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Corrimento e Inflamação

Corrimento marrom, o que pode ser?

O corrimento marrom pode ser causado por diversos motivos, entre eles infecção vaginal bacteriana (geralmente amarelado, mas pode ser marrom claro na vaginose bacteriana, porém quando é marrom escuro geralmente adquire esta cor por ter sangue em sua composição, o que pode indicar feridas sangrantes no colo do útero, paredes vaginais, tubas uterinas ou ser proveniente da própria parede uterina (alteração menstrual).

Infecções e outras doenças:

Grande parte dos corrimentos crônicos são causados por preservativos. O látex nas camisinhas pode provocar alergia em algumas mulheres, o que vai desregular o pH vaginal e criar um ambiente propício à proliferação de bactérias que causam a vaginose bacteriana. Produtos de higiene íntima (duchas vaginais) também são outro agente que provoca irritação. Duchas podem levar à destruição das bactérias benéficas (flora vaginal normal - bacilos de Doderlein) que impedem a proliferação de bactérias causadoras de doenças como as da vaginose. O uso de sabonetes, lubrificantes e cremes vaginais sem indicação do médico é outro fator que pode explicar corrimentos recorrentes.

Muitas mulheres desenvolvem alergia a uma substância química chamada propileno glicol, que a maioria dos produtos usa na sua composição. O ginecologista é o profissional indicado para prescrever o tratamento médico adequado e ele pode observar eventuais reações.

Mas nos casos de infecção bacteriana vaginal, normalmente outros sintomas acompanham o corrimento, como:

  • ardência;
  • cheiro forte e desagradável;
  • inchaço;
  • prurido (coceira);
  • vermelhidão.

Pode ser decorrente de doença inflamatória pélvica (DIP), muito mais grave e pode necessitar de internação hospitalar para tratamento, ou ainda câncer do colo do útero, câncer de endométrio, pólipos ou miomas uterinos, endometrite, outras doenças sexualmente transmissíveis como a gonorréia.

Relações sexuais:

Como dito inicialmente, o corrimento marrom escuro geralmente indica sangramento em algum local do aparelho reprodutor. O sangramento pode ser oriundo da própria parede vaginal ou do colo do útero, como consequência de relações sexuais intensas ou repetidas.

Gravidez:

Nas primeiras 12 semanas de gestação, algumas mulheres podem apresentar secreção vaginal marrom. Esse pequeno sangramento pode se originar da implantação do embrião na parede uterina (nidação). Neste caso o sangramento é semelhante à menstruação, mas em pequena quantidade, de coloração mais clara e dura poucos dias.

A vagina fica mais sensível durante a gravidez, podendo sangrar mais facilmente durante relações sexuais ou exames ginecológicos. Além disso, aumenta a chance de infecções neste período. Sempre que ocorrerem corrimentos ou sangramentos durante a gestação, ainda que geralmente comuns, um médico ginecologista deve ser consultado imediatamente, pois pode também significar algo mais grave, como por exemplo perda sanguínea decorrente de  gravidez ectópica com rotura de tuba uterina (acompanhada de fortes dores abdominais em cólica), aborto (ou ameaça de aborto), placenta prévia, descolamento prematuro de placenta, rotura de vasa prévia, entre outras causas.

Menstruação:

Pode ocorrer eliminação de um corrimento marrom após a menstruação, geralmente decorrentes de restos da menstruação que a mucosa uterina não conseguiu eliminar totalmente (escape menstrual, por alterações hormonais), mesmo depois de dias do término do fluxo. Também costumam ocorrer nas primeiras menstruações da adolescência.

Menopausa:

A menopausa também pode desencadear um corrimento marrom escuro, em raros casos, pois a diminuição dos hormônios característicos da menacme (período fértil da mulher, da primeira à última menstruação) pode ressecar a mucosa e irritar a área genital, inclusive causando coceira. Pode ocorrer também na pré-menopausa.

Em caso de corrimento, de qualquer cor ou tipo, um médico ginecologista deve ser consultado para avaliação e tratamento adequado.

Usando pomada vaginal posso ter relação?

Não é recomendável ter relações sexuais durante o uso da pomada vaginal

A pomada vaginal serve para tratar determinada inflamação e/ou infecção e precisa estar disponível na região da vagina para fazer efeito. Com a atividade sexual pode atrapalhar a absorção da pomada, pois desequilibra a flora vaginal normal e altera o pH da vagina. Assim, a ação e a eficácia do medicamento ficam prejudicadas

Por isso, não pode ter relações enquanto estiver usando a pomada vaginal. Se tiver, o tratamento pode não funcionar e a inflamação não será curada, podendo voltar a aparecer.

