Perguntar
Fechar
Vontade de urinar toda hora, o que pode ser e o que posso fazer?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

A vontade de urinar a toda hora pode decorrer de uma série de motivos e nem sempre é sinal de doença. Diversas condições, patológicas ou não, podem provocar um aumento da produção de urina ou irritações na bexiga que deixam a pessoa com uma vontade constante de urinar.

1. Diabetes

Na diabetes, o aumento do açúcar no sangue, leva a um aumento também na absorção de água, resultando na maior produção de urina. A doença desencadeia ainda outros sintomas, como sede excessiva e maior vontade de comer.

Portanto, podemos dizer que os sintomas que sugerem a diabetes são:

  • Poliúria (maior volume de urina),
  • Polidipsia (aumento da sede),
  • Polifagia (aumento do apetite),
  • Emagrecimento (sem causa aparente).

Na suspeita de diabetes, especialmente se houver familiares com esta doença, procure um endocrinologista para confirmar esse diagnóstico e iniciar o devido tratamento.

2. Cistite (infecção urinária)

A cistite, ou uma infecção urinária, é a principal causa de aumento da vontade de fazer xixi na população geral. A infecção leva a uma irritação na parede da bexiga e desenvolve os sintomas:

  • Vontade de urinar várias vezes ao dia,
  • Urgência para urinar,
  • Urinar em pequenas quantidades,
  • Ardência ao urinar,
  • Coceira,
  • Dor no "pé da barriga" (região abaixo do umbigo).

Mais raramente pode haver ainda febre e confusão mental. Esses sintomas são mais comuns em pessoas idosas, diabéticas ou com imunidade baixa e indica maior risco de complicações.

Na suspeita de infecção urinária, procure imediatamente um médico clínico geral, médico da família ou urologista, para iniciar o quanto antes o tratamento com antibióticos.

A infecção urinária não tratada pode evoluir com pielonefrite (infecção renal) e infecção generalizada (sepse urinária).

3. Doenças na próstata

A próstata é uma pequena glândula localizada abaixo da bexiga e junto a uretra. Por isso, quando acontece um aumento dessa glândula, seja por inflamação (prostatite), ou presença de um tumor (hiperplasia ou câncer), ela comprime a uretra impedindo a passagem normal do fluxo de urina. Com isso a bexiga não consegue esvaziar completamente, aumentando a necessidade de urinar e outros sintomas, como:

  • Maior frequência na micção,
  • Urinar em pouca quantidade, em cada micção,
  • Pode haver dor, dependendo da compressão na uretra,
  • Pode haver sangue na urina, nos casos mais avançados.

Na suspeita de problemas de próstata, é preciso procurar o urologista, para confirmar o diagnóstico. Após o diagnóstico, o médico poderá definir o melhor tratamento, na maioria das vezes existe a indicação de ressecção cirúrgica da próstata.

4. Gravidez

Durante a gravidez, o aumento do volume de sangue e aumento das taxas hormonais, modificações naturais desse período de vida da mulher, causam um aumento do volume de urina, sendo preciso urinar mais vezes durante o dia.

Além disso, no terceiro trimestre, com o crescimento do bebê, o espaço se torna menor, e passa a comprimir a bexiga, reduzindo a sua capacidade de armazenamento de urina, aumentando assim, ainda mais, a necessidade de urinar da gestante. Os sintomas são de:

  • Aumento na frequência urinária,
  • Aumento do volume de urina em cada micção,
  • Urgência para urinar.

Neste caso, não é preciso nenhum tratamento ou preocupação, trata-se de uma adaptação natural do organismo da gestante, para permitir o desenvolvimento saudável do bebê.

No entanto, se junto a maior frequência de urina, surgir sintomas de ardência, coceira, sangramento ou febre, é preciso procurar imediatamente atendimento médico. A infecção urinária durante uma gestação pode causas graves problemas.

5. Uso de medicamentos

O uso de medicamentos diuréticos, é outra causa bastante comum de aumento na vontade de urinar. Algumas vezes é preciso correr ou usar um absorvente, para passar mais tempo na rua, em segurança. Os sintomas são de:

  • Urgência para urinar,
  • Maior volume de urina,
  • Sintomas relacionados ao início de um medicamento diurético, ou ajuste de dose.

