origina-se de um defeito anatômico, congênito, em que o canal inguinal não se fechou como deveria, e é através deste canal que ocorre a herniação das alças intestinais.

Não é só a pressão provocada pelos exercícios que contraem a musculatura do abdômen. Também ocorre este aumento de pressão durante o esforço da evacuação, na hora do parto, para expulsar o feto do interior do útero, em casos de tosse crônica, ao levantar pesos, etc.

Veja aqui como saber se você tem uma hérnia.

Sintomas da Hérnia Inguinal
  • Abaulamento local;
  • Desconforto leve até dores intensas, associadas a náuseas, vômitos e mal estar generalizado. Os sintomas decorrem da constante entrada e saída do conteúdo abdominal através do defeito da parede abdominal. A dor pode piorar com o esforço na região pela tosse, evacuação, exercício ou levantamento de peso.

Os casos mais complicados são causados por encarceramento e estrangulamento. O encarceramento ocorre quando o conteúdo do abdome é mantido no interior do defeito da parede, fora da cavidade abdominal, sendo que não se verifica o regresso desse conteúdo para o local certo.

Saiba mais em: Uma hérnia pode estourar?

Frequentemente isso causa dor intensa e contínua, estufamento, distensão da barriga, paragem do funcionamento do intestino, perda de apetite, febre, enjoos e vômitos.

No caso do estrangulamento, além do encarceramento, há o intestino é prejudicado graças à falta de circulação do sangue.

O encarceramento é um caso urgente, e uma cirurgia deve ser feita rapidamente para evitar graves consequências no intestino.

Em caso de suspeita de hérnia inguinal, um médico (preferencialmente um cirurgião geral ou um cirurgião especialista em trato digestivo) deverá ser consultado.

Ele poderá lhe dar o diagnóstico correto, após anamnese, exame físico e eventuais exames complementares, orientá-lo e prescrever o tratamento mais adequado, caso a caso.

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Como é a cirurgia de hérnia hiatal?
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Médico

A cirurgia para correção de hérnia hiatal atualmente é feita por videolaparoscopia. Com uso de moderna tecnologia, a operação é realizada hoje por um método chamado laparoscopia, onde são feitos pequenos orifícios na parede abdominal, não necessitando grandes cortes e cicatrizes mínimas.

Com isso, há pouca ou nenhuma dor após a cirurgia, com internação de apenas um dia e o retorno ao trabalho pode ocorrer dentro de uma semana (até 14 dias, quando não há complicações).

A cirurgia consiste em diminuir o orifício do diafragma por onde passa o esôfago (hérnia hiatal) e construir uma válvula (fundoplicatura) que impede o refluxo.

Após a cirurgia é necessário uma dieta especial por 30 dias. No início, por dois dias, deve-se ingerir apenas alimentos mais líquidos (como água, chá, leite, suco de frutas natural, caldo de sopa, gelatina e sorvete).

Em seguida, além dos alimentos anteriores, podem ser ingeridos alimentos um pouco mais pastosos, como por exemplo: vitamina de frutas, caldo de feijão, sopa com hortaliças e carne batida no liquidificador, mingau, pudins e iogurte.​

Depois, alimentos como pão, frutas cozidas ou em compota, arroz, hortaliças cozidas, polenta mole, carne moída ou desfiada, macarrão e purê de batata. Geralmente após 30 dias pode-se comer normalmente, evitando frituras, carnes gordas e doces e temperos condimentados como: pimenta, mostarda, ketchup, etc. 

Embora a cirurgia seja considerada muito segura, nenhum procedimento cirúrgico é totalmente isento de riscos.

