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O que é nódulo hipoecoico? Pode ser grave?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

O nódulo hipoecoico também chamado de hipoecogênico é um nódulo de baixa densidade quando visualizados com exames de imagem como, por exemplo, a ultrassonografia. Este tipo de nódulo é, normalmente, formado de gordura ou líquido e sua presença no exame não indica, necessariamente, uma doença grave.

Para determinar se o nódulo é grave ou não, é preciso uma avaliação médica para analisar a sua localização, se provoca ou não sintomas, entre outras características.

Nódulos hipoecoicos na tireoide, mama e fígado merecem atenção e, geralmente, precisam ser melhor investigados.

Nódulo hipoecoico na tireoide

Um nódulo hipoecoico na tireoide pode indicar malignidade. Entretanto, nestes casos, o médico avaliará o tamanho do nódulo. Quando maiores que 1 cm, se faz necessário efetuar biópisia para determinar a presença de câncer de tireoide.

Os nódulos hipoecoicos de tireoide com 0,5 com são puncionados quando apresentam aumento de vasos sanguíneos, microcalcificações, quando irradiam para os tecidos vizinhos ou quando possui mais altura do que largura.

Todos estes sinais, bem como o tratamento são avaliados pelo médico.

Nódulo hipoecoico na mama

O nódulo de mama, geralmente, não é preocupante sendo comuns a presença de cistos simples e fibroadenoma, ambos considerados lesões benignas.

Fique atenta se perceber alterações no formato da mama ou no seu tamanho. É importante que você faça um acompanhamento médico mais rigoroso, se você tiver história de câncer na família ou caso perceba a presença de um nódulo duro, fixo e quando há muitos vasos sanguíneos.

No entanto, na presença de qualquer nódulo procure um médico para avaliação e diagnóstico adequados. Nos casos em que há suspeita de câncer de mama, o médico de família, ginecologista ou mastologista solicitará punção e/ou biópsia.

Nódulo hipoecoico no fígado

A presença de um nódulo hepático no fígado é insuficiente para determinar se é benigno ou maligno.

Nos casos em que o nódulo aumenta constantemente de tamanho ou possui mais que 1 cm, é possível que o médico solicite tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Estes exames ajudarão a determinar se o nódulo é maligno ou benigno.

Como sei se o nódulo hipoecoico é grave?

Para definir se um nódulo hipoecoico é grave ou não, benigno ou maligno, o médico avaliará:

  • Localização do nódulo,
  • Características do nódulo: tamanho, consistência, infiltração, aos tecidos vizinhos, presença de muitos vasos sanguíneos,
  • História de câncer na família e
  • Sintomas clínicos (emagrecimento sem causa aparente, dor, alteração na forma da região do corpo afetada).

Os nódulos hipoecoicos nem sempre precisam ser removidos cirurgicamente. Em sua maioria são benignos e apenas precisam ser acompanhados com tomografia computadorizada e ultrassom com periodicidade de 3 meses, 6 meses e 1 ano, de acordo com a recomendação médica.

Na presença de um exame de imagem com nódulo hipoecoico, busque um médico para retirar todas as suas dúvidas e efetuar avaliação e diagnósticos adequados. Você pode procurar, inicialmente um médico de família ou clínico geral.

Para saber mais sobre nódulos, você pode ler:

O que é um nódulo hipoecoico e hipoecogênico?

Nódulo na tireoide é perigoso? Qual é o tratamento?

Nódulo em mama direita com dor, o que pode ser?

O que é hiperplasia nodular focal? Como é o tratamento?

Referência

CBRDI. Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem.

MEDEIROS, M.M.; GRAZIANO, L.G.; SOUZA, J.A.; GUATELLI, C.S.; POLI, R.M.B.; YOSHITAKE, R. et al. Hyperechoic breast lesions: anatomopathological correlation and differential sonographic diagnosis. Rev. Radiol Bras, 2016, 49(1):43–48.

Dor em volta do umbigo: 6 principais causas e tratamento
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Diversas doenças e condições podem causar dor em volta do umbigo. Esta região pode refletir problemas em diferentes estruturas do abdômen, desde doenças nos órgãos internos, como estômago e intestino, quanto problemas nas estruturas mais superficiais da parede abdominal.

Seis causas importantes e frequentes de dor em volta do umbigo que merecem destaque são: a gastroenterite, a gastrite, as úlceras pépticas, gases ou constipação, hérnias umbilicais e apendicite.

1 - Gastroenterite

A gastroenterite é uma inflamação do trato gastrointestinal desencadeada principalmente por infecções ou intoxicações alimentares. É comum as gastroenterites causarem dores abdominais, que podem se localizar próximo do umbigo, em outras áreas do abdômen ou podem atingir toda a barriga. Além de dor, a gastroenterite provoca: diarreia, vômitos, mal-estar e febre.

Qual o tratamento?

O tratamento da gastroenterite inclui hidratação, alimentação leve e uso de medicamentos que aliviam o desconforto e as dores, como analgésicos e antiespasmódicos. Em alguns casos de gastroenterites de origem infecciosa pode ser necessário o uso de antibióticos.

2 - Gastrite

A gastrite é a inflamação da mucosa que reveste o estômago por dentro. É comum esta doença causar dor epigástrica, que é a dor do estômago que se localiza, geralmente, um pouco acima do umbigo. A gastrite cursa também com sintomas de náuseas, azia, sensação de inchaço ou empachamento.

Qual o tratamento?

O tratamento da gastrite consiste principalmente em mudanças alimentares, ao se evitar o consumo de irritantes gástricos como cafeína e alimentos picantes e ácidos. Também está indicado o uso de medicamentos que auxiliam a reduzir a acidez gástrica, como o omeprazol. Quando gastrite é causada pela bactéria H. pylori, também se deve acrescentar ao tratamento antibióticos que visam erradicar esta bactéria.

3 - Úlcera péptica

Uma úlcera seja do estômago ou do duodeno pode causar dor de forte intensidade próximo ao umbigo, principalmente um pouco acima do umbigo na região do estômago. A úlcera também pode causar sintomas de náuseas, vômitos e mal-estar.

Qual o tratamento?

O tratamento das úlceras, da mesma forma que o da gastrite, é realizado através da erradicação da bactéria H. pylori e medicamentos que reduzem a secreção estomacal.