Neste caso, é preciso conversar com o seu médico de família ou cardiologista, para avaliar os benefícios e qualidade de vida. Se houver comprometimento no seu dia a dia e/ou constrangimentos, pode ser avaliada a troca da medicação, sem prejudicar o seu tratamento.

6. Ansiedade

Na crise de ansiedade, são liberados neurotransmissores, que dentre outras ações, aumentam a contração involuntária da bexiga e a vontade de urinar. Os sintomas que sugerem os diversos tipos de ansiedade são:

  • Preocupação excessiva,
  • Palpitação,
  • Suor frio,
  • Dor no peito,
  • Vontade de fazer urinar várias vezes durante o dia.

Nos casos de ansiedade, o tratamento deve ser multidisciplinar, com medicamentos, psicoterapia e atividade física, um conjunto que permite alcançar a cura dessa doença, na grande maioria das vezes.

7. Síndrome da bexiga hiperativa

A Síndrome da Bexiga Hiperativa afeta tanto homens como mulheres e é mais encontrada em pessoas brancas, portadores de diabetes. Trata-se de uma alteração no funcionamento da bexiga que provoca contrações involuntárias no órgão, causando vontade constante e urgente de urinar. Os sintomas clássicos desta síndrome são:

  • Urgência para urinar,
  • Aumento de frequência de micção,
  • Noctúria (incontinência urinária noturna),
  • Incontinência de urgência.

Pessoas com essa Síndrome têm mais de 8 micções ao longo do dia e da noite, inclusive depois de dormir. A urgência urinária, ou seja, a necessidade de urinar logo que se tenha vontade, é o sintoma característico.

O tratamento deve ser realizado pelo urologista, que inicialmente orienta quanto as medidas comportamentais incluindo o treinamento vesical (estratégias para tentar controlar os músculos dessa região), controle da ingesta hídrica por dia e quando não for suficiente, deverá incluir o uso de medicamentos e procedimentos cirúrgicos.

Segurar o xixi faz mal?

Sim. O hábito de prender a urina aumenta o risco de desenvolver doenças como a infecção urinária e a incontinência urinária.

O ato de fazer xixi é uma das defesas do nosso corpo. Na urina são eliminados todos os germes, bactérias e substâncias tóxicas para o organismo, que foram filtradas pelos rins.

Quando seguramos o xixi, mantemos a urina por mais tempo dentro da bexiga, o que expõe o trato urinário a proliferação dessas bactérias e risco de uma infecção urinária.

Além disso, reter a urina por mais tempo do que o necessário, sobrecarrega a bexiga, prejudicando a sua elasticidade e função do esfincter, podendo resultar na perda do controle da urina, a incontinência urinária.

Portanto, para evitar essas complicações, procure ir com frequência ao banheiro, e beber pelo menos 1litro e meio de água por dia, a fim de auxiliar a filtração renal e limpeza do trato urinário.

É normal ter vontade de urinar a noite?

Sim, é normal desde que mantenha o volume considerado normal, e desde que não interfira nos hábitos de sono.

A vontade de urinar durante a noite, alterando a qualidade de sono e/ou com volume e frequência aumentados é chamado noctúria. Pode ter as mesmas causas da poliúria (aumento do volume de urina) e da polaciúria (aumento na frequência de urinar).

A poliúria é definida por um volume de urina maior do que 3 litros por dia, para o adulto e maior de 2litros por metro quadrado, na criança. Polaciúria, número excessivo de micções em 24h, é caracterizado pela frequência acima de 6 vezes por dia para um adulto, e mais de 12 micções por dia para as crianças.

Em caso de vontade de urinar a toda hora, consulte um clínico geral, médico de família, ou um urologista para receber um diagnóstico e tratamento adequados.

Veja também:

Referências:

SBN - Sociedade Brasileira de Nefrologia

SBU - Sociedade Brasileira de Urologia / Portal da Urologia

UpToDate - Daniel G Bichet, et al. Evaluation of patients with polyuria. Sep 27, 2019.

Coceira no pênis, o que pode ser?
Dr. Ivan Ferreira
Dr. Ivan Ferreira
Médico

A coceira no pênis pode ter várias causas, uma delas pode ser a alergia a algum produto como sabonetes e o látex da camisinha (preservativo), ou uma infecção.

