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Com quantos dias aparecem os primeiros sintomas de gravidez?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

Os primeiros sintomas de gravidez começam a surgir na 5ª ou 6ª semanas de gestação. Lembrando que as semanas devem ser contadas a partir do primeiro dia da última menstruação (DUM). Na maioria das vezes, aparecem com 7 a 14 dias de atraso menstrual.

O exame do hormônio beta HCG, no sangue ou na urina, já pode ser detectado 6 a 8 dias após o início da gestação, mas os sintomas levam mais tempo para serem percebidos ou identificados no exame médico.

Primeiros sintomas de gravidez

Em geral, o primeiro sintoma da gravidez é a ausência de menstruação ou atraso menstrual detectado quando o período não vem na data esperada. Após o atraso menstrual, com o passar das semanas, os outros sintomas vão surgindo, naturalmente.

5 - 6 semanas:
  • Náuseas, com ou sem vômitos - Comum na maioria das gestantes, com início entre a quinta e a sexta semana de gestação, sendo pior por volta da nona semana e melhora espontaneamente, após 16 a 20 semanas.
  • Aumento do volume das mamas e sensibilidade nos mamilos - as mamas começam o aumento do volume, os mamilos se tornam mais sensíveis e pode começar a apresentar uma coloração mais escurecida.
  • Aumento da frequência urinária - também é um sinal bastante precoce, o aumento da vontade e do volume de urina, mas sem outros sintomas. Se houver sinais de ardência, dor ou mau cheiro ao urinar, não deve ser entendido como sintoma normal da gravidez. Deve-se procurar um atendimento médico.
  • Distúrbio do sono - A gestante costuma ter alterações de sono, sono noturno insuficiente, sonolência diurna, ou mesmo insônia pelas modificações naturais da gravidez, como aumento do volume urinário, dificuldade de mobilização na cama e queda da pressão.
  • Cansaço (fadiga) - A sonolência durante o dia e o cansaço físico também podem ser percebidos nas primeiras semanas. A fadiga melhora no segundo trimestre, mas pode retornar ao final da gestação.
  • Dores de cabeça - as dores de cabeça, nariz entupido e calorões acontecem devido ao aumento de estrogênio no sangue, responsável pela dilatação dos vasos.
8 a 10 semanas:
  • Aumento do volume do útero - a partir da oitava semana, o útero já pode ser percebido, semelhante ao tamanho de uma pera. Esse aumento pode cursar ainda com desconforto pélvico, e sensação de "inchaço abdominal".
  • Mudança no paladar - aversão a certos alimentos é outro sintoma comum a muitas gestantes.
12 a 20 semanas:
  • Vulva azulada - Por volta da decima segunda semana, a mulher já percebe um aumento da vulva e coloração azulada, devido ao aumento da vascularização no local.
  • Dor lombar - pode ter início já no segundo trimestre por fatores como postura inadequada, fraqueza muscular, frouxidão ligamentar e desenvolvimento do bebê. Pode piorar ainda mais no terceiro trimestre.
  • Saída de colostro - secreção clara pelo mamilo.
Após 28 semanas:
  • Azia - No início do terceiro trimestre, os sintomas de azia e constipação se tornam mais evidentes, devido a toda a modificação do organismo da mulher, tamanho e desenvolvimento normal do bebê.
  • Inchaço dos pés e tornozelos - O edema nos membros inferiores, especialmente tornozelos começam a incomodar no terceiro trimestre de gestação, e para aliviar os sintomas é indicado beber mais água, reduzir o consumo de sal na comida e colocar as pernas para cima durante o dia, sempre que for possível, para auxiliar na drenagem linfática.

Atividade física devidamente acompanhada e drenagem linfática podem ser indicadas pelo médico.

Sintomas menos comuns no início da gravidez

Algumas mulheres grávidas também podem apresentar outras manifestações menos frequentes no início, como cólicas ou sangramento no momento da implantação do óvulo no útero, o que geralmente acontece na metade do ciclo.

Ao detectar uma gravidez, a mulher deve procurar o serviço de saúde para iniciar os cuidados de pré-natal.

Conheça um pouco mais sobre esse assunto nos artigos a seguir:

Referências:

Lori A Bastian, et al. Clinical manifestations and diagnosis of early pregnancy. UpToDate. Sep 08, 2020.

FEBRASGO - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

Corrimento marrom, o que pode ser?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

O corrimento marrom pode ser causado por diversos motivos, entre eles a infecção vaginal bacteriana (corrimento geralmente amarelado, mas pode ser marrom claro na vaginose bacteriana) pode ser causa de corrimento marrom.