4 - Hérnia umbilical

As hérnias umbilicais são projeções do conteúdo da cavidade abdominal para fora da cavidade, através de falhas do conjunto de tecidos da região umbilical, provocando protuberâncias no umbigo. Podem causar dor intensa ou mesmo passarem despercebida sendo totalmente assintomáticas. Geralmente, a dor da hérnia abdominal piora com os movimentos e esforços físicos.

Qual o tratamento?

O tratamento das hérnias umbilicais é feito através de uma cirurgia de reparação da hérnia. No caso de hérnias muito pequenas e assintomáticas, pode não ser necessária a realização de uma cirurgia, podendo apenas ser feito o acompanhamento da hérnia.

6 - Gases e constipação

A presença de gases e/ou a prisão de ventre é uma causa frequente de dores abdominais. As dores podem ser sentidas em volta do umbigo, se distribuir por toda a barriga ou ficar localizada em alguma parte do abdômen. Os gases e a constipação causam ainda sensação de inchaço na barriga e dificuldade ou dor para evacuar.

Qual o tratamento?

Para aliviar os gases podem ser usados medicamentos, como a simeticona. Além disso, a prática de atividade física, como caminhadas, também ajuda na eliminação dos gases. Cuidados na alimentação são também essenciais, como a redução do consumo de bebidas gaseificadas, comer e mastigar mais devagar e reduzir o consumo de alguns alimentos como feijões, grãos, repolhos e carnes vermelhas.

Já a constipação pode ser tratada através de uma dieta rica em fibras, aumento do consumo de líquidos, prática de atividade física e uso de laxantes, nos casos mais graves.

5 - Apendicite

A apendicite é a inflamação do apêndice, uma pequena estrutura no intestino.A dor no umbigo pode ser um dos sintomas iniciais deste problema, também é comum ocorrer uma dor difusa na barriga no inicio. A medida em que a inflamação no apêndice progride, a dor tende a se localizar mais na área deste órgão, que fica no quadrante inferior direito da barriga.

Qual o tratamento?

O tratamento da apendicite consiste na retirada do apêndice através de cirurgia, que deve ser realizada com urgência, já que o apêndice inflamado pode levar a complicações como infecções ou mesmo ruptura.

Caso apresente dor no umbigo ou em volta do umbigo, consulte um médico de família ou clínico geral para uma avaliação inicial.

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Referências bibliográficas:

FBG. Federação Brasileira de Gastroenterologia.

Acute viral gastroenteritis in adults. Uptodate. 2021

Peptic ulcer disease: Treatment and secondary prevention. Uptodate. 2021

Caroço no olhos: quais a principais causas e como tratar?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Caroços no olho são frequentes e podem causar intenso desconforto. Os caroços mais frequentes são aqueles que aparecem nas pálpebras. As causas mais comuns incluem o calázio e o hordéolo (terçol).

No entanto, também não é incomum aparecem caroços e nódulos na região mais interna do olho, como na conjuntiva, a fina membrana que recobre o olho. Entre as possíveis causas destacam-se a pinguécula, o pterígio, o cisto dermoide da órbita e o tumor de conjuntiva.

Vejamos as principais causas de caroço no olho:

Calázio

É um cisto que atinge as pálpebras, sendo mais frequente na pálpebra superior. Ocorre quando as glândulas de gordura ficam obstruídas.

O calázio é uma condição muito comum e, em grande parte das vezes, desaparece espontaneamente no decorrer de algum tempo

Qual o tratamento?

O tratamento do calázio envolve a aplicação de compressas quentes, de duas a três vezes ao dia. Em calázios de grandes dimensões que causam prejuízos à visão pode-se realizar aplicação de corticoesteroides, o que leva à sua redução.

Hordéolo (terçol)

O hordéolo ou terçol, é um nódulo decorrente da obstrução e infecção de glândulas sebáceas presentes nas bordas das pálpebras. Algumas pessoas podem notar ou sentir que tem uma bolinha na pálpebra, que cresce com o decorrer do tempo. Essa bolinha costuma ter um ponto mais amarelado ao centro.

Qual o tratamento?

Também pode desaparecer espontaneamente em alguns dias, a secreção acumulada no seu interior sai sozinha cessando o nódulo e melhorando a inflamação.

A aplicação de compressas quentes durante alguns minutos de duas a três vezes ao dia também facilita a drenagem espontânea do hordéolo. Em algumas situações pode ser indicado o uso de antibióticos, quando há infecção concomitante.

Pinguécula

É uma formação amarelada que aparece na conjuntiva do olho, podendo ser vista apenas como uma mancha, ou ainda formar uma pequena nodulação. É uma condição frequente causada por alterações degenerativas da própria conjuntiva. Um dos fatores de risco para o seu aparecimento é o olho seco.

Qual o tratamento?

A pinguécula é uma alteração benigna, portanto, geralmente não requer nenhum tratamento específico. Caso cause desconforto, podem ser usados colírios lubrificantes ou lágrimas artificiais para alívio dos sintomas.

Pterígio

O pterígio também é uma lesão degenerativa da conjuntiva que cresce em direção a pupila, também pode levar a formação de um pequeno nódulo, como se fosse uma "carne crescida". São fatores de risco para o pterígio o olho seco e a exposição excessiva a luz solar e vento.

Qual o tratamento?

É uma condição benigna, sendo que raramente é necessário algum tratamento. Se causar desconforto ou vermelhidão ocular podem ser usados colírios lubrificantes. Em situações de maior inflamação, anti-inflamatórios ou corticoides tópicos também são utilizados.

Quando o pterígio cresce a ponto de interferir na visão, está indicada a sua retirada através de cirurgia.

Cisto dermoide da órbita

Os cistos dermoides são tumores congênitos, ou seja, estão presentes desde o nascimento e crescem muito lentamente, sendo raros. Podem aparecer em diferentes regiões do corpo, inclusive na órbita ocular. Quando atinge o olho, o cisto dermoide aparece como um nódulo arrendondado, liso e duro.

Qual o tratamento?

O tratamento é feito através da retirada cirúrgica do cisto.

Tumor de conjuntiva

Tumores em forma de caroços ou nódulos, podem surgir na conjuntiva que é a parte branca do olho. Em fases iniciais podem ser confundidos com outras lesões oculares como pinguécula ou pterígio.

Qual o tratamento?

O tratamento dos tumores de conjuntiva é feito através da excisão do tumor.

Na presença de caroços ou nódulos nos olhos, consulte o seu médico de família ou um oftalmologista para uma avaliação e diagnóstico.

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Pontada no olho: o que pode ser e o que fazer?