As infecções também podem causar coceira, como a candidíase, que é uma infecção causada por um fungo (Candida albicans) e que pode ser transmitida pela relação sexual. Às vezes só se manifesta em um dos parceiros e pode causar além da coceira, irritação e vermelhidão no local. Nas mulheres é comum o aparecimento de secreção vaginal. Ambos os parceiros devem ser tratados. 

Outras infecções como a herpes genital e a tricomoníase podem causar coceira no pênis que, geralmente, aparece acompanhada de outros sintomas como bolhas no pênis (herpes), ardência e dificuldade para urinar (tricomoníase).

Leia também: Coceira que piora durante a noite: o que pode ser?

É necessário a realização de um exame clínico e/ou laboratorial para o diagnóstico adequado da causa da coceira no pênis. O urologista ou o dermatologista são os profissionais indicados para realizar o diagnóstico e orientar o tratamento. 

Também pode lhe interessar: 

Dor no pênis. O que pode ser?

Tenho feridas no pênis. O que pode ser e o que fazer?

Coceira na cabeça é sinal de doença no couro cabeludo?

Dor nas costas do lado esquerdo, o que pode ser?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

A maior parte dos casos de dor nas costas, seja do lado esquerdo ou direito, é de origem muscular, normalmente causada por algum mau jeito, excesso de peso carregado ou postura ruim. A dor costuma ser mais frequente na região lombar (parte inferior das costas).

Algumas dores nas costas, entretanto, podem ser sintomas de problemas de coluna, problemas no pulmão, cálculo renal, herpes zoster, ou certos tipos de câncer, embora seja muito mais raro.

As alterações posturais da gravidez e o próprio envelhecimento natural da coluna também podem provocar dor nas costas.

Outras causas comuns de dor nas costas são:

  • Excesso de peso,
  • Traumatismos,
  • Estresse, ansiedade, depressão,
  • Trauma, fraturas,
  • Artrite, artrose, entre outras.

A dor nas costas pode ter início súbito, depois de um esforço por exemplo, ou ser crônica. Um caso comum de dor crônica é o desgaste da coluna devido a idade e sedentarismo.

E um caso comum de dor aguda é a hérnia de disco, quando acontece a compressão de uma raiz nervosa, desencadeando a dor irradiada para o glúteo ou membros inferiores.

Dor nas costas por um problema muscular

A dor muscular é localizada, piora com a movimentação, é do tipo aperto ou "dolorimento" e na maioria das vezes tem uma história prévia de pancada, esforço físico ou treino esportivo intensificado.

Dor nas costas por problemas pulmonares

A dor nas costas relacionada a problemas pulmonares costuma vir associada a outros sintomas como: tosse, seca ou com catarro, dor que piroa com a respiração profunda ou quando tosse, febre e mal-estar.

Dor na lombar pode ser cólica renal?

Sim. A dor lombar, no lado direito ou esquerdo, pode ser um sintoma de cólica renal, chamada também de cólica renal.

A dor devido uma cólica renal é intensa e contínua, não melhora com o repouso, com analgésicos simples, nem com alguma posição específica. Ela se mantém e se localiza na região do dorso, de um lado, podendo ser irradiada para a virilha ou abdômen.

Dor nas costas de origem nervosa

A dor de origem nervosa, por compressa de uma raiz como na hérnia de disco, problemas crônicos de coluna e artroses, por exemplo, desencadeia uma dor intensa, mas não contínua, descrita como "choques" ou fisgadas, que seguem o trajeto do nervo que está sendo comprimido.

Como a coluna lombar costuma ser a localização mais comum, a dor frequentemente se inicia na região lombar e segue para o glúteo, coxa, face lateral da perna podendo alcançar o pé, do mesmo lado.

No caso de herpes zoster, doença causada pelo mesmo vírus da catapora, o vírus é reativado e agride um trajeto do nervo, mais comum na região do dorso, causando uma dor intensa em queimação, vermelhidão, bolhas e sensibilidade aumentada na região.

Qual o tratamento para dor nas costas, do lado esquerdo?

O tratamento deve ser direcionado para a causa da dor.