Quando o corrimento vaginal é marrom escuro, geralmente adquire esta cor por ter sangue em sua composição, o que pode indicar feridas sangrantes no colo do útero, nas paredes vaginais, nas tubas uterinas ou ser proveniente da própria parede uterina (alteração menstrual).

Normalmente, o corrimento vaginal adquire a cor marrom devido à presença de sangue coagulado na sua composição. Esses restos de sangue podem ter como causas resquícios do período menstrual, traumatismos, infecções, presença de corpo estranho, câncer, atrofia vaginal, gravidez ectópica (gravidez fora do útero), entre outras.

A menstruação tipo borra de café, verificada no final do período, também pode ter coloração marrom. Trata-se da mudança de cor do sangue, que oxida devido ao tempo que fica retido no útero até ser expelido, o que altera a sua cor.

O corrimento marrom deixa de ser considerado “normal”, ou seja, fisiológico, se persistir por vários dias ou vier acompanhado de mau cheiro.

Leia mais sobre corrimento normal em: Corrimento vaginal é normal?

Corrimento marrom nas infecções, alergias e outras doenças

Nos casos de infecção bacteriana vaginal, normalmente outros sinais e sintomas acompanham o corrimento marrom, como: ardência, cheiro forte e desagradável, inchaço, prurido (coceira) e vermelhidão.

O corrimento vaginal marrom também pode ser decorrente de doença inflamatória pélvica (DIP), muito mais grave e pode necessitar de internação hospitalar para tratamento, câncer do colo do útero, câncer de endométrio, pólipos ou miomas uterinos, endometrite, outras doenças sexualmente transmissíveis como a gonorreia.

Alergias e irritação

Grande parte dos corrimentos crônicos são causados por preservativos. O látex das camisinhas pode provocar alergia em algumas mulheres, o que vai desregular o pH vaginal e criar um ambiente propício à proliferação de bactérias que causam a vaginose bacteriana.

Produtos de higiene íntima (duchas vaginais) também são outro agente que provoca irritação. Duchas podem levar à destruição das bactérias benéficas (flora vaginal normal - bacilos de Doderlein) que impedem a proliferação de bactérias causadoras de doenças como as da vaginose. O uso de sabonetes, lubrificantes e cremes vaginais sem indicação do médico é outro fator que pode explicar corrimentos recorrentes.

Corrimento marrom após relações sexuais

O corrimento marrom escuro geralmente indica sangramento em algum local do aparelho reprodutor. O sangramento pode ser oriundo da própria parede vaginal ou do colo do útero, como consequência de relações sexuais intensas ou repetidas.

Corrimento marrom na gravidez

Nas primeiras 12 semanas de gestação, algumas mulheres podem apresentar secreção vaginal marrom. Esse pequeno sangramento pode se originar da implantação do embrião na parede uterina (nidação). Neste caso o sangramento é semelhante à menstruação, mas em pequena quantidade, de coloração mais clara e dura poucos dias.

A vagina também fica mais sensível durante a gravidez, podendo sangrar mais facilmente durante relações sexuais ou exames ginecológicos. Além disso, aumenta a chance de infecções nesse período.

Sempre que ocorrerem corrimentos ou sangramentos durante a gestação, ainda que geralmente comuns, um médico ginecologista deve ser consultado imediatamente. O corrimento também pode significar algo mais grave, como perda sanguínea decorrente de gravidez ectópica com rotura de tuba uterina (acompanhada de fortes dores abdominais em cólica), aborto (ou ameaça de aborto), placenta prévia, descolamento prematuro de placenta, rotura de vasa prévia, entre outras causas.

Para maiores esclarecimentos, consulte um médico ginecologista ou médico de família para receber um diagnóstico e tratamento adequados.

Também pode lhe interessar:

Corrimento vaginal: o que significam as diferentes cores?

Dor na nuca, o que pode ser?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

Dor na nuca pode ter várias causas, sendo as mais comuns:

  • Pressão arterial alta,
  • Enxaqueca,
  • Problemas de coluna,
  • Problemas de visão e
  • Estresse ou Tensão muscular.

A dor pode ser dos dois lados ou unilateral (dor à direita ou à esquerda), dependendo da causa.

Dor na nuca e hipertensão arterial

O aumento da pressão é uma das causas mais comuns de dor na nuca, embora algumas pessoas mesmo com a pressão muito elevada, não apresentem nenhum sintoma.

À medida que os níveis de pressão se mantêm elevados, ou subam gradativamente, o organismo tende a se adaptar à situação, sem causar dor ou outras queixas. O que é prejudicial para a pessoa, porque não existe um sinal de algo errado, retardando o devido tratamento.