Referências bibliográficas:

Chandak et al. Eyelid lesions. Uptodate. 2020

Jacobs D. Pterygium. Uptodate. 2021

Ferritina baixa: o que significa e o que fazer para aumentar
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

A ferritina é uma molécula de proteína que armazena ferro. Portanto, quando a ferritina está baixa indica que as reservas de ferro também estão baixas, sendo um possível indício de anemia atual ou futura.

Se a ferritina baixa de fato corresponder a uma anemia por deficiência de ferro, o tratamento é feito com a administração de ferro de modo a repor os estoques de ferritina e ferro no organismo. O objetivo é alcançar uma ferritina maior que 50 ng/ml. O consumo de alimentos ricos em ferro também contribui para o aumento da ferritina.

Quais os sintomas da ferritina baixa?

A ferritina baixa ocasiona sintomas de anemia por deficiência de ferro, os principais sintomas são:

  • Fadiga;
  • Falta de ar aos esforços;
  • Perda de força e sensação de fraqueza;
  • Dor de estômago;
  • Queda de cabelo;
  • Ccomer terra ou chupar gelo (pica).
O que tomar para aumentar a ferritina?

O tratamento da anemia ferropriva é feito basicamente pelo uso de ferro, que pode ser administrada por via oral, através de comprimidos ou através da toma de ferro pela veia. Diferentes formas e composições de ferro podem ser usadas.

Os medicamentos que são tomados por via oral mais comuns são:

  • Sulfato ferroso (Vitafer®, Ferronir®): é a formulação de ferro mais conhecida e usualmente prescrita no tratamento da anemia por deficiência de ferro. Está disponível gratuitamente na rede pública.
  • Ferripolimaltose (Noripurum®, Endofer®, Ultrafer®):

O tratamento da anemia ferropriva também pode ser feito através do uso de ferro endovenoso. Esta via de administração está indicada quando existe intolerância ao uso do ferro por via oral, quando não se consegue uma boa resposta ao tratamento por via oral ou ainda quando se deseja a reposição rápida do ferro.

Nesse caso a opção de ferro comumente utilizada é o:

  • Sacarato de hidróxido férrico: é um formulação de ferro administrada por via venosa. Cada ampola de 5ml contém 100 mg de ferro.

É importante lembrar que o tratamento da anemia por deficiência de ferro deve sempre ser orientado por um médico, visto que é importante acompanhar a quantidade de ferro no organismo e também investigar a causa da anemia.

Doenças que provocam sangramento, como úlceras, divertículos, tumores ou aumento do sangramento menstrual podem ser a causa da anemia ferropriva e devem ser diagnosticadas e tratadas para evitar que a anemia persista.

O que comer para aumentar a ferritina?

O consumo de alimentos ricos em ferros também pode contribuir para a reposição do ferro no organismo e aumento da ferritina. Alguns alimentos que contém ferro e podem ser consumidos para aumentar a ferritina são:

Alimentos de origem animal:
  • Carne de vaca, aves ou porco
  • Peixes (sardinha, atum, salmão)
  • Fígado e vísceras
  • Mariscos
Alimentos de origem vegetal
  • Feijões e lentilhas
  • Vegetais de folha escura (espinafres, couves, brócolis)
  • Frutos secos, sementes

Existe também a recomendação de preparar alimentos em panelas de ferro, que quando utilizadas liberam pequenas quantidades de ferro na comida, aumentando assim a ingesta deste mineral.

Quanto tempo para aumentar a ferritina?

O tratamento da anemia ferropriva dura de 2 a 6 meses, geralmente esse é o tempo para repor os índices de ferro no sangue e também aumentar o estoque de ferritina, evitando assim uma recidiva da anemia.

Caso tenha notado que a sua ferritina está baixa procure um médico de família ou clínico geral para avaliar o seu caso e iniciar o tratamento o mais rapidamente possível.

Também pode ser do seu interesse:

Ferritina baixa é grave, quais os sintomas?

Referências bibliográficas

Treatment of iron deficiency anemia in adults. Uptodate. 2021

Cançado, Rodolfo D. e Chiattone, Carlos S.Anemia ferropênica no adulto: causas, diagnóstico e tratamento. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia [online]. 2010

Anemia por deficiência de ferro. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas. 2014

Tipos de menstruação: o que significam as diferentes cores?
Dra. Juliana Guimarães
Dra. Juliana Guimarães
Enfermeira doutorada em Saúde Pública

A sangue menstrual de cor marrom, marrom escuro (com ou sem coágulos), preta, rosa e vermelho vivo são, em geral, consideradas normais. Deste modo, não necessariamente estão relacionadas a doenças.

Entretanto, na presença de outros sintomas associados tais como cheiro fétido, febre, dor pélvica se faz necessário a avaliação de um médico de família ou ginecologista.

Sangramento menstrual marrom

A menstruação marrom ou marrom escuro, semelhante à borra de café, é comum no início ou no final do ciclo menstrual. É uma condição normal que ocorre devido a sangramentos antigos que demoraram a sair pelo canal vaginal, no período pós-parto e em situações de grande estresse emocional.

Se você observar que a sua menstruação se encontra escura e com pedaços (coágulos), saiba que isto é considerado normal nos dias em que sangramento é mais intenso. Estes coágulos podem também apresentar coloração vermelho escura ou preta e correspondem a pedaços do revestimento interno do útero (endométrio) que descama durante a menstruação.

O sangramento marrom escuro acompanhado de dor ou odor fétido, pode indicar endometriose ou a presença de infecções sexualmente transmissíveis. Nestes casos, é preciso buscar avaliação médica.

Sangramento menstrual preto

Quando você observa que o sangue menstrual se encontra preto, igualmente indica sangramento antigo que ficou retido mais tempo no útero e demorou a chegar ao meio externo pela vagina. Na verdade, este sangramento é de cor marrom escuro e se deve ao uso de anticoncepcional ou pílula do dia seguinte, proximidade da menopausa,

A presença do sangramento preto é considerada normal se não estiver associado a nenhum outro sintoma como dor, odor fétido, febre, entre outros.

Sangramento menstrual rosa

O sangramento menstrual rosado indica sangramento de escape ou de ovulação. Este tipo de sangramento acontece no meio do ciclo e, por se misturar com os fluidos produzidos no período fértil, apresenta coloração rosada.

Entretanto, ao observar sangramento rosa e aguado fora do seu ciclo menstrual normal, é importante que você procure um médico de família ou ginecologista. Este tipo de sangramento pode indicar câncer cervical.