Na dor nas costas por problemas musculares, o tratamento não medicamentoso com yoga, osteopatia e meditação, por exemplo, muitas vezes resolve por completo os sintomas, reduzindo a necessidade de medicamentos. Além disso, promove fortalecimento muscular e oriento quanto a reeducação postural e medidas para controle de ansiedade, diminuindo os episódios de crises de dor.

No entanto, quando não for suficiente, o médico deve incluir medicamento relaxante muscular e antiinflamatórios, se não houver contraindicação ou alergia a composição destes.

Os problemas pulmonares devem ser avaliados e tratados pelo pneumologista. Nos casos de pneumonia, é preciso iniciar antibioticoterapia o mais precoce possível para evitar complicações, como a infecção generalizada. Nos problemas de pleura (película que recobre os pulmões), pode ser preciso intervenção cirúgica.

Já nos casos de dor nas costas por problemas renais, o tratamento é mais específico. Para infecção de via urinária, é preciso iniciar antibióticos. Nos casos de cálculo renal, pode ser preciso intervenção cirúrgica e retirada do cálculo além das medicações para alívio da dor. Cabe ao médico urologista avaliar caso a caso.

Na dor nas costas por problemas neurológicos, de compressão de nervo, também é indicado inicialmente: repouso, relaxante muscular e fisioterapia. Se não for suficiente ou se o disco vertebral romper, pode ser preciso cirurgia de urgência para evitar a perda de força irreversível, naquele membro.

No herpes zoster, o tratamento é feito com uso de antiviral e analgésicos potentes, pela intensidade da dor.

Quando devo me preocupar?

Quando a dor nas costas estiver associada a sintomas como os relacionados abaixo, é preciso procurar um atendimento médico com urgência. Os sinais e sintomas são:

  • Febre
  • Tosse com catarro
  • Dificuldade de respirar
  • Urina com sangue ou com ardência
  • Emagrecimento sem motivo aparente

Para maiores esclarecimentos e avaliação criteriosa, procure um médico de família ou clínico geral.

Leia também:

Fiz exame de urina e o resultado dos leucócitos está elevado. O que pode ser?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Leucócitos altos no exame de urina geralmente é sinal de infecção urinária. Os leucócitos, também conhecidos como glóbulos brancos, são células de defesa do sistema imunológico.

Níveis elevados de leucócitos na urina normalmente indicam que há alguma inflamação no trato urinário, que pode ou não ser causada por algum agente infeccioso.

Algumas possíveis causas de leucócitos altos na urina:

  • Infecção urinária, causada na maioria das vezes pela bactéria Escherichia coli;
  • Febre;
  • Atividade física muito intensa;
  • Tuberculose do trato urinário;
  • Infecção por outros micro-organismos, como fungos e vírus;
  • Nefrite e glomerulonefrite (inflamação dos rins);
  • Cálculos renais (pedra nos rins);
  • Uso de substâncias irritantes;
  • Câncer.

Os valores normais de leucócitos no exame de urina devem estar abaixo de 10.000/ml. Acima desse valor é considerado leucocitúria (nível de leucócitos alto na urina).

Se a leucocito-esterase e o nitrito estiverem positivos, é provável que seja infecção urinária.

A presença de hemácias (glóbulos vermelhos) e proteína na urina pode indicar inflamação nos rins ou cálculos renais.

A maioria dos casos de leucocitúria caracteriza-se pelo aumento do número neutrófilos, um tipo de leucócito, e tem como causa uma inflamação no trato urinário.

Os leucócitos podem chegar ao sistema urinário através de qualquer uma das suas estruturas, desde à uretra aos rins. Os leucócitos podem estar altos, temporariamente, em quase todas as doenças dos rins e do sistema urinário, quando são acompanhadas de inflamação.

Os leucócitos são células de defesa, sendo mobilizados pelo sistema imune em casos de infecção, gerando um processo inflamatório que tem o objetivo de destruir o agente invasor. A circulação sanguínea sofre alterações, com mudanças no calibre e na permeabilidade dos vasos sanguíneos, que levam ao extravasamento de leucócitos.

O número de leucócitos também pode estar elevado em quadros de febre e após exercícios físicos intensos.

Porém, a principal causa de leucócitos altos na urina é a infecção urinária, que pode ser causada por diferentes micro-organismos, mas principalmente por bactérias.