Apesar de raras, podem ocorrer algumas complicações após a cirurgia, como: hemorragias, lesões e infecção envolvendo a ferida, órgãos ou abdome; incapacidade de vomitar; dificuldade em engolir.​

Orientações pós-operatórias:

  • Durante três semanas ingerir apenas líquidos e pastosos (como descrito acima);
  • Ocorrerá dificuldade temporária em engolir os líquidos e alimentos;
  • No início, tome apenas líquidos em goles pequenos e devagar, se possível em pé ou sentado e nunca deitado;
  • Os pontos da pele (furinhos) serão retirados pelo seu médico em média sete dias após a cirurgia, não retirá-los por conta própria antes;
  • Evite bebidas com gás, bebidas pretas (café, chá mate, refrigerantes a base de cola), condimentos e alimentos gordurosos;
  • É comum apresentar soluço: não se preocupe, pois ele desaparece em poucas horas ou dias;
  • É normal ter a impressão de que o estômago diminuiu nos primeiros dias após a cirurgia, fazendo com que a perda de peso seja entre 3 a 7 Kg em media;
  • É normal ter a sensação de gases após a cirurgia, bem como dificuldade para arrotar e vomitar;
  • Dor no ombro é frequente e desaparece em poucas horas ou dias (geralmente causada por irritação no diafragma). Se intensa, o paciente deve fazer uso de analgésicos prescritos pelo seu médico;
  • Evite exercícios físicos leves por um mês e moderados por dois meses, relações sexuais por 15 dias e dirigir por dez dias.
  • Retire o curativo 24 horas após a cirurgia. Limpe o local com gaze estéril e álcool a 70% e deixá-la coberta apenas com fita microporosa, trocando a cada 3 a 4 dias.
  • Pode-se molhar o curativo na hora do banho;
  • Não colocar mercúrio, pomadas, cremes ou qualquer outro medicamento ou substância sobre as feridas. No entanto, se a incisão estiver aparentemente infeccionada (vermelha, com pus ou cheiro forte), contate o seu médico.
  • O paciente pode andar normalmente e até subir escadas, devendo evitar ficar acamado;
  • Apesar de pequenos e com poucas chances de apresentar problemas, os cortes foram feitos com pontos internos que precisam cicatrizar. Por isso, não é recomendado carregar peso ou fazer força, pois a hérnia de hiato pode voltar.

​​Veja também: Hérnia pode virar câncer?

É importante lembrar que em caso de hérnia de hiato geralmente não é feito o tratamento cirúrgico, reservado aos casos mais graves:

  • Hérnias de hiato volumosas ou sintomáticas mesmo com mudança dos hábitos de vida e tratamento clínico;
  • Pacientes que por alguma razão acham-se impossibilitados de dar continuidade ao tratamento clínico;
  • Casos onde é exigido o tratamento contínuo de manutenção com medicamento para refluxo em dose adequada, especialmente em pacientes com menos de 40 anos de idade e que optam pela cirurgia;
  • Esofagite grave, estenose de esôfago ou esôfago de Barrett.

Geralmente o tratamento é clínico ou simplesmente com mudanças dos hábitos de vida.

​​Em caso de suspeita de hérnia de hiato, um médico (preferencialmente um gastroenterologista) deverá ser consultado para avaliação, diagnóstico e tratamento correto.

Uma hérnia pode estourar?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Sim, uma hérnia pode estourar em consequência de um estrangulamento herniário. O estrangulamento ocorre quando a hérnia fica presa na abertura que permitiu o seu extravasamento, dificultando o vai-e-vem do órgão extravasado, como o intestino, por exemplo.

Como resultado, a alça intestinal estrangulada sofre uma torção e deixa de receber sangue e oxigênio, entrando em falência essa porção do intestino.

A parte afetada, então, se rompe e ocorre uma perfuração do intestino, com extravasamento de fezes e líquido intestinal para o interior do abdômen. Como consequência, o/a paciente pode ir à óbito.

A torção da alça intestinal pode causar sintomas como cólicas abdominais e dificuldade para eliminar gases e fezes.

O estrangulamento da hérnia é um quadro muito grave e só pode ser resolvido com uma cirurgia em caráter de urgência, devido ao sério risco de morte.

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Quais são os tipos de hérnia?