Sangramento menstrual vermelho vivo

O sangue menstrual vermelho vivo é um indica que o sangue teve pouco contato com o oxigênio e que saiu rapidamente do canal vaginal. Isso ocorre com maior frequência nos dias em que o fluxo menstrual é mais intenso, normalmente, em torno do segundo e terceiro dia de menstruação.

Quando devo procurar um médico?

Os diferentes tipos de menstruação com suas diferentes cores são, como vimos, considerados normais. No entanto, procure um médico se você perceber os seguintes sinais:

  • Dor pélvica,
  • Corrimento marrom antes e depois da menstruação,
  • Odor fétido,
  • Febre superior a 38º C,
  • Menstruação com mais de 7 dias de duração e
  • Sangramentos fora do ciclo menstrual (sangramentos de escape).

Para saber mais sobre os tipos de menstruação, você pode ler:

Minha menstruação é uma secreção escura, é normal?

Menstruação não veio, no lugar dela uma borra marrom...

Menstruação aguada: o que pode ser?

Referências

Davies J, Kadir RA. Endometrial haemostasis and menstruation. Rev Endocr Metab Disord. 2018;13(4):289-99.

Garry R, Hart R, Karthigasu KA, Burke C. A reappraisal of the morphological changes within the endometrium during menstruation: a hysteroscopic, histological and scanning electron microscopic study. Hum Reprod. 2019;24(6):1393-1401.

FEBRASGO. Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia.

Supositório infantil: para que serve e como usar
Dra. Juliana Guimarães
Dra. Juliana Guimarães
Enfermeira doutorada em Saúde Pública

O supositório infantil é indicado para o tratamento da prisão de ventre, febre, dor e expectoração. É usado, especialmente, em bebês ou em crianças que não aceitam a medicação por via oral.

Este medicamento deve ser introduzido no ânus por via retal e precisa permanecer no reto até que faça efeito e os sintomas (prisão de ventre, dor, febre ou expectoração) melhorem.

Prisão de ventre

Nos casos de prisão de ventre (constipação) é recomendado o supositório de glicerina infantil. Este tipo de supositório aumenta a quantidade de água no intestino e estimula os movimentos intestinais e a eliminação das fezes.

Além disso, a glicerina amolece e lubrifica as fezes ressecadas e endurecidas sem causar danos à flora intestinal.

Como usar: A dose indicada para crianças e bebês é de um supositório por dia, se necessário, ou de acordo com a orientação médica. Deve ser utilizado para estimular 1 evacuação por dia por, no máximo, 7 dias consecutivos.

Os supositórios de glicerina usados em crianças e bebês são mais finos e compridos, o que facilita o seu uso. Antes de aplicar, umedeça o supositório com água para facilitar a sua introdução no ânus e evitar a irritação da mucosa intestinal.

Nos bebês o supositório deve ser inserido no ânus pela parte mais fina e deve ser conservado no reto com a ponta do dedo até que a evacuação ocorra.

Dor e febre

Para aliviar a dor e reduzir a febre provocadas, principalmente, por gripes e resfriados, são indicados os supositórios de dipirona (Novalgina®). Entretanto, este medicamento não deve ser usado em crianças com menos de 4 anos.

Como usar: O supositório de dipirona pode ser usado na dose máxima de 4 vezes ao dia, ou seja, a cada seis horas.

Expectoração

O supositório de Transpulmin® é indicado para crianças com idade superior a 2 anos que estão apresentando tosse com catarro.

Como usar: Transpulmin® deve ser administrado na dosagem de 1 a 2 supositórios por dia (dose máxima), ou seja, de seis em seis horas.

Passo a passo para colocar o supositório em bebês e crianças

Para colocar o supositório em bebês e crianças, você pode seguir os seguintes passos:

  1. Lave bem as mãos antes de realizar o procedimento;
  2. Deite a criança ou o bebê de lado;
  3. Afaste as nádegas da criança com o polegar e o indicador de uma das mãos deixando a outra mão livre;
  4. Lubrifique a região anal com gel lubrificante à base de água;
  5. Introduza a ponta mais fina do supositório no ânus do bebê ou da criança empurrando lentamente na direção do umbigo, ou seja, na mesma direção do reto.

Se o supositório voltar, você deve aplicar novamente exercendo um pouco mais de pressão. Entretanto, é preciso ter cuidado para não machucar a criança ou o bebê.

Ao concluir a introdução do medicamento mantenha criança em repouso na mesma posição e observe se os sintomas desaparecem. Nos casos, em que sintomas persistem, entre em contato com médico de família ou pediatra.

O uso dos supositórios infantis deve ser orientado por um médico de família ou pediatra e o modo de usar pode variar conforme a recomendação profissional.

Para saber mais sobre o uso de supositórios, você pode ler:

Supositório de glicerina pode ser usado em bebês?

Para que serve e como usar o supositório de glicerina?

O supositório de glicerina faz mal?

Referências

SBP. Sociedade Brasileira de Pediatria.

Quais são os sintomas de ascite (barriga d’água)?
Dra. Juliana Guimarães
Dra. Juliana Guimarães
Enfermeira doutorada em Saúde Pública

A ascite ou barriga d'água é o acúmulo anormal de líquido no abdome e tem como principal sinal o crescimento progressivo da barriga. A depender do volume de líquido que se acumula na cavidade abdominal, o abdome se torna globoso (arredondado) e outros sintomas como dor na barriga, dificuldade de respirar e perda de apetite podem surgir.

Inicialmente, é comum que a pessoa não apresente sintomas. Entretanto, com a evolução da ascite a pessoa pode apresentar os seguintes sinais ou sintomas:

Crescimento da barriga

O crescimento da barriga e o alargamento da cintura são os sintomas mais característicos da ascite e ocorrem na medida em que o líquido anormal (líquido ascítico) se acumula no interior do abdome. Deste modo, quanto mais líquido se acumula, maior fica a barriga.

Ascite: caracterizada pelo crescimento da barriga e alargamento da cintura. Dor abdominal

A presença do líquido na barriga distende a parede do abdome e provoca dor. Quanto maior a quantidade de “água na barriga”, maior será a intensidade da dor. A dor pode vir ainda acompanhada de sensação de peso na barriga e pressão no abdome.

Ganho de peso, perda de apetite e inchaço

A pessoa com ascite pode ainda apresentar ganho de peso, apesar da perda de apetite que essa condição provoca. Neste caso, o aumento de peso ocorre devido à presença anormal de líquidos na barriga e inchaço (edema) das pernas e tornozelos.