A dor na nuca associada a hipertensão arterial, pode vir acompanhada de: dor no peito, tontura, náuseas, sonolência, confusão mental, vômitos, palidez, tremores nas mãos, zumbido no ouvido, sangramento pelo nariz, fraqueza, visão turva e alterações visuais.

Qual o tratamento para dor na nuca causada por pressão alta?

O tratamento para essa fase de crise hipertensiva, deve ser procurar um serviço de emergência, para tratar o problema e evitar maiores complicações, como um derrame cerebral, ou infarto agudo do miocárdio.

Após resolvida a crise de hipertensão, o tratamento deve ser direcionado a causa do problema, ou seja, o melhor controle da pressão arterial. A hipertensão arterial não tem cura, mas tem tratamento eficaz, que deve ser feito sem interrupções e durante a vida toda, para evitar complicações cardiovasculares, neurológicas e ou renais, principalmente.

Algumas medidas para o tratamento e controle da hipertensão arterial incluem:

  • Não fumar;
  • Manter uma alimentação saudável com frutas, verduras e fibras, evitando alimentos industrializados, gordurosos e muito calóricos;
  • Manter o peso adequado à altura;
  • Reduzir a ingestão de sal e de bebidas alcoólicas;
  • Praticar atividades físicas regulares, 30 minutos diários, 5 dias por semana, com orientação médica;
  • Tomar os medicamentos para hipertensão sempre, mesmo quando a pressão estiver boa, a não ser que seja alterado pelo médico cardiologista;
  • Procurar reduzir o nível de estresse, mudando hábitos de vida e com o auxílio de atividades ou técnicas para esse fim;
  • Realizar técnica de respiração lenta, com 10 respirações por minuto durante 15 minutos por dia.
Dor na nuca e enxaqueca

A dor na nuca associada ao quadro de enxaqueca, se caracteriza por ser uma dor unilateral, tipo latejante ou em pontadas, acompanhada de náuseas, vômitos, tontura, fotofobia (piora da dor com a luz) e ou fotofobia (piora da dor com o barulho).

Qual o tratamento para dor na nuca causada por enxaqueca?

O tratamento da crise de dor deve ser feito com analgésicos fortes e anti-inflamatórios, além de se manter em repouso e em ambientes escuros.

Contudo, sabendo que a enxaqueca não tem cura, é fundamental a avaliação e o acompanhamento pelo médico neurologista, que poderá indicar o melhor tratamento de manutenção, caso a caso.

Saiba mais em: Que remédios devo tomar para enxaqueca?

Dor na nuca e problemas de coluna

As doenças de coluna como a escoliose, cifose, a hérnia de disco e doenças degenerativas, causam frequentemente uma tensão na musculatura do pescoço, que para compensar o problema existente piora ainda mais a deformidade do local, levando a um quadro de dor.

Nesses casos, a dor piora com o movimento e com a palpação, e melhora com o repouso e medicamentos para dor. Pode ser localizada apenas na nuca, ou irradiar para um dos braços, com uma dor tipo "choque", nos casos de hérnia de disco, devido à compressão de uma raiz nervosa.

Qual o tratamento para dor na nuca causada por problemas de coluna?

O tratamento deve ser conservador inicialmente, com o uso de medicamentos anti-inflamatórios e ou relaxante muscular. E mais raramente, nos casos que não respondem, ou com sinais de maior gravidade e alterações neurológicas, pode ser indicada cirurgia para a correção do problema.

Saiba mais no link: O que é hérnia de disco? Quais as causas, sintomas e tratamento?

Dor na nuca e problemas de visão

Os problemas de visão, como miopia, astigmatismo e outros, devem ser corrigidos com o uso de óculos. Porém é comum o uso irregular dos óculos, causando uma sobrecarga na visão durante todo o dia, e com isso a dor na nuca ao final do dia.

Sendo assim, a dor associada aos problemas de visão, são mais comuns a tarde ou a noite. Especialmente para pessoas que fazem uso de computador durante o dia.

Qual o tratamento para dor na nuca causada por problemas de visão?

O tratamento deve ser manter o uso correto dos óculos e o acompanhamento regular com oftalmologista.

Dor na nuca e tensão muscular

A tensão muscular resulta de vários fatores como má postura, contração muscular por estresse ou esforços físicos. Nesse caso, a dor pode irradiar da nuca para outras partes do corpo como cabeça, ombros e braços.

Qual o tratamento para dor na nuca causada por tensão muscular?

O tratamento da dor na nuca causada por tensão muscular baseia-se na correção da postura, na realização de exercícios físicos adequados ao problema, redução do estresse e uso de analgésicos e relaxantes musculares.