Algumas doenças e condições que podem causar inflamação do trato urinário também podem aumentar o número de leucócitos presentes na urina, como cálculos renais, câncer de bexiga e presença de corpo estranho. No caso dos cálculos renais, também ocorre obstrução da urina, o que favorece a proliferação de micro-organismos que podem provocar infecção urinária.

Apesar do aumento dos leucócitos ter como principal causa infecções urinárias agudas, a verificação da presença dessas células na urina e o teste de leucocito-esterase são úteis para diagnosticar outras doenças urinárias.

Por isso, os resultados desses exames devem ser avaliados sempre em conjunto com outros exames e as manifestações dos sinais e sintomas apresentados pela pessoa.

Cabe ao médico que solicitou o exame de urina interpretar os resultados, de acordo com os sinais e sintomas apresentados, além de outros exames que podem ter sido solicitados.

Foram detectados cristais de oxalato de cálcio na minha urina. O que é possível fazer para eliminá-los do organismo?
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Médico

Primeiramente, é importante frisar que o fato de você apresentar cristais de oxalato de cálcio no exame de urina não significa que você terá cálculo renal, ou que haverá prejuízo a sua saúde.

Algumas pessoas tem predisposição a ter cálculos renais de repetição e nestas pessoas é necessária a investigação para afastar doenças metabólicas.

Nos pacientes que apresentam cálculos renais de repetição, normalmente sintomáticos (levando à cólica renal), é necessária a investigação radiológica (com tomografia ou ultra-som) para determinar a quantidade e tamanho dos cálculos, pois pode ser necessária abordagem cirúrgica, e também investigação sobre distúrbios metabólicos que podem estar associados à predisposição para formação de cálculos. Estes distúrbios estão associados a presença aumentada de cálcio, ácido úrico ou oxalato, ou a diminuição de citrato na urina, e devem ser dosados em exame de urina de 24 horas.

A dieta é muito importante no tratamento dos cálculos renais de repetição e algumas orientações devem ser seguidas:

  • ingestão de líquidos de no mínimo 2,5 litros ao dia. Chás mate e preto devem ser evitados, por conterem oxalato. Sucos de limão e laranja devem ser consumidos por serem ricos em citratos (considerados inibidores da formação de cálculos);

  • evitar o consumo de bebidas alcoólicas. Estas bebidas são ricas em purinas, que devem ser evitadas por pacientes com hiperexcreção de ácido úrico.

  • não restringir da dieta alimentos ricos em cálcio, como leites, queijos e iogurtes. Vegetais verdes escuros também devem ser consumidos;

  • aumentar o consumo de hortaliças e frutas, pois a baixa ingestão de potássio é fator de risco para litíase renal;

  • diminuir o consumo de produtos industrializados, em conserva e embutidos, pelo excesso de sódio presente nestes alimentos;

  • evitar a ingestão de carboidratos simples, pois estes aumentam a excreção de cálcio na urina;

  • evitar consumo excessivo de carnes, pois tem alto teor de purinas, aumentando a excreção na urina de ácido úrico;
  • incluir na dieta alimentos ricos em fitatos, como cereais integrais, leguminosas e oleaginosas, pois estes diminuem a chance de formação de cálculos;
  • evitar suplemento de vitamina C, por aumentar a excreção de oxalato.

Os pacientes com cálculos renais de repetição devem ser seguidos por médico nefrologista e urologista.

Células epiteliais na urina: o que isso significa?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

A presença de células epiteliais na urina não é sinal de doença. Trata-se apenas de uma observação do resultado do exame de urina, sem relevância clínica. A presença na urina é considerada normal, sendo mais comum ocorrer em mulheres.

As células epiteliais são as células do trato urinário. O fato delas estarem presentes na urina significa apenas que essas células descamaram e foram levadas pela urina ao passar pelo canal urinário.

Portanto, células epiteliais na urina são apenas o resultado da descamação natural que ocorre no trato urinário, assim como acontece na pele, por exemplo. A presença delas só é relevante quando se agrupam em forma de cilindro (cilindros epiteliais).

As células epiteliais também podem vir acompanhadas por cristais e leucócitos acumulados, formando muco na urina.

A presença de cristais na urina também não têm importância clínica. Porém, em alguns casos, a presença de certos tipos de cristais pode ser sinal de alguma doença.