Vontade de urinar com frequência

A grande quantidade de líquido no abdome faz pressão sobre a bexiga o que leva a pessoa a ter vontade de urinar frequentemente.

Prisão de ventre

A prisão de ventre em pessoas com ascite se deve à pressão do líquido abdominal (líquido ascítico) sobre os intestinos, o que dificulta a passagem e saída das fezes.

Dificuldade de respirar

A dificuldade de respirar, que geralmente piora quando a pessoa se deita, acontece devido à pressão que o líquido abdominal anormal exerce sobre o diafragma. O diafragma é um importante músculo que participa da respiração.

Ascite (barriga d’água) tem cura?

A ascite somente tem cura se a doença que a está provocando for tratada, uma vez que ela acontece em decorrência de alguns distúrbios de saúde. Deste modo, a ascite não é, em si, uma doença.

Para além do tratamento da sua causa, a ascite pode ser tratada por meio da redução da ingestão de sal, abstinência de bebida alcoólica, uso de medicamentos, a exemplo dos diuréticos.

Quando estas medidas são insuficientes para reduzir ou eliminar ascite, é avaliada a necessidade de drenagem do líquido abdominal. Estes tratamentos têm o objetivo de reduzir a quantidade de líquido acumulado na barriga e de diminuir o inchaço em outras partes do corpo.

Causas da ascite

As causas mais comuns de ascite envolvem doenças que afetam o fígado, rins, coração, alguns tipos de câncer e doenças infecciosas. Estas doenças incluem:

  • Cirrose hepática (principal causa da ascite),
  • Esquistossomose,
  • Síndrome nefrótica (doença que atinge os rins),
  • Insuficiência cardíaca,
  • Tuberculose peritoneal,
  • Pancreatite,
  • Câncer em outros órgãos como estômago, intestino e ovários com metástase para o peritônio.

Na suspeita de ascite, busque um médico de família ou clínico geral. Se você sentir dificuldade de respirar, recorra urgentemente à um serviço de emergência.

Para saber mais sobre ascite, você pode ler:

Barriga d'água (Ascite) tem cura? Qual é o tratamento?

O que é barriga d’água?

Referências

FBG. Federação Brasileira de Gastroenterologia.

Runyon, B. A. Evaluation of adults with ascites. UpToDate, 2019.

Coletor menstrual: o que é, vantagens, desvantagens e como usar
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

O coletor menstrual ou copo menstrual é um suporte usado na vagina que coleta o sangue da menstruação, impedindo que se exteriorize pela vulva, é assim uma alternativa ao uso de absorventes externos e tampões.

O coletor é colocado na vagina e pode permanecer aí por no máximo 12 horas. Ao contrário dos tampões ele não fica no fundo da vagina próximo ao colo, fica um pouco mais para baixo próximo da entrada da vagina. Quando bem colocado e encaixado não causa nenhum incomodo e não provoca vazamentos de sangue.

Exemplo de coletor ou copo menstrual Quais as vantagens do coletor menstrual? Durabilidade

Ao contrário dos absorventes e tampões, os coletores menstruais podem ser reutilizados inúmeras vezes. A validade de um coletor menstrual é de 5 a 10 anos, pois é feito de silicone medicinal, um material durável e lavável.

Sustentabilidade

Os absorvente e tampões descartáveis são uma grande fonte de lixo não reciclável e poluente, enquanto que os coletores são uma alternativa mais ecológica já que um único coletor pode durar muito tempo.

Praticidade de uso

Os coletores são muito práticos de serem usados, precisam ser trocados poucas vezes e podem ser utilizados em diferentes situações, como na piscina, praia e durante práticas esportivas.

Não alérgenos

Os coletores não causam reações alérgicas na pele, por isso são uma alternativa a mulheres que apresentam alergias ao material dos absorventes.

Sem cheiro e higienizáveis

O sangue coletado no copo menstrual não fica exposto ao ar e bactérias do ambiente externo, por isso não adquire nenhum mal odor, algo que acontece frequentemente com os absorventes externos. Além disso, os coletores podem ser facilmente lavados com água e higienizados mais profundamente uma vez por ciclo com água fervente.

Quais as desvantagens do coletor menstrual?
  • Dificuldade em inserir e retirar. Para mulheres que não estão habituadas, pode ser difícil introduzir e retirar o coletor menstrual, é preciso não ter receio de tocar a própria vulva e vagina.
  • Dor e desconforto ao usar. Embora não seja comum ocorrer dor ou desconforto com o uso do coletor, esses sintomas podem acontecer se o coletor estiver mal encaixado, muito ao fundo ou muito na entrada da vagina. Algumas mulheres podem queixar-se de cólicas durante o uso do copo menstrual. Geralmente, o ajuste do tamanho ou do posicionamento do coletor resolve esses sintomas.
  • Risco de vazamento. O coletor menstrual pode não ser o suficiente para reter todo o sangue de mulheres que apresentam fluxo intenso. Muitas mulheres podem necessitar esvaziar o coletor muitas vezes ao dia, o que pode tornar o seu uso mais incômodo.
Como usar o coletor menstrual?

Colocar e retirar o coletor menstrual pode ser um desafio para muitas mulheres que nunca tiveram contato com esse método, mas com a prática torna-se cada vez mais fácil utilizá-lo.

Lembre-se de adquirir o coletor menstrual com o tamanho mais adequado ao seu corpo. Cada marca possui diferentes tamanhos e recomendações, geralmente a idade e quantidade de filhos interfere nessa escolha.

Informe-se antes de comprar, já que coletores muito pequenos ou grandes podem causar vazamentos e desconforto quando utilizados. Vejamos passo a passo como utilizar o coletor menstrual.