Pode também ser um sintoma de doença neurológica, como a meningite. Nesse caso, geralmente aparece acompanhada de outros sinais e sintomas como rigidez de nuca, enjoos, vômitos e febre. Trata-se de uma doença grave e com risco de morte, por isso na suspeita de meningite, procure imediatamente uma emergência.

O clínico geral ou médico de família pode diagnosticar e orientar o tratamento para a dor na nuca.

Vontade de urinar toda hora, o que pode ser e o que posso fazer?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

A vontade de urinar a toda hora pode decorrer de uma série de motivos e nem sempre é sinal de doença. Diversas condições, patológicas ou não, podem provocar um aumento da produção de urina ou irritações na bexiga que deixam a pessoa com uma vontade constante de urinar.

1. Diabetes

Na diabetes, o aumento do açúcar no sangue, leva a um aumento também na absorção de água, resultando na maior produção de urina. A doença desencadeia ainda outros sintomas, como sede excessiva e maior vontade de comer.

Portanto, podemos dizer que os sintomas que sugerem a diabetes são:

  • Poliúria (maior volume de urina),
  • Polidipsia (aumento da sede),
  • Polifagia (aumento do apetite),
  • Emagrecimento (sem causa aparente).

Na suspeita de diabetes, especialmente se houver familiares com esta doença, procure um endocrinologista para confirmar esse diagnóstico e iniciar o devido tratamento.

2. Cistite (infecção urinária)

A cistite, ou uma infecção urinária, é a principal causa de aumento da vontade de fazer xixi na população geral. A infecção leva a uma irritação na parede da bexiga e desenvolve os sintomas:

  • Vontade de urinar várias vezes ao dia,
  • Urgência para urinar,
  • Urinar em pequenas quantidades,
  • Ardência ao urinar,
  • Coceira,
  • Dor no "pé da barriga" (região abaixo do umbigo).

Mais raramente pode haver ainda febre e confusão mental. Esses sintomas são mais comuns em pessoas idosas, diabéticas ou com imunidade baixa e indica maior risco de complicações.

Na suspeita de infecção urinária, procure imediatamente um médico clínico geral, médico da família ou urologista, para iniciar o quanto antes o tratamento com antibióticos.

A infecção urinária não tratada pode evoluir com pielonefrite (infecção renal) e infecção generalizada (sepse urinária).

3. Doenças na próstata

A próstata é uma pequena glândula localizada abaixo da bexiga e junto a uretra. Por isso, quando acontece um aumento dessa glândula, seja por inflamação (prostatite), ou presença de um tumor (hiperplasia ou câncer), ela comprime a uretra impedindo a passagem normal do fluxo de urina. Com isso a bexiga não consegue esvaziar completamente, aumentando a necessidade de urinar e outros sintomas, como:

  • Maior frequência na micção,
  • Urinar em pouca quantidade, em cada micção,
  • Pode haver dor, dependendo da compressão na uretra,
  • Pode haver sangue na urina, nos casos mais avançados.

Na suspeita de problemas de próstata, é preciso procurar o urologista, para confirmar o diagnóstico. Após o diagnóstico, o médico poderá definir o melhor tratamento, na maioria das vezes existe a indicação de ressecção cirúrgica da próstata.

4. Gravidez

Durante a gravidez, o aumento do volume de sangue e aumento das taxas hormonais, modificações naturais desse período de vida da mulher, causam um aumento do volume de urina, sendo preciso urinar mais vezes durante o dia.

Além disso, no terceiro trimestre, com o crescimento do bebê, o espaço se torna menor, e passa a comprimir a bexiga, reduzindo a sua capacidade de armazenamento de urina, aumentando assim, ainda mais, a necessidade de urinar da gestante. Os sintomas são de:

  • Aumento na frequência urinária,
  • Aumento do volume de urina em cada micção,
  • Urgência para urinar.

Neste caso, não é preciso nenhum tratamento ou preocupação, trata-se de uma adaptação natural do organismo da gestante, para permitir o desenvolvimento saudável do bebê.

No entanto, se junto a maior frequência de urina, surgir sintomas de ardência, coceira, sangramento ou febre, é preciso procurar imediatamente atendimento médico. A infecção urinária durante uma gestação pode causas graves problemas.

5. Uso de medicamentos

O uso de medicamentos diuréticos, é outra causa bastante comum de aumento na vontade de urinar. Algumas vezes é preciso correr ou usar um absorvente, para passar mais tempo na rua, em segurança. Os sintomas são de:

  • Urgência para urinar,
  • Maior volume de urina,
  • Sintomas relacionados ao início de um medicamento diurético, ou ajuste de dose.