Já os leucócitos são glóbulos brancos, ou seja, são as células de defesa do organismo. A presença na urina normalmente indica alguma inflamação nas vias urinárias, geralmente infecção urinária, mas também podem estar presentes em diversas situações, como traumas, utilização de substâncias irritantes ou qualquer inflamação que não seja causada por um agente infeccioso.

Cabe ao médico que solicitou o exame de urina interpretá-lo, uma vez que os resultados devem ser analisados em conjunto com a história clínica, os sintomas e o exame físico do paciente.

Veja também:

Tenho feridas no pênis. O que pode ser e o que fazer?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Ferida no pênis pode ser sinal de infecção sexualmente transmissível (IST), câncer de pênis, má higiene, alergia ou micose.

Feridas na cabeça do pênis (glande) também podem ser causadas pelo atrito durante a relação sexual, principalmente em homens que não fizeram a cirurgia da fimose e tendem a ter a glande mais sensível.

Uma IST que pode causar ferida no pênis é a sífilis. O primeiro sinal é uma ferida que surge no pênis mas que não provoca dor e desaparece mesmo sem tratamento. Depois de alguns meses aparecem manchas pelo corpo, que também resolvem-se espontaneamente. Com o passar dos anos, a sífilis pode causar lesões na pele, cegueira, doenças neurológicas, ósseas e cardiovasculares, podendo levar à morte se não tratada devidamente.

O câncer de pênis caracteriza-se pela presença de uma ferida na glande com aspecto irregular e odor muito desagradável, podendo ser dura e elevada. O câncer de pênis ocorre mais frequentemente em locais com baixo nível socioeconômico e está relacionado com má higiene e infecção pelo HPV.

A ferida no pênis também pode ser decorrente de uma balanite, que é uma inflamação na cabeça do pênis. A balanite pode ou não estar associada a uma infecção. Normalmente, está relacionada com micro-organismos infecciosos transmitidos através de relação sexual desprotegida. A inflamação também pode ser causada por doenças de pele, alergias, traumas, má higiene ou ainda câncer de pênis.

Leia também: Dor no pênis. O que pode ser?

Os principais sintomas da balanite são dor na cabeça do pênis, vermelhidão e aumento da temperatura local. Também pode haver inchaço e feridas na glande. Quando há infecção, podem estar presentes bolhas com pus, além de coceira e secreção com mau cheiro.

A presença de feridas no pênis pode ser avaliada pelo/a médico/a de família, clínico/a geral, urologista ou infectologista que poderá realizar o diagnóstico específico e indicar o tratamento apropriado para o seu caso.

Também podem lhe interessar:

Tenho o pênis inchado, o que pode ser?

Coceira no pênis, o que pode ser?

Corrimento no pênis: o que pode ser e como tratar?

O que pode ser dor na virilha e o que fazer?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Dor na virilha esquerda ou direita pode ter várias causas. As causas mais comuns nas mulheres e nos homens incluem:

  • Distensão muscular;
  • Osteoartrose ou problemas articulares do quadril;
  • Hérnia inguinal;
  • Litíase renal (pedras nos rins);
  • Infecções e linfonodos aumentados (ínguas).

A virilha é a região localizada na dobra entre a coxa e o abdômen. A virilha não abrange apenas a parte interna da coxa, mas também a região inguinal e a articulação do quadril.

Por se tratar de uma região com muitas estruturas importantes, a dor na virilha pode ter diversas causas. Vejamos algumas causas frequentes:

Artrose do quadril e problemas articulares

Se a dor na virilha estiver localizada ou irradiar para a parte externa da coxa, pode estar relacionada com a articulação do quadril, formada pelo fêmur e o osso da bacia.

Nesses casos, a dor piora ao realizar movimentos de rotação ou flexão da coxa, como, por exemplo, entrar ou sair do carro, fletir a perna para colocar uma meia ou calçar um sapato ou ainda sentar-se num assento baixo.

Uma possível causa para a dor na virilha nesses casos é a artrose da articulação do quadril. Trata-se de um desgaste da cartilagem articular, que afeta sobretudo pessoas idosas. Quando ocorre em indivíduos mais jovens, geralmente está associada ao excesso de atividade física.