Como colocar o coletor menstrual?
  1. Primeiramente lave bem as mãos antes de inserir o coletor vaginal.
  2. Dobre o coletor vaginal. O coletor é feito de um formato maleável, portanto, é fácil dobrá-lo para que se encaixe na abertura da vagina. Existem diferentes formas de dobrar o coletor vaginal para que fique mais fácil introduzi-lo. A forma mais comum é em U, ou seja, dobrar o coletor sobre ele mesmo.
  3. Procure uma posição confortável para colocá-lo, pode tentar introduzi-lo sentada, em pé ou deitada.
  4. Introduza o coletor dobrado cuidadosamente, solte-o lentamente. O coletor deve ficar completamente inserido na vagina com a haste na altura da entrada da vagina, Não coloque muito fundo nem deixe a haste do coletor para fora.
  5. Certifique-se que o coletor menstrual está bem encaixado. Pode tentar passar o dedo em voltar do coletor e ver se não está dobrado, também pode puxar levemente a haste para senti-lo preso. Caso note que o coletor não foi bem colocado, retire-o e repita o procedimento.
Diferentes formas de dobrar o coletor menstrual Como retirar o coletor?
  1. Lave bem as mãos.
  2. Procure uma posição confortável para retirá-lo. Caso não o alcance tente agachar ou se estiver em pé dobre mais os joelhos para ficar mais fácil alcançar a haste.
  3. Empurre a parede do coletor menstrual para que assim consiga tirar o vácuo.
  4. Puxe-o gentilmente pela haste para fora da vagina com o cuidado de não dobrá-lo muito.
  5. Derrame o resto do sangue e lave o coletor com água, se água não estiver disponível basta limpá-lo com papel higiênico. Volte a reintroduzi-lo, se ainda estiver menstruada.
O que fazer se não conseguir tirar o coletor menstrual?

Algumas mulheres podem ter dificuldade em retirar o coletor, caso isso aconteça lembre-se retirar o vácuo, apertando a lateral do copinho, até sentir que ficou o coletor ficou mais solto.

Caso o coletor tenha subido muito e não o consiga alcança-lo tente agachar, assim a vagina fica mais encurtada e torna-se mais fácil alcançar o coletor para retirá-lo.

Para mais informações sobre o coletor menstrual converse com o seu ginecologista ou médico de família.

Leia também:

Coletor menstrual: como escolher e como usar corretamente?

Referências bibliográficas

Eijik et al. Menstrual cup use, leakage, acceptability, safety, and availability: a systematic review and meta-analysis. Lancet. 2019

Barriga inchada e dura: 6 causas mais comuns e o que fazer
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

A barriga inchada e dura, geralmente associada à dor, pode ter diversas causas, dentre as quais a mais comuns incluem gastrite, prisão de ventre, síndrome do intestino irritável, ascite, aumento dos órgão abdominais e tumores.

O tratamento varia de acordo com a causa, necessita de avaliação médica para ser iniciado e pode envolver o uso de antibióticos, anti-inflamatórios e outros medicamentos. Além disso, adotar uma alimentação saudável e equilibrada, evitar a ingestão de álcool e reduzir o consumo de sal são algumas medidas que você pode fazer para aliviar a sensação de barriga inchada e dura.

1. Gastrite

A gastrite consiste na inflamação da mucosa interna do estômago. A sensação de inchaço na barriga e de estômago cheio, endurecimento e dor acima do umbigo na região do estômago, azia, queimação perda de apetite, náuseas e vômitos são os seus sintomas mais frequentes.

O que posso fazer? Faça pequenas refeições ao longo do dia, mastigue bem os alimentos e procure dar preferência a verduras, frutas menos ácidas e carnes magras. Evite jejuns prolongados e a ingestão de café, refrigerantes, bebidas alcoólicas e medicamentos anti-inflamatórios. Antiácidos e antibióticos podem ser indicados em alguns casos, sob orientação médica.

2. Prisão de ventre

A prisão de ventre (constipação intestinal) é uma causa comum de barriga inchada, dura e de dor abdominal. Quanto mais intensa for a prisão de ventre, mais fortes serão os sintomas.

A constipação pode estar associada a alimentação, sedentarismo e a problemas de saúde como diabetes, diabetes, divertículos ou tumores intestinais.

O que posso fazer? Adote uma alimentação rica em fibras presentes nas verduras e alimentos integrais e aumente a ingestão de água. Se a prisão de ventre não melhorar em 2 ou 3 dias e os sintomas piorem busque um médico de família ou gastroenterologista para diagnóstico e tratamento adequados.

3. Gravidez

A gravidez provoca a sensação de inchaço e barriga dura, especialmente, na região abaixo do umbigo pelo aumento do volume do útero. Fique atenta se estas sensações de barriga inchada e dura estão associadas ao atraso no período menstrual.

O que posso fazer? A menstruarão estiver atrasada por, pelo menos, 15 dias você pode realizar o teste de gravidez de farmácia. É importante também procurar o médico de família para realização de Beta-HCG e, na presença de gravidez, iniciar o pré-natal.

4. Síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável é um distúrbio do sistema digestivo que provoca inchaço, dor e enrijecimento na barriga, além de períodos alternados de prisão de ventre e diarreia. Geralmente os sintomas pioram após o consumo de determinados alimentos e episódios de estresse emocional.

O que posso fazer? Consuma alimentos normalmente observando os alimentos que pioram os sintomas para evitá-los em outras refeições. Evite alimentos que produzem gases (feijões e repolho) ou que provoquem diarreia. Aumente o consumo de fibras na alimentação e de água, nos casos de prisão de ventre. Após avaliação médica podem ser indicado medicamentos para dor abdominal, diarreia e prisão de ventre.

5. Ascite

Ascite, popularmente conhecida como barriga d’água, é o acúmulo de líquido dentro do abdome.

Quando o volume de líquido dentro da cavidade abdominal é grande, a pessoa apresenta barriga inchada e dura, desconforto no abdome, umbigo achatado ou protuberante, perda de apetite e, nos casos mais graves, falta de ar.

O que posso fazer? Faça uma dieta com pouco sal e evite o consumo de bebidas alcoólicas. Nos casos de ascite com grande quantidade de líquido, são recomendados o uso de diuréticos, albumina e antibióticos. Pode ser necessária a retirada do líquido por meio de punção com uma agulha e instalação de dreno. Para isto a pessoa precisa estar internada.

6. Aumento dos órgãos abdominais e tumores

Quando os órgãos da cavidade abdominal ou pélvica aumentam o seu tamanho, podem provocar inchaço na barriga, endurecimento na região do órgão afetado e, em alguns casos, dor.

Alguns exemplos de órgãos aumentados são: fígado aumentado em pessoas com esquistossomose, cirrose, hepatites, miomas, obstrução de bexiga provocado pelo aumento do tamanho da próstata, tumores de ovários ou de órgãos abdominais.

O que posso fazer? Nestes casos é indicado procurar atendimento hospitalar para que o diagnóstico seja feito o mais rapidamente possível. Podem ser necessários exames de sangue e exames de imagem como ultrassonografia abdominal ou tomografia abdominal.

Quando devo me preocupar?