Neste caso, é preciso conversar com o seu médico de família ou cardiologista, para avaliar os benefícios e qualidade de vida. Se houver comprometimento no seu dia a dia e/ou constrangimentos, pode ser avaliada a troca da medicação, sem prejudicar o seu tratamento.

6. Ansiedade

Na crise de ansiedade, são liberados neurotransmissores, que dentre outras ações, aumentam a contração involuntária da bexiga e a vontade de urinar. Os sintomas que sugerem os diversos tipos de ansiedade são:

  • Preocupação excessiva,
  • Palpitação,
  • Suor frio,
  • Dor no peito,
  • Vontade de fazer urinar várias vezes durante o dia.

Nos casos de ansiedade, o tratamento deve ser multidisciplinar, com medicamentos, psicoterapia e atividade física, um conjunto que permite alcançar a cura dessa doença, na grande maioria das vezes.

7. Síndrome da bexiga hiperativa

A Síndrome da Bexiga Hiperativa afeta tanto homens como mulheres e é mais encontrada em pessoas brancas, portadores de diabetes. Trata-se de uma alteração no funcionamento da bexiga que provoca contrações involuntárias no órgão, causando vontade constante e urgente de urinar. Os sintomas clássicos desta síndrome são:

  • Urgência para urinar,
  • Aumento de frequência de micção,
  • Noctúria (incontinência urinária noturna),
  • Incontinência de urgência.

Pessoas com essa Síndrome têm mais de 8 micções ao longo do dia e da noite, inclusive depois de dormir. A urgência urinária, ou seja, a necessidade de urinar logo que se tenha vontade, é o sintoma característico.

O tratamento deve ser realizado pelo urologista, que inicialmente orienta quanto as medidas comportamentais incluindo o treinamento vesical (estratégias para tentar controlar os músculos dessa região), controle da ingesta hídrica por dia e quando não for suficiente, deverá incluir o uso de medicamentos e procedimentos cirúrgicos.

Segurar o xixi faz mal?

Sim. O hábito de prender a urina aumenta o risco de desenvolver doenças como a infecção urinária e a incontinência urinária.

O ato de fazer xixi é uma das defesas do nosso corpo. Na urina são eliminados todos os germes, bactérias e substâncias tóxicas para o organismo, que foram filtradas pelos rins.

Quando seguramos o xixi, mantemos a urina por mais tempo dentro da bexiga, o que expõe o trato urinário a proliferação dessas bactérias e risco de uma infecção urinária.

Além disso, reter a urina por mais tempo do que o necessário, sobrecarrega a bexiga, prejudicando a sua elasticidade e função do esfincter, podendo resultar na perda do controle da urina, a incontinência urinária.

Portanto, para evitar essas complicações, procure ir com frequência ao banheiro, e beber pelo menos 1litro e meio de água por dia, a fim de auxiliar a filtração renal e limpeza do trato urinário.

É normal ter vontade de urinar a noite?

Sim, é normal desde que mantenha o volume considerado normal, e desde que não interfira nos hábitos de sono.

A vontade de urinar durante a noite, alterando a qualidade de sono e/ou com volume e frequência aumentados é chamado noctúria. Pode ter as mesmas causas da poliúria (aumento do volume de urina) e da polaciúria (aumento na frequência de urinar).

A poliúria é definida por um volume de urina maior do que 3 litros por dia, para o adulto e maior de 2litros por metro quadrado, na criança. Polaciúria, número excessivo de micções em 24h, é caracterizado pela frequência acima de 6 vezes por dia para um adulto, e mais de 12 micções por dia para as crianças.

Em caso de vontade de urinar a toda hora, consulte um clínico geral, médico de família, ou um urologista para receber um diagnóstico e tratamento adequados.

Veja também:

Referências:

SBN - Sociedade Brasileira de Nefrologia

SBU - Sociedade Brasileira de Urologia / Portal da Urologia

UpToDate - Daniel G Bichet, et al. Evaluation of patients with polyuria. Sep 27, 2019.

Sinto dores abdominais do lado direito abaixo as costelas. Pode ser hepatite?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Dor abdominal do lado direito, abaixo as costelas, pode ser hepatite, apesar de que no seu caso, os exames estão dentro da normalidade. Outra possível causa para as dores abdominais é a presença de cálculos (“pedras”) na vesícula biliar. Lesões na parte inferior do pulmão direito, no rim, nas costelas ou ainda em músculos também podem causar dor na porção superior direita do abdômen.

A hepatite nem sempre manifesta sintomas e, quando estão presentes, caracterizam-se por fadiga, falta de apetite, febre, náusea, vômitos, diarreia, clareamento das fezes, dor nas articulações, urina escura, dores abdominais, icterícia (pele e olhos amarelados), entre outros.

