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Sinto dormência nos pés, o que pode ser?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Sentir formigamento ou dormência nos pés é sinal de algum distúrbio neurológico. A dormência é causada pela compressão de algum nervo ou da artéria que irriga esse nervo. A sensação de ter os pés, as mãos ou outra parte do corpo dormente ou formigando é chamada de parestesia.

A dormência nos pés ou nos dedos dos pés é um sintoma frequentemente observado nas neuropatias periféricas. Uma neuropatia é um dano num nervo periférico, que são os canais de transmissão de informação entre o corpo e o cérebro. 

O sistema nervoso periférico é formado por vários nervos que recebem e transmitem impulsos nervosos de e para a medula espinhal. Esta, por sua vez, é o canal que liga o cérebro aos nervos e vice-versa.

Além de estimularem os músculos para realizarem tarefas e movimentos, os nervos também transmitem ao cérebro sensações de temperatura (frio, quente), dor, queimação, ardência, tato, pressão, entre outras.

Assim, quando há uma lesão em algum dos nervos que transmitem essas informações dos pés para o cérebro, ocorre uma interferência ou interrupção na transmissão desses impulsos. O resultado é a sensação de formigamento ou dormência nos pés, nos dedos, ou na ponta dos dedos dos pés.

A dormência nos pés também pode ter como causa uma hérnia de disco na coluna lombar. O extravasamento do conteúdo gelatinoso do disco intervertebral, que caracteriza a hérnia, pode comprimir a raiz do nervo ciático e causar formigamento e dormência nas nádegas (glúteos), coxas, pernas e pés.

Veja também: Estou sentindo dormência nos membros. O que pode ser e qual médico procurar?

A má circulação decorrente de doenças vasculares, como as varizes, só provoca dormência no pé se os vasos sanguíneos deixarem de nutrir o nervo. A parestesia nesse caso seria causada pela lesão ou morte do nervo periférico por falta de irrigação.

Procure o/a clínico/a geral ou médico/a de família se você sentir os pés dormentes com frequência, mesmo que a sensação seja passageira e desapareça espontaneamente. Vale lembrar que algumas doenças neurológicas podem causar surtos progressivos de tempos em tempos sem manifestar sintomas nos intervalos.

Saiba mais em:

Dormência nas mãos, quais são as causas?

Dormência na boca: o que pode ser?

Dormência no rosto, o que pode ser?

Barriga de grávida é dura ou mole?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Barriga de grávida é dura, pois o útero está se expandindo para acomodar o desenvolvimento do bebê. A mulher já pode sentir a barriga mais dura logo no início da gravidez, por volta da 7ª semana de gestação.

Primeiro é a região abaixo do umbigo que fica dura, passando a seguir para a área ao redor do umbigo. À medida que o feto vai crescendo, a barriga da grávida vai ficando mais dura e arredondada.

Quando a gravidez está mais ou menos pela metade, entre a 16ª e a 20ª semana de gestação, a grávida pode começar a sentir a barriga mais dura durante períodos de 30 a 60 segundos.

Nesses casos, o que deixa a barriga dura momentaneamente são contrações uterinas que podem ocorrer várias vezes ao dia, de forma aleatória e normalmente sem causar dor.

São as chamadas "contrações de Braxton-Hicks", também conhecidas como "contrações falsas" ou "contrações de treinamento", pois acredita-se que sejam uma espécie de preparação do corpo para o momento do parto. Nem todas as grávidas sentem essas contrações, que são normais e esperadas.

No entanto, se essas contrações ocorrerem mais de duas vezes por hora ou causarem muita dor, se forem no final da gravidez, se a grávida suspeitar de trabalho de parto, notar perda de sangue ou se o bebê parar de se mexer, deve-se procurar seu/sua médico/a obstetra com urgência.

Com quanto tempo de gravidez a barriga começa a aparecer?