Fiquei atento se você sentir, além da barriga inchada e dura, sintomas como:

  • Dor abdominal intensa e persistente,
  • Presença de sangue no vômito ou nas fezes,
  • Sangramento vaginal anormal, na suspeita de gravidez e
  • Falta de ar ou dificuldade de respirar.

Ao perceber estes sinais busque atendimento em uma emergência hospitalar o quanto antes.

Para saber mais sobre barriga inchada, você pode ler:

Barriga inchada: o que pode ser e o que fazer?

6 dicas para desinchar a barriga rapidamente

Estou com a barriga inchada, dor e pontadas. O que pode ser e o que fazer?

Referências

IFGD - International Foundation for Gastrointestinal Disorders. Understanding Bloating and Distension.

FBG - Federação Brasileira de Gastroenterologia.

Quais doenças podem causar manchas na língua?
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Diferentes doenças e condições podem causar manchas na língua. Leucoplasia, eritroplasia, aftas, líquen plano ou candidíase são situações que podem causar o aparecimento de manchas na língua.

Vejamos algumas causas de manchas na língua.

Leucoplasia

A leucoplasia consiste em placas brancas que podem acometer a língua e outras áreas da boca como as bochechas e gengivas. Não há uma causa específica para o aparecimento dessas manchas, mas podem estar relacionadas a hábitos como o tabagismo ou alcoolismo e doenças infecciosas.

A leucoplasia é uma condição que não causa sintomas e é geralmente benigna, no entanto, em algumas pessoas essas lesões brancas podem evoluir para câncer. Por isso, a leucoplasia é considerada uma lesão pré-cancerosa.

Existe uma forma específica de leucoplasia chamada de leucoplasia pilosa. Esta forma está relacionada a infecção pelo vírus de Epstein-Barr e HIV e não tem relação com o câncer de boca.

Lesões de leucoplasia que apresentam alto risco de malignização são retiradas cirurgicamente.

Leucoplasia Eritroplasia

Eritroplasia é uma mancha de coloração vermelha bem demarcada, que pode atingir a língua e outras áreas da boca como o palato e a região abaixo da língua. Pessoas tabagistas ou que fazem uso abusivo de álcool abusivo tem maior risco de desenvolver essas lesões.

Está fortemente associada ao câncer de boca, por ter alto risco de se tornar uma lesão maligna.

O tratamento é efetuado através da retirada cirúrgica da lesão.

Aftas

As aftas são lesões ulceradas muito dolorosas, que no princípio podem aparecer apenas como manchas vermelhas que depois se ulceram e ficam brancas.

Múltiplos fatores contribuem para o aparecimento de aftas, entre eles destacam-se o estresse, trauma na boca, dieta com alimentos ácidos, consumo de álcool, deficiências nutricionais.

O tratamento inclui higiene oral, afastar causas relacionadas ao aparecimento das aftas como trauma, estresse ou alimentos ácidos. O alívio da dor pode ser alcançado através do uso de soluções anestésicas aplicadas localmente. O uso de corticoesteroides tópicos também podem ser benéficos em casos de aftas muito frequentes.

Afta Líquen plano oral

O líquen plano é uma doença inflamatória crônica que pode atingir a boca ou a pele. Quando ocorre na boca chama-se líquen plano oral e é caracterizado por lesões brancas ou vermelhas, que formam placas.

Há um risco de lesões de líquen plano oral também se malignizarem e transformarem-se em câncer, mas este risco é baixo.

Algumas lesões pequenas e assintomáticas não necessitam ser tratadas. Quando o tratamento é necessário, geralmente, é feito através do uso de corticosteroides aplicados localmente, através de bochechos ou pomadas.

Líquen plano oral Candidíase

A candidíase é uma infecção fúngica que pode acontecer em diferentes partes do corpo e inclusive na língua. Esta infecção causa manchas brancas.

É uma doença mais comum em bebês, idosos e pessoas com imunodeficiências, decorrente de tratamentos com quimioterapia, radioterapia, ou infecção por HIV

No casos menos graves, o tratamento da candidíase oral é feito com antifúngicos aplicados localmente. Já nas situações de candidíase mais extensa, os antifúngicos são administrados em comprimidos por via oral.

Candidíase oral

Consulte um médico de família, clínico geral ou dentista, caso note manchas na sua língua ou boca, que não melhoram.

Também pode ser do seu interesse:

Língua branca é sinal de doença?

Como tratar língua branca?

Referências bibliográficas:

1. Giovanni Lodi. Oral leukoplakia. Uptodate. 2021

2. Giovanni Lodi. Oral lesions. Uptodate. 2021

3. Nico M. et al. Líquen plano oral. Anais brasileiro de dermatologia. 2011.

6 dicas para desinchar a barriga rapidamente
Dra. Juliana Guimarães
Dra. Juliana Guimarães
Enfermeira doutorada em Saúde Pública

Algumas medidas simples como adotar uma alimentação saudável e equilibrada, evitar o consumo de alimentos muito salgados e aumentar a ingestão de água podem ajudar a desinchar a barriga rapidamente.

Além destas medidas a ingestão de alguns chás como o chá de hortelã, erva-cidreira e erva-doce também auxiliam na redução da sensação de inchaço na barriga.

1. Aumente a ingestão de água

Quando bebemos pouca água o corpo tende a armazená-la para não ficar desidratado, o que leva à retenção de líquidos e pode aumentar a sensação de inchaço na barriga. O consumo de, pelo menos, 1,5 a 2 litros de água por dia favorece a circulação do sangue, acelera o metabolismo e ajuda não só a reduzir a retenção de líquidos, como também diminui o inchaço abdominal.

2. Adote uma alimentação saudável

Procure fazer uma alimentação saudável rica em fibras, legumes, verduras, frutas e carnes magras e proteínas vegetais presentes, por exemplo, na lentilha, no grão de bico, e em ervilhas. Priorize alimentos frescos e naturais evitando os processados como salsichas e linguiça.

Dê preferência a frutas como melão, morango e laranja, pois elas têm menos açúcar a mais água. Observe se você produz mais gases ao comer vegetais como brócolis e couve-flor uma vez que ao elevar a produção de gases, tendem a agravar o inchaço na barriga. A abobrinha e pepino são vegetais com alto teor de água e reduzem a sensação de inchaço.

3. Reduza o consumo de sal

Alimentos muito salgados, ricos em sódio, favorecem a retenção de líquidos e aumentam a sensação de inchaço na barriga. Por este motivo, procure consumir menos de 2.400 miligramas de sódio ao dia e mantenha o aumento do consumo de água para diminuir o inchaço e eliminar o excesso de sódio na corrente sanguínea.