À medida que o problema evolui, aumenta a dificuldade em realizar determinados movimentos, que causa dor principalmente ao girar a perna ou flexionar a coxa.

Veja também: Dor no quadril, o que pode ser e o que fazer?

Distensão muscular

Quando a dor na virilha ocorre depois de praticar esportes, pode estar relacionada com uma lesão muscular, provavelmente uma distensão. Esse tipo de dor na virilha costuma ser facilmente identificada, porque a pessoa normalmente lembra-se bem do momento da lesão.

A dor na virilha nesses casos é bem localizada, situando-se na região da lesão muscular. A dor normalmente piora com o estiramento da musculatura que está lesionada, como ao abrir as pernas, por exemplo.

Leia também:Distensão muscular: o que é e quais os sintomas?

Hérnia inguinal

Se a dor na virilha piora ao fazer força, como tossir, evacuar ou levantar peso e se a pessoa notar alguma saliência na região inguinal, próxima à virilha, pode ser uma hérnia inguinal. Nesses casos, a saliência na virilha surge com o esforço e desaparece com o repouso.

Geralmente a dor da hérnia inguinal se localiza em um dos lados da virilha, ou a esquerda, ou a direita, nas mulheres a dor pode irradiar para os grandes lábios vaginais, já nos homens a dor pode irradiar para os testículos.

Litíase renal (pedras nos rins)

A dor que caracteriza a presença de pedras nos rins (cálculos renais), em geral, localiza-se na região inferior e lateral das costas, na região lombar.

Porém, à medida que a pedra se desloca pelo trato urinário, pode causar dor em diferentes partes do corpo. Quando chega à bexiga, pode provocar dor na virilha. Nos homens, a dor também pode atingir os testículos e, nas mulheres, a vagina.

A dor da litíase renal é em cólicas, ou seja, é uma dor que surge e vai aumentando de intensidade gradativamente, atinge um pico de dor e depois começa a passar gradualmente. É uma dor de moderada a forte intensidade.

Outros sinais e sintomas que costumam estar presentes em caso de pedra nos rins incluem a presença de sangue na urina, náuseas e vômitos.

Infecções e formação de ínguas

Alguns processos infecciosos como pielonefrite, prostatites ou infecções ginecológicas como, a doença inflamatória pélvica também podem causar dor na virilha e na região pélvica.

Se houver alguma infecção nos membros inferiores, genitais ou órgãos da bacia, pode ocorrer um aumento dos gânglios linfáticos da virilha. Nesses casos, surgem nódulos ou caroços dolorosos na virilha (“ínguas”).

Algumas doenças sexualmente transmissíveis também podem causar aumentos dos gânglios linfáticos, como a sífilis, gonorreia ou linfogranuloma venéreo.

Diferenças entre as causas de dor na virilha em homens e mulheres

Algumas causas específicas de dor na virilha no homem são a prostatite (inflamação da próstata) e a presença de inflamação ou tumor no testículo.

Nas mulheres, gravidez (especialmente nos meses finais), gravidez ectópica, mioma, cisto no ovário e infecções ginecológicas também podem cursar com dor na virilha.

A presença de cisto no ovário, ou de gravidez ectópica pode ocasionar um quadro de dor na região da virilha, ou pelve, de um único lado, ou a esquerda, ou a direita.

Qual o tratamento para dor na virilha?

O tratamento depende da causa da dor na virilha. Quando a dor na virilha é provocada por distensões musculares, artrose, bursite e gestação, muitas vezes o tratamento é baseado no uso de analgésicos e anti-inflamatórios, além de fisioterapia ou acupuntura.

No caso de apendicite ou hérnia inguinal o tratamento é através da realização de cirurgia.

Se a dor na virilha for provocada por prostatite, infecção de urina, formação de ínguas ou outras infecções, o tratamento pode ser feito com medicamentos antibióticos.

Para o correto diagnóstico da causa de dor na virilha, deve-se procurar um clínico geral ou médico de família, para os casos mais crônicos (que duram semanas a meses), ou um pronto atendimento, se a dor for aguda e especialmente se estiver associada a febre ou outros sintomas como alterações urinárias ou intestinais.

Também pode ser do seu interesse:

Tenho um caroço na virilha, o que pode ser?