Geralmente, a barriga começa a ficar mais saliente e visível entre a 16ª e a 20ª semana de gestação. O 8º mês é o período em que a barriga da grávida chega ao seu tamanho máximo. No 9º mês, quando o bebê desce e se encaixa para se preparar para o parto, a barriga pode descer e diminuir de tamanho.

Porém, para gestantes que já foram mães, a barriga pode começar a aparecer já na 12ª semana de gestação. Isso acontece devido à flacidez do útero causada pela primeira gravidez, o que faz com que o órgão se distenda mais facilmente nas gestações seguintes.

Algumas grávidas podem começar a notar uma saliência na barriga, na região abaixo do umbigo, quando estão na 8ª ou 9ª semana de gestação. O aumento de tamanho da barriga nessa fase é devido às alterações hormonais, uma vez que o feto ainda é muito pequeno para causar crescimento do útero.

O que pode influenciar o crescimento da barriga na gravidez?Largura do quadril

Mulheres com quadril mais largo possuem mais espaço para o crescimento do útero, o que pode atrasar um pouco o aparecimento da barriga ou fazer com que a barriga cresça menos.

Prática de atividade física

Mulheres que praticam exercícios físicos podem levar mais tempo para notar o crescimento da barriga, já que os músculos abdominais mais tonificados podem “disfarçar” o crescimento do útero.

Magreza ou excesso de peso

Mulheres magras, com pouca gordura abdominal e músculos abdominais pouco volumosos, podem notar o crescimento da barriga mais cedo. Por outro lado, grávidas com excesso de peso ou obesas podem demorar mais para notar o crescimento da barriga, uma vez que a gordura abdominal “disfarça” a distensão do útero.

Gestação de gêmeos ou gravidez múltipla

Nesses casos, a barriga pode começar a crescer antes, embora essa não seja uma regra.

Para maiores esclarecimentos quanto ao crescimento e endurecimento da barriga durante a gravidez, consulte o seu médico obstetra.

Gosto metálico na boca, o que pode ser?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

O gosto metálico na boca pode ter várias causas, como alterações hormonais na gravidez, alimentação, medicamentos ou ainda pode ser sintoma de alguma doença. O gosto metálico na boca é um tipo de alteração da sensação do paladar, chamada disgeusia.

Dentre as possíveis causas de gosto metálico na boca estão:

  • Uso de medicamentos como metronidazol, antibióticos, vitamina B12 e ferro;
  • Gravidez;
  • Boca seca por diminuição da produção de saliva (xerostomia);
  • Intoxicação por mercúrio ou chumbo;
  • Uso de prótese mal posicionada ou aparelhos ortodônticos por longos período sem revisão;
  • Infecção e alguns tipos de cirurgia no ouvido;
  • Dengue;
  • Doença de Ménière;
  • Distúrbios neurológicos;
  • Insuficiência renal.

Leia também: Gosto amargo na boca pode ser sintoma de quê?

A eliminação do gosto metálico depende da identificação e do tratamento específico da sua causa. Em algumas situações, como na gravidez, o gosto metálico irá desaparecer naturalmente ao longo da gestação ou após o nascimento do bebê.

O/a médico/a clínico geral ou médico/a de família pode diagnosticar a causa para as alterações do gosto ou orientar o encaminhamento para um/a outro/a profissional. 

Saiba mais em: Tenho a boca seca constantemente. O que pode ser?

Olhos inchados: quais as causas e tratamento?
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Dr. Marcelo Scarpari Dutra Rodrigues
Médico

Os olhos (na verdade, geralmente as pálpebras) podem ficar inchados por diversos motivos, quando estão inflamadas, quando a inflamação ocorre no(s) olho(s), ou quando há um excesso de fluidos (edemas) nos tecidos conjuntivos em torno dos olhos. Este inchaço pode ser doloroso ou não e afetar os olhos, as pálpebras superiores e as inferiores. A inflamação pode ser devida a:

  • Infecções: como por exemplo conjuntivites - a conjuntivite é uma inflamação da mucosa clara da superfície do olho, a conjuntiva (saiba mais em: Quais são os sintomas da conjuntivite?). Podem ser causadas por vírus, bactérias, fungos (mais raramente) ou serem alérgicas (vide abaixo, "alergias"). Resultam em inchaço das pálpebras, dentre outros sintomas, como olhos lacrimejantes, vermelhos e coceira. Já no hordéolo, popularmente conhecido como "terçol", ocorre uma infecção bacteriana seguida de inflamação nos folículos ciliares (hordéolo externo) ou glândulas de Zeiss (hordéolo interno). O inchaço na pálpebra é um frequente quando essas glândulas ficam bloqueadas. Um terçol pode deixar toda a pálpebra inchada, tornando-a sensível ao toque também.
  • Blefarite: é uma inflamação, infecciosa ou não, das pálpebras, geralmente causada pela produção excessiva de uma camada lipídica gerada por uma glândula encontrada na pálpebra. A blefarite é caracterizada por pálpebras inchadas e dolorosas e podem ser acompanhadas por caspa, mudanças na pele da pálpebra e perda dos cílios. Geralmente é uma condição crônica, ou seja, é possível controlar os sintomas com o tratamento adequado e práticas de higiene rígidas, mas ela nunca é curada totalmente;
  • Lesões oculares: qualquer trauma na área dos olhos, incluindo uma contusão na pálpebra ou um trauma causado por uma cirurgia plástica (blefaroplastia) pode provocar inflamação e inchaço nos olhos;
  • Corpos estranhos / produtos irritantes: Também podem causar irritação nos olhos, com inchaço local. Incluem solventes de limpeza doméstica, produtos de higiene pessoal (maquiagem, hidratantes, shampoo e sabonete), cloro da piscina, serragem, fagulhas, pequenos insetos, etc;
  • Uso de lentes de contato: uso inadequados de lentes de contato - lentes mal higienizadas, nadar com lentes de contato ou guardar a lente num estojo sujo - podem causar uma infecção nos olhos e inchaço nas pálpebras. Usar lentes de contato vencidas, danificadas ou dormir e esquecer de retirar as lentes também pode irritar os olhos e causar o inchaço;
  • Alergias: ocorrem quando o sistema imunológico reage exageradamente a uma substância estranha, chamada de alérgeno, liberando produtos químicos (o mais comum, a histamina). Trata-se de uma tentativa 'exagerada' do organismo se defender de uma substância à qual se sensibilizou, mesmo que esta seja inócua. Os vasos sanguíneos se dilatam sob efeito da histamina, provocando vermelhidão e edema (inchaço). Pólen, poeira, pelos de animais, alguns colírios e soluções para lentes de contato são alguns dos alérgenos oculares mais comuns (leia também: O que fazer em caso de reação alérgica?);
  • Insuficiência renal: neste caso, ocorre retenção de líquidos devido à perda de função dos rins, que não conseguem eliminar o líquido do corpo com a mesma eficiência. O inchaço nas pálpebras pode expandir-se para todo o rosto e é mais evidente de manhã, logo ao acordar.
  • Problemas de saúde mais graves: celulite orbitária, doença de Graves, insuficiência renal ou herpes ocular.
    • Celulite orbitária: infecção bacteriana rara e grave dos tecidos ao redor do olho, resultando em inchaço doloroso da pálpebra superior e inferior, e, eventualmente, da sobrancelha e da bochecha. Os sintomas podem ainda incluir olhos saltados, redução da visão, febre e dor, quando a pessoa move os olhos. A celulite orbitária é uma emergência médica e necessita ser tratada rapidamente para evitar a lesão do nervo óptico e a perda permanente da visão, além de outras complicações graves. Se a infecção estiver limitada ao tecido mole das pálpebras, ela é menos grave do que a celulite orbital e pode muitas vezes ser tratada com medicamentos tópicos, sem necessidade de hospitalização.
    • Doença de Graves: distúrbio ocular causado por uma tireoide hiperativa (hipertireoidismo), muitas vezes associado a inchaço, pálpebras inchadas, exoftalmia (olhos saltados), visão dupla e pálpebras caídas (ptose).
    • Herpes ocular: transmitida pelo vírus herpes simples comum, a herpes ocular é por vezes apelidada de "afta do olho" e causa inflamação (e às vezes cicatrizes) na córnea. Os sintomas podem ser parecidos com os da conjuntivite, embora possam aparecer feridas dolorosas na pálpebra, visão embaçada devido à opacidade da córnea e inchaço nos olhos, que obstruem a visão. Pode ir desde uma infecção ligeira a uma forma mais grave que pode levar ao transplante da córnea ou ainda em perda de visão (saiba mais em: Como identificar e tratar herpes ocular?).