Se a hepatite durar mais de 6 meses, ela é considerada crônica. Nesses casos, a doença pode evoluir para cirrose hepática ou ainda câncer de fígado.

Há diversos tipos de hepatite e a gravidade dos sintomas varia muito de acordo com o tipo de hepatite. Algumas hepatites podem resolver-se espontaneamente em poucos dias ou necessitar de amplo tratamento. Há casos em que a hepatite não tem cura e o objetivo do tratamento é apenas controlar a evolução doença.

O que é hepatite?

A hepatite é uma inflamação do fígado, causada principalmente por vírus. A hepatite impede o fígado de exercer as suas diversas funções, como digestão, armazenamento de energia e eliminação de toxinas. A hepatite causa lesões no fígado que podem evoluir para cirrose hepática ou câncer de fígado.

A hepatite também pode ter como causas bactérias e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, medicações e algumas plantas. Há ainda hepatites autoimunes, em que o sistema imunológico da pessoa ataca as próprias células do fígado.

A hepatite, independentemente do tipo e da causa, precisa sempre de avaliação e acompanhamento médico adequado.

Qual é o tratamento para hepatite?

O tratamento da hepatite aguda é feito com repouso e dieta adequada. O objetivo do tratamento é permitir a recuperação do fígado. Nos casos mais graves de hepatite e na hepatite crônica, o tratamento é feito com medicamentos específicos que controlam a multiplicação do vírus e diminuem as lesões causadas ao órgão.

Dor abdominal do lado direito pode ser pedra na vesícula?

Sim. Além do fígado, a vesícula biliar é outra causa comum de dor no lado superior direito do abdômen, principalmente quando há pedra na vesícula. As pedras na vesícula são formadas por sucos digestivos endurecidos que se depositam na vesícula biliar.

Nesse caso, a dor abdominal é na realidade uma cólica biliar, provocada pela obstrução da vesícula por uma ou mais pedras.

Como se formam as pedras na vesícula?

A vesícula biliar é uma pequena bolsa que se localiza abaixo do fígado, do lado superior direito do abdômen, abaixo das costelas.

Dentro da vesícula biliar está a bílis, produzida pela fígado. Ao se contrair, a vesícula “injeta” a bílis para dentro do intestino para atuar na digestão das gorduras.

Porém, quando está muito concentrada, a bílis pode cristalizar, dando origem aos cálculos (pedras) biliares. A maioria das pedras na vesícula são constituídas por colesterol e se formam quando a concentração de colesterol na bílis está muito alta ou quando a vesícula biliar não se esvazia de forma adequada.

Quais são os sintomas de pedra na vesícula?

A grande maioria das pessoas que tem pedra na vesícula biliar não manifesta sintomas. Quando presentes, a principal manifestação é a dor abdominal do lado direito, embaixo das costelas. A dor pode irradiar para o lado esquerdo do abdômen, para as costas, para o tórax ou se difundir para todo o abdômen.

A dor abdominal pode durar minutos ou horas e surge subitamente, podendo durar minutos ou horas. Em alguns casos, a pessoa pode apresentar também náuseas, vômitos, aumento da transpiração e palidez.

Se a obstrução permanecer por muito tempo, a vesícula inflama e surge a colecistite. Além de cólica biliar, que surge após a ingestão de alimentos gordurosos, a colecistite causa febre e vômitos.

Se não provocar sintomas, os cálculos biliares podem não necessitar propriamente de um tratamento, exceto em casos específicos. Porém, se houver sintomas como dor abdominal (cólica biliar) ou outras complicações, é necessário fazer uma cirurgia para retirar a vesícula biliar.

Consulte um/a médico/a clínico/a geral ou médico/a de família se a dor abdominal for muito intensa, durar horas ou dias, ou ainda se vier acompanhada de vômitos, febre ou outros sintomas.

Coceira no corpo, o que pode ser e o que fazer?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Coceira no corpo pode ser causada por diversas doenças, que vão desde alergias a tumores no fígado, passando por seborreia e micoses. Regra geral, o que se deve fazer é evitar coçar muito o local para evitar lesões e infecções.

Dependendo do local do corpo que a coceira aparece, é possível saber o que pode ser:

Cabeça: Caspa;Olhos: Conjuntivite ou blefarite (caspa ocular);Lóbulo a orelha: Alergia ao brinco de bijuteria ou prata;Abaixo da nuca: Alergia à etiqueta da roupa;Axilas: Alergia ao desodorante;Virilha: Micose;Genitais: infecções sexualmente transmissíveis, alergias;Corpo todo: Urticária ou dermatite atópica;Dentro ou atrás da orelha: Dermatite seborreica;Nariz: Rinite;Pescoço e pálpebra superior: Alergia ao esmalte da unha;Lateral do abdômen: pele seca;Mãos: Alergia ao detergente ou sabão;Pés: micose.