4. Consuma probióticos

Os probióticos presentes em iogurtes naturais, por exemplo, auxiliam a equilibrar a flora intestinal e reduzem a sensação de inchaço na barriga e a formação de gases.

5. Pratique atividade física

A prática de atividade física auxilia a estimular o funcionamento intestinal e, além disso, promove a redução do acúmulo de líquidos no organismo, porque aceleram o metabolismo. Estes dois benefícios juntos ajudam a reduzir a sensação de inchaço na barriga.

6. Consuma chás de cavalinha, erva-doce, erva cidreira e hortelã

Os chás de erva-doce, erva cidreira e hortelã podem tomados durante o dia para reduzir a produção de gases intestinais e auxiliar na sua eliminação. Já o chá de cavalinha tem ação diurética e promove a redução da retenção de líquidos.

O que causa o inchaço na barriga?

As causas mais comuns de inchaço na barriga são o acúmulo de gases, prisão de ventre, menstruação e retenção de líquidos. Estas causas tendem a cessar rapidamente com as medidas simples que indicamos aqui.

Entretanto, quando associada à indigestão, gastrite, síndrome do intestino irritável e quando o inchaço na barriga vem acompanhada de dor persistente e frequente, é importante que você busque avaliação de um médico de família, clínico geral ou gastroenterologista para avaliação e tratamento adequados.

Para saber mais sobre inchaço na barriga, você pode ler:

Barriga inchada: o que pode ser e o que fazer?

Dor no estômago e barriga inchada, o que pode ser?

Barriga inchada e dura: 6 causas mais comuns e o que fazer

Estou com a barriga inchada, dor e pontadas. O que pode ser e o que fazer?

Referências:

Ministério da Saúde

FBG - Federação Brasileira de Gastroenterologia

Abaulamento discal: o que é, quais os sintomas e como tratar
Dra. Janyele Sales
Dra. Janyele Sales
Medicina de Família e Comunidade

Abaulamento discal difuso ou protrusão discal é o desgaste associado à perda de elasticidade do disco intervertebral, disco gelatinoso que fica localizado entre uma vértebra e tem como função amortecer impactos na coluna vertebral e facilitar os movimentos.

Seus principais sintomas incluem dor, dormência e sensação de formigamento.

O tratamento da protusão discal consiste no de analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares e fisioterapia. A cirurgia somente é indicada quando a dor e a limitação de movimentos compromete a realização das atividades da rotina diária e não melhoram com outros tratamentos.

Abaulamento discal difuso: área de desgaste e perda de elasticidade do disco intervertebral. É também o início da formação da hérnia discal. Sintomas de abaulamento (protusão) discal difusa

Os sintomas de abaulamento (protusão) discal variam de acordo com o local em que ela ocorre e se manifestam no trajeto do nervo que está sendo comprimido, por exemplo, se a protusão atingir a região lombar do lado direito, o comum é que os sintomas ocorram na perna direita.

De forma geral os sintomas incluem:

  • Dor,
  • Dormência,
  • Sensação de formigamento,
  • Redução da força muscular.

É comum que o abaulamento aconteça na região lombar ou região cervical.

Abaulamento na coluna lombar

Ao ocorrer abaulamento na coluna lombar, a dor pode irradiar desta região para a perna do mesmo lado da protusão. Além da dor, a pessoa sentirá formigamento, dormência e perda de força muscular no membro afetado. São comuns a dificuldade de manter-se em pé ou sentado por longo período e de praticar atividades que requeiram força nas pernas.

O abaulamento discal L4-L5 ocorre especificamente entre a 4ª vértebra lombar e 5ª lombar 5 (L4 – L5) e entre a quinta lombar e primeira sacral 1 (L5 - S1).

O abaulamento discal L5-S1 se dá entre as vértebras da região lombar e sacra da coluna vertebral, particularmente entre a quinta vértebra lombar e a primeira sacral 1 (L5 - S1). Neste tipo de protusão, pode ocorrer compressão do nervo ciático e a pessoa pode apresentar dor lombar e dor ciática.

Abaulamento na coluna cervical

No abaulamento na coluna cervical (pescoço), a dor irradia para o braço do mesmo lado da protusão e pode ocorrer perda de força muscular, dificuldade de movimentar o braço, além de formigamento.

Neste caso, a coluna cervical também pode ser acometida, e os sintomas são de dor no pescoço, conhecida como dor cervical ou cervicalgia.

Tratamento do abaulamento discal

O tratamento do abaulamento ou protusão discal, depende do grau de desconforto e limitação que ele provoca, da sua localização e da sua gravidade. Pode ser efetuado com medicamentos, exercícios de alongamento, fisioterapia e cirurgia.

  • Medicamentos: os analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares podem ser indicados pelo médico para reduzir a dor, inchaço e reduzir a tensão muscular. É possível também o uso de medicamentos tópicos como sprays de gelo e adesivos anestésicos para alívio da dor e inflamação.
  • Aplicação de calor: o uso de bolsas de água quente serve para reduzir o espasmo muscular e produzir o efeito anestésico para redução da dor.
  • Fisioterapia: indicada para corrigir a postura e estrutura da coluna, fortalecer a musculatura e alongamento da região posterior do corpo para que a dor não se torne crônica.
  • Cirurgia: é efetuada em casos mais severos, especialmente quando a hérnia de disco está presente. Pode ser indicada também quando há muitas limitações de movimentos e quando as outras formas de tratamento não tiveram efeito.

A protusão discal corresponde à fase inicial das hérnias de disco. Isto indica que, quando não tratado, o abaulamento discal difuso pode evoluir para a hérnia de disco.

Ao sentir os sintomas de abaulamento ou protusão discal, procure o médico de família, ortopedista ou reumatologista para avaliação e tratamento adequados.

Para saber mais sobre abaulamento discal e hérnia de disco, você pode ler:

O que é abaulamento discal e que sintomas pode causar?

Abaulamento discal tem cura? Como é o tratamento?

Hérnia de disco tem cura? Qual o tratamento?

Quando a cirurgia de hérnia de disco é indicada?

Referências

Peng B, DePalma MJ. Cervical disc degeneration and neck pain. Journal of pain research. 2018;11:2853.

Will JS, Bury DC, Miller JA. Mechanical low back pain. American family physician. 2018 Oct 1;98(7):421-8.

SBR. Sociedade Brasileira de Reumatologia.

SBOT. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.