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Tratamento de Olhos inchados

O tratamento das pálpebras inchadas depende da sua causa. Se os olhos estão inchados devido a alergias, colírios anti-histamínicos ou medicamentos de alergia oral, o uso de lubrificantes pode ajudar a aliviar os sintomas. O oftalmologista poderá também prescrever colírios esteroides suaves para reações alérgicas mais graves. Outras causas, como infecções, conjuntivite ou herpes ocular respondem bem a antibióticos, colírios antivirais e a pomadas oculares anti-inflamatórios, dependendo da doença. Crises mais leves de inchaço podem ser tratadas em casa.

Em primeiro lugar, a pessoa deve evitar esfregar os olhos para não agravar ainda mais a sua condição. Além disso, o uso de lentes de contato deve ser suspenso até que o inchaço passe.

A aplicação de uma compressa fria pode reduzir o inchaço das pálpebras, assim como compressas de água fria nas pálpebras fechadas. Porém, se os sintomas persistirem ou piorarem, ou se o indivíduo sentir qualquer dor no olho, deve consultar o oftalmologista imediatamente.

Em caso de olhos inchados, um médico (preferencialmente um oftalmologista) deverá ser consultado. Ele poderá avaliar detalhadamente, através de anamnese, exame físico e eventuais exames complementares, qual o seu diagnóstico correto, orientá-lo e prescrever o melhor tratamento, caso a caso.

Pontadas na barriga, o que pode ser?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Pontadas na barriga podem ser decorrentes de muitas causas diferentes, sejam doenças ou não. A maior parte dos casos de dor, pontada ou fisgada na barriga são cólicas intestinais associadas à alimentação rica em gorduras, prisão de ventre ou intoxicações alimentares.

As dores de barriga leves, de curta duração ou que desaparecem após algumas horas são normalmente causadas por dilatações do intestino por gases. A ansiedade também pode causar dor abdominal de curta duração e também por aumentar a quantidade de gases nos intestinos.

Na maioria dos casos, a dor abdominal é benigna, ou seja, não é decorrente de doença grave (pode ser uma gastroenterite comum) e passa após algumas horas ou dias, não sendo motivos para preocupação. Porém, em outras situações, as fisgadas na barriga podem ser sintomas de tumores, hemorragias ou inflamações graves.

Contudo, a região abdominal é a que possui mais órgãos em nosso corpo. Por isso, muitas vezes é difícil identificar a origem da dor abdominal ou “dor na barriga”. Há ainda causas de dor abdominal originadas fora do abdômen, como em casos de infarto do miocárdio, pneumonia, hérnia de hiato e derrame pleural.

Por isso, quando há sinais de alerta associados, como dor muito intensa acompanhada de febre, vômitos, diarreia com sangue ou muco, um médico deve ser consultado.

Quais as principais causas de pontadas na barriga?
  • Gastrite e úlcera péptica;
  • Prisão de ventre;
  • Intoxicação alimentar ou gases;
  • Colecistite e pedras na vesícula;
  • Pancreatite aguda;
  • Hepatite aguda;
  • Cálculo renal (pedras nos rins);
  • Apendicite;
  • Diverticulite;
  • Infecção intestinal e diarreia;
  • Parasitoses intestinais;
  • Cólicas menstruais (dismenorreia).
Quais as causas menos comuns de pontadas na barriga?
  • Tumores dos órgãos abdominais ou pélvicos;
  • Obstrução ou constipação intestinal;
  • Infarto e isquemia intestinal;
  • Aneurisma de aorta abdominal;
  • Infecção urinária;
  • Hérnias;
  • Cetoacidose diabética;
  • Doença de Crohn e retocolite ulcerativa;
  • Doenças do ovário;
  • Endometriose;
  • Gravidez ectópica;
  • Mioma uterino;
  • Abscesso hepático;
  • Anemia falciforme;
  • Rins policísticos;
  • Peritonite (membrana que envolve os órgãos abdominais).
Quais os órgãos que podem causar pontadas na barriga?