Quais são as principais causas de coceira no corpo? Dermatites

Caracterizam-se pelo aparecimento de manchas avermelhadas que descamam e coçam, podendo ter evolução crônica. Pode ser causada por produtos de limpeza, higiene pessoal e beleza, substâncias químicas, efeito secundário de algum medicamento, entre outros.

Escabiose ("sarna")

Geralmente provoca coceira à noite, principalmente no abdômen, parte interna dos braços, área genital e coxas. A doença é causada por um ácaro que pode facilmente ser transmitido através do uso comum de roupas de cama e roupas, embora o contato sexual seja o seu principal meio de disseminação.

Urticária

Caracteriza-se pelo aparecimento repentino de placas avermelhadas e elevadas na pele. Pode ter diversas causas, sendo que alguns medicamentos estão entre as principais.

Ansiedade ou estresse

Coceira generalizada pode ser sinal de ansiedade ou estresse severos, capazes de levar o indivíduo a ideias suicidas.

Alimentação

A coceira nestes casos é mais rara, com características semelhantes à urticária. O consumo de camarão está entre suas principais causas.

Picada de inseto

A picada de determinados insetos pode levar ao surgimento de bolinhas avermelhadas na pele que geralmente coçam muito.

Doenças mais graves

Dengue, catapora, viroses, hepatites B e C e até infecção pelo HIV podem causar erupções na pele que provocam coceira.

Se estiver com coceira no corpo, você pode procurar o/a médico/a de família, clínico/a geral ou dermatologista para que seja feito um diagnóstico das causas, seguido por um tratamento adequado.

Saiba mais em:

Coceira no ouvido: O que pode ser e o que devo fazer?

Estou com coceira na garganta e sinto que ela está irritada. O que pode ser?

Como saber se os batimentos cardíacos estão normais?
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Dra. Rafaella Eliria Abbott Ericksson
Clínica médica e Neurologia

A frequência cardíaca normal, em repouso, varia entre 60 e 100 batimentos por minuto (bpm). Quando os batimentos cardíacos estão acelerados, acima de 100 bpm, a pessoa está com taquicardia. Uma frequência cardíaca baixa, inferior a 60 bpm, é considerada bradicardia.

Para saber se os seus batimentos cardíacos estão normais, basta medir a sua pulsação. Para isso, você deve permanecer em repouso, de preferência deitado, durante pelo menos 5 minutos. Depois, ainda deitado, coloque as pontas dos dedo indicador, médio e anelar logo abaixo do pulso, na base do polegar.

Pressione ou movimente os dedos para os lados, até sentir a pulsação. Use um relógio ou cronômetro para marcar o tempo e observe quantas vezes o seu coração bate durante 1 minuto.

Vale lembrar que contar as pulsações por 15 segundos e depois multiplicar por 4 para obter o número de batimentos cardíacos por minuto pode dar um resultado que não condiz com a realidade, pois a pulsação nem sempre é regular e pode oscilar.

Qual a pulsação normal por idade?

A pulsação considerada normal, pode variar um pouco de acordo com a idade, com as condições de saúde e hábitos de vida. A emoção, febre, uso de medicamentos ou alteração climática, alteram naturalmente a frequência cardíaca.

No entanto, existem valores estimados de batimentos normais, pela idade, que são apresentados na tabela a seguir:

Batimentos cardíacos normais por idade
Idade mínimo médio máximo
0 - 6 meses 105 bpm 120 - 160 bpm 180 bpm
6 m a 2 anos 88 - 98 bpm 100 - 150 bpm 168 bpm
2 a 6 anos 65- 75 bpm 81 - 128 bpm 142 bpm
6 a 12 anos 52 - 59 bpm 67 - 111 bpm 123 bpm
12 a 18 anos 43 - 47 bpm 58 - 92 bpm 104 bpm
18 a 65 anos 60 bpm 80 bpm 100 bpm
Acima de 65 anos 50 bpm 70 bpm 90 bpm
Que fatores influenciam os batimentos cardíacos?

A frequência cardíaca varia conforme a idade e o condicionamento físico. Quanto menor a idade, maior a frequência cardíaca. Em geral, pessoas adultas sedentárias têm uma frequência cardíaca entre 70 a 100 batimentos por minuto, enquanto aquelas bem condicionadas fisicamente podem apresentar uma frequência cardíaca de 50 bpm ou ainda menos.