É possível conviver com uma hérnia durante muitos anos sem qualquer complicação ou sintoma, mas a qualquer momento pode ocorrer um estrangulamento e a hérnia pode "estourar".

Portanto, se você tem algum tipo de hérnia, deve procurar o/a médico/a cirurgião/ã geral para uma avaliação minuciosa e prevenção de possíveis complicações.

Veja aqui como saber se você tem uma hérnia.

Como saber se tenho uma hérnia?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Se você tiver uma hérnia irá notar uma protuberância bem localizada e amolecida na pele, que pode surgir na região abdominal, na virilha (inguinal), no umbigo ou na raiz da coxa. Também poderá sentir uma dor aguda em queimação ou contínua, que tende a piorar no fim dia.

Esse sinais e sintomas da hérnia poderão se manifestar principalmente nas seguintes situações:

  • Ao levantar objetos pesados;
  • Tossir;
  • Fazer esforço para urinar ou evacuar;
  • Ficar em pé por muito tempo.

Procure imediatamente um serviço de urgência se apresentar os seguintes sintomas:

  • Dor forte e contínua no local da hérnia;
  • Aumento do tamanho da hérnia, que não diminui;
  • Vermelhidão local.

Esses sinais podem indicar que a hérnia está estrangulada e pode "estourar". Trata-se de uma situação muito grave que pode levar à morte e só pode ser resolvida com cirurgia.

Saiba mais em: Uma hérnia pode estourar?

Quais são os tipos de hérnia mais comuns?
  • Hérnia incisional (pode surgir em qualquer local do abdômen que já sofreu uma incisão cirúrgica);
  • Hérnia epigástrica (entre o umbigo e o tórax);
  • Hérnia umbilical (cicatriz do umbigo);
  • Hérnia inguinal (virilha);
  • Hérnia femoral (raiz da coxa).

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Como é feito o diagnóstico da hérnia?

O diagnóstico das hérnias abdominais é feito basicamente através do exame físico, em que o/a médico/a pede ao paciente para tossir ou soprar a mão sem deixar o ar sair. Essa manobra aumenta a pressão dentro do abdômen e faz a hérnia "sair" pela parede abdominal.

Quando as hérnias são muito pequenas ou o paciente é obeso pode ser necessário utilizar ultrassom ou tomografia para diagnosticar a hérnia.

O/a gastrocirurgião/a é o/a médico/a responsável pelo diagnóstico e tratamento das hérnias.

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Qual a dieta para quem faz cirurgia de retirada da vesícula?
Dr. Charles Schwambach
Dr. Charles Schwambach
Médico

Nos primeiros dias após a cirurgia ela terá que seguir as orientações do médico que a está operando, depois com o tempo sua filha mesma é quem terá que observar quais tipos de alimentos ela pode ou não pode ingerir, não existe uma dieta específica, geralmente as gorduras se tornam um problema para quem fez cirurgia de retirada de vesícula.

Uma hérnia pode voltar depois da cirurgia?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Sim, uma hérnia pode voltar depois da cirurgia, embora o risco seja pequeno.

Dependendo da técnica cirúrgica utilizada, das características anatômicas da pessoa e do tipo de atividade desempenhada, há chances de uma hérnia (inguinal, umbilical, incisional, femural) voltar a depois da cirurgia.

No passado, quando se fazia uma cirurgia para tratar uma hérnia, a fraqueza ou falha na parede abdominal que provocava o aparecimento da hérnia era corrigido costurando-se o próprio tecido do/a paciente.

Como o tecido é frágil por natureza, havia mais chances dele afrouxar e a hérnia voltar a aparecer no mesmo local.

Com o passar do tempo, a cirurgia passou a ser feita com a colocação de uma tela, uma espécie de "remendo" que reforça a região. Com essa técnica, o risco da hérnia retornar é muito menor.

Em caso de recidiva (retorno da hérnia), é necessário realizar uma segunda cirurgia cirurgia para retirada da hérnia.

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