Todos os órgãos que se encontram dentro da cavidade abdominal e da cavidade pélvica podem causar dor abdominal, e algumas vezes, órgãos na cavidade torácica também podem causar dores abdominais.

Os órgãos que estão dentro do abdômen e podem causar pontadas na barriga são: fígado, vesícula biliar, vias biliares, pâncreas, baço, estômago, rins, suprarrenais, intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo), apêndice e intestino grosso.

Os órgãos dentro da pelve são: ovários, trompas, útero, bexiga, próstata, reto e sigmoide (porção final do intestino grosso).

Devido à inervação característica desses órgãos, o cérebro tem certa dificuldade em localizar o ponto exato da dor, que geralmente é difusa (toda a barriga) ou próxima ao centro do abdômen. As exceções costumam ser os rins, a vesícula biliar, os ovários ou o apêndice (dor mais lateralizada).

Portanto, identificar a localização e o tipo da dor ("pontada") ajuda, mas não costuma ser suficiente para determinar o diagnóstico. Também é importante avaliar outras características da dor, como:

  • Tempo de duração (horas, dias);
  • Periodicidade (intermitente ou contínua);
  • Intensidade;
  • Outros sintomas associados, como vômitos, diarreia, febre ou icterícia (pele e olhos amarelados);
  • Fatores agravantes ou desencadeadores;
  • Região para onde a dor irradia.

Também é importante saber se trata-se de uma dor comum, se já teve antes diversas vezes ou não, se tem algum horário ou dia do mês que ocorre com mais frequência, se está piorando ao longo do tempo ou apresentando novos sintomas, se tem casos semelhantes na família, se piora ou melhora com a alimentação, entre outras informações. É fundamental também saber qual a idade e os antecedentes pessoais do paciente.

Diante do grande número de possíveis causas para dor abdominal, um médico clínico geral ou médico de família deve ser consultado, para que seja feita uma avaliação com história completa, exame físico e eventualmente exames complementares para que a origem das pontadas seja diagnosticada e tratada.

Dor pélvica na mulher, o que pode ser?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

Dor pélvica na mulher é uma queixa muito comum nos consultórios médicos, principalmente de ginecologia, e podem ter diversas causas. O que gera um grande desafio para os profissionais, pois requer uma investigação profunda e detalhada do problema.

As causas mais comuns são infecção urinária, doença inflamatória pélvica e gravidez, entretanto existem casos mais graves, que são emergências médicas, com risco de morte, como a apendicite, ruptura de uma gravidez tubária, e portanto necessita de um atendimento médico emergencial.

Outras doenças e condições que devem ser investigadas são: vulvodinia, endometriose, fibrose uterina, adenomiose, cistos ovarianos e mioma uterino.

O que é a dor pélvica?

A dor pélvica pode ser sentida na forma de um desconforto ligeiro na pelve ou como dores intensas e incapacitantes. A dor pode ser aguda, surgindo repentinamente ou crônica, com duração mínima de 3 a 6 meses.

A dor pélvica normalmente é sentida no baixo ventre ou “pé da barriga”. Fazem parte da pelve o útero, os ovários, as tubas uterinas, a vagina, o reto e a bexiga, além de diversos músculos, nervos e ossos.

Portanto, as causas que geram a dor pélvica podem ser as mais diversas e para seu diagnóstico correto deve ser feita uma anamnese detalhada, um exame físico cuidadoso e exames complementares quando necessários.