Isso indica que o coração de um indivíduo que pratica exercícios físicos regularmente é mais eficiente para bombear o sangue e, por isso, trabalha menos.

O coração é um órgão musculoso e fica mais forte com a prática regular de atividade física. Logo, não precisa bater tantas vezes para levar o sangue para o resto do corpo, pois os seus batimentos são fortes e eficientes.

O coração de uma pessoa sedentária é mais fraco e, por isso, precisa bater mais vezes para conseguir bombear o sangue.

Ter uma frequência cardíaca de repouso baixa protege o coração, pois menos batimentos por minuto significa menos desgaste com o passar do tempo. Essa é uma das razões por que a prática regular de exercícios físicos ajuda a prevenir doenças cardiovasculares.

O que pode deixar o batimento cardíaco alto?

Os batimentos cardíacos podem ficar com valores mais altos em várias situações e condições. É normal o coração ficar acelerado ao praticar exercício físico ou diante de emoções fortes, por exemplo.

Porém, em repouso, a frequência cardíaca considerada normal não deve ser superior a 100 bpm. Se isso ocorrer sem um motivo aparente, precisa ser investigado. O aumento da frequência cardíaca para valores acima 100 bpm é denominada taquicardia.

As principais causas do aumento da frequência cardíaca incluem:

  • doenças cardíacas (arritmias),
  • ansiedade, estresse,
  • anemia,
  • consumo aumentado de cafeína, bebidas alcoólicas e cigarro,
  • hipertireoidismo, doenças reumáticas,
  • processos infecciosos, febre,
  • hipoglicemia (baixos níveis de açúcar no sangue),
  • desidratação,
  • fatores genéticos e
  • uso de certos medicamentos.
Quais as causas de batimentos cardíacos baixos?

A frequência cardíaca é considerada baixa se estiver abaixo de 60 bpm. Essa diminuição dos batimentos cardíacos pode ter várias causas e é denominada bradicardia.

Em casos específicos, os batimentos cardíacos baixos são considerados normais. É o que acontece com pessoas que têm um bom condicionamento físico, por exemplo, que podem ter uma frequência cardíaca de apenas 50 bpm ou ainda mais baixa.

O coração dessas pessoas é mais eficiente, por isso precisa bater menos vezes para bombear o sangue para o resto do corpo.

Porém, em outros casos, os batimentos cardíacos baixos podem ter como causas:

  • arritmia cardíaca,
  • hipotireoidismo,
  • doença de Lyme,
  • febre tifoide,
  • hipotermia (temperatura corporal abaixo de 35ºC),
  • níveis altos de potássio no sangue,
  • uso de drogas ou certos medicamentos.

Quando os batimentos cardíacos estão baixos, a pessoa pode sentir tontura, fraqueza e até desmaiar devido ao pouco oxigênio que chega às células do corpo e cérebro.

Consulte o/a médico/a de família, clínico/a geral ou cardiologista se verificar que a sua frequência cardíaca de repouso está acima ou abaixo dos valores considerados normais. Tanto a taquicardia como a bradicardia podem ser um sinal de arritmia cardíaca e precisam ser investigadas.

Conheça um pouco mais sobre esse tema, nos artigos:

Batimentos cardíacos acelerados: o que pode ser e o que fazer?

Batimentos cardíacos baixos: o que pode ser?

Quais os sintomas de um ataque cardíaco?

Referência:

SOBRAC - Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas

Jennifer N Silva. Bradycardia in children. UpToDate. Sep 03, 2019.

Sinto minha barriga mexer: o que pode ser?
Dra. Nicole Geovana
Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

Sentir a barriga mexer é provável que seja gases intestinais. Se for gravidez, é preciso estar com pelo menos 4 ou 5 meses de gestação para sentir o bebê mexer, o que significa que a mulher já deverá ter percebido que está grávida nessa altura.

Os gases intestinais são produzidos por bactérias que habitam o intestino e atuam na digestão dos alimentos. Quando produzidos em excesso, eles podem mesmo fazer a barriga mexer, como se estivesse "algo" lá dentro. 

Além disso, os gases intestinais podem deixar a barriga dura e inchada, causando dor abdominal e flatulência.

A principais causas de gases intestinais são:

  • Alimentos como feijão, ovos, leite, batata, milho, brócolis, couve-flor, grão-de-bico, ervilha;
  • Falta de atividade física;
  • Prisão de ventre;
  • Intolerância à lactose.

Na maior parte dos casos, a produção excessiva de gases intestinais não está associada a nenhuma doença. No entanto, se surgirem outros sintomas, como emagrecimento, diarreia crônica, falta de apetite, anemia e sangramentos, deve-se consultar o/a clínico/a geral ou médico de família.