Você poderá voltar a ter relações sexuais assim que deixar de usar a pomada vaginal. Para saber se a inflamação melhorou, observe se os sintomas desapareceram. Se eles não melhoraram, pode ser que o diagnóstico ou o tratamento não está correto, o tratamento não foi eficaz contra o seu tipo de inflamação ou o tratamento não foi feito de forma adequada.

Use a pomada durante o tempo determinado pelo/a médico/a e evite relações sexuais durante esse período. Se não observar melhora dos sintomas, faça uma nova consulta com o/a médico/a que prescreveu a medicação.

Leia também:

Quanto tempo depois de usar a pomada vaginal posso ter relações sexuais?

Qual o risco de ter relação durante o uso de creme vaginal?

Quais os sintomas de inflamação no útero?

Os sintomas de inflamação no útero podem ser corrimentosangramento e dor, principalmente durante a relação sexual. Porém, esses sintomas dependem também da localização da inflamação, que pode ocorrer no colo do útero (cervicite) ou na região interna do útero (endometrite).

A inflamação mais comum no útero é aquela que ocorre no colo do útero (cérvix ou cérvice), que é a região mais estreita do útero localizada no fundo da vagina e por onde o sangue menstrual é eliminado. A inflamação do colo do útero não interfere na boa evolução da gravidez desde que seja tratada adequadamente.​

Os sintomas da inflamação no colo do útero são:

  • corrimento vaginal (leucorreia) com mal cheiro e com coloração amarelada,
  • dor para urinar (disúria) ,
  • dor nas relações sexuais (dispareunia),
  • sangramento após a relação sexual,
  • sangramento fora do período menstrual,
  • dor na região inferior da barriga (abdominal baixa).

A cervicite, muitas vezes, não apresenta sintomas, o que pode levar à progressão dessa infecção e inflamação para regiões próximas como os ovários, trompas e região interna do útero (endometrite), causando a Doença Inflamatória Pélvica (DIP), situação mais grave, que além dos sintomas presentes na cervicite pode acompanhar-se de febre, náuseas e vômitos.

O exame Papanicolau é utilizado para diagnosticar as inflamações do colo do útero​ e o ginecologista e/ou obstetra são os especialistas indicados para o tratamento dessas doenças.

Irritação na vagina tipo assadura com coceira e sangramento: o que é?

Irritação na vagina, tipo assadura, com coceira e sangramento é muito comum nas infecções vaginais tipo vaginose bacteriana ou infecção por fungo (como a candidíase).

No caso da candidíase, outro sintoma comumente observado é a presença de corrimento vaginal esbranquiçado ou amarelado. Os sintomas geralmente pioram antes da menstruação e melhoram no início do período.

A candidíase é bastante comum e não é considerada uma doença sexualmente transmissível (DST), embora o fungo causador da doença possa ser disseminado através do contato oral-genital.

O fungo causador da candidíase, a cândida, está naturalmente presente no canal vaginal, juntamente com várias outras bactérias. Os lactobacilos (um tipo de bactéria) contrabalanceiam a proliferação dos fungos no interior da vagina. Quando há um desequilíbrio na proliferação de cândida, temos um quadro de candidíase vaginal.

Alguns dos principais fatores de risco para candidíase:

  • Uso de antibiótico;
  • Gravidez;
  • Diabetes mellitus descontrolada;
  • Obesidade;
  • Uso de glicocorticoides e imunossupressores;
  • Uso de roupas de lycra e mal ventiladas;
  • Doenças autoimunes ou imunidade alterada;
  • Uso de ducha ou sabonete íntimo diário.

O tratamento da candidíase vaginal pode incluir:

  • Aplicação única ou aplicações diárias de cremes antifúngicos, supositórios ou óvulos;
  • Uso de antibióticos orais.

Outra situação em que pode haver irritação na vagina, parecida com uma assadura, com coceira e sangramento, é na vaginose bacteriana, sendo esta a principal causa de corrimento vaginal em mulheres na idade reprodutiva.

A vaginose caracteriza-se por um crescimento anormal de bactérias anaeróbias como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus, entre outras, associado a uma diminuição de lactobacilos da flora vaginal normal.

Relações sexuais frequentes, uso de duchas vaginais ou período pré-menstrual favorecem a alteração da flora bacteriana vaginal, podendo desencadear a vaginose.

A vaginose bacteriana também não é considerada uma DST, embora a sua ocorrência seja maior em mulheres com número elevado de parceiros sexuais, sendo rara naquelas sexualmente inativas.

O tratamento da vaginose bacteriana inclui:

  • Uso de pomada ou creme vaginal;
  • Medicamentos antibióticos orais.

Para um diagnóstico e tratamento adequado, a mulher deve consultar o/a ginecologista, médico/a de família ou clínico/a geral.

Inchaço, vermelhidão, coceira, irritação na vagina?

Inchaço, vermelhidão, coceira e irritação na vagina são sintomas de infecção vaginal, sendo a candidíase a mais provável. Caso não seja detectado nenhum micro-organismo causador de infecções, esses sintomas podem ser decorrentes de alguma irritação mecânica, química ou alérgica.

Se os sintomas forem provocados por uma reação alérgica ou alguma irritação mecânica, é preciso investigar a causa e remover o agente agressor.

CandidíaseO que é candidíase?

A candidíase é uma infecção da vulva e da vagina causada por um fungo que habita a mucosa vaginal e a mucosa digestiva (Candida albicans, Candida tropicalis, Candida glabrata, Candida parapsilosis). Quando o ambiente torna-se favorável, o fungo se prolifera e ocasiona a candidíase.

Quais as causas da candidíase?

Na grande maioria das mulheres, candidíase  é causada pelo fungo Candida albicans. Alguns fatores que favorecem o aparecimento da candidíase vaginal incluem diabetes, uso de medicamentos antibióticos, anticoncepcionais orais e corticosteroides, gravidez, imunidade baixa, obesidade, roupas justas e clima quente.

Quais são os sintomas da candidíase?

O principal sinal da candidíase é a presença de corrimento vaginal branco, espesso e em grumos, semelhante a requeijão. O corrimento não tem cheiro e forma placas que ficam aderidas à parede da vagina.

Veja também: Corrimento Vaginal é Normal?

Outros sintomas que costumam estar presentes incluem vermelhidão, coceira, ardor, fissuras na vulva e dor durante as relações sexuais.

Apesar de poder causar inchaço, vermelhidão, coceira e irritação na vagina, a candidíase pode não manifestar sintomas em até 20% dos casos. Na gravidez, quase metade das gestantes com esse tipo de infecção vaginal não manifesta sinais e sintomas.

A candidíase pode se tornar recorrente, com 4 episódios ou mais durante o ano, todos eles com manifestação de sintomas.

O diagnóstico da candidíase é feito pelo exame clínico e é confirmado por exames de laboratórios.

Como ocorre a transmissão da candidíase?

O fungo pode ser transmitido através de relações sexuais, embora essa já não seja considerada a principal forma de transmissão da candidíase, uma vez que o fungo está naturalmente presente presente na flora vaginal das mulheres sem provocar nenhum sintoma.

Candidíase tem cura? Como é o tratamento?

Candidíase tem cura. O tratamento é feito com medicamentos antifúngicos e antibióticos por via oral e também através de cremes vaginais.

O tratamento da infecção vaginal causada por fungos, como a candidíase, é feito com medicamentos antibióticos, como o metronidazol. A medicação costuma ser prescrita para ser tomada durante uma semana.

Quando não manifesta sintomas, a candidíase não necessita de tratamento. Quando presentes, é fundamental que a mulher e o parceiro, se for o caso, façam e sigam o tratamento até o fim.

Os medicamentos antifúngicos são administrados por via oral e aplicados diretamente na vagina sob a forma de cremes, comprimidos e óvulos.

O tratamento com medicamentos orais costumam ser feitos com fluconazol ou Itraconazol, em doses únicas ou duplas, conforme o caso e a medicação. 

O creme vaginal pode ter como princípio ativo clotrimazol, miconazol, fenticonazol, econazol, sertaconazol ou isoconazol. A pomada contém medicação e, por isso, deve ser aplicada segundo orientação médica e por todo o período indicado na receita, mesmo que os sintomas tenham desaparecidos. 

Há ainda os comprimidos vaginais e os óvulos vaginais, com econazol, sertaconazol, tioconazol ou fenticonazol. O tempo de duração do tratamento costuma ser de duas semanas. 

Vale lembrar que os medicamentos, as doses e o tempo de duração do tratamento variam de acordo com a gravidade de cada caso. 

Quando a coceira na vagina é muito intensa, pode ser indicada a aplicação de creme com hidrocortisona no local para aliviar o sintoma.

Se a candidíase for recorrente, recomenda-se o tratamento com medicamentos orais e tópicos (aplicados no local).

Os medicamentos antifúngicos orais são contraindicados no tratamento da candidíase durante a gravidez. O tratamento nesses casos é feito com medicação tópica.

Cabe à/ao ginecologista, médico/a de família ou clínico/a geral diagnosticar a origem desses sintomas e prescrever o tratamento adequado.

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Corrimento rosado, o que pode ser?

Corrimento rosado pode ser o sinal inicial de uma gravidez ou um corrimento habitual do ciclo menstrual.

Quando ocorre a fecundação do óvulo, a mulher pode observar a presença de um leve corrimento rosado, que é um corrimento vaginal normal apresentado pela mulher.  

A cor rosada do corrimento é devida aos vestígios de sangue, que são o resultado da entrada do espermatozoide no óvulo e do deslocamento do mesmo até o útero. Esse corrimento pode aparecer poucos minutos depois da relação ou até 3 dias depois, uma vez que esse é o tempo que o espermatozoide permanece vivo dentro do organismo feminino.

Um corrimento rosado ou levemente amarronzado pode surgir durante o ciclo menstrual naquelas mulheres que apresentam escapes decorrentes do uso de algum tipo de anticoncepcional.

Apesar do corrimento vaginal ser uma resposta fisiológica natural do corpo da mulher, ele também pode sinalizar alguma alteração.

O mais indicado é consultar o/a médico/a ginecologista, médico/a de família ou clínico/a geral sobre a ocorrência de um corrimento rosado ou qualquer outro tipo de corrimento vaginal para que as causas sejam apuradas e, se necessário, devidamente tratadas.

Veja também Corrimento vaginal: o que significam as diferentes cores

Quais são as causas da inflamação no útero?

As causas da inflamação no útero podem estar relacionadas a infecções por germes ou a lesões provocadas por traumas e produtos químicos

A inflamação uterina mais comum é aquela que ocorre no colo do útero (cérvix ou cérvice), que é a região mais estreita do útero localizada no fundo da vagina e por onde sai o sangue menstrual. Esse tipo de inflamação (cervicite) muitas vezes não apresenta sintomas, o que pode levar a distúrbios mais graves devido à progressão dessa inflamação ou infecção para outras regiões próximas como ovários, trompas e região interna do útero (endometrite).

Causas mais frequentes de inflamação ou infecção no colo do útero:

  • Germes transmitidos por meio do contato sexual como Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, Trichomonas vaginalis, vírus Herpes simplex, HPV (papiloma vírus humano), Mycoplasma genitalium,
  • germes que estão presentes normalmente na vagina como Candida albicans, Gardnerella vaginalis e Lactobacillus rhamnosus,
  • alergias ou irritações causadas por produtos químicos como espermicidas,
  • alergias ao látex de preservativos (camisinha) e diafragmas,
  • lesões causadas por traumas como os provocados pelo parto ou por duchas vaginais frequentes.

A inflamação do colo do útero não interfere na possibilidade de engravidar e nem na boa evolução da gravidez desde que seja tratada adequadamente. 

O Papanicolau ou citologia oncótica é o exame utilizado para diagnosticar as inflamações do colo do útero​ e o ginecologista e/ou obstetra são os especialistas indicados para o tratamento desses problemas.

Qual o tratamento para a inflamação do útero?

O tratamento para inflamação do útero depende do local onde ela ocorre, se no colo do útero (cervicite) ou na sua parte interna (endometrite). Depende, também, da sua causa, que pode ser por micro-organismos ou por lesões traumáticas.

Tratamento para inflamação do útero por micro-organismos

A maioria das inflamações do útero são causadas por micro-organismos como é o caso da infecção por clamídia, tricomonas, gonorréia, herpes genital e HPV (papiloma vírus), e iniciam-se no colo do útero. Os medicamentos utilizados para o seu tratamento são antibióticos e antivirais, de acordo com agente causador da infecção, bactérias ou vírus. Os parceiros também devem ser tratados, mesmo que não apresentem sintomas​, uma vez que esses micro-organismos são transmitidos pela relação sexual.

Tratamento para inflamação do útero por lesões traumáticas

O tratamento das inflamações devido a lesões, como as causadas por alergias ao látex, produtos químicos ou duchas vaginais, é feito afastando-se o fator causador da lesão e com auxílio de medicamentos, dependendo do tipo de lesão causada.

No caso da inflamação crônica do colo do útero pode ser necessário, também, o tratamento por meio de cauterização (eletrocautério ou criocautério) e uso de cremes vaginais.

Quando a inflamação colo do útero progride para a sua região interna, causando a endometrite, pode ser necessário o tratamento com medicamentos por via intramuscular ou endovenosa, às vezes com indicação de internação hospitalar.

O médico ginecologista é o responsável pelo diagnóstico e tratamento dos casos de inflamações do útero.