Na investigação, é fundamental avaliar dados como a idade, antecedentes pessoais, início dos sintomas, concomitância com febre, sangramentos ou outros sinais e sintomas de gravidade e as características específicas da dor pélvica. Algumas perguntas são fundamentais para auxiliar na investigação, por isso tenha atenção e se possível anote alguns detalhes que podem ser esquecidos durante a consulta médica, como:

  • Onde exatamente dói?
  • Qual o tipo da dor - pontada, peso, pulsação, aperto, queimação?
  • É intensa? quão intensa? é a mais forte da vida?
  • Chega a despertar do sono ou vomitar nas crises?
  • Irradia ("espalha") para algum lugar ou é restrita a essa região específica?
  • Há quanto tempo está com dor?
  • Ela é cíclica (vai e volta) ou contínua, durando dias?
  • Quando vem a dor dura quanto tempo?
  • Você já teve antes? é comum?
  • Tem algum horário do dia ou do mês em que acontece com mais frequência?
  • Melhora com alguma coisa?
  • Está piorando, ao longo do tempo, ou apresentando novos sintomas concomitantes?
  • Piora nas relações sexuais?
  • Tem relação com o período menstrual?
  • Tem corrimento vaginal associado? Se houver, qual a coloração, tem cheiro ruim?
  • Ardência ao urinar? está indo mais vezes ao banheiro e fazendo pouco xixi?
  • Qual a sua frequência sexual?
  • Sente tontura ou enjoo juntos com a dor? data da última menstruação?

Em caso de dor pélvica, procure um/a médico/a, preferencialmente um/a ginecologista, para avaliação inicial.

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Sinto pontadas no peito. O que pode ser?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Pontadas no peito normalmente não estão relacionadas com o coração. Podem ser sinal de gases intestinais, ansiedade, doenças pulmonares e digestivas, entre outras causas. A dor no peito causada pelo infarto tem características diferentes.

As pontadas no peito podem ser causadas por irritação da pleura, uma membrana dupla de tecido conjuntivo que recobre os pulmões e a parte interna do tórax. A dor pleurítica é súbita, em pontada, e surge ou piora com a respiração, tosse ou bocejo. As pontadas são bem localizadas e parecem vir diretamente do coração.

Dentre as doenças ou condições que podem afetar a pleura e causar pontadas no peito estão a tuberculose, o câncer de pulmão, a pneumonia, o derrame pleural (excesso de líquido entre o pulmão e as costelas) e o pneumotórax (escape ou entrada de ar no espaço pleural que provoca um colapso total ou parcial do pulmão).

Quando as pontadas no peito vêm acompanhadas de tosse, azia ou febre, as causas mais prováveis são as doenças respiratórias ou digestivas. Dentre as possíveis causas estão:

  • Aneurisma de aorta, embolia pulmonar, refluxo gastroesofágico;
  • Inflamação do pericárdio (pericardite), membrana que envolve o coração;
  • Esofagite, espasmo do esôfago, pressão sanguínea pulmonar elevada;
  • Costocondrite (inflamação das cartilagens das costelas), lesões nas costelas;
  • Lesões musculares, artrite, fibromialgia, herpes zoster, artrite reumatoide;
  • Colecistite, gastrite, úlcera, pancreatite.
Pontadas no peito podem ser problemas no coração?

A dor torácica em forma de pontadas ou agulhadas no peito raramente estão relacionadas com o coração. As dores no peito de origem cardíaca, como em casos de angina ou infarto, localizam-se no centro do tórax e podem irradiar para outras partes do corpo, como braços, mandíbula, pescoço, região posterior do tórax, estômago e umbigo.

A pessoa geralmente sente uma dor ou um desconforto no peito que pode irradiar para essas áreas do corpo. É uma dor intensa e prolongada, acompanhada por uma sensação de peso, aperto ou queimação no peito.

No caso da angina de peito, a dor geralmente tem uma duração de 5 a 20 minutos e cessa com o repouso. Se a dor permanecer por mais de 20 minutos, pode ser sintoma de infarto.

A dor torácica decorrente de problemas cardíacos pode ser desencadeada por atividade física, estresse emocional ou até pela ingestão de uma refeição mais pesada e de digestão mais difícil.

Nesses casos, a dor no peito não melhora com o repouso, com a respiração funda ou com determinadas posições.

Outros sinais e sintomas que podem estar presentes em caso de infarto incluem falta de ar, batimentos cardíacos mais lentos, acelerados ou irregulares, náuseas, vômitos, palidez, transpiração e respiração ofegante.

Quando a dor dura apenas alguns segundos ou surge e desaparece diversas vezes durante o dia, provavelmente não tem como causa um problema cardíaco.

Consulte o/a médico/a clínico/a geral ou médico/a de família em caso de pontadas no peito para que a origem da dor seja devidamente diagnosticada e tratada.

Ouvido entupido: o que pode ser e o que fazer?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

A sensação de ouvido entupido pode ter diversas causas, sendo que a mais comum e frequente está relacionada com a variação de pressão durante uma mudança de altitude, como ocorre durante a descida de uma serra ou quando o avião começa a descer, por exemplo.

Como o corpo demora algum tempo para se habituar a essa mudança de pressão, o ouvido fica entupido, pois a pressão do ambiente é diferente daquela que ele estava habituado.

Normalmente a situação se resolve ao engolir saliva, beber algum líquido ou bocejar. Outra forma de desentupir o ouvido é tapar o nariz, fechar a boca e soprar, sem deixar o ar sair.

Quando os músculos orais e nasais se movimentam, a tuba auditiva se abre. Por isso, engolir, mastigar ou bocejar ajuda a desentupir os ouvidos.

Contudo, a manobra de tapar o nariz, fechar a boca e soprar para aumentar a pressão nos ouvidos pode enviar ou favorecer a entrada de secreção nasal contaminada para o ouvido em algumas situações.

Colocar azeite ou álcool para aliviar a sensação de ouvido entupido não é indicado, pois pode piorar o quadro. Qualquer tratamento só deve ser iniciado após avaliação de um médico otorrinolaringologista, já que o ouvido entupido pode ser causado por diversas doenças.

Quais são as outras causas de ouvido entupido? Bruxismo

O deslocamento incorreto da mandíbula pode dar a sensação de ouvido tapado.

Bloqueio de algum ossinho do ouvido

No ouvido médio existem 3 ossinhos que ajudam a transmitir as ondas sonoras até o ouvido interno, por meio de movimentos em conjunto com o tímpano, através de contrações de músculos muito pequenos. Caso haja algum bloqueio ou disfunção nesse movimento, pode surgir a sensação de ouvido entupido.

Resfriado, gripe, rinite alérgica, aumento das adenoides

Podem causar obstrução nasal devido ao acúmulo de catarro, que pode ser empurrado para o ouvido, tapando-o.

Otite

As infecções de ouvido podem deixar o ouvido entupido. Normalmente a otite vem acompanhada de dor, febre, vertigem, tontura, além de agitação, choro fácil e perda de apetite, no caso das crianças.

Acúmulo de cera

O cerume em excesso pode obstruir parcialmente ou totalmente o conduto auditivo, bloqueando a transmissão das ondas sonoras para estruturas mais internas do ouvido.

Mesmo quando a quantidade de cera é normal, ela pode ser empurrada para o fundo do ouvido com a entrada de água ou com o uso de cotonetes, deixando o ouvido entupido e podendo até causar dor de ouvido.

O tratamento nesses casos consiste na retirada do excesso ou acúmulo de cera, através de lavagem do ouvido ou por meio de um instrumento apropriado. Contudo, quando a cera está compactada no fundo do ouvido, é necessário usar medicamento para o ouvido, antes de remover o cerume.

Em caso de ouvido entupido, deve-se procurar o/a médico/a de família, clínico/a geral ou otorrinolaringologista para que as causas sejam devidamente identificadas e